1306: A estrela que sobreviveu a uma super-nova

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA

Esquerda: Imagem a cores da galáxia NGC 1309 antes da super-nova 2012Z. Direita: No sentido horário a partir do canto superior direito: a posição da super-nova pré-explosão; SN 2012Z durante 2013; a diferença entre as imagens pré-explosão e as observações de 2016; a localização de SN 2012Z nas últimas observações de 2016.
Crédito fotográfico: McCully et al.

Uma super-nova é a explosão catastrófica de uma estrela. As super-novas termo-nucleares, em particular, assinalam a destruição completa de uma estrela anã branca, não deixando nada para trás. Pelo menos era isso que os modelos e observações sugeriam.

Assim, quando uma equipa de astrónomos observou o local da peculiar super-nova termonuclear SN 2012Z com o Telescópio Espacial Hubble, ficaram chocados ao descobrir que a estrela tinha sobrevivido à explosão. Não só tinha sobrevivido – a estrela era ainda mais brilhante após a super-nova do que tinha sido antes.

O primeiro autor Curtis McCully, investigador pós-doutorado na Universidade da Califórnia em Santa Barbara e no Observatório Las Cumbres, publicou estas descobertas num artigo na revista The Astrophysical Journal e apresentou-as numa conferência de imprensa na 240.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana. Os resultados intrigantes dão-nos novas informações sobre as origens de algumas das explosões mais comuns, mas misteriosas, do Universo.

Estas super-novas termo-nucleares, também chamadas super-novas do Tipo Ia, são algumas das ferramentas mais importantes do conjunto de ferramentas dos astrónomos para medir distâncias cósmicas.

Com início em 1998, as observações destas explosões revelaram que o Universo tem vindo a expandir-se a um ritmo cada vez mais acelerado. Pensa-se que isto se deve à energia escura, cuja descoberta ganhou o Prémio Nobel da Física em 2011.

Embora sejam de importância vital para a astronomia, as origens das super-novas termo-nucleares são mal compreendidas. Os astrónomos concordam que são a destruição de estrelas anãs brancas – estrelas com aproximadamente a massa do Sol “embalada” num objecto com o tamanho da Terra.

Não se sabe com certeza o que faz com que as estrelas expludam. Uma teoria postula que a anã branca rouba matéria a uma estrela companheira. Quando a anã branca se torna demasiado massiva, as reacções termo-nucleares inflamam-se no núcleo e levam a uma explosão que destrói a estrela.

SN 2012Z foi um tipo estranho de explosão termonuclear, por vezes chamada super-nova do Tipo Iax. São as primas mais ténues e fracas do Tipo Ia mais tradicional. Dado que são explosões menos potentes e mais lentas, alguns cientistas teorizaram que são super-novas do Tipo Ia falhadas. As novas observações confirmam esta hipótese.

Em 2012, a super-nova 2012Z foi detectada na galáxia espiral próxima NGC 1309, que tinha sido estudada em profundidade e capturada em muitas imagens Hubble ao longo dos anos anteriores. Em 2013 foram obtidas novas imagens pelo Hubble, num esforço concertado para identificar qual das estrelas, nas imagens mais antigas, correspondia à estrela que tinha explodido.

A análise destes dados em 2014 foi bem-sucedida – os cientistas conseguiram identificar a estrela na posição exacta da super-nova 2012Z. Esta foi a primeira vez que a estrela progenitora de uma super-nova anã branca foi identificada.

“Nós esperávamos ver uma de duas coisas quando obtivemos os dados mais recentes do Hubble,” disse McCully. “Ou a estrela tinha desaparecido completamente, ou talvez ainda lá estivesse, o que significa que a estrela que vimos nas imagens pré-explosão não foi a que explodiu. Ninguém estava à espera de ver uma estrela sobrevivente que fosse mais brilhante. Isso foi um verdadeiro quebra-cabeças.”

McCully e a equipa acham que a estrela semi-explodida ficou mais brilhante porque inchou até um estado muito maior. A super-nova não era forte o suficiente para rebentar com todo o material, pelo que parte dela caiu de novo no que se chama de remanescente ligado. Com o tempo, eles esperam que a estrela regresse lentamente ao seu estado inicial, apenas menos massiva e maior. Paradoxalmente, para as estrelas anãs brancas, quanto menos massa tiverem, maior será o seu diâmetro.

“Esta estrela sobrevivente é um pouco como Obi-Wan Kenobi que regressa como fantasma na ‘Guerra das Estrelas’,” disse o co-autor Andy Howell, professor adjunto na UC Santa Barbara e cientista sénior do Observatório Las Cumbres. “A natureza tentou destruir esta estrela, mas voltou mais poderosa do que podíamos imaginar. Continua a ser a mesma estrela, mas de volta sob uma forma diferente. Ela transcendeu a morte.”

Durante décadas os cientistas pensaram que as super-novas do Tipo Ia explodem quando uma anã branca atinge um certo limite de tamanho, chamado limite de Chandrasekhar, cerca de 1,4 vezes a massa do Sol. Esse modelo tem caído um pouco em desuso nos últimos anos, uma vez que foram descobertas muitas super-novas menos massivas, e novas ideias teóricas indicaram que existem outras coisas que as fazem explodir.

Os astrónomos não tinham a certeza se as estrelas alguma vez se aproximaram do limite de Chandrasekhar antes de explodirem. Os autores do estudo pensam agora que este crescimento até ao limite final é exactamente o que aconteceu a SN 2012Z.

“As implicações para as super-novas do Tipo Ia são profundas,” diz McCully. “Descobrimos que as super-novas pelo menos podem crescer até ao limite e explodir. No entanto, as explosões são fracas, pelo menos em parte do tempo. Agora precisamos de compreender o que faz uma super-nova falhar e tornar-se uma do Tipo Iax, e o que faz uma super-nova ter sucesso e tornar-se do Tipo Ia.”

Astronomia On-line
28 de Junho de 2022


 

1305: A Via Láctea borbulhante

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/PLANETOLOGIA/ASTROFÍSICA

Emissão do hidrogénio atómico na direcção da parte exterior (os dois painéis superiores) e interior (os dois painéis inferiores) da Via Láctea.
Crédito: Levantamento Hi4Pi; Levantamento Galfa-Hi; J. D. Soler/INAF

Um grupo internacional de astrónomos, liderado por Juan Diego Soler do INAF (Instituto Nacional de Astrofísica), na Itália, encontrou a impressão das bolhas produzidas pela explosão de estrelas moribundas na estrutura do gás que permeia a nossa Galáxia.

