598: Monstro do Espaço. Astrónomos encontram a maior galáxia já conhecida

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) Oei et al., arXiv

A cerca de 3 mil milhões de anos-luz de distância está Alcyoneus, uma gigantesca radio-galáxia com 16,3 milhões de anos-luz de comprimento – a maior estrutura conhecida de origem galáctica.

As radio-galáxias são um mistério do Universo: muito luminosas no comprimento de onda de rádio, formadas por uma galáxia hospedeira (um aglomerado de estrelas a orbitar um núcleo galáctico, formado por um buraco negro super-massivo), jactos colossais e lóbulos que irrompem do centro.

Os astrónomos acreditam que os jactos têm origem no buraco negro super-massivo e que podem viajar por enormes distâncias antes de se dividirem em lóbulos emissores de ondas de rádio.

Quando interagem com o meio, estes jactos e lóbulos actuam como um acelerador de partículas para acelerar os electrões que produzem emissão de rádio.

Segundo o Science Alert, não há grandes novidades neste processo, até porque a Via Láctea também tem lóbulos de rádio. O que intriga os astrónomos é o facto de não saberem o motivo de algumas galáxias terem lóbulos gigantescos, que alcançam a escala dos megaparsecs.

Nestes casos, são chamadas de “radio-galáxias gigantes”, e as mais extremas podem ajudar a explicar este crescimento tão intenso.

A equipa acredita que se houver galáxias hospedeiras com características importantes para o crescimento das radio-galáxias, as hospedeiras das maiores possuem, muito provavelmente, estas características.

Alcyoneus

Os cientistas decidiram procurar estes objectos em dados recolhidos pelo radiotelescópio LOw Frequency ARray (LOFAR) e processados para remover emissões de rádio que pudessem interferir com as detecções dos lóbulos.

Foi ao analisar as imagens resultantes que os astrónomos descobriram o “monstro” Alcyoneus: “Descobrimos o que é, em projecção, a maior estrutura formada por uma única galáxia – uma gigantesca radio-galáxia com um comprimento projectado adequado de, 4,99 ± 0,04 megaparsecs”.

Trata-se de uma galáxia elíptica, com cerca de 240 mil milhões de vezes a massa do Sol e que guarda um buraco negro super-massivo de 400 milhões de massas solares no seu interior.

Alcyoneus e a sua anfitriã têm massa estelar e um buraco negro super-massivo mais pequenos do que os das radio-galáxias gigantes médias, pelo que ambas são estranhamente comuns.

“Alcyoneus e o seu hospedeiro são suspeitamente vulgares: a densidade total de luminosidade de baixa frequência, a massa estelar e a massa do buraco negro super-massivo são todas inferiores, embora semelhantes, às das radio-galáxias gigantes mediais”, escreveram os investigadores, no artigo científico disponível no arXiv.

As galáxias massivas ou os buracos negros super-massivos no interior não vão, necessariamente, dar origem a objectos gigantes. Por isso, a equipa sugere que Alcyoneus esteja numa região do Espaço de menor densidade, o que poderia permitir sua expansão.

Ainda assim, pode haver outras interacções relacionadas a este processo de crescimento. Certo é que os autores acreditam que Alcyoneus continua a crescer.

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18 Fevereiro, 2022