1196: Quase todo o território em seca severa em Maio, o mais quente desde 1931

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/AQUECIMENTO GLOBAL

No último dia do mês de Maio, 97,1% do território de Portugal continental estava em seca severa, 1,5 em seca moderada e 1,4 em seca extrema.

© Global Imagens (Arquivo)

Quase todo o território de Portugal continental estava em seca severa no final de Maio, o mais quente e seco dos últimos 92 anos, de acordo com o Instituto português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

A situação de seca meteorológica agravou-se em todo o território no final de Maio com um aumento muito significativo da área em seca severa, estando agora 97%, quando em Abril estava nos 4,3%, segundo o índice meteorológico de seca (PDSI).

No último dia do mês de Maio, 97,1% estava em seca severa, 1,5 em seca moderada e 1,4 em seca extrema.

No final de Abril, 8,5% de Portugal Continental estava em seca fraca e 4,3% em seca severa. Não se registava seca extrema.

O instituto classifica em nove classes o índice meteorológico de seca, que varia entre “chuva extrema” e “seca extrema”.

Além do índice de seca, o Boletim Climatológico do IPMA indica que o mês de Maio classificou-se como extremamente quente e muito seco, sendo o mais quente dos últimos 92 anos.

O valor médio da temperatura média (19,19 graus Celsius) foi muito superior ao normal no período de referência (1971-2000), uma anomalia de +3,47 graus.

Já o valor médio de temperatura máxima do ar (25,87 graus), foi no final de Maio o mais alto desde 1931, com uma anomalia de +4,91 graus.

Também o valor médio de temperatura mínima do ar (12,52 graus), foi muito superior ao normal, +2,02 graus, sendo o 3.º mais alto desde 1931 (mais altos em 2011 e 2020).

O instituto destaca que o dia 21 de Maio foi caracterizado por temperaturas do ar muito elevadas, sendo que em 20% das estações meteorológicas o valor máximo da temperatura do ar foi registado em período nocturno, entre as 00:00 e as 08:00.

No que diz respeito à quantidade de precipitação em Maio (8,9 milímetros), o IPMA refere que foi muito inferior ao valor normal 1971-2000, correspondendo a apenas 13%.

No final de Maio verificou-se uma diminuição significativa dos valores de percentagem de água no solo em todo o território sendo de realçar a região do interior Norte e Centro, Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, onde se verificam valores de percentagem inferiores a 20 %.

Diário de Notícias
DN/Lusa
09 Junho 2022 — 08:19


 

O mundo está “a aproximar-se cada vez mais da catástrofe climática”. O novo alerta de Guterres

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/CATÁSTROFE

Quatro marcadores-chave das alterações climáticas bateram novos recordes em 2021, revelou esta quarta-feira a Organização das Nações Unidas (ONU), avisando que o sistema global de energia está a conduzir a humanidade para a catástrofe.

© TVI24
O mundo está “a aproximar-se cada vez mais da catástrofe climática”. O novo alerta de Guterres

As concentrações de gases com efeito de estufa, o aumento do nível do mar, a temperatura e a acidificação dos oceanos atingiram novos recordes no ano passado, segundo refere a Organização Meteorológica Mundial (OMM) no relatório “Estado do Clima Global em 2021”.

Este documento é “uma ladainha lamentável do fracasso da humanidade em combater as mudanças climáticas“, considerou secretário-geral da ONU, António Guterres.

“O sistema global de energia está quebrado e aproxima-nos cada vez mais da catástrofe climática”, alertou Guterres, pedindo para se “acabar com a poluição por combustíveis fósseis e acelerar a transição para energia renovável”, antes de se incinerar o planeta.

A OMM refere que a actividade humana está a provocar mudanças à escala planetária: na terra, no oceano e na atmosfera, com ramificações prejudiciais e duradouras para os ecossistemas.

O relatório desta organização confirmou que os últimos sete anos foram os sete anos mais quentes alguma vez registados.

Os fenómenos climáticos relacionados com o La Nina no início e no final de 2021 tiveram um efeito assustador nas temperaturas globais no ano passado. Mas, apesar disso, 2021 continua a ser um dos anos mais quentes já registados, com a temperatura média global a rondar os 1,11 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais.

Acordo Climático de Paris de 2015 visava limitar o aquecimento global a +1,5°C em comparação com a era pré-industrial.

“O nosso clima está a mudar diante de nossos olhos”, disse o chefe da OMM, Petteri Taalas, sublinhando: “O calor retido pelos gases com efeito de estufa produzidos pelo homem aquecerá o planeta por muitas gerações”.

“O aumento do nível do mar, o calor e a acidificação dos oceanos continuarão por centenas de anos. A menos que sejam inventadas maneiras de remover o carbono da atmosfera”, acrescentou.

Os quatro indicadores-chave da mudança climática “constroem uma imagem coerente de um mundo em aquecimento que afecta todas as partes do planeta”, diz o relatório da OMM

As concentrações de gases com efeito estufa atingiram uma nova alta global em 2020, quando a concentração de dióxido de carbono (CO2) atingiu 413,2 partes por milhão (ppm) em todo o mundo, ou 149% dos níveis pré-industriais.