Fizeram esta descoberta aplicando técnicas de inteligência artificial aos dados do levantamento HI4PI, que fornece a mais detalhada distribuição do hidrogénio atómico na Via Láctea até à data. Os cientistas analisaram a estrutura filamentar na emissão do gás hidrogénio atómico. Eles inferiram que esta preservava um registo dos processos dinâmicos induzidos pelas antigas explosões de super-nova e pela rotação da Galáxia.

O hidrogénio é o principal componente de estrelas como o Sol. Contudo, o processo que faz com que as nuvens difusas de gás hidrogénio, que se espalham pela nossa Galáxia, se juntem em nuvens densas a partir das quais as estrelas acabam por se formar, ainda não é totalmente compreendido.

Uma colaboração de astrónomos liderada por Juan Diego Soler do INAF-IAPS (Istituto di Astrofisica e Planetologia Spaziali, um instituto de investigação do INAF em Roma) e do projecto ECOgal, financiado pelo Conselho Europeu de Investigação, deu agora um passo importante na compreensão do ciclo de vida da matéria-prima da formação estelar.

Soler processou dados do levantamento mais detalhado de todo o céu da emissão do hidrogénio atómico no rádio, o levantamento HI4PI, que se baseia em observações obtidas com o radiotelescópio Parkes de 64 metros na Austrália, com o radiotelescópio Effelsberg de 100 metros na Alemanha e com o GBT (Robert C. Byrd Green Bank Telescope) de 110 metros nos EUA.

“Estas observações de arquivo da linha de emissão de hidrogénio a um comprimento de onda de 21 cm contêm informações sobre a distribuição do gás no céu e a sua velocidade na direcção da observação, o que, combinado com um modelo de rotação da Via Láctea, indica a que distância estão as nuvens emissoras,” indica Sergio Molinari do INAF-INAPS, investigador principal do projecto ECOgal.

Para estudar a distribuição das nuvens de hidrogénio Galácticas, Soler aplicou um algoritmo matemático frequentemente usado na inspecção e análise automática de imagens de satélite e vídeos online. Devido à dimensão destas observações, teria sido impossível fazer esta análise a olho nu.

O algoritmo revelou uma rede extensa e intrincada de objectos semelhantes a fios finos ou filamentos. A maioria dos filamentos na parte interior da Via Láctea foram encontrados a apontar para longe do disco da nossa Galáxia.

“Estes são provavelmente os remanescentes de múltiplas explosões de super-nova que varrem o gás e formam bolhas que rebentam quando atingem a escala característica do Plano Galáctico, como bolhas que chegam à superfície num copo de espumante,” comenta Ralf Klessen.

Klessen é também o investigador principal do projeto ECOgal, que visa compreender o nosso ecossistema galáctico desde o disco da Via Láctea até à formação de estrelas e planetas. “O facto de vermos principalmente estruturas horizontais na Via Láctea exterior, onde há uma forte diminuição no número de estrelas massivas e consequentemente menos super-novas, sugere que estamos a registar a energia e o ‘input’ de momento das estrelas que moldam o gás na nossa Galáxia,” complementa o astrónomo do Centro para Astronomia da Universidade de Heidelberg na Alemanha.

“O meio interestelar, que é a matéria e radiação que existe no espaço entre as estrelas, é regulado pela formação de estrelas e super-novas, sendo estas últimas as explosões violentas que ocorrem durante as últimas fases evolutivas de estrelas que são mais de dez vezes mais massivas do que o Sol,” comenta Patrick Hennebelle, que juntamente com Klessen coordena o trabalho teórico no projecto ECOgal.

“As associações de super-novas são muito eficientes a manter a turbulência e a levantar o gás num disco estratificado,” esclarece o investigador do Departamento de Astronomia do CEA/Saclay em França. “A descoberta destas estruturas filamentares no hidrogénio atómico é um passo importante na compreensão do processo responsável pela formação estelar à escala galáctica.”

Astronomia On-line
28 de Junho de 2022


 

1303: Gliese 486 b é o planeta terrestre fora do sistema solar mais estudado pelos cientistas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/EXOPLANETOLOGIA/ASTROFÍSICA

Em 2021, uma super-terra foi dada a conhecer ao mundo e alguns dados deixavam em aberto que poderia ser um exoplaneta muito interessante. O planeta, que recebeu a designação de Gliese 486 b, orbita a estrela anã vermelha Gliese 486, a 26 anos-luz de distância da Terra. Uma equipa científica internacional, liderada pelo Centro de Astrobiologia (CSIC-INTA), mediu a massa e o raio de um exoplaneta do tipo Terra com uma precisão sem precedentes.

O interesse e trabalho desenvolvido neste novo mundo encontrado “perto de nós” tornou possível prever como poderia ser a estrutura e composição do seu interior, bem como a sua atmosfera. Os dados são muito interessantes.

Será este exoplaneta um lugar onde os seres humanos poderiam viver?

O planeta foi acolhido com grande expectativa. Como tal, os investigadores utilizaram dados de vários telescópios terrestres e espaciais, tais como CHARA, CHEOPS, Hubble, MAROON-X, TESS e CARMENES, para modelar o interior do exoplaneta Gliese 486 b.

Desta forma, a equipa de astrónomos, liderada por José A. Caballero, conseguiu estimar as dimensões relativas do seu núcleo metálico e manto rochoso. Os detalhes foram publicados na revista Astronomia & Astrofísica.

A equipa também fez previsões sobre a composição da atmosfera deste planeta, descoberta em 2021, bem como a sua detectabilidade pelo Telescópio Espacial James Webb, que em breve apontará o seu espelho para o sistema planetário a que pertence.

Gliese 486 b tornou-se a pedra de Roseta da exoplanetologia. No sistema solar temos os planetas terrestres Mercúrio, Vénus, Terra e Marte, e agora é o quinto planeta terrestre mais bem estudado do universo.

Disse José A. Caballero (CAB).

Embora este seja um dos planetas de trânsito mais próximos conhecidos, que viaja a 10% da velocidade da luz a toda a hora, seriam necessários 260 anos para que uma sonda o alcançasse.

