804: Gelo revela gigantescas erupções vulcânicas (maiores que todas as dos últimos 2.500 anos)

CIÊNCIA/GEOLOGIA/VULCANOLOGIA

“Este vídeo é privado”

Estranha forma de praticar jornalismo. Depois de colocar um comentário sobre esta anomalia jornalística, o mesmo foi CENSURADO. Se o vídeo é PRIVADO porque razão colocam aqui o aviso? Tem material porno? O vídeo seguinte, referente ao anúncio de VÍDEO PRIVADO, vem a seguir, retirado do Youtube

Os núcleos de gelo têm também provas sobre o impacto no clima das grandes erupções vulcânicas, o que pode ser útil nas previsões futuras.

Um novo estudo publicado na Climate of the Past analisou núcleos de gelo com 60 mil anos e revelou que houve milhares de erupções vulcânicas nessa altura, desde a última Idade do Gelo. 25 das erupções são maiores do que todas as que abalaram a Terra nos últimos 2.500 anos.

Os investigadores escavaram os núcleos perto de ambos os pólos, na Antárctida, onde foram detectadas 737 erupções e na Gronelândia, onde foram descobertas 1.113 erupções, relata o Science Alert.

85 destas erupções foram tão grandes que deixaram provas nos pólos, provas essas que consistem em depósitos de ácido sulfúrico que dão pistas sobre o tamanho e o impacto que alguns vulcões em particular tiveram.

“Quando uma erupção muito grande acontece, o ácido sulfúrico é ejectado até à atmosfera superior, que é depois distribuída globalmente — incluindo até à Gronelândia e à Antárctida. Podemos estimar o tamanho de uma erupção ao olharmos para a quantidade de ácido sulfúrico que caiu“, afirma o físico Anders Svensson, da Universidade de Copenhaga.

NEEM
Anders Svensson examina os núcleos de gelo

A equipa usou o índice de explosividade vulcânica, que vai de ordem crescente de 1 até 8, e descobriu que 69 erupções vulcânicas que excederam a erupção do Tambora em 1815 — que teve uma classificação de 7 no índice e foi forte o suficiente para bloquear a penetração da luz solar e iniciar um período de arrefecimento global.

Estas 69 erupções incluem uma no lago Taupo, na Nova Zelândia, há 26.500 anos, e uma em Toba na Indonésia, há cerca de 74 mil anos, estando ambas no nível 8. A erupções no nível 7 acontecem uma ou duas vezes a cada milhar de anos, por isso podemos ter uma em breve.

Os investigadores antecipam que uma do nível 8 aconteça entre daqui a 100 anos e alguns milhares de anos. O estudo ajuda a preencher algumas das lacunas no registo vulcânico da Terra e baseia-se em pesquisas anteriores que sincronizaram os prazos através dos núcleos de gelo dos dois pólos, podendo assim identificar com maior precisão as erupções que tiveram efeitos mais significativos.

Os núcleos de gelo também captam as temperaturas antes e depois das erupções, o que nos dá um vislumbre do seu efeito no clima global, visto que os eventos mais fortes podem causar um arrefecimento entre 5 e 10 anos após acontecerem.

“Os núcleos de gelo contém informação sobre as temperaturas antes e depois das erupções, o que nos permite calcular o seu efeito no clima. Visto que erupções mais fortes nos dizem muito sobre quão sensível o nosso planeta é às mudanças no sistema climático, podem ser úteis nas previsões climáticas“, remata.

  ZAP //

ZAP
26 Março, 2022

 



 

803: Satélite mostra que a plataforma de gelo Conger colapsou completamente

CIÊNCIA/GLACIOLOGIA

David Vaughan / ITGC

Cientista da NASA diz que o colapso completo de uma plataforma de gelo do tamanho de Roma com temperaturas invulgarmente elevadas é “sinal do que pode estar para vir”.