Os dados indicam que estes gases continuaram a aumentar em 2021 e no início de 2022, com a concentração média mensal de CO2 em Mona Loa, no Havai, atingindo 416,45 ppm em Abril de 2020, 419,05 ppm em Abril de 2021 e 420,23 ppm em Abril de 2022, de acordo com o relatório.

O nível médio global do mar também atingiu um novo recorde em 2021, depois de subir uma média de 4,5 milímetros por ano de 2013 a 2021, informa o documento.

O aumento médio entre 1993 e 2002 tinha sido de 2,1 mm por ano, sendo o aumento entre os dois períodos “principalmente devido à perda acelerada de massa de gelo das calotas polares”, acrescenta.

A temperatura do oceano também atingiu um recorde no ano passado, superando o valor de 2020, de acordo com o relatório. Espera-se que os primeiros 2.000 metros de profundidade do oceano continuem a aquecer no futuro – “uma mudança irreversível em escalas de tempo de séculos a milénios” – segundo a OMM, que sublinha que o calor penetrou cada vez mais fundo.

O oceano absorve cerca de 23% das emissões anuais de CO2 produzidas pelo homem na atmosfera. Embora retarde o aumento das concentrações atmosféricas de CO2, este último reage com a água do mar e leva à acidificação dos oceanos.

Enquanto isso, o relatório aponta que o buraco na camada de ozono da Antárctida é “invulgarmente profundo e extenso” com 24,8 milhões de quilómetros quadrados em 2021, impulsionado por um vórtice polar forte e estável.

António Guterres propôs cinco acções para iniciar a transição para as energias renováveis “antes que seja tarde”: acabar com os subsídios aos combustíveis fósseis, triplicar o investimento em energias renováveis, reduzir a burocracia, garantir o fornecimento de matérias-primas para tecnologias de energias renováveis e tornar essas tecnologias – como o armazenamento de baterias – bens públicos globais disponíveis gratuitamente.

“Se agirmos juntos, a transformação das energias renováveis pode ser o projecto de paz do século 21”, disse Guterres.

MSN
Agência Lusa
18.05.2022


EU combati no mato, em África, na Guerra Colonial, durante quase dois anos,
os mercenários treinados por Cuba e armados, municiados e financiados
pela União Soviética (URSS) e China.

 

827: No futuro, vai morrer-se mais de calor extremo do que de frio

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/AQUECIMENTO GLOBAL

Cientista Mónica Rodrigues explicou que os resultados da investigação evidenciam que, em períodos futuros, “prevê-se um aumento da temperatura, quer no verão, quer no inverno, com maior frequência de ondas de calor, tendo influência na mortalidade”.

Calor está a fustigar sul da Europa. Em Milão, na Itália, um casal procura refrescar-se
© EPA/Matteo Corner

Um estudo de uma investigadora da Universidade de Coimbra (UC), que utiliza uma metodologia inédita em Portugal, prevê que o calor extremo provoque mais mortes no futuro e o que frio extremo reduza a mortalidade.

A investigação, divulgada esta terça-feira, avalia o impacto das alterações climáticas na mortalidade da população das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, tendo utilizado “modelos avançados para quantificar os efeitos da temperatura na mortalidade”, a curto (anos de 2051 a 2065) e a longo prazo (2085-2099), quando comparados com o período histórico de 1991 a 2005.

Integra também estudos “que incorporam cenários demográficos prospectivos em projecções de mortalidade associada à temperatura em condições actuais e futuras (2046-2065), tendo em conta a mortalidade relacionada com o frio e o calor”, revelou a UC, em nota de imprensa.

Em declarações à agência Lusa, Mónica Rodrigues, investigadora no Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da Universidade de Coimbra, explicou que os resultados da investigação evidenciam que, em períodos futuros, “prevê-se um aumento da temperatura, quer no verão, quer no inverno, com maior frequência de ondas de calor, tendo influência na mortalidade”.

“Verificamos que o calor extremo é aquele que apresenta valores mais significativos. Há um excesso de mortalidade associada a temperaturas extremas, no caso dos meses de verão”, adiantou a especialista, frisando que, à semelhança das temperaturas baixas, “as pessoas com mais de 65 anos constituem também aqui o grupo etário mais vulnerável ao calor”.

Já no período de inverno e sendo Portugal dos países europeus “que apresenta maior taxa de mortalidade”, mesmo tendo temperaturas amenas, a mortalidade, no futuro, “será mais acentuada com temperaturas temperadas e não será tão acentuada com temperaturas extremas”.

“As alterações climáticas reduzem a mortalidade nas temperaturas extremas de frio. No futuro, há uma redução da mortalidade relacionada com o frio extremo”, enfatizou Mónica Rodrigues.

A investigadora acrescentou que a metodologia utilizada, “inédita” em Portugal, observa “a fracção [da temperatura] atribuível à mortalidade”, analisando igualmente temperaturas extremas de frio e calor e a variação dos diversos percentis da amostra.

“Nunca foi feito em Portugal, em termos de fracção atribuível, e é aí que se diferencia”, frisou a especialista, que integra grupos de trabalho na Organização Mundial da Saúde e Agência Europeia do Ambiente, entre outras instituições, e faz parte do grupo de peritos e de revisores especialistas do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

Os estudos integram a sua tese de doutoramento, intitulada “Impacto das alterações climáticas nas doenças crónicas em Portugal” e incidiram, nesta primeira fase, nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, “precisamente por serem as áreas mais populosas do nosso país”, esclareceu.