Gliese 486 b e a futura ciência exoplanetária

Na apresentação deste trabalho, o investigador apontou já para mais estudos, tais como a formação de campos magnéticos planetários no núcleo externo com metais líquidos, pois o Gliese 486 b parece ter um como a nossa Terra. Estes campos magnéticos podem actuar como um escudo contra tempestades hospedeiras estelares e prevenir a erosão da atmosfera.

Segundo a equipa, várias questões permanecem por responder: poderá tal atmosfera ser primitiva e feita de hidrogénio e hélio, ou composta de dióxido de carbono e vapor de água de erupções vulcânicas, e poderia o Gliese 486 b ter actividade tectónica?

Embora este exoplaneta pareça demasiado quente para ser habitável, a sua caracterização precisa pode torná-lo no primeiro exoplaneta – e até agora o único – onde estas pertinentes perguntas podem ser feitas. Há apenas alguns anos, tentar encontrar respostas era considerado ficção científica.

O primeiro exoplaneta à volta de uma estrela semelhante ao nosso Sol, o 51 Pegasi b, foi descoberto em 1995. Desde então, todos os anos, a comunidade astronómica encontra exoplanetas que estão a tornar-se menos maciços, mais próximos e mais semelhantes à Terra.

Embora a maioria deles não sejam habitáveis, os planetas em trânsito – como o Gliese 486 b – são de maior interesse para a comunidade astronómica porque permitem investigar as suas atmosferas e, apenas para os sistemas planetários mais próximos do nosso Sol, os seus interiores.

O projecto CARMENES, cujo consórcio é composto por onze instituições de investigação de Espanha e Alemanha, descobriu três dos oito sistemas mais próximos graças aos tais planetas em trânsito, o último dos quais foi anunciado na semana passada.

Pplware
Autor: Vítor M
27 Jun 2022


 

1228: Jovem galáxia contém evidências de que as primeiras galáxias podem ser maiores e mais complexas do que pensávamos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA

A1689-zD1 é uma galáxia formadora de estrelas localizada na direcção da constelação de Virgem. Foi observada pela primeira vez graças à lente gravitacional da galáxia Abell 1689, que fez com que a jovem galáxia aparecesse nove vezes mais luminosa. Novas observações feitas usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) estão a revelar aos cientistas que a jovem galáxia, e outras como ela, podem ser maiores e mais complexas do que se pensava originalmente.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/H. Akins (Grinnell College), B. Saxton (NRAO/AUI/NSF)

Cientistas usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para observar uma quantidade significativa de gás frio e neutro nas regiões exteriores da jovem galáxia A1689-zD1, bem como fluxos de gás quente provenientes do centro da galáxia.

Estes resultados podem lançar luz sobre uma fase crítica da evolução galáctica para as primeiras galáxias, onde as jovens galáxias começam a transformação para serem cada vez mais como as suas primas mais recentes e mais estruturadas.

As observações foram apresentadas numa conferência de imprensa na 240.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. Serão publicadas numa próxima edição da revista The Astrophysical Journal.

A1689-zD1 – uma galáxia jovem, activa e formadora de estrelas ligeiramente menos luminosa e menos massiva do que a Via Láctea – está localizada a cerca de 13 mil milhões de anos-luz da Terra na direcção da constelação de Virgem. Foi descoberta escondida por trás do enxame galáctico Abell 1689 em 2007 e confirmada em 2015 graças a lentes gravitacionais, que ampliou o brilho da jovem galáxia mais de 9 vezes.

Desde então, os cientistas têm continuado a estudar a galáxia como uma possível análoga para a evolução de outras galáxias “normais”. Esse rótulo – normal – é uma distinção importante que ajudou os investigadores a dividir os comportamentos e características de A1689-zD1 em dois grupos: típicos e invulgares, com as características invulgares a imitarem as de galáxias mais recentes e mais massivas.

“A1689-zD1 está localizada no Universo inicial – apenas 700 milhões de anos após o Big Bang. Esta é a era em que as galáxias estavam apenas a começar a formar-se,” disse Hollis Akins, estudante universitário de astronomia em Grinnell College e autor principal da investigação.

“O que vemos nestas observações são evidências de processos que podem contribuir para a evolução daquilo a que chamamos galáxias normais, em oposição às galáxias massivas. Mais importante ainda, estes processos são processos que não pensávamos anteriormente aplicáveis a estas galáxias normais.”

Um destes processos invulgares é a produção e distribuição, na galáxia, do combustível para a formação estelar, potencialmente em grandes quantidades. A equipa usou o receptor de Banda 6 do ALMA, altamente sensível, para observar um halo de gás carbono que se estende muito para além do centro da jovem galáxia.

Isto poderia ser evidência de formação estelar contínua na mesma região ou o resultado de rupturas estruturais, tais como fusões ou fluxos, nas fases mais precoces da formação da galáxia.

De acordo com Akins, isto é invulgar para as primeiras galáxias. “O gás de carbono que observámos nesta galáxia é tipicamente encontrado nas mesmas regiões que o gás hidrogénio neutro, que é também onde novas estrelas tendem a formar-se.

Se for esse o caso para A1689-zD1, a galáxia é provavelmente muito maior do que se pensava anteriormente. É também possível que este halo seja um remanescente da actividade galáctica anterior, como fusões que exerceram forças gravitacionais complexas na galáxia, levando à ejecção de muito gás neutro a estas grandes distâncias.

Em ambos os casos, a evolução precoce desta galáxia foi provavelmente activa e dinâmica e estamos a aprender que este pode ser um tema comum, embora anteriormente não observado, na formação das primeiras galáxias.”

Mais do que apenas invulgar, a descoberta poderá ter implicações significativas para o estudo da evolução galáctica, particularmente à medida que as observações no rádio desvendam detalhes invisíveis nos comprimentos de onda ópticos. Seiji Fujimoto, investigador pós-doutorado no Cosmic Dawn Center do Instituto Niels Bohr, co-autor da investigação, disse: “A emissão do gás de carbono em A1689-zD1 é muito mais extensa do que a observada com o Telescópio Espacial Hubble e isto pode significar que as primeiras galáxias não são tão pequenas como parecem. Se, de facto, as primeiras galáxias são maiores do que pensávamos anteriormente, isto terá um grande impacto na teoria da formação e evolução das galáxias no Universo primitivo.”

