1271: Subida dos preços obriga dois terços dos portugueses a poupar na comida

Não há praticamente nenhum português imune aos efeitos do aumento do custo de vida.

– Nenhum português, uma porra!!! Os pançudos continuam a fazer a sua vidinha opulenta, passeatas, viagens, férias, restaurantes, festas, etc. e os pobres – cada vez mais -, esses sim, continuam a apertar e a fazer novos furos no cinto! Chegou-se ao ponto de termos de escolher entre o que se deixa na farmácia e o que se põe em cima da mesa… Mais uma “sondagem” que me passou ao lado…

CUSTO DE VIDA/POBRES MAIS POBRES, RICOS MAIS RICOS

Cresce a insatisfação com medidas do Governo para atenuar a crise. Maioria pede limites aos aumentos nos bens essenciais e na energia.

© Leonardo Negrão / Global Imagens

Não há praticamente nenhum português imune aos efeitos do aumento do custo de vida. E já soam os alarmes: quase dois terços foram obrigados a mudar de hábitos por causa da factura dos combustíveis; pior ainda, mais de dois terços começaram a cortar na alimentação, ao ponto de reduzirem ou eliminarem produtos que faziam parte do seu cabaz de compras no supermercado.

São os dados da mais recente sondagem da Aximage para o DN, JN e TSF, que também apresenta uma factura política: a popularidade do Governo afunda-se, com 46% a dizerem que a resposta à crise é “má” e apenas 14% que é “boa”.

António Costa vai ter de fazer bastante melhor do que prometer aumentos “históricos” de pensões para o próximo ano. É agora que o aumento do custo de vida se está a fazer sentir (97%), em particular na ida ao supermercado (39%) e à bomba de gasolina (39%). E é também no imediato que nove em cada dez portugueses (89%), incluindo os eleitores socialistas, pedem novas medidas que atenuem o efeito da crise.

Saldo negativo

Entre os meses de Maio e Junho, e perante o avanço da inflação (8%, segundo o Instituto Nacional de Estatística), a satisfação com as medidas adoptadas pelo Governo para atenuar a crise caiu 12 pontos percentuais, enquanto a insatisfação subiu 17 pontos (com destaque para os que dizem que é “muito má”, que passaram dos 9% para 23%).

O saldo (diferença entre os que acham que a resposta do Governo à crise é “boa” e os que acham que é “má”) é negativo em todos os segmentos da amostra, incluindo entre os que deram a maioria absoluta ao PS em Janeiro. A insatisfação é particularmente elevada na Região Norte e na Área Metropolitana do Porto; entre os que estão na faixa etária dos 18/34 e 50/64 anos; e entre os que fazem parte da classe média baixa.

Travão aos alimentos

Bem pior do que o castigo político ao Governo é o castigo que as famílias estão a sentir na pele. A sondagem da Aximage não deixa margem para dúvidas sobre a gravidade da situação. Mais de dois terços (68%) dos portugueses já se viram obrigados a alterar o seu padrão de consumo de alimentos (com destaque para os que vivem na região do Porto, para as mulheres, e para os que têm 35 a 49 anos).

Estes cortes na alimentação podem ser menos graves, quando o que está em causa é a necessidade de optar por um produto com um preço mais baixo (40%); mas tornam-se preocupantes quando é assumido que foi preciso reduzir o consumo (34%), em particular entre as mulheres e os que têm 65 ou mais anos; ou quando há produtos que, por causa da subida dos preços, foram banidos da cesta de compras (25%). Como desabafou um dos inquiridos na sondagem, “alguns produtos agora só compro quando estão com uma boa promoção”.

Também no caso dos combustíveis a percentagem de portugueses que se viu obrigada a fazer adaptações é muito elevada (60%). A grande maioria cortou nos passeios ao fim de semana (em particular os que vivem na Região Norte), cerca de um quarto passou a andar mais a pé (com destaque para quem vive nas áreas metropolitanas), e uma fatia mais pequena passou a utilizar transportes públicos. Com os custos que isso representa: “Deixei de usar o carro para ir de casa à estação de comboio e perco o dobro do tempo”, desabafou um dos inquiridos.

Limitar subida de preços

Com percentagens tão elevadas de cortes na alimentação e nos combustíveis não surpreende que, quando inquiridos sobre quais as medidas que o Governo deveria tomar para atenuar os efeitos da crise, as duas mais citadas (67%) se prendam com a limitação ao aumento dos preços dos bens essenciais e da energia (destacando-se os que vivem no Porto e no Norte e os que têm 35 a 49 anos). Esta intervenção do Governo nos preços é a medida favorita entre os eleitores do CDS, PAN, CDU e PS.