“Mais população, maior exposição, maior risco”, notou Mónica Rodrigues, que, no futuro, pretende alargar a investigação “a populações de outras zonas do país”.

Defendeu que projecções climáticas e demográficas que constam da sua investigação – publicada em várias revistas científicas mundiais e também no relatório do IPCC – podem constituir “uma ferramenta valiosa, na projecção de eventos futuros, tendo em conta a população e a saúde”.

“Podem servir a uma abordagem preventiva, por exemplo no planeamento de estratégias de intervenção a nível local. Estas projecções podem permitir decisões prévias aos decisores, levar à minimização de riscos. Projectando à distância, podemos planear doutra forma”, enfatizou Mónica Rodrigues.

Diário de Notícias
DN/Lusa
29 Março 2022 — 17:55

 



 

813: Presidência e AR desligam iluminações durante uma hora

– Simbólico… mas tremendamente hipócrita…!

SOCIEDADE/HORA DO PLANETA

Entre as 20:30 e 21:30, as luzes desligam-se de forma a consciencializar a população mundial para as alterações climáticas.

© PAULO SPRANGER / Global Imagens

A Presidência da República e o parlamento participam hoje no ato simbólico de desligar a iluminação dos edifícios por ocasião da “Hora do Planeta”, para demonstrar o compromisso com a luta contra as alterações climáticas.

Segundo um comunicado divulgado na página oficial da Presidência da República na Internet, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, “associa-se de novo ao movimento de sustentabilidade global ‘Hora do Planeta’, repetindo o ato simbólico de serem apagadas as luzes das fachadas dos Palácios de Belém e da Cidadela de Cascais”, entre as 20:30 e 21:30.

A nota acrescenta que o objectivo da acção simbólica é mostrar o “compromisso na luta contra o aquecimento global e as alterações climáticas”.

A Assembleia da República informou igualmente numa nota divulgada no seu ‘site’ que o parlamento também vai desligar a iluminação dos seus edifícios, durante o mesmo período.

“Trata-se de um ato simbólico que manifesta o empenho do parlamento nas questões ambientais. A Assembleia da República junta-se assim à participação nesta iniciativa dos parlamentos da União Europeia, incluindo o Parlamento Europeu”, acrescenta o comunicado.

A “Hora do Planeta” é um movimento que ocorre anualmente desde 2007, na Austrália, na sequência de uma iniciativa apresentada pela World Wildlife Fund (WWF).

O objectivo deste ato simbólico é consciencializar a população mundial para as alterações climáticas.

O primeiro evento juntou cerca de dois milhões de pessoas em Sidney e desde então várias cidades em todo o mundo uniram-se ao movimento, desligando as iluminações dos edifícios emblemáticos e do Estado durante uma hora.

Diário de Notícias
Lusa/DN
26 Março 2022 — 14:26

 



 

803: Satélite mostra que a plataforma de gelo Conger colapsou completamente

CIÊNCIA/GLACIOLOGIA

David Vaughan / ITGC

Cientista da NASA diz que o colapso completo de uma plataforma de gelo do tamanho de Roma com temperaturas invulgarmente elevadas é “sinal do que pode estar para vir”.

Uma plataforma de gelo do tamanho de Roma desmoronou-se completamente na Antárctida Oriental dentro de dias, de acordo com dados de satélite, depois de registarem temperaturas elevadas, segundo o The Guardian.

A plataforma de gelo Conger, que tinha uma superfície aproximada de 1.200 km2, desmoronou-se a 15 de Março, alertaram os cientistas esta sexta-feira.

A Antárctida Oriental sofreu temperaturas invulgarmente elevadas na semana passada, com a estação Concordia a atingir uma temperatura recorde de -11,8ºC a 18 de Março, mais de 40ºC mais quente do que as normas sazonais.

As plataformas de gelo são extensões de placas de gelo que flutuam sobre o oceano, desempenhando um papel importante na contenção do gelo interior. Sem elas, o gelo interior flui mais rapidamente para o oceano, resultando na subida do nível do mar.

Catherine Colello Walker, cientista terrestre e planetária da NASA e do Instituto Oceanográfico Woods Hole, disse que embora a plataforma de gelo Conger fosse relativamente pequena, “é um dos eventos de colapso mais significativos em qualquer parte da Antárctida desde o início dos anos 2000, quando a plataforma de gelo Larsen B se desintegrou”.

“Não terá efeitos devastadores, muito provavelmente, mas é um sinal do que poderá estar para vir”, disse Walker.

A plataforma de gelo Conger tem vindo a diminuir desde meados dos anos 2000, mas apenas gradualmente até ao início de 2020, disse Walker.

A 4 de Março deste ano, a plataforma de gelo parecia ter perdido mais de metade da sua superfície em comparação com as medições de Janeiro.

Peter Neff, glaciólogo e professor assistente de investigação na Universidade do Minnesota, disse que ver mesmo uma pequena plataforma de gelo cair na Antárctida Oriental era uma surpresa.

“Continuamos a tratar a Antárctida Oriental como este enorme, alto, seco, frio e imutável cubo de gelo”, disse o docente.