Liderada por Akins, a equipa também observou fluxos de gás quente e ionizado – geralmente provocados por actividade galáctica violenta como super-novas – empurrando para fora do centro da galáxia. Dada a sua natureza potencialmente explosiva, os fluxos podem ter algo a ver com o halo de carbono.

“Os fluxos ocorrem como resultado de actividade violenta, tal como explosões de super-novas – que explodem material gasoso vizinho para fora da galáxia – ou buracos negros nos centros das galáxias – que têm fortes efeitos magnéticos que podem ejectar material em jactos poderosos.

Devido a isto, há uma forte possibilidade de que os fluxos quentes tenham algo a ver com a presença do halo frio de carbono,” disse Akins. “E isso realça ainda mais a importância da natureza multifásica, ou quente para frio, do fluxo gasoso.”

Darach Watson, professor associado no Cosmic Dawn Center do Instituto Niels Bohr e co-autor da nova investigação, confirmou A1689-zD1 como uma galáxia com um alto desvio para o vermelho em 2015, a mais distante galáxia poeirenta conhecida.

“Temos visto este tipo de grande emissão de halos gasosos de galáxias que se formaram mais tarde no Universo, mas vê-lo numa galáxia tão precoce significa que este comportamento é universal mesmo nas galáxias mais modestas que formaram a maioria das estrelas no início do Universo. Compreender como estes processos ocorreram numa galáxia tão jovem é fundamental para compreender como a formação de estrelas ocorre no Universo primitivo.”

Kirsten Knudsen, professora de astrofísica no Departamento do Espaço, Terra e Ambiente da Universidade de Tecnologia de Chalmers e co-autora da investigação, encontrou evidências do continuum de poeira de A1689-zD1 em 2017. Knudsen realçou o papel fortuito da lente gravitacional extrema para tornar possível cada descoberta na investigação.

“Dado que A1689-zD1 está ampliada mais de nove vezes, podemos ver detalhes críticos que de outra forma são difíceis de observar em observações comuns de galáxias tão distantes. Em última análise, vemos aqui que as primeiras galáxias do Universo são muito complexas e esta galáxia continuará a apresentar novos desafios e resultados de investigação durante algum tempo.”

O Dr. Joe Pesce, oficial do programa ALMA na NSF, acrescentou: “Esta fascinante investigação ALMA acrescenta a um conjunto crescente de resultados que indicam que as coisas não são exactamente como esperávamos no início do Universo, mas são realmente interessantes e excitantes, apesar de tudo!”

Estão planeadas para Janeiro de 2023 observações espectroscópicas e infravermelhas de A1689-zD1, usando os instrumentos NIRSpec IFU (Integral Field Unit) e NIRCam no Telescópio Espacial James Webb. As novas observações vão complementar os dados anteriores do Hubble e do ALMA, fornecendo um olhar multi-comprimento de onda mais profundo e mais completo da jovem galáxia.

Astronomia On-line
17 de junho de 2022


 

1181: Pondo em prática a teoria da relatividade especial, através da contagem de galáxias

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta imagem feita a partir de uma composição de exposições captadas entre Setembro de 2003 e Janeiro de 2004 pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra quase 10.000 galáxias na mais profunda imagem de luz visível do cosmos, atravessando milhares de milhões de anos-luz.
Crédito: NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), Equipa HUDF

Os cientistas que estudam o cosmos têm uma filosofia favorita conhecida como o “princípio da mediocridade”, o que, na sua essência, sugere que a Terra não é realmente nada especial, nem o Sol, nem a nossa Via Láctea, em comparação com o resto do Universo.

Agora, uma nova investigação realizada na Universidade do Colorado, em Boulder, EUA, acrescentou mais uma evidência ao caso da mediocridade: as galáxias estão, em média, em repouso em relação ao Universo primitivo. Jeremy Darling, professor de astrofísica na mesma universidade, publicou recentemente esta descoberta cosmológica na revista The Astrophysical Journal Letters.

“O que esta investigação nos diz é que temos um movimento engraçado, mas esse movimento engraçado é consistente com tudo o que sabemos sobre o Universo – não há nada de especial a acontecer aqui,” disse Darling. “Não somos especiais como uma galáxia ou como observadores.”

Há cerca de 35 anos, os cientistas descobriram o fundo cósmico de micro-ondas, que é a radiação electromagnética deixada pela formação do Universo durante o Big Bang. O fundo cósmico de micro-ondas parece mais quente na direcção do nosso movimento e mais frio para longe da direcção do nosso movimento.

A partir deste brilho do Universo primitivo, os cientistas podem inferir que o Sol – e a Terra em órbita – está a mover-se numa determinada direcção, a uma certa velocidade. Os investigadores descobrem que a nossa velocidade inferida é uma fracção de um por cento da velocidade da luz – pequena, mas não zero.

Os cientistas podem testar independentemente esta inferência contando as galáxias que são visíveis da Terra ou somando o seu brilho. Podem fazê-lo em grande parte graças à teoria da relatividade especial de Albert Einstein de 1905, que explica como a velocidade afecta o tempo e o espaço.

Nesta aplicação, uma pessoa na Terra olhando para o Universo numa direcção – a mesma direcção em que o Sol e a Terra se estão a mover – deveria ver galáxias mais brilhantes, mais azuis e mais concentradas. Da mesma forma, ao olhar na direcção contrária, a pessoa deveria ver galáxias mais escuras, avermelhadas e mais espaçadas.

Mas quando os investigadores têm tentado contar galáxias nos últimos anos – um processo que é difícil de fazer com precisão – eles chegaram a números que sugerem que o Sol está a mover-se muito mais depressa do que se pensava anteriormente, o que está em desacordo com a cosmologia padrão.

“É difícil contar galáxias em todo o céu – normalmente está-se preso a um hemisfério ou menos,” disse Darling. “E, além disso, a nossa própria Galáxia incomoda a contagem. Tem poeira que faz com que contemos menos galáxias e fá-las parecer mais fracas.”

