745: Um asteróide foi detectado 2 horas antes de chocar com a Terra. Foi apenas a quinta vez que isto aconteceu

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTERÓIDES

Kevin Gill / Flickr

Milhares de asteróides entram na Terra todos os anos, mas a maioria dos casos não é detectada porque os choques acontecem no meio dos oceanos ou em partes desabitadas.

É algo tão raro que esta foi apenas a quinta vez que aconteceu. Um astrónomo conseguiu detectar um asteróide que se dirigia à Terra antes deste entrar na nossa atmosfera. Até agora, isto só tinha acontecido com os asteróides 2008 TC3, 2014 AA, 2018 LA, e 2019 MO. O 2022 EB5 pode agora juntar-se a esta lista exclusiva.

A 11 de Março, o astrónomo Krisztián Sárneczky observou um pequeno objecto de rocha com o telescópio Schmidt , na estação de montanha de Piszkésteto, parte do Observatório Konkoly perto de Budapeste. Cerca de duas horas depois, este entrou na nossa atmosfera, a norte da Islândia, relata o Interesting Engineering.

Estima-se que o asteróide tivesse cerca de três metros de largura e que movesse a uma velocidade perto dos 18 quilómetros por segundo. Não se sabe ao certo o que lhe terá acontecido, mas o mais provável é ou ter-se queimado ao entrar na atmosfera ou então ter caído no Oceano Árctico. Caso tinha ardido, também não se sabe se houve fragmentos a cair no solo.

A Organização Internacional dos Meteoros está à procura de informações por parte de qualquer pessoa que possa ter visto o asteróide, já que alguns islandeses reportaram ter visto um clarão repentino do céu.

A maioria dos asteróides no Sistema Solar fazem a órbita ao Sol na cintura de asteróides, localizada entre Marte e Júpiter. Estima-se que mais de 200 destes asteróides tenham perto de 100 quilómetros de diâmetro.

Apesar das grandes colisões serem raras, milhares de pequenos fragmentos de asteróides colidem com a Terra todos os anos. É impossível saber quantos ao certo já que a maioria não é reportada por acontecerem no meio dos oceanos ou em regiões onde não ninguém vive.

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ZAP
17 Março, 2022

 



 

597: Desvendado o mistério de vida “alienígena” nas profundezas do Árctico

CIÊNCIA/VIDA ALIENÍGENA/ÁRCTICO

Instituto Alfred Wegener
Esponjas gigantes no fundo do Árctico

Cientistas dizem que resolveram o mistério de como as esponjas gigantes florescem nas águas profundas e geladas do Árctico.

De acordo com a BBC News, as esponjas marinhas sobrevivem alimentando-se de restos de vermes e outros animais extintos que morreram há milhares de anos, segundo um estudo publicado a semana passada na Nature Communications.

Esponjas são animais antigos muito simples encontrados em mares de todo o mundo, de oceanos profundos a recifes tropicais rasos.

Foram encontradas a viver em grande número e em tamanho impressionante no fundo do Oceano Árctico.

Esses enormes “jardins de esponja” fazem parte de um ecossistema único que prospera no oceano coberto de gelo perto do Polo Norte, explica Teresa Morganti, investigadora do Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha em Bremen, na Alemanha.

“Encontramos esponjas enormes — elas podem atingir até um metro de diâmetro”, sublinhou a investigadora. “Esta é a primeira evidência de esponjas a comer matéria fóssil antiga.”

Através de uma câmara nas profundezas do gelo, os investigadores conseguiram fotografar os conjuntos de esponjas que formam um “jardim” no fundo do mar.

Alfred-Wegener-Institut
Populoso ecossistema, dominado por esponjas, encontrado junto aos vulcões submarinos do fundo do Árctico

Mas os cientistas ficaram confuso com o facto de aqueles animais primitivos sobreviverem nas profundezas frias e escuras, longe de qualquer fonte de alimento conhecida.

Mais recentemente, após analisar amostras da expedição ao Árctico, descobriram que as esponjas tinham em média 300 anos — e que esses seres sobrevivem com os restos de uma extinta comunidade de animais — com a ajuda de bactérias amigáveis ​​que produzem antibióticos.

“Onde as esponjas gostam de viver, há uma camada de material morto“, refere  Antje Boetius, professora do Instituto Alfred Wegener em Bremerhaven, que liderou a expedição ao Árctico.

“E finalmente ocorreu-nos que esta pode ser a solução para o porquê de as esponjas serem tão abundantes, porque elas podem explorar essa matéria orgânica com a ajuda da simbiose”, acrescentou a investigadora.

A descoberta mostra que temos muito mais a aprender sobre o Planeta Terra e pode haver mais formas de vida à espera de serem descobertas debaixo do gelo.

“Há tanta vida do tipo alienígena e especialmente nos mares cobertos de gelo, onde mal temos tecnologia para ter acesso, olhar em redor e fazer um mapa”, acrescenta.

Mas com o gelo marinho do Árctico a recuar a uma taxa sem precedentes, os investigadores alertam que essa teia única de vida está sob crescente pressão das mudanças climáticas.

De acordo com cálculos científicos, tanto a espessura quanto a extensão do gelo marinho de verão no Árctico mostraram um declínio dramático nos últimos 30 anos, o que é consistente com as observações de um Árctico em aquecimento.

“Com a cobertura de gelo marinho em declínio rápido e o ambiente oceânico a mudar, um melhor conhecimento dos ecossistemas de hotspots é essencial para proteger e gerir a diversidade única desses mares do Árctico sob pressão”, conclui Boetius.

  ZAP //


18 Fevereiro, 2022