“O entendimento actual sugere em grande parte que não é possível obter as mesmas taxas rápidas de perda de gelo [como na Antárctida Ocidental] devido à geometria do gelo e do leito rochoso ali”, acrescentou.

“Este colapso, especialmente se ligado ao calor extremo trazido pelo evento atmosférico do rio em meados de Março, conduzirá a investigações adicionais sobre estes processos na região”, alerta também.

Dados de satélite da missão Copernicus Sentinel-1 mostraram que o movimento da plataforma de gelo começou entre 5 e 7 de Março, explicou Neff.

“Grande parte da Antárctida Oriental é retida por plataformas de gelo de contracção, pelo que precisamos de vigiar todas as plataformas de gelo existentes”, explicou Helen Amanda Fricker, professora de glaciologia no Centro Polar Scripps.

“As plataformas de gelo perdem massa como parte do seu comportamento natural, mas o colapso em grande escala de uma plataforma de gelo é um acontecimento bastante invulgar“, concluiu Andrew Mackintosh, da Universidade Monash .

Alice Carqueja
25 Março, 2022

 



 

778: 11,5 graus abaixo de zero: recorde de temperatura na Antárctida

CIÊNCIA/CLIMATOLOGIA

Aquecimento global volta a dar sinal na Antárctida. Temperatura registada é 30 graus mais elevada do que o habitual.

11,5 graus centígrados abaixo de zero. Em Portugal, isso seria um fenómeno, sobretudo em Março. Na Antárctida também foi, mas num contexto inverso.

Na semana passada foi registada essa temperatura na Antárctida Oriental. Cá seria muito frio, mas naquela zona é uma temperatura muito quente: 30.°C acima do habitual.

Aliás, em Março, normalmente a temperatura vai descendo naquela região – o final do Verão está a aproximar-se. Não foi o caso.

Este recorde foi registado na Concordia, uma base de investigação de França e Itália, instalada na cúpula C do planalto antárctico, a mais de 3 quilómetros de altitude.

Em Dezembro de 2016 os termómetros indicaram 13,7 graus abaixo de zero, que era o recorde até agora.

Já na costa da Terra Adelia, a base de Dumont d’Urville teve o Março mais ameno de sempre, com +4,9.°C. A temperatura mínima foi de +0,2.° C, na sexta-feira passada.

A zona Leste da Antárctida está a registar no global temperaturas 30 a 35 graus acima dos números habituais nesta altura do ano.

Já no mês passado, Fevereiro, a camada de gelo da Antárctida ficou-se pelos 2 milhões de quilómetros quadrados – a menor área desde que há registos obtidos por satélite.

“Esta onda de calor na Antárctida está a mudar o que pensávamos ser possível para o clima antárctico”, avisou Jonathan Wille, do Instituto de Geociências Ambientais de Grenoble, em França.

Nuno Teixeira da Silva
21 Março, 2022

 



 

677: Há 36 grandes cidades em risco de ficar submersas. Lisboa é uma delas

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

ZAP // Ahmadreza89 / Pixabay

Há poucas dúvidas de que o nível do mar está a subir, e há cidades que correm o risco de ficar submersas. Lisboa está em 17º lugar na lista das primeiras cidades submersas nas próximas décadas.

Já não se trata de uma questão de se, mas de quando. No entanto, ninguém pode prever exactamente a altura em que vai acontecer.

Mas de acordo com o The Swiftest, com base em simples mapas de elevação do Coastal Risk Screening Tool, podemos prever quais as principais cidades do mundo com maior probabilidade de ficarem debaixo de água primeiro.

Os mapas interactivos da Coastal Risk Screening Tool, criados pela Climate Central, comunidade de cientistas e jornalistas independentes, permitem aos utilizadores visualizar mapas de diversas partes do mundo, filtrados por área de risco.

Algumas previsões colocam o nível do mar a taxas muito mais elevadas à medida que nos aproximamos do ano 2100, mesmo até 2,5 metros, se nada for feito para abrandar as emissões de gases com efeito de estufa.

1,5 metros é uma estimativa realista que muito provavelmente ocorrerá dentro dos próximos 80 anos. Este cenário é possível dadas as actuais projecções, o aumento da temperatura global, e a inacção dos principais líderes políticos e industriais mundiais.

O Euromonitor permitiu identificar as 36 maiores das cidades mais visitadas do mundo, que serão afectadas pela subida do nível do mar. Estas serão as primeiras cidades submersas nos próximos 80 anos.

Utilizando os mapas gerados para estas cidades, é possível observar as principais atracções turísticas em risco, por estarem total ou parcialmente submersas dentro das zonas identificadas que serão afectadas pela subida do nível do mar.

O The Swiftest classificou estas 36 cidades por população, para destacar os destinos de maior risco, que terão a maior deslocação de vida tal como a conhecemos.

Tóquio, a capital do Japão e a cidade mais populosa do mundo, encabeça a lista. A sua população aumenta em 2,4 milhões ao longo do dia, devido aos estudantes e trabalhadores de distritos vizinhos, que se mudam para Tóquio.

Mumbai, na Índia, com mais de 20 milhões de habitantes, e Nova Iorque, nos Estados Unidos, com uma população semelhante, completam o Top 3 das cidades.