Segue-se, no terceiro lugar do ranking (cada inquirido podia apontar até três prioridades), uma baixa de impostos (60%), com destaque para os portugueses de 18 a 34 anos; e para os eleitorado do Chega, Iniciativa Liberal, PSD e BE; e, em quarto lugar, o aumento dos apoios sociais às famílias mais desfavorecidas (44%), com destaque para os que têm 65 ou mais anos, os mais pobres, mas também os eleitores do Livre.

Mulheres e habitantes do Norte e Centro perdem rendimentos

Há um outro indício de que o país se afunda numa crise: 47% dos portugueses assinalam uma quebra de rendimento nos últimos 12 meses. E são ainda mais (57%) os que já adiaram despesas ou compras significativas.

As quebras no rendimento não afectam todos por igual. Há segmentos da população em que o empobrecimento é maior. Entre os mais afectados estão as mulheres (52%), os habitantes das regiões Norte (53%) e Centro (52%) e os que têm 50 a 64 anos. Os que menos sentem a perda de rendimentos são os homens (58%), os que vivem em Lisboa e no Sul (58%) e os jovens (59%).

Despesas adiadas

Com ou sem quebras de rendimentos, uma grande maioria de portugueses já adiou ou vai adiar despesas de valor significativo (57%), de novo com destaque para as mulheres (60%) e para quem vive no Porto (67%). Entre os que ainda não sentiram necessidade de adiar despesas (43%), destacam-se os homens (47%) e os que vivem em Lisboa (50%).

Sem surpresa, a primeira despesa a ser cortada em tempos de crise é a viagem de férias: 30% já decidiram que assim será, de novo com destaque para as mulheres (34%) e para os que têm 65 ou mais anos (52%). Segue-se a poupança nos equipamentos para o lar (23%), que afecta sobretudo os mais pobres (57%).

A compra de carro fica para outra altura para 21%, com os homens (25%) e os habitantes do Norte (27%) em destaque. Finalmente, a despesa mais pesada de todas, a compra de casa, é adiada por 18%, sobretudo entre os que vivem na Região Centro (26%).

Calculadora na mão

No decorrer do inquérito percebeu-se que, para muitos portugueses, uma pequena despesa também pode ter um impacto significativo. Leia-se o desabafo de um dos inquiridos à pergunta sobre qual a despesa que iria adiar: “Para um vencimento de 867 euros? Basta um simples medicamento na farmácia. E usar a calculadora sempre que acrescento um produto alimentar ao carrinho de compras. Portanto, coisas básicas. É mais grave do que se julga!”

Através de uma última pergunta percebe-se que a maioria está pessimista quanto à duração da crise: apenas 24% admitem que seja possível avançar para a tal despesa significativa ainda este ano. Os restantes 76% ou acham que não será (40%) ou não sabem se será ou não (36%).

Diário de Notícias
rafael@jn.pt

FICHA TÉCNICA

A sondagem foi realizada pela Aximage para o DN, TSF e JN, com o objectivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre a actualidade. O trabalho de campo decorreu entre os dias 14 e 19 de Junho de 2022 e foram recolhidas 804 entrevistas entre maiores de 18 anos residentes em Portugal. Foi feita uma amostragem por quotas, obtida através de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII), a partir do universo conhecido, reequilibrada por género, grupo etário e escolaridade. Para uma amostra probabilística com 804 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,017 (ou seja, uma “margem de erro” – a 95% – de 3,46%). Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem, Lda., sob a direcção técnica de Ana Carla Basílio.

Diário de Notícias
Rafael Barbosa
24 Junho 2022 — 08:00


 

961: Empresa portuguesa cria ovo 100% vegetal que substitui ovo da galinha

Criado a partir da soja – planta que possui “propriedades físico-químicas que lhes permitem substituir o ovo e imitá-lo, também em termos da sua forma de confecção” – incorpora outros extractos vegetais, resultando num produto “que parece ovo, cheira a ovo, sabe a ovo, mas que não é ovo”. SEJA BEM VINDO SR. OVO!

ALIMENTAÇÃO RACIONAL/OVO VEGETAL

O ovo vegetal ainda não está no mercado, mas estará “ainda no primeiro semestre deste ano”, depois de “mais de cinco anos de investigação e desenvolvimento”, diz o responsável técnico do CFER.