Darling ficou intrigado e perplexo com este puzzle cosmológico, por isso decidiu investigar por si próprio. Ele também sabia da existência de dois levantamentos recentemente divulgados que poderiam ajudar a melhorar a exactidão de uma contagem de galáxias – e a esclarecer o mistério da velocidade: o VLASS (Very Large Array Sky Survey) no estado norte-americano do Novo México, e o RACS (Rapid Australian Square Kilometer Array Pathfinder Continuum Survey) na Austrália

Juntos, estes levantamentos permitiram a Darling estudar todo o céu juntando vistas dos hemisférios norte e sul. Os novos levantamentos também utilizaram ondas de rádio, o que tornou mais fácil “ver” através da poeira da Via Láctea, melhorando assim a visão do Universo.

Quando Darling analisou os levantamentos, descobriu que o número de galáxias e o seu brilho estava em perfeito acordo com a velocidade que os investigadores tinham anteriormente inferido a partir do fundo cósmico de micro-ondas.

“Encontramos uma direcção brilhante e uma direcção ténue – encontramos uma direcção onde há mais galáxias e uma direcção onde há menos galáxias,” disse. “A grande diferença é que se alinha com o Universo primitivo do fundo cósmico de micro-ondas e tem a velocidade certa. A nossa cosmologia está saudável.”

Dado que as descobertas de Darling diferem de resultados passados, o seu trabalho irá provavelmente suscitar alguns estudos de seguimento para confirmar ou contestar os seus resultados.

Mas para além de impulsionar o campo da cosmologia, os resultados são um bom exemplo, no mundo real, da teoria especial da relatividade de Einstein – e demonstram como os investigadores ainda estão a pôr a teoria em prática, mais de 100 anos após o famoso físico a ter proposto pela primeira vez.

“Adoro a ideia de que este princípio básico de que Einstein nos falou há muito tempo é algo que se pode ver,” disse Darling. “É uma coisa realmente esotérica que parece super-estranha, mas se sairmos e contarmos galáxias, podemos ver este efeito giro. Não é tão esotérico ou estranho como se possa pensar.”

Astronomia On-line
7 de Junho de 2022


 

1109: Nova descoberta sobre galáxias distantes: as estrelas são mais massivas do que pensávamos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA/GALÁXIAS

A Galáxia de Andrómeda, a nossa grande vizinha galáctica mais próxima, é o objecto mais distante que podemos observar no céu nocturno à vista desarmada.
Crédito: Getty

Uma equipa de astrofísicos da Universidade de Copenhaga chegou a um resultado importante no que diz respeito às populações estelares para lá da Via Láctea. O resultado pode mudar a nossa compreensão de uma vasta gama de fenómenos astronómicos, incluindo a formação de buracos negros, super-novas e a razão pela qual as galáxias morrem.

Desde que os seres humanos estudam os céus que o aspecto das estrelas em galáxias distantes tem sido um mistério. Num estudo publicado na The Astrophysical Journal, uma equipa de investigadores do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhaga está a colocar de lado a anterior compreensão das estrelas para lá da nossa própria Galáxia.

Desde 1955 que se assume que a composição das estrelas nas outras galáxias do Universo é semelhante à das centenas de milhares de milhões de estrelas dentro da nossa – uma mistura de estrelas massivas, de massa média e de massa baixa. Mas com a ajuda de observações de 140.000 galáxias em todo o Universo e de uma vasta gama de modelos avançados, a equipa testou se a mesma distribuição de estrelas aparente na Via Láctea se aplica noutros locais. A resposta é não. As estrelas em galáxias distantes são tipicamente mais massivas do que as do nosso “bairro local”. A descoberta tem um grande impacto sobre o que pensamos saber sobre o Universo.

“A massa das estrelas diz muito aos astrónomos. Se mudarmos a massa, também mudamos o número de super-novas e buracos negros que surgem das estrelas massivas. Como tal, o nosso resultado significa que teremos de rever muitas das coisas que em tempos presumimos, porque as galáxias distantes parecem bastante diferentes da nossa,” diz Albert Sneppen, estudante do Instituto Neils Bohr e primeiro autor do estudo.

A luz analisada de 140.000 galáxias

Os investigadores assumiram que o tamanho e massa das estrelas noutras galáxias eram semelhantes à nossa durante mais de cinquenta anos, pela simples razão de não as poderem observar através de um telescópio, como podiam fazer com as estrelas da nossa própria Galáxia.

As galáxias distantes estão a milhares de milhões de anos-luz de distância. Como resultado, apenas a luz das suas estrelas mais poderosas chega à Terra. Isto tem sido uma dor de cabeça para investigadores em todo o mundo durante anos, pois nunca puderam esclarecer com precisão como as estrelas de outras galáxias foram distribuídas, uma incerteza que os forçou a acreditar que estavam distribuídas largamente como as estrelas da nossa Via Láctea.

“Só conseguimos ver a ponta do icebergue e sabemos há muito tempo que esperar que outras galáxias se parecessem com a nossa não era um pressuposto particularmente bom de se fazer. Contudo, nunca ninguém foi capaz de provar que outras galáxias formam diferentes populações de estrelas. Este estudo permitiu-nos fazer exactamente isso, o que pode abrir a porta para uma compreensão mais profunda da formação e evolução das galáxias,” diz o professor associado Charles Steinhardt, coautor do estudo.

No estudo, os investigadores analisaram a luz de 140.000 galáxias usando o catálogo COSMOS, uma grande base de dados internacional com mais de um milhão de observações da luz de outras galáxias. Estas galáxias estão distribuídas do ponto mais próximo ao mais distante do Universo, a partir do qual a luz viajou doze mil milhões de anos antes de poder ser observada na Terra.

As galáxias massivas morrem primeiro

De acordo com os investigadores, a nova descoberta terá uma vasta gama de implicações. Por exemplo, continua por resolver a razão pela qual as galáxias morrem e deixam de formar novas estrelas. O novo resultado sugere que isto poderá ser explicado por uma simples tendência.

“Agora que somos mais capazes de descodificar a massa das estrelas, podemos ver um novo padrão; as galáxias menos massivas continuam a formar estrelas, enquanto que as galáxias mais massivas param de formar novas estrelas. Isto sugere uma tendência notavelmente universal na morte das galáxias,” conclui Albert Sneppen.

Astronomia On-line
27 de Maio de 2022


 

1st image of our galaxy’s ‘black hole heart’ unveiled

Astronomy & Astrophysics

The giant black hole is at the center of the Milky Way

The Milky Way and the location of its central black hole as viewed from the Atacama Large Millimeter/submillimeter Array. (Image credit: ESO/José Francisco Salgado (josefrancisco.org), EHT Collaboration)

Astronomers have captured the first ever image of the colossal black hole at the center of our galaxy, providing the first direct evidence of the cosmic giant’s existence.

