Amnistia Internacional: Rússia cometeu um “claro crime guerra” contra teatro de Mariupol

INVASÃO DA UCRÂNIA/CRIMES DE GUERRA SOVIÉTICOS

© EPA/Leszek Szymanski

Uma extensa investigação da Amnistia Internacional (AI) conclui que as forças militares russas cometeram um “claro crime de guerra” quando atacaram o teatro da cidade ucraniana de Mariupol em Março, matando cerca de cerca de 600 pessoas.

“Após meses de investigação rigorosa, análise de imagens de satélite e entrevistas com dezenas de testemunhas, concluímos que o ataque foi um claro crime de guerra cometido pelas forças russas”, disse a secretária-geral da AI, Agnès Callamard.

“Muitas pessoas ficaram feridas ou perderam a vida neste ataque implacável. É provável que as suas mortes tenham sido causadas pelo ataque deliberado de civis ucranianos pelas forças russas”, salientou.

Agnès Callamard sublinhou que “o Tribunal Penal Internacional e todos aqueles que têm jurisdição sobre os crimes cometidos durante este conflito devem investigar os ataques como um crime de guerra”.

Em maio, uma investigação da agência de notícias AP descobriu que cerca de 600 pessoas morreram no ataque ao teatro, o dobro do número estimado por Kiev, na ocasião.

Entre 16 de Março e 21 de Junho, a AI analisou de forma detalhada provas digitais, imagens de satélite, 52 testemunhos em primeira mão de sobreviventes e pessoas que presenciaram o ataque, plantas de arquitectura do edifício e material autenticado de fotografia e vídeo.

Num novo relatório, intitulado “‘Children’: The Attack on the Donetsk Regional Academic Drama Theatre in Mariupol” (“Crianças: Teatro Dramático Regional Académico de Donetsk em Mariupol”, em tradução simples), a organização não governamental (ONG) documenta como os russos atacaram a infra-estrutura, mesmo sabendo da existência de centenas de civis, incluindo crianças.

Entrevistando vários sobreviventes e recolhendo vários dados informáticos, a equipa de Resposta a Crises da AI concluiu que o ataque foi quase certamente realizado por aviões de guerra russos que lançaram duas bombas de 500 quilogramas (kg) que caíram junto uma da outra e detonaram simultaneamente.

A AI contratou um físico para criar um modelo matemático da detonação, para determinar o peso explosivo líquido da explosão que seria necessário para causar o nível de destruição detectado no teatro.

A conclusão, segundo a ONG, foi que as bombas tinham um peso explosivo líquido de 400/800 kg.

Por seu lado, com base nos dados disponíveis sobre as bombas russas, a AI estimou que as ramas eram provavelmente duas bombas de 500kg do mesmo modelo, dando um peso total explosivo líquido entre 440 e 600kg.

As aeronaves do Exército russo com maior probabilidade de realizar o ataque eram caças multi-funcionais — como os modelos Su-25, Su-30 ou Su-34 — baseados em aeródromos da Rússia próximos e frequentemente vistos a operar no sul da Ucrânia.

Após examinar várias teorias, a investigação conclui que um ataque aéreo deliberado contra um alvo civil era a explicação mais provável.

De acordo com a AI, sobreviventes e outras testemunhas admitiram terem visto cadáveres que não conseguiram identificar, sendo provável que muitas mortes estejam ainda por relatar.

O Teatro Drama de Mariupol, na região de Donetsk, tornou-se um porto seguro para os civis que procuravam abrigo dos combates.

Além de ser um centro de distribuição de medicamentos, alimentos e água, e um ponto de encontro designado para as pessoas que esperavam ser retiradas em corredores humanitários, o edifício, naquela cidade cercada, era reconhecível como uma infra-estrutura civil, segundo a AI.

Lusa

Diário de Notícias
30 jun 01:10

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1299: Ucrânia: Míssil russo atinge centro comercial com mais de mil pessoas

(ACTUALIZAÇÃO)

UCRÂNIA/INVASÃO TERRORISTA SOVIÉTICA/CRIMES DE GUERRA

De acordo com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, um míssil russo atingiu hoje um centro comercial na cidade de Kremenchuk, no centro da Ucrânia, onde se encontravam mais de mil pessoas.