Daniel Abegão, administrador e director técnico da CFER, junto aos ingredientes com que criou o ovo vegetal
© PAULO CUNHA/LUSA

Uma empresa portuguesa da área da investigação e desenvolvimento alimentar criou um ovo 100% vegetal, que pode ser usado na alimentação ou na indústria pasteleira, mantendo o sabor e o aroma do ovo tradicional das galinhas.

“Mimetiza o ovo, no seu sabor, no seu aroma, na sua nutrição. Conseguimos criar um produto 100% a partir de extractos vegetais, que faz ovos mexidos deliciosos, faz boas omeletes e tem utilização em padaria e pastelaria”, disse à agência Lusa Daniel Abegão, administrador e responsável técnico do CFER-Centre for Food Education e Research, localizado em Alcobaça, distrito de Leiria.

Criado a partir da soja – planta que possui “propriedades físico-químicas que lhes permitem substituir o ovo e imitá-lo, também em termos da sua forma de confecção” – incorpora outros extractos vegetais, resultando num produto “que parece ovo, cheira a ovo, sabe a ovo, mas que não é ovo”, explicou Daniel Abegão.

“Permite dar ao consumidor final, seja vegetariano ou apenas adepto de uma alimentação mais saudável e mais sustentável, um produto semelhante ao ovo e que não vai, de certeza absoluta, deixar saudades do ovo original da galinha”, afiançou o investigador.

Numa íngreme rua do centro da cidade, com vista para as torres do Mosteiro de Alcobaça, ficam as actuais instalações do CFER, concretamente os escritórios e o espaço de investigação, este um misto de laboratório científico e cozinha lá de casa, onde não falta um frigorífico, máquina de lavar e, claro, um fogão.

Aquando da visita da reportagem da agência Lusa, coube ao microbiólogo João Peça a função de chef de serviço na confecção de ovos mexidos a partir do ovo líquido vegetal, que, pôde-se atestar, tinham uma textura e um sabor tal e qual os originais.

© PAULO CUNHA/LUSA

Já há interessados no mercado internacional

O ovo vegetal ainda não está no mercado, mas, segundo Daniel Abegão, estará “ainda no primeiro semestre deste ano”, depois de “mais de cinco anos de investigação e desenvolvimento”.

“Estamos, neste momento, a terminar a implementação industrial do projecto [em fábricas parceiras com as quais o CFER trabalha], a estudar os últimos detalhes técnicos, para o lançarmos muito em breve no mercado nacional e internacional”, revelou o responsável técnico, formado na Universidade de Coimbra em bioquímica e química industrial.

O ovo vegetal tem já clientes interessados na Europa, em África e nos EUA e Brasil.

“Acreditamos que vai, certamente, ter muito sucesso, pelo trabalho que deu a desenvolver, e para conseguirmos ter um produto final estável e saboroso”, notou.

“E esperamos que as pessoas consigam perceber que há uma mais-valia em comprar este ovo, sejam vegetarianos ou não vegetarianos. É tudo uma perspectiva de uma alimentação mais saudável e um estilo de vida mais sustentável”, acrescentou Daniel Abegão.

O ovo 100% vegetal está enquadrado num projecto do CFER em biotecnologia alimentar denominado ‘Plantalicious’, onde a empresa desenvolve a sua própria investigação e coloca o produto no mercado, recorrendo a marcas próprias.

“A ideia partiu de uma constatação, através da indústria alimentar, de que há uma grande tendência a nível mundial, que é a substituição das proteínas animais através de uma base vegetal. A nossa vontade era criar algo que substituísse o ovo, que é um produto que, muitas vezes, não está no centro da investigação na área da substituição alimentar”, afiançou.

No painel de desenvolvimento de novos produtos relacionados com o ovo vegetal, estão ovos estrelados ou escalfados – actualmente o ovo líquido não o permite, por não separar a gema da clara – ou ovos mexidos e omeletes “já prontos a consumir”, revelou Daniel Abegão.

© PAULO CUNHA/LUSA

Palhinhas comestíveis em desenvolvimento

Em fase de desenvolvimento está também um novo produto: palhinhas comestíveis, produzidas igualmente a partir de extractos vegetais, aqui com a incorporação do meio marinho, através de algas.

“Os plásticos de uso único exclusivo, para depois serem descartados no lixo, foram proibidos nos últimos anos. Identificámos tanto uma oportunidade de negócio nessa área, como uma oportunidade de criarmos inovação”, frisou Daniel Abegão, aludindo à palhinha “que parece plástico, mas não é à base de plástico” e é comestível, reciclável e “economicamente viável”.