Uma plataforma de gelo do tamanho de Roma desmoronou-se completamente na Antárctida Oriental dentro de dias, de acordo com dados de satélite, depois de registarem temperaturas elevadas, segundo o The Guardian.

A plataforma de gelo Conger, que tinha uma superfície aproximada de 1.200 km2, desmoronou-se a 15 de Março, alertaram os cientistas esta sexta-feira.

A Antárctida Oriental sofreu temperaturas invulgarmente elevadas na semana passada, com a estação Concordia a atingir uma temperatura recorde de -11,8ºC a 18 de Março, mais de 40ºC mais quente do que as normas sazonais.

As plataformas de gelo são extensões de placas de gelo que flutuam sobre o oceano, desempenhando um papel importante na contenção do gelo interior. Sem elas, o gelo interior flui mais rapidamente para o oceano, resultando na subida do nível do mar.

Catherine Colello Walker, cientista terrestre e planetária da NASA e do Instituto Oceanográfico Woods Hole, disse que embora a plataforma de gelo Conger fosse relativamente pequena, “é um dos eventos de colapso mais significativos em qualquer parte da Antárctida desde o início dos anos 2000, quando a plataforma de gelo Larsen B se desintegrou”.

“Não terá efeitos devastadores, muito provavelmente, mas é um sinal do que poderá estar para vir”, disse Walker.

A plataforma de gelo Conger tem vindo a diminuir desde meados dos anos 2000, mas apenas gradualmente até ao início de 2020, disse Walker.

A 4 de Março deste ano, a plataforma de gelo parecia ter perdido mais de metade da sua superfície em comparação com as medições de Janeiro.

Peter Neff, glaciólogo e professor assistente de investigação na Universidade do Minnesota, disse que ver mesmo uma pequena plataforma de gelo cair na Antárctida Oriental era uma surpresa.

“Continuamos a tratar a Antárctida Oriental como este enorme, alto, seco, frio e imutável cubo de gelo”, disse o docente.

“O entendimento actual sugere em grande parte que não é possível obter as mesmas taxas rápidas de perda de gelo [como na Antárctida Ocidental] devido à geometria do gelo e do leito rochoso ali”, acrescentou.

“Este colapso, especialmente se ligado ao calor extremo trazido pelo evento atmosférico do rio em meados de Março, conduzirá a investigações adicionais sobre estes processos na região”, alerta também.

Dados de satélite da missão Copernicus Sentinel-1 mostraram que o movimento da plataforma de gelo começou entre 5 e 7 de Março, explicou Neff.

“Grande parte da Antárctida Oriental é retida por plataformas de gelo de contracção, pelo que precisamos de vigiar todas as plataformas de gelo existentes”, explicou Helen Amanda Fricker, professora de glaciologia no Centro Polar Scripps.

“As plataformas de gelo perdem massa como parte do seu comportamento natural, mas o colapso em grande escala de uma plataforma de gelo é um acontecimento bastante invulgar“, concluiu Andrew Mackintosh, da Universidade Monash .

Alice Carqueja
25 Março, 2022

 



 

778: 11,5 graus abaixo de zero: recorde de temperatura na Antárctida

CIÊNCIA/CLIMATOLOGIA

Aquecimento global volta a dar sinal na Antárctida. Temperatura registada é 30 graus mais elevada do que o habitual.

11,5 graus centígrados abaixo de zero. Em Portugal, isso seria um fenómeno, sobretudo em Março. Na Antárctida também foi, mas num contexto inverso.

Na semana passada foi registada essa temperatura na Antárctida Oriental. Cá seria muito frio, mas naquela zona é uma temperatura muito quente: 30.°C acima do habitual.

Aliás, em Março, normalmente a temperatura vai descendo naquela região – o final do Verão está a aproximar-se. Não foi o caso.

Este recorde foi registado na Concordia, uma base de investigação de França e Itália, instalada na cúpula C do planalto antárctico, a mais de 3 quilómetros de altitude.