Zelensky acompanhou o texto com um vídeo e publicou no Telegram. No vídeo vê-se algumas pessoas num parque de estacionamento ao ar livre a olhar para um edifício em chamas e muito fumo.

Volodymyr Zelensky publica vídeo no Telegram do ataque com míssil

Segundo o presidente ucraniano, o centro comercial não representava qualquer perigo para as forças russas, nem qualquer valor estratégico.

É apenas uma tentativa das pessoas de viverem uma vida normal, o que enfurece tanto os ocupantes. A Rússia continua a colocar a sua impotência sobre os cidadãos comuns. É inútil esperar por humanidade da sua parte

Os ocupantes dispararam foguetes no centro comercial, onde havia mais de mil civis. O centro comercial está a arder, os socorristas estão a combater o fogo, o número de vítimas é impossível de imaginar.

Poucos minutos antes, o autarca da cidade, Vitalii Maletskyi, afirmava no Facebook que já havia “mortos e feridos” confirmados após o ataque com um míssil. Há mais vídeos aqui.

“O ataque com mísseis em Kremenchuk atingiu um lugar muito lotado que é 100% irrelevante para as hostilidades. Há mortos e feridos”, escreveu Maletskyi.

As informações sobre a guerra na Ucrânia divulgadas pelas duas partes não podem ser verificadas de imediato por fontes independentes.

A guerra na Ucrânia, iniciada com a invasão russa de 24 de Fevereiro, entrou hoje no 124.º dia. Desconhece-se o número de vítimas, mas a ONU confirmou a morte de mais de 4.600 civis, alertando, contudo, que o balanço real será consideravelmente superior por não ter acesso a muitas zonas do país.

Pplware
27 Jun 2022
Autor: Pedro Pinto


 

1298: Encontrados mais de 100 cadáveres nos escombros de Mariupol

Para quando a DESNAZIFICAÇÃO da actual União Soviética putineira?

UCRÂNIA/GUERRA/INVASÃO TERRORISTA SOVIÉTICA

Autoridades ucranianas indicam que “durante a inspecção de edifícios no bairro de Livoberezhnyi (na margem esquerda de Mariupol), foram encontrados mais de 100 civis mortos”.

© EPA/SERGEI ILNITSKY

Mais de 100 cadáveres de civis foram encontrados entre os escombros de vários edifícios bombardeados pelo exército russo na cidade ucraniana de Mariupol, agora sob o controlo de Moscovo.

O conselheiro do ex-presidente de câmara de Mariupol, Petro Andriushchenko, afirmou na rede social Telegram que tinham descoberto os corpos na cidade, que agora tem novas autoridades impostas pelos russos.

“Descobertas novas e devastadoras. Durante a inspecção de edifícios no bairro de Livoberezhnyi (na margem esquerda de Mariupol), foram encontrados mais de 100 civis mortos num atentado bombista”, disse Andriushchenko.

Os corpos estavam “num edifício no cruzamento das ruas Peremohy Avenue e Meotydy Boulevard que foi atacado durante a ofensiva aérea. Os ocupantes (russos) não tinham planos de recuperar e enterrar os corpos”.

Маріуполь. На зараз.
Нові сумні знахідки. При обстеженні будівель в Ліобережному районі в будинку з влучанням авіабомби на перехресті пр. Перемоги та бул. Меотиди знайдено понад 100 тіл загиблих від бомбардування. Тіла досі під завалами. Вилучення і поховання окупнти не планують.
Продовжується ексгумація. В приоритеті двори шкіл та дитячих садочків. Після ексгумації тут оборобяють ями від запаху. На вулицях і по дворах після ексгумацій оброблення не проводиться.

Segundo o ex-conselheiro, “os esforços para exumar corpos [em toda a cidade] continuam”, que acrescentou que estavam a dar prioridade a retirar cadáveres dos recreios escolares e jardins infantis.

Depois das exumações, o trabalho consiste em arranjar sepulturas onde os corpos serão enterrados, de forma a eliminar odores.

Apesar de Andriushchenko não viver em Mariupol desde que a cidade, à beira do Mar de Azov, foi tomada pelos russos, publica regularmente mensagens sobre a situação na região com informações que reúne de associações e amigos que ainda lá se encontram.