Para além do desenvolvimento próprio, a empresa de Alcobaça, onde trabalham oito pessoas, tem também tem uma componente de prestação de serviços – o Reino Unido é o mercado principal, e, para além de Portugal, possui parcerias e contratos com clientes europeus em Espanha, França, Alemanha, Irlanda e Suécia, africanos de Angola, Cabo Verde e Senegal ou com empresas norte-americanas e brasileiras – onde, também com base nas ideias dos clientes, o conceito é desenvolvido “até ao produto final e entregue, ‘chave na mão’ no armazém do cliente”, sustentou Daniel Abegão.

“O produto é idealizado da forma que o cliente pretende e nós conseguimos entregá-lo através do nosso trabalho de investigação científica”, adiantou.

Por junto, a actividade principal do CFER é a alimentação saudável: “bebidas saudáveis, molhos saudáveis, refeições prontas mais saudáveis, iogurtes, lacticínios, queijos e também suplementos [alimentares], a nossa empresa desenvolve e fá-lo sempre da perspectiva de alimentação saudável, de forma que o consumidor possa ter acesso a um produto cada vez com maior valor acrescentado”, argumentou Daniel Abegão.

Os produtos, observou, têm menos gorduras e são alimentos fornecidos através de uma cadeia de valor “cada vez mais transparente, clara e justa e com menos ingredientes que, reconhecidamente, são prejudiciais para o consumo humano”.

O responsável técnico do CFER não tem dúvidas de que, com o contributo da ciência e da junção de conhecimentos em áreas como a nutrição, bioquímica alimentar, engenharia ou química industrial, entre outras, é possível criar “um bom produto final, competitivo, tecnicamente correto, que seja também saboroso e bom para o consumidor em termos de saúde”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
24 Abril 2022 — 09:49


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

755: Coelhos podem ter levado à extinção dos Neandertais na Península Ibérica

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Mihin89 / Deviant Art
“Caçador de mamutes” por Mihin89

Quando os grandes mamíferos diminuíram em número, os Neandertais tiveram dificuldades em caçar coelhos, possivelmente levando à sua extinção na Península Ibérica.

Há 40 mil anos, na Europa, o Homo sapiens não era a única espécie humana. Havia pelo menos outras três, entre elas os Neandertais. Eventualmente, a espécie foi levada à extinção, havendo várias razões e teorias que podem explicar o seu desaparecimento do continente europeu.

Uma hipótese sugere que a sua incapacidade de se adaptar à caça de pequenos animais — quando os grandes mamíferos diminuíram em número — desempenhou um papel preponderante na sua extinção, escreve o Ancient-Origins.

Esta teoria foi desenvolvida num estudo publicado em 2013 na revista científica Journal of Human Evolution, que se focou no desaparecimentos dos Neandertais da Península Ibérica.

Os cientistas concluíram que o que tramou os Neandertais foi o facto de estes não conseguirem caçar coelhos com sucesso. Os humanos modernos que chegaram à Península Ibérica não tiveram os mesmos problemas, prosperando com a carne mais disponível na região.

Os Neandertais alimentavam-se maioritariamente de mamutes e rinocerontes. O problema surgiu quando as populações destes animais de grande porte começaram a diminuir significativamente em número.

Isto possivelmente aconteceu quando humanos migraram para a Ibéria e juntaram-se aos Neandertais a caçar estes animais. Alterações climáticas também podem ter justificado a diminuição das populações destas espécies.

“A alta dependência da caça e consumo de grandes mamíferos por alguns hominídeos pode ter limitado a sua sobrevivência, uma vez que a sua presa preferida tornou-se escassa ou desapareceu”, escreveram os autores do estudo de 2013. “A adaptação a presas residuais mais pequenas teria sido essencial depois de muitas espécies de grande porte diminuírem em número”.

Depósitos de ossos de animais encontrados em antigos sítios arqueológicos Neandertais na Península Ibérica mostram que, embora a caça ao coelho não fosse inédita, era muito rara, uma vez que não atendia às necessidades calóricas diárias dos Neandertais.

Eventualmente, a espécie de humanos desapareceu da Península Ibérica, entre 30.000 e 40.000 anos atrás.

Como tal, os investigadores sugerem que caso os Neandertais tivessem conseguido fazer uma transição na sua dieta, de forma a incluir o consumo de coelho, talvez tivesse sobrevivido durante mais tempo na Península Ibérica.

Daniel Costa
18 Março, 2022