Em 7º encontra-se a cidade de Banguecoque, na Tailândia, com cerca de 10 milhões e 700 mil habitantes.

O governo tailandês não conseguiu implementar qualquer acção no sentido de evitar a situação precária da gestão costeira e está a receber críticas de cientistas climáticos. Algumas previsões colocam Banguecoque debaixo de água até 2050.

Em 8º lugar na lista está Jacarta. A cidade da indonésia, que já se está a afundar, vai ser brevemente transferida para o Bornéu, onde os indonésios estão a construir a sua nova capital, Nusantara.

Com uma população de 10 milhões de habitantes, Jacarta é considerada por alguns como “a cidade que mais rapidamente se vai afundar no mundo”, estimando-se que estará “inteiramente submersa até 2050“.

Em Dezembro de 2021, Jacarta foi novamente submersa, tendo partes da capital ficado 2,7m debaixo de água.

Lisboa entre as grandes cidades submersas

Lisboa é a 17ª cidade na lista. A capital portuguesa, que já foi atingida por um mega-tsunami em 1755 e está “em cima de um barril de pólvora”, pode afinal ficar submersa apenas pela subida do nível das águas do mar.

Em 22º na lista está Nova Orleães. A cidade norte americana, que em 2005 foi já devastada pelo furacão Katrina, corre o risco de enfrentar novamente a água do mar.

Amesterdão, situado nos Países Baixos, um país já de si conquistado ao mar pela sua população através de diques e barragens, é a 25ª na lista. Será também uma das primeiras cidades submersas.

Veneza, que há anos sofre com o problema da sua baixa altitude — está apenas a 1 metro acima do nível das águas do mar — sofre prejuízos todos os anos com as cheias, e encontra-se em 27º na lista.

Pela primeira em 1.200 anos, em Outubro do ano passado, a cidade italiana foi capaz de travar a subida do nível da água, recorrendo a barreiras móveis recentemente instaladas no mar.

O sistema de defesa MOSE, nome italiano para para Moisés, derivado do Modulo Sperimentale Elettromeccanico (Módulo Electromecânico Experimental), visa reter a subida das águas e a consequente inundação das cidades.

Macau, cidade chinesa, encontra-se em 28º na lista. Com 661 mil habitantes, pode ver submersos o seu aeroporto e a AJ Hackett Macau Tower.

Destinos turísticos em risco

Algumas destas cidades submersas nos próximos anos são também destinos turísticos populares, que já estão a lutar contra o aumento do nível das águas e os danos causados pelas inundações frequentes.

Veneza é um exemplo fácil de um destino turístico que sofre uma tensão significativa e crescente devido a inundações frequentes.

A Basílica de St. Mark em Veneza já sofreu graves inundações e danos causados pela água.

Apesar dos esforços para introduzir um sistema de barreira de inundação, a Praça de St. Mark foi danificada em 2020 quando a barreira de inundação não foi utilizada, demonstrando que mesmo quando existem infra-estruturas para prevenir os efeitos da crise climática, estas só resolverão alguns dos problemas.

O destino turístico popular Waikiki Beach no Havai já está a lutar com a subida do nível do mar e requer maior protecção contra a crescente erosão costeira.

Já desapareceram 13 milhas da praia havaiana no século passado. As suas actuais tentativas de reabastecer as praias com areia importada são medidas dispendiosas e temporárias.

O estado da Florida está a investir 4 mil milhões de dólares na prevenção de mais danos, em particular em Miami Beach, um destino turístico popular com quase 1.200 casas actualmente em risco de inundação. Na verdade, as inundações estão a tornar-se uma ocorrência anual nesta região.

Segundo a UNESCO, a famosa Ilha de Páscoa e as suas icónicas estátuas estão gravemente em risco devido à subida do nível do mar e às chuvas. A ilha está já a sofrer uma erosão significativa e as ondas aproximam-se todos os anos do local.

Indabelle / Flickr
A famosa Ilha de Páscoa está em risco

Mais de 90 ilhas nas Maldivas sofrem inundações todos os anos e prevê-se que percam 80% ou mais das suas ilhas nas próximas três décadas.

Já estão a ser feitos planos pelo governo local para adquirir terras noutros países como um seguro para deslocalizar a população das Maldivas, se necessário.

O Wadden Sea faz parte do património europeu da UNESCO e é visitado por milhões de pessoas todos os anos.

A miríade de espécies vegetais e animais está em risco devido à subida do nível do mar e à erosão, o que causará danos significativos. Estão a ser feitos esforços para evitar que isto aconteça.

Embora a região de Eifel não se encontre na costa, os rios estão também sujeitos a grandes catástrofes de alterações climáticas.

Como exemplo, Eifel, localizada no epicentro das adegas e festivais de vinho na Alemanha, foi atingida por inundações maciças em 2021 que nivelaram edifícios e arruinaram empresas. Mais de 220 pessoas morreram na Alemanha e na Bélgica durante estas inundações.

Key West, na Florida, já investiu em infra-estruturas e projectos de relocalização antes de se verificarem danos incalculáveis.

Os peritos estimam que partes da Key West estarão submersas em 2040, e o dinheiro que custaria para se preparar para isso está nos milhares de milhões.