Em Dezembro de 2016 os termómetros indicaram 13,7 graus abaixo de zero, que era o recorde até agora.

Já na costa da Terra Adelia, a base de Dumont d’Urville teve o Março mais ameno de sempre, com +4,9.°C. A temperatura mínima foi de +0,2.° C, na sexta-feira passada.

A zona Leste da Antárctida está a registar no global temperaturas 30 a 35 graus acima dos números habituais nesta altura do ano.

Já no mês passado, Fevereiro, a camada de gelo da Antárctida ficou-se pelos 2 milhões de quilómetros quadrados – a menor área desde que há registos obtidos por satélite.

“Esta onda de calor na Antárctida está a mudar o que pensávamos ser possível para o clima antárctico”, avisou Jonathan Wille, do Instituto de Geociências Ambientais de Grenoble, em França.

Nuno Teixeira da Silva
21 Março, 2022

 



 

560: Um “mapa do tesouro” criado com IA prevê onde estão escondidos 300 mil meteoritos na Antárctida

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Katherin Joy / Antarctic Search for Meteorites Program
A Antárctida é um dos melhores lugares do mundo para procurar meteoritos

A equipa estima que haja 300 mil meteoritos algures no continente da Antárctida. O novo mapa teve em conta factores como a temperatura, o declive na superfície e o fluxo do gelo para prever onde estes estão escondidos.

Os meteoritos caem por todo o mundo, mas uma equipa de investigadores da Universidade de Tecnologia de Delft, nos Países Baixos, decidiu debruçar-se sobre onde estão escondidos os tesouros da Antárctida.

Os especialistas decidiram usar a inteligência artificial para criarem uma espécie de “mapa do tesouro” que identifica zonas onde há uma maior probabilidade de serem encontrados meteoritos, revela o Universe Today

Um estudo publicado na Science Advances detalhou o processo. “Através das nossas análises, descobrimos que as observações da temperatura pelos satélites, a taxa de fluxo de gelo, a cobertura da superfície e a geometria são bons preditores da localização de áreas ricas em meteoritos. Esperamos que o ‘mapa do tesouro’ seja 80% preciso“, revela a autora Veronica Tollenaar.

Com base no estudo, os cientistas estimam que mais de 300 mil meteoritos estão escondidos algures na paisagem gelada da Antárctida. Quando forem encontrados, podem dar muitas respostas aos cientistas.

“Encontramos várias áreas ricas em meteoritos que nunca foram visitadas e que estão relativamente perto de pontos de pesquisa“, afirma Stef Lhermitte, outro co-autor do estudo.

Os meteoritos já se acumulam há milhares de anos na Antárctida e são preservados pelo clima frio e desértico do continente, ficando embutidos nos glaciares. Com os fluxos lentos dos glaciares, os meteoritos são levados também e só aparecem à superfície quando o glaciar choca com um largo objecto que obrigue o gelo a levantar. Os ventos secos da Antárctida também corroem lentamente o gelo, expondo as rochas.

Os meteoritos são demasiado pequenos para serem detectados individualmente a partir do Espaço, mas com a combinação de medidas indirectas de satélites, como a temperatura, o fluxo do gelo, os declives da superfície e a forma como o gelo reflete sinais de radar, a equipa acredita que a inteligência artificial consegue prever onde estes se concentram.

As áreas com gelo azul são conhecidas por terem meteoritos, já que o contraste entre as cores facilita a detecção e a recolha destas rochas durante as missões em campo na Antárctida.

No entanto, há ainda muitas áreas remotas no continente que nunca foram visitadas e as notícias de missões de recuperação de meteoritos anteriores são geralmente ambíguas e pouco detalhadas.

Com este novo mapa do tesouro interactivo, o potencial para a descoberta de mais meteoritos na Antárctida é maior do que nunca.

  ZAP //

ZAP
12 Fevereiro, 2022