Mariupol tem estado cercada por tropas russas praticamente desde o início da invasão ordenada pelo Kremlin.

A Rússia lançou em 24 de Fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de quatro mil civis, segundo as Nações Unidas, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra também causou a fuga de mais de 16 milhões de pessoas das suas casas, oito milhões das quais abandonaram o país, ainda segundo a ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

Diário de Notícias
DN/Lusa
27 Junho 2022 — 12:01


 

1297: Míssil russo atinge centro comercial em Kremenchuk. Pelo menos 10 mortos

Para quando existirem 🍅🍅 para considerarem o filho da Putina e a União Soviética de TERRORISTAS e expulsarem-nos de todas as organizações mundiais civilizadas? Quando existem palhaços labregos que afirmam não estarem de nenhum lado desta invasão soviética terrorista, só podem ser IGUAIS A ELES!

UCRÂNIA/CRIMES DE GUERRA/TERRORISMO SOVIÉTICO

Vice-chefe de gabinete do presidente ucraniano adiantou que pelo menos 10 pessoas morreram e quatro dezenas ficaram feridas. O incêndio continua activo.

Um míssil russo atingiu um centro comercial na cidade de Kremenchuk, situada no centro da Ucrânia às margens do rio Dnipro, matando pelo menos dez pessoas e causando ferimentos em mais de 40.

Segundo a notícia divulgada pelo jornal The Guardian, o presidente ucraniano afirmou que mais de 1.000 civis se encontravam no centro comercial no momento do ataque. O incêndio continua activo, depois do ataque.

“Cenas de terror em Kremenchuk, quando um míssil russo atinge o centro comercial. Um homem diz ao telefone: ‘as pessoas estavam no prédio, as paredes começaram a cair'”, anunciou ucraniano, Volodymyr Zelensky.

“Dez mortos e mais de 40 feridos. Esta é a situação actual em Kremenchuk por causa do ataque com mísseis”, disse Dmytro Lunin, que chefia o governo regional de Poltava.

“Os ocupantes dispararam um míssil contra um centro comercial onde havia mais de mil civis. O centro comercial está em chamas e as equipas de resgate combatem o fogo. O número de vítimas é impossível de imaginar”, disse o governador regional Dmytro Lunin no Telegram.

“O tiro de míssil em Kremenchuk atingiu um local muito movimentado sem qualquer relação com as hostilidades”, denunciou no Facebook Vitali Maletsky, autarca desta cidade que tinha 220 mil habitantes antes da guerra.

em actualização

Diário de Notícias
DN
27 Junho 2022 — 17:52


 

Uma “fotografia” para acordar o mundo

UCRÂNIA/INVASÃO SOVIÉTICA/ASSASSÍNIOS/CRIMES DE GUERRA/CRIANÇAS

Enviado Pedro Cruz faz o relato, todos os dias, dos acontecimentos na zona do conflito.

Os carrinhos vazios junto à câmara de Lviv lembram o número de crianças que perdeu a vida com a guerra na Ucrânia.
© EPA / Michele Esposito

Um bebé de três meses morreu ontem ao fim da tarde. Estava ferido, depois de uma explosão em Mariupol. Um dia depois, não resistiu. Soube da notícia minutos depois de ter falado com Svitlana Blinova, directora de comunicação da Câmara Municipal de Lviv. Foi dela a ideia de colocar carrinhos e cadeiras de bebé diante dos Paços do concelho, uma por cada criança morta desde 24 de Fevereiro. Quando se lembrou da “performance”, há uns dias, tinham já morrido 37 crianças.

Enquanto juntava vontades, e recolhia carrinhos, o número de vítimas quase triplicou. Em pouco tempo. Svitlana queria mostrar “à Europa e a todo o mundo” uma fotografia que desse a ideia do cemitério de crianças em que se tornou a Ucrânia, nos últimos 23 dias. “O meu objectivo é que todos percebam, desta forma, a quantidade de crianças que já morreram.

Talvez, assim, os políticos de todo o mundo, que só têm falado de negociações e sanções, possam perceber a realidade e ajudar”. Agradece o apoio de toda a comunidade internacional. No entanto, colada à gratidão, sincera, vem um mas: “É preciso agir, agir depressa, agir já. Por cada dia que passa, mais crianças vão morrer”.