Located 26,000 light-years away, Sagittarius A* is a gargantuan tear in space-time that is four million times the mass of our sun and 40 million miles (60 million kilometers) across. The image was captured by the Event Horizon Telescope (EHT), a network of eight synchronized radio telescopes placed in various locations around the world.

As not even light is able to escape the powerful gravitational pull of a black hole, it’s impossible to see Sagittarius A* itself except as the silhouette of a ring of fuzzy, warped light. This halo comes from the superheated, glowing matter swirling around the entrance to the cosmic monster’s maw at close to the speed of light. Once the slowly stripped and shredded plasma plunges over the black hole’s precipice, or event horizon, it is lost inside forever.

“Our results are the strongest evidence to date that a black hole resides at the centre of our galaxy,” Ziri Younsi, an astrophysicist at University College London and an EHT collaborator, said in a statement. “This black hole is the glue that holds the galaxy together. It is key to our understanding of how the Milky Way formed and will evolve in the future.”

Scientists have long thought that an enormous supermassive black hole must lurk at the center of our galaxy, its gravity tethering the Milky Way’s dust, gas, stars and planets in a loose orbit about it and causing stars closeby to circle around it rapidly. This new observation, which shows light being bent around the space-time-warping behemoth, puts their suspicions beyond all doubt.

“We were stunned by how well the ring size agreed with predictions from Einstein’s theory of general relativity,” Geoffrey Bower, an EHT collaborator and astronomer at Academia Sinica, Taipei, said in a statement. “These unprecedented observations have greatly improved our understanding of what happens at the very center of our galaxy and offer new insights on how these giant black holes interact with their surroundings.”

Einstein’s theory of general relativity describes how massive objects can warp the fabric of the universe, called space-time. Gravity, Einstein discovered, isn’t produced by an unseen force, but is simply our experience of space-time curving and distorting in the presence of matter and energy. Black holes are points in space where this warping effect becomes so strong that Einstein’s equations break down, causing not just all nearby matter but all nearby light to be sucked inside.

The Event Horizon Telescope has captured the first image of Sgr A*, the supermassive black hole at the center of our galaxy. (Image credit: EHT Collaboration)

To build a black hole, you have to start with a large star — one with a mass roughly five to 10 times that of the sun. As larger stars approach the ends of their lives, they start to fuse heavier and heavier elements, such as silicon or magnesium, inside their burning cores. But once this fusion process begins forming iron, the star is on a path to violent self-destruction. Iron takes in more energy to fuse than it gives out, causing the star to lose its ability to push out against the immense gravitational forces generated by its enormous mass. It collapses in on itself, packing first its core, and later all the matter close to it, into a point of infinitesimal dimensions and infinite density — a singularity. The star becomes a black hole, and beyond a boundary called the event horizon, nothing — not even light — can escape its gravitational pull.

Exactly how black holes may grow to become supermassive in scale is still a mystery to scientists, although observations of the early universe suggest they could balloon to their enormous sizes by snacking on dense clouds of gas and merging with other black holes.

The EHT captured the image, alongside the image of another supermassive black hole at the center of the M87 galaxy, back in 2017. The image of the M87 black hole was released in 2019, Live Science previously reported, but it took two more years of data analysis before the Milky Way one was ready.

Part of the reason behind the delay is the vastly different sizes of the two supermassive black holes, which in turn affects the speeds that their plasma clouds whirl around their centers. The M87 black hole (M87*) is roughly a thousand times bigger than Sagittarius A*, weighing in at a jaw-dropping 6.5 billion times the mass of our sun, and its hot plasma takes days or even weeks to orbit it. The plasma of Sagittarius A*, by contrast, can whip around it in mere minutes.

“This means the brightness and pattern of the gas around Sgr A* was changing rapidly as the EHT Collaboration was observing it — a bit like trying to take a clear picture of a puppy quickly chasing its tail,” Chi-kwan Chan, an EHT collaborator and astrophysicist at the University of Arizona, said in a statement.

The imaging process was made even more challenging by the Earth’s location at the edge of the Milky Way, meaning the researchers had to use a supercomputer to filter out interference from the countless stars, gas and dust clouds strewn between us and Saggitarius A*. The final result is an image which looks very similar to the 2019 snapshot of M87*, even though the two black holes are themselves vastly different in scale. This is something the researchers attribute to the startling and persisting accuracy of Einstein’s general relativity equations.

“We have two completely different types of galaxies and two very different black hole masses, but close to the edge of these black holes they look amazingly similar,” Sera Markoff, an EHT collaborator and astrophysicist at the University of Amsterdam in the Netherlands, said in a statement. “This tells us that general relativity governs these objects up close, and any differences we see further away must be due to differences in the material that surrounds the black holes.”

Detailed analysis of the image has already enabled scientists to make some fascinating observations into our black hole’s nature. First, it’s wonky, sitting at a 30-degree angle to the rest of the galactic disk. It also appears to be dormant, making it unlike other black holes such as M87*, which suck in burning-hot material from nearby gas clouds or stars before slingshotting it back into space at near light speeds.

The scientists will follow up with further analysis of both this image and the one of M87*, alongside capturing new and improved images. More images won’t just enable better comparisons between the black holes, but will also provide improved detail, allowing scientists to see how the same black holes change over time and what goes on around their event horizons. This could not only give us a better understanding of how our universe formed, but also help in the search for hints as to where Einstein’s equations could give way to undiscovered physics.

The researchers published their results in a series of papers in the journal The Astrophysical Journal Letters.

Originally published on Live Science
By Ben Turner
12.05.2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
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For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

Distant ‘galaxy’ isn’t a galaxy at all — but one of the brightest pulsars ever detected

Top Science News

The pulsar is 10 times brighter than any other outside our galaxy.

Artist’s impression of newly discovered extra-galactic pulsar, PSR J0523-7125, within the Large Magellanic Cloud. (Image credit: ARC Centre of Excellence for Gravitational Wave Discovery (OzGrav))

A speck of light that scientists once wrote off as a distant galaxy may actually be the brightest pulsar ever detected outside the Milky Way.