A cidade de Nova Iorque está a experimentar uma frequência e gravidade crescentes das cheias, recebendo a primeira emergência de inundação instantânea da cidade na história registada em Novembro de 2021.

Este é um problema para o qual Nova Iorque não está estruturalmente preparada.

Entre as suas atracções turísticas mais emblemáticas, a Estátua da Liberdade foi danificada durante o furacão Sandy e corre o risco de sofrer danos imediatos devido à subida do nível do mar.

Porque é que a subida do nível do mar é importante?

De acordo com as Nações Unidas, aproximadamente 10% da população mundial (ou 790 milhões de pessoas) vive na linha costeira. Muitas das maiores cidades do mundo têm evoluído ao longo das costas do mundo.

Historicamente, estas cidades costeiras têm prosperado devido à facilidade do comércio e das trocas comerciais.

Estes pólos económicos são também algumas das cidades mais povoadas, o que coloca milhões de habitantes em risco. Estima-se que dois terços das cidades com mais de 5 milhões de habitantes se situam em regiões costeiras ameaçadas.

A erosão costeira é uma grande ameaça sem sequer ter em conta o aumento do impacto de catástrofes naturais, como furacões ou tsunamis.

Isto significa que as cidades irão enfrentar grandes cataclismos, antes de ficarem completamente submersas de forma permanente.

A perda de terreno não é a única preocupação

A subida do nível do mar é um tema de grande preocupação, mas a isto acresce o aumento das catástrofes naturais que acompanha o aumento da temperatura. Prevê-se que secas, incêndios, furacões e tempestades tropicais aumentem.

Os animais estão também a ser afectados pelo aumento das temperaturas globais, à medida que os locais naturais de vida são perturbados ou já não são habitáveis, o que tem um impacto enorme na biodiversidade e na capacidade de sobrevivência nos seus habitats naturais.

A extinção de espécies animais está na realidade a prejudicar ainda mais o desembolso de sementes de plantas, o que por sua vez prejudica a adaptação ao clima natural.

O impacto da subida do nível do mar varia, em grande medida, em função da capacidade dos governos locais de reconhecer o problema suficientemente cedo e de dispor dos recursos necessários para mitigar os danos graves.

Por exemplo, Jacarta está em vias de construir um muro marítimo de 40 mil milhões de dólares para travar a maré. Além disso, o governo aprovou uma lei que permite que a capital seja transferida de Jacarta para uma zona de selva não desenvolvida na ilha vizinha de Bornéu.

O United States Geological Survey está actualmente a trabalhar num estudo de avaliação de risco da paisagem costeira da região nordeste dos Estados Unidos para (eventualmente) fazer recomendações sobre como enfrentar a crise climática.

Tal como a nação insular de Kiribati, algumas nações literalmente não têm para onde ir e já estão a preparar o seu povo para a migração em massa.

Não há dinheiro ou terras suficientes para opções alternativas, e o governo está a comprar propriedades noutros países para deslocar o seu povo quando o inevitável acontecer. Tuvalu deve desaparecer dentro das próximas duas décadas.

Não é demasiado tarde

Mas mesmo os países mais pro-activos não podem evitar completamente os efeitos da subida do nível do mar sobre as suas populações.

Medidas preventivas não evitarão unilateralmente os efeitos devastadores de um aumento global da temperatura do mar, especialmente quando alguns políticos ainda hesitam em chamar às mudanças climáticas extremas “mudanças climáticas”.

De facto, já foram gastos biliões de dólares em resposta a eventos de catástrofes naturais e isto só irá aumentar à medida que as calamidades crescerem em frequência e gravidade.

Mesmo quando se discute a erosão das linhas costeiras, a destruição das cidades, a perda de vidas, e a incalculável pressão financeira da crise climática, ainda pode ser muito difícil para muitos conceptualizar exactamente a gravidade do problema.

De acordo com a NASA, a NOAA, e outros grupos de defesa da ciência, não é demasiado tarde para abrandar ou prevenir muitos dos efeitos devastadores das alterações climáticas.

Entretanto, podemos aprender muito com a forma como os holandeses têm vindo a lidar com este problema há décadas.

A Dutch Delta Works é uma das sete maravilhas do mundo moderno e tem mantido a Holanda acima do nível do mar com a sua rede de barragens, diques, e outros sistemas de prevenção de cheias, desde os anos 50.

Alice Carqueja
4 Março, 2022



 

623: “O Feitiço do Tempo” da vida real. Cientistas simularam 100 mil futuros diferentes

CIÊNCIA/FUTUROLOGIA

Uma equipa de investigadores simulou 100 mil futuros distintos, que mostram o que pode acontecer em diferentes cenários climáticos.

O filme “O Feitiço do Tempo”, de 1993, protagonizado por Bill Murray e Andie MacDowell, conta a história de um meteorologista fica preso numa armadilha temporal que o faz reviver o mesmo dia vezes sem fim.

Embora no começo aproveite para agir de forma irresponsável, acaba por aproveitar a oportunidade para melhorar como pessoa e, derradeiramente, conquistar sua amada.

Um pouco como neste clássico do cinema, uma equipa de cientistas simulou 100 mil futuros climáticos diferentes para tentar perceber como é que nós próprios podemos melhorar e que consequências as nossas acções podem ter.