“Agora”, diz ela, emocionada, “temos mais de cem anjos a protegerem os nossos céus”. Mas por muita força que tenham estas palavras, os anjos da Ucrânia não conseguem evitar a força aérea da Federação Russa, que continua a bombardear cidades inteiras.

“Até 24 de Fevereiro, as crianças de Lviv e de toda a Ucrânia podiam andar livremente na rua, brincar, viver. Agora, estão a morrer”, explica ela. Em média, desde que começou a invasão da Ucrânia, morrem cinco crianças por dia. “Cento e nove crianças mortas é muito? Ou é pouco? Não sei. Cada um pode olhar para esta fotografia e tirar as suas conclusões. Foi isso que quis transmitir”, explica. Terminámos a conversa, diz-me que depois da guerra gostava de conhecer Portugal.

Viu uma reportagem de viagens sobre os Açores e ficou encantada com “a paisagem”. Deseja que essas férias cheguem o mais depressa possível, “é sinal de que a guerra acabou”. Despede-se. Passado uns segundos volta atrás, tem o telefone na mão, recebeu uma mensagem. Diz-me apenas: “cento e dez. Já são cento e dez crianças mortas”. Acabara de morrer um bebé que tinha ficado ferido. Segue para o edifício da câmara e coloca mais um carrinho ao lado dos outros cento e nove, alinhados como se fossem lápides num cemitério.

Crianças e mães

Os homens entre os 18 e os 60 não podem abandonar o país, porque está imposta a lei marcial. Estão “convocados” para o que for necessário, desde combater no exército, até garantir a defesa civil. Por isso, os quase três milhões de ucranianos que já passaram as várias fronteiras, naquele que é o êxodo mais rápido de sempre – um milhão de pessoas em apenas em dez dias, cem mil por dia, quase 4200 por hora, 70 pessoas por minuto, uma por segundo – são, sobretudo, mulheres, crianças e idosos.

As organizações não governamentais ucranianas estão preocupadas com os relatos que têm chegado de raptos, violações e desaparecimento, sobretudo de mulheres e crianças. As redes de tráfico humano estão atentas a grandes fenómenos migratórios e aproveitam o momento: “As mulheres e as crianças estão fragilizadas, debaixo de um grande stress e procuram segurança, alimentação e conforto”, explica Iryna Andrusiak, directora do Centro para a Igualdade de Género de Lviv, professora no politécnico da cidade.

Coordena uma campanha de informação em massa, sobretudo através das redes sociais – Telegram, WhatsApp, Facebook, Instagram. O objectivo é passar a mensagem, espalhar a palavra, alertar as mulheres para o que pode acontecer em situações de grande vulnerabilidade, fraqueza e, portanto, pouco discernimento. “Temos dezenas de relatos de mulheres que foram violadas, raptadas ou que estão encarceradas”, relata Iryna.

Esta realidade é contada na primeira pessoa e, depois, difundida nas redes. Cada mulher que tomar conhecimento de histórias destas, ficará mais consciente do risco que corre. Ainda assim, por vezes, “é muito difícil reconhecer os predadores. As mulheres devem estar muito atentas, o melhor que podem fazer é confiar na polícia”.

A este conselho, junta-se um outro: desconfiar. “Normalmente”, explica Iryna, quem faz este tipo de aliciamento está “disfarçado de voluntário”. “Nunca se deve confiar num voluntário que esteja sozinho, os voluntários que realmente querem ajudar trabalham em organizações e estão em grupo”. É sempre preciso perguntar para que organização trabalham os voluntários que estão nas estações de comboio, nas centrais de camionagem ou junto às fronteiras.

Ontem, além dos meios electrónicos, os voluntários do Politécnico de Lviv distribuíram panfletos nos locais da cidade de onde ainda continuam a sair mulheres e crianças para destino incerto, para vidas incertas. Para futuros duvidosos. E nem sempre seguros.

Hoje, dia do pai, é o 24.º dia de guerra na Ucrânia.

Diário de Notícias
Pedro Cruz, em Lviv
19 Março 2022 — 00:01