Named PSR J0523−7125 and located about 160,000 light-years from Earth in the Large Magellanic Cloud (a satellite galaxy that orbits the Milky Way), the newly-defined pulsar is twice as wide as any other pulsar in the region, and 10 times brighter than any known pulsar beyond our galaxy. The object is so big and bright, in fact, that researchers originally interpreted it as a faraway galaxy — however, new research published May 2 in the Astrophysical Journal Letters suggests that this is not the case.

Using the Australian Square Kilometer Array Pathfinder (ASKAP) radio telescope in Western Australia, the study authors looked at space through a special pair of “sunglasses” that block all wavelengths of light except for a specific type of emission associated with pulsars, the highly magnetized husks of stars. When PSR J0523−7125 showed up bright and clear in the results, the team realized they weren’t looking at a galaxy at all, but at the pulsing corpse of a dead star.

“This was an amazing surprise,” lead study author Yuanming Wang, an astrophysicist at Australia’s Commonwealth Scientific and Industrial Research Organization (CSIRO) said in a statement. “I didn’t expect to find a new pulsar, let alone the brightest. But with the new telescopes we now have access to, like ASKAP and its sunglasses, it really is possible.”

The MeerKAT radio telescope’s field of view without ‘sunglasses’ featuring the new pulsar (Image credit: Yuanming Wang)

Glasses on

Pulsars are highly magnetized, rapidly spinning remnants of exploded stars. As they rotate, streams of radio waves erupt from their poles, pulsing like lighthouse beams as those radio waves flash toward Earth.

The radio waves emitted by pulsars are different from many other cosmic light sources, in that they can be circularly polarized — that is, the light’s electric field can rotate in a circle as it propagates forward. This unique polarization can provide scientists with a big clue in the tricky game of distinguishing pulsars from other distant light sources. In their new study, researchers used a computer program to filter out circularly polarized light sources from an ASKAP survey of pulsar candidates.

The team found that the presumed galaxy PSR J0523−7125 was emitting circularly polarized light, meaning it is almost certainly a pulsar. And because pulsars are incredibly small — typically packing a sun’s worth of mass into a ball no wider than a city — that means the object must be much closer, and much brighter, than scientists previously thought. Indeed, if this pulsar lurks in the nearby Large Magellanic Cloud, as the researchers suspect, then it is the single brightest pulsar ever found outside the Milky Way.

The MeerKAT radio telescope’s field of view without ‘sunglasses’ featuring the new pulsar (Image credit: Yuanming Wang)

That exceptional brightness explains why the object was misidentified as a galaxy after its initial detection, the researchers said. And by filtering out circularly polarized light from future star surveys, researchers may be able to unmask even more unusual pulsars that are hiding in plain sight.

“We should expect to find more pulsars using this technique,” study co-author Tara Murphy, a radio astronomer at the University of Sydney in Australia, said in the statement. “This is the first time we have been able to search for a pulsar’s polarization in a systematic and routine way.”

Originally published on Live Science
By
12.05.2022


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1007: Astrónomos descobrem sistema de quatro planetas com um processo de migração peculiar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de um sistema planetário composto por planetas rochosos e de baixa massa orbitando a sua estrela.
Crédito: Gabriel Pérez Diaz (IAC)

Uma investigação internacional, na qual participa o IAC (Instituto de Astrofísica de Canarias), descobriu um novo sistema planetário composto por 4 planetas em órbita da estrela TOI-500. Este é o primeiro sistema conhecido por acolher um análogo terrestre com um período orbital inferior a um dia e 3 planetas adicionais de baixa massa cuja configuração orbital pode ser explicada através de um cenário de migração não violento e suave. O estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.

O planeta interior, apelidado TOI-500b, é um planeta chamado de período ultra-curto, uma vez que o seu período orbital é de apenas 13 horas. É considerado um planeta análogo à Terra, ou seja, um planeta rochoso semelhante à Terra com raio, massa e densidade comparáveis aos do nosso planeta.

“Em contraste com a Terra, porém, a sua proximidade com a estrela torna-o tão quente (cerca de 1350º C) que a sua superfície é muito provavelmente uma imensa extensão de lava,” diz Luisa Maria Serrano, investigadora do Departamento de Física da Universidade de Turim e primeira autora do trabalho. O novo planeta poderia ser um verdadeiro reflexo de como será a Terra no futuro, quando o Sol se tornar numa gigante vermelha, muito maior e mais brilhante do que é agora.

TOI-500b foi inicialmente identificado como um candidato a planeta pelo satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, um telescópio espacial concebido para procurar planetas em órbita de estrelas próximas usando o método de trânsito. Este método mede a diminuta diminuição de brilho de uma estrela à medida que o planeta atravessa o disco estelar visto pelo telescópio. TOI-500b foi subsequentemente confirmado graças a uma campanha de observação de um ano realizada pela Universidade de Turim com o espectrógrafo HARPS no ESO.

A análise dos dados TESS e HARPS forneceu medições precisas da massa, raio e parâmetros orbitais do planeta de período ultra-curto TOI-500b. “As medições HARPS também nos permitiram detectar 3 planetas adicionais de baixa massa em órbita de TOI-500 a cada 6,6, 26,2 e 61,3 dias. TOI-500 é um sistema planetário notável, importante para compreender o destino dinâmico dos planetas,” disse Davide Gandolfi, investigador do Departamento de Física da Universidade de Turim e co-autor do artigo.

A novidade apresentada pelo artigo recentemente publicado reside no processo de migração que levou o sistema planetário à sua configuração actual. “É geralmente aceite que os planetas de período ultra-curto não se formaram nas suas órbitas actuais, uma vez que as regiões mais interiores do seu disco protoplanetário natal têm densidade e temperatura inadequadas para formar planetas. Devem ter tido origem mais para fora e depois migrado para dentro, para perto da sua estrela hospedeira,” diz Hans J. Deeg, investigador do IAC que participou no estudo.

Embora não haja consenso sobre o processo de migração, pensa-se que muitas vezes este ocorra através de um processo violento, envolvendo a dispersão de planetas, que encolheria e excitaria as órbitas. No seu estudo, os autores mostram que os planetas que orbitam TOI-500 podem ter estado em órbitas quase circulares, e depois migraram para dentro, seguindo um chamado processo de migração secular e quási-estática que durou cerca de 2 mil milhões de anos.