A modelagem preditiva é a única coisa que pode aproximar-nos remotamente do enredo de “O Feitiço do Tempo”. Desta forma, os investigadores podem tentar identificar os factores que podem fazer a diferença na luta climática.

Como realça o ScienceAlertnuma altura em que estamos aquém do cumprimento do Acordo de Paris e as emissões de dióxido de carbono continuam acima do desejado, encontrar estes pontos-chave é mais importante agora do que nunca.

A maioria das modelagens climáticas até hoje concentrou-se em aspectos técnicos. Estudos anteriores demonstraram que temos os recursos necessários para fazer as mudanças, mas o progresso é abafado por outros fatos desvalorizados pela modelagem preditiva.

Neste estudo, as diferentes simulações até ao ano 2100 tiveram em consideração factores sociais, económicos e políticos.

“Estamos a tentar entender o que há nesses sistemas sócio-político-técnicos fundamentais que determinam as emissões”, diz Frances Moore, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Os cientistas sugerem que este “sinal emergente de alterações climáticas na experiência quotidiana de clima das pessoas pode levar a um amplo reconhecimento da existência do aquecimento global”. Consequentemente, pode fazer com que as pessoas apoiem políticas ambientais.

Num estudo anterior, Moore já tinha percebido as pessoas tendem a comparar as anomalias climáticas actuais com o que se lembram dos últimos oito anos. Isto faz com que o termo de comparação mude de pessoa para pessoa e ao longo do tempo.

Para os investigadores, factores sociais, económicos e políticos são de igual importância, visto que “quase todos os nossos aglomerados identificados têm parâmetros distintos de mais de uma área”, escrevem os autores.

Mais de 90% das simulações mostraram que estamos pelo menos no caminho certo para reduzir pelo menos 0,5ºC o cenário de 3,9°C de aquecimento.

No entanto, nos piores cenários, “as populações são altamente fragmentadas pela opinião política, impedindo a difusão do apoio às políticas climáticas”.

Como outros estudos já sugeriram, as simulações mostram que é altamente improvável que possamos permanecer abaixo de 1,5°C, mesmo num ‘cenário de acção agressiva’.

Ainda assim, os cenários futuros demonstram que ainda é possível manter as emissões abaixo de 2°C.

Em 30% dos cenários, “a rápida difusão do apoio às políticas climáticas leva a um rápido aumento na ambição política na década de 2020”, levando a uma redução das emissões globais para zero até 2060.

“Compreender como é que as sociedades respondem às alterações ambientais e como é que as políticas surgem dos sistemas sociais e políticos é uma questão-chave na ciência da sustentabilidade”, argumenta Moore.

Os resultados do estudo foram publicados, na semana passada, na revista científica Nature.

  Daniel Costa, ZAP //
Daniel Costa
23 Fevereiro, 2022



 

Alterações climáticas. “Situação nunca foi tão grave”, alerta IPCC

SOCIEDADE/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/IPCC

O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) vai elaborar um novo relatório, cuja “necessidade nunca foi tão grande”. Documento será apresentado a 28 de Fevereiro.

Com o aquecimento do planeta a acelerar, os impactos das alterações climáticas sucedem-se, com secas, tempestades ou inundações
© EPA/DANIEL IRUNGU

O presidente do grupo de cientistas do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em Inglês) declarou esta terça-feira que “a situação nunca foi tão grave”, ao lançar o processo de adopção de um novo relatório.

“A necessidade (deste documento) nunca foi tão grande, porque a situação nunca foi tão grave”, afirmou Hoesung Lee, durante uma tele-conferência que abriu um período de discussão, à porta fechada, que vai decorrer durante duas semanas.

Com o aquecimento do planeta a acelerar, os impactos devastadores das alterações climáticas sucedem-se, com canículas, secas, tempestades ou inundações, os quais vão agora motivar aquele relatório do IPCC.

Com mais de século e meio de desenvolvimento económico consagrado às energias fósseis, a temperatura média global aumentou 1,1 graus centígrados (ºC), em relação à era pré-industrial.

Em Agosto último, em um outro documento do IPCC, os cientistas estimaram que a subida do mercúrio atingiria em torno de 2030 — dez anos mais cedo do que antecipado — os 1,5ºC estabelecidos como meta no Acordo de Paris.

Antes de uma terceira publicação, esperada para Abril, sobre as soluções para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, esta segunda, cuja discussão começou hoje, trata dos impactos do aquecimento e da adaptação.

“Cerca de 4,5 mil milhões de pessoas sofreram uma catástrofe associada a um acontecimento meteorológico nos últimos 20 anos”

Espera-se que decline as consequências sobre todos os continentes e em todos os seus aspectos, como saúde, segurança alimentar, escassez de água, deslocação de populações ou destruição de ecossistemas.

“Cerca de 4,5 mil milhões de pessoas sofreram uma catástrofe associada a um acontecimento meteorológico nos últimos 20 anos”, acrescentou o director da Organização Meteorológica Mundial, Petteri Taalas, apontando a responsabilidade das energias fósseis.

Em quase todos os continentes, as pessoas veem as catástrofes em curso. Como em 2021, as chamas a devastarem o oeste dos EUA, a Grécia ou a Turquia, inundações a submergirem regiões da Alemanha ou da China, ou a temperatura a chegar aos 50ºC no Canadá.

E “sabemos (…) que o crescimento dos impactos climáticos supera de longe os nossos esforços de adaptação”, insistiu a directora da agência da ONU para o Ambiente, Inger Andersen, considerando que o novo relatório do IPCC é “capital para ajudar os decisores mundiais a desenharem respostas aos impactos climáticos”.

Face à litania das catástrofes e à necessidade de reduzir as emissões em cerca de 50% até 2030 para não exceder o objectivo de 1,5ºC, os dirigentes mundiais prometeram em Novembro, em Glasgow, durante a 26.ª Conferência das Partes (COP26) da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em Inglês), acelerar a luta contra o aquecimento global e financiar mais as medidas de adaptação.

“Insuficiente para afastar a catástrofe climática que continua a bater à porta”, declarou então o secretário-geral da ONU, António Guterres.

“Espero que este relatório seja um bom pontapé de saída” para a COP27, que vai decorrer no Egipto, no final do ano, disse à AFP o enviado dos EUA para os assuntos do clima, John Kerry.

Relatório vai ajudar a “elaborar políticas e a tomar decisões”

O documento “vai integrar mais fortemente as ciências económicas e sociais e fornecer aos decisores informação e conhecimento para os ajudar a elaborar políticas e tomar decisões”, disse, por seu lado, Hoesung Lee.

Em 28 de Fevereiro vai ser apresentado este novo documento do IPCC, depois dos 195 Estados membros analisarem, linha a linha, o ‘resumo para decisores”, um condensado politicamente sensível dos milhares de páginas do relatório científico, preparado por 270 cientistas.

O foco da publicação é a adaptação.

Mas “há limites à adaptação”, sublinhou à AFP o climatologista Laurent Bopp, um dos co-autores, evocando o risco de migrações importantes de populações.

“Em algumas zonas, se as temperaturas ultrapassarem níveis já muito elevados, a vida humana deixa de ser possível. Se em algumas zonas costeiras, o nível do mar subir mais de um metro, a protecção com diques deixa de ser possível”, exemplificou.

Diário de Notícias
DN/Lusa
15 Fevereiro 2022 — 11:56



 

567: Janeiro é o sexto mês mais seco desde 1931. Precipitação abaixo da média em 2022

SOCIEDADE/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Neste século, houve 11 anos que registaram precipitação abaixo da média, com destaque para 2005, ano da pior seca desde 1945.

© JOSÉ COELHO/LUSA

Os anos mais quentes desde 1931 aconteceram desde 2000, segundo os dados recolhidos pelo Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), os quais indicam que em 11 dos últimos 22 anos, a precipitação foi abaixo da média.

O ano de 2022 encaminha-se para ser mais um ano seco com “80% de probabilidade”, segundo os especialistas ouvidos na última reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, que se reuniu no princípio do mês.

Com os dados relativos a Janeiro já fechados, conclui-se que foi o sexto mês mais seco desde 1931, com um valor médio de 13,9 milímetros de precipitação, equivalente a 12% do valor normal verificado entre os anos de 1971 a 2000.

“Em cerca de 75% do território os valores da quantidade de precipitação foram inferiores a 10 milímetros”, estima o IPMA, indicando que só choveu no território português nos 10 primeiros dias do mês, e de forma “muito pouco significativa”.

Desde 2000, 11 anos registaram precipitação abaixo da média, com destaque para 2005, ano de seca histórica, a pior desde 1945, uma conclusão a que se chegou logo em Junho, quando 68% do território estava em seca extrema e severa.

Em 2005, a precipitação total anual atingiu apenas 503 milímetros, o valor mais baixo das séries longas que o IPMA disponibiliza.

Essas condições obrigaram a cortes e reduções no abastecimento de água e ao envio de camiões-cisterna para abastecer várias localidades.

Em Dezembro desse ano, quase dez mil pessoas continuavam a recorrer a auto-tanques para encher reservatórios e mais de 11 mil estavam sujeitas a períodos de redução ou cortes, com a água a desaparecer dos furos em 16 concelhos.

Em 2017, o panorama não foi muito melhor. Com 541 milímetros anuais, o segundo valor mais baixo, as condições de seca confluíram com os mortíferos incêndios de Junho e Outubro no centro do país. Em Novembro, o IPMA revelava que esse outono era o mais seco em mais de 40 anos, com mais de metade do país em seca extrema e os valores máximos de temperatura mais altos em oito décadas.

Novamente, várias autarquias reduziram a rega de espaços verdes, começaram a reutilizar águas residuais, fecharam fontanários e piscinas públicas e foi necessário recorrer a camiões-cisterna para abastecer localidades de vários distritos, de Bragança a Beja.

O ano de 2017 é o segundo mais quente dos últimos 86 anos e está entre os quatro mais secos desde 1931, revela o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

De acordo com o IPMA, foi o segundo ano mais quente dos 86 anos anteriores (a seguir a 1997) e um dos quatro mais secos desde 1931, com uma temperatura média do ar 1,1 graus superior ao valor normal e uma temperatura máxima 2,4 graus acima do normal.

Diário de Notícias
DN/Lusa
11 Fevereiro 2022 — 12:25