“Este é um padrão calmo de migração, em que os planetas se movem lentamente para órbitas cada vez mais próximas da sua estrela, sem esbarrarem uns nos outros e sem saírem das suas órbitas,” explica Felipe Murgas, investigador do IAC e co-autor do artigo científico.

“Este artigo demonstra a importância de associar a descoberta de sistemas que hospedam planetas de período ultra-curto com simulações numéricas a fim de testar possíveis processos migratórios que os possam ter levado à sua configuração orbital actual,” diz Enric Pallé, investigador do IAC e co-autor do artigo. “A aquisição de dados através de uma linha de base de longo prazo torna possível revelar a arquitectura interna de sistemas semelhantes a TOI-500 e compreender como os planetas se instalaram nas suas órbitas,” conclui.

Astronomia On-line
6 de Maio de 2022


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969: Sete milhões para estudar Homo Sapiens, buracos negros e detectar outras Terras

CIÊNCIA/PROJECTOS DISPERSALS

Projectos Dispersals (Universidade do Algarve), FIERCE (Instituto de Astrofísica e Ciência do Espaço da U. Porto) e Gravitas (Técnico de Lisboa) financiados pelo Conselho Europeu de Investigação.

Aquilo que nos parece ser objectos gigantes negros e escuros são mesmo os buracos negros da teoria do Einstein? Esta é uma questão a que o professor Vítor Cardoso do IST quer dar resposta e para cuja investigação recebeu agora uma bolsa de dois milhões de euros.
© Jaci XIV /Creative Commons

O Conselho Europeu de Investigação (ERC) atribuiu quase sete milhões de euros (6,9) a três projectos de investigadores portugueses. Nuno Cardoso Santos, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) e líder do projecto FIERCE, pretende analisar a causa do ruído estelar e “abrir caminho” para detectar outras Terras no Universo. Nuno Bicho, da Universidade do Algarve, vai investigar, através do projecto Dispersals, a dinâmica das primeiras migrações do Homo Sapiens. E Vítor Cardoso, do Técnico de Lisboa, propõe-se a explorar e descobrir o potencial dos buracos negros, no âmbito do projecto Gravitas.

Segundo o IA da Universidade do Porto, o ERC (organismo estabelecido pela Comissão Europeia em 2007) atribuiu um Advanced Grant, com um financiamento de 2,5 milhões de euros, ao projecto FIERCE. Liderado pelo investigador Nuno Cardoso Santos, da equipa de Sistemas Planetários do IA, o projecto pretende, nos próximo cinco anos, criar novos métodos de análise de dados para “modelar e caracterizar as causas do ruído estelar”, o que permitirá “abrir caminho à detecção da Terra 2.0”.

“Apesar dos progressos recentes, ainda não foi possível identificar exoplanetas realmente semelhantes à Terra, à distância certa da sua estrela para serem temperados, com água líquida à superfície e uma atmosfera de nitrogénio e oxigénio”, salienta o Instituto.

Nuno Cardoso Santos, Investigador e professor na FCUP
© Gerardo Santos / Global Imagens

Nuno Cardoso Santos afirma que o projecto vai permitir “detectar e estudar outras Terras, a orbitar outros sóis, utilizando instrumentos como o espectrógrafo ANDES [desenvolvido para o ELT (Extremely Large Telescope), do Observatório Europeu do Sul – ESO, e previsto entrar em funcionamento em 2030”. “Estes métodos serão fundamentais para que se possa estudar em detalhe os planetas rochosos hoje detectados, bem como os que serão descobertos por missões espaciais futuras, como a PLATO, da Agência Espacial Europeia”, acrescenta Nuno Cardoso Santos.

O coordenador do IA, Francisco Lobo, destaca que a atribuição da verba “reforça a procura e estudo de exoplanetas” e que os dados obtidos com o projecto FIERCE “poderão ser usados para outras pesquisas em que equipas do IA estão empenhadas, incluindo o estudo do Sol e da física estelar”.

Dispersals: as migrações africanas do Homo Sapiens

O projecto Dispersals (Dispersões, em português), de Nuno Bicho, foi outro dos escolhidos para uma bolsa de financiamento de entre as 2652 propostas submetidas ao ERC por investigadores de 28 nacionalidades. Os 2,5 milhões de euros atribuídos vão permitir ao investigador estudar as dinâmicas das primeiras migrações do Homo Sapiens em, e a partir de, África e avaliar o modelo genético de que as populações humanas da África Austral foram a génese da migração da espécie, a partir daquele continente, há cerca de 70 mil anos.

Nuno Bicho, Investigador e professor na Universidade do Algarve
© D.R. / Universidade do Algarve

Segundo Nuno Bicho, citado numa nota enviada à Lusa, o projecto, que reúne um conjunto alargado de investigadores internacionais, inclui a realização de trabalhos nas bacias dos rios moçambicanos do Limpopo e Save. O investigador adianta que a área onde vão incidir os trabalhos “medeia as duas regiões chave do aparecimento” da espécie humana, ou seja, a África Austral e a África Oriental”.

O projecto, adianta, fornecerá uma perspectiva fundamental sobre os processos relativos às primeiras migrações e dispersões da espécie no continente africano, e fora dele, “que resultaram na diáspora humana por todo o planeta nos últimos 100 mil anos”. Para o investigador, as três bolsas ERC recebidas até agora pela Universidade do Algarve, através do seu Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano, que totalizam 6,5 milhões de euros, irão contribuir para tornar as duas estruturas “num centro de excelência em arqueologia”.

Gravitas: explorar o potencial dos buracos negros

Professor de Física no Instituto Superior Técnico e no Instituto Niels Bohr, em Copenhaga (Dinamarca), Vítor Cardoso recebeu a sua terceira bolsa ERC, de dois milhões de euros, para explorar e descobrir o potencial dos buracos negros.

“Será que os buracos negros existem? Aquilo que vemos que parecem objectos gigantes negros e escuros são mesmo os buracos negros da teoria do Einstein? Ou é algo diferente?”, são algumas das questões a que a equipa liderada por Vítor Cardoso procurará responder, adianta o Técnico.

Foram ainda premiados dois investigadores portugueses no estrangeiro: Ricardo Reis, da London School of Economics and Political Science, e João Alves, da Universidade de Viena.

Diário de Notícias
DN/Lusa
27 Abril 2022 — 00:40


Pelas vítimas do genocídio praticado
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