1301: ERSAR recomenda adopção da tarifa social para o abastecimento de água e tratamento de resíduos

Quando a factura da água (EPAL) apresenta um custo no consumo de água de € 2,8875 e a factura a pagar é de € 17,48, penso que está tudo dito.

ÁGUA/CONSUMOS/ERSAR

Objectivo do regulador é proteger agregados familiares mais desfavorecidos e incentivar modelo de gestão sustentável da rede de abastecimento nacional. Projecto está em consulta pública desde 24 de Junho.

Em Portugal estima-se que existam perdas de até 30% de água nas redes de abastecimento.
© Artur Machado/Global Imagens

O direito ao acesso ao abastecimento de água potável de qualidade, bem como ao serviço de saneamento básico, é considerado um direito humano essencial pela Organização das Nações Unidas (ONU). Partindo deste pressuposto, a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) publicou em consulta pública, na passada sexta-feira, uma proposta de recomendação para a adopção da tarifa social pelos operadores do sector.

Objectivo é limitar custos imputados às famílias mais carenciadas, assegurando o acesso universal à rede e, em simultâneo, promovendo um modelo de gestão sustentável.

A instituição que regula o sector, liderada pela presidente Vera Eiró, defende, assim, que os tarifários aplicados devem “atender à capacidade financeira dos utilizadores”, à semelhança do que acontece com o gás ou com a electricidade. Este princípio deve “promover o acesso universal aos serviços de águas e resíduos e garantir a satisfação das necessidades básicas dos utilizadores domésticos”, escreve a ERSAR no documento divulgado.

Como critérios de elegibilidade, é recomendada a atribuição de tarifa social aos consumidores que beneficiem de um dos seguintes apoios estatais: complemento solidário para idosos, rendimento social de inserção, subsídio social de desemprego, abono de família, prestação social de invalidez ou pensão social de velhice.

“Consideram-se ainda elegíveis os utilizadores domésticos cujo agregado familiar tenha um rendimento anual igual ou inferior a 5.808 euros”, acrescenta a proposta. Este valor pode ser majorado em 50% por cada elemento do agregado que não apresente rendimentos, até ao limite de 10.

Esta nova recomendação da ERSAR sugere aos 354 operadores registados a nível nacional que adoptem o modelo de tarifa social proposto, de forma a garantir a “harmonização de direitos” para beneficiar “as populações da generalidade do território”.

Para isso, é sugerida a isenção da tarifa de disponibilidade em conjunto com um desconto aplicado ao valor da tarifa variável, “permitindo que o encargo total (…) seja de mais fácil controlo por parte do agregado familiar”. O tecto máximo proposto para o benefício social fixa-se no limite de 10m3 de água por mês, considerado “o consumo médio” das famílias portuguesas.

Recorde-se que apesar da tarifa social existir no abastecimento de gás, electricidade e até de serviços de telecomunicações, a implementação deste benefício na gestão da água potável e dos resíduos é opcional.

O decreto-lei 147/2017, de 5 de Dezembro, estabelece a atribuição automática de tarifa social aos utilizadores domésticos “dependente de adesão voluntária pelo município territorialmente competente”, aponta o regulador.

Gerir melhor um recurso finito

Portugal é um dos países mais ameaçados pelos efeitos das alterações climáticas. Estimativas apontam para que, em 2040, cada português tenha disponível apenas 25 litros de água por dia para consumo. Assegurar uma melhor gestão deste recurso é, por isso, essencial, em especial quando a ERSAR aponta que existem perdas de até 30% na rede de abastecimento – significa isto que por cada dez litros de água tratados e colocados na rede, apenas sete litros chegam às torneiras. O fraco estado de conservação da rede implica que os operadores reforcem a sua manutenção em, pelo menos, 2,5 mil milhões de euros até ao final da década.

O DN sabe que esta é uma questão prioritária para a administração da ERSAR, que lamenta não ter poder sancionatório junto dos operadores do sector, de forma a poder forçar a adopção de medidas que considera serem fundamentais para a sustentabilidade do sistema a médio-longo prazo. Internamente, a escassez de água que vem afectando o país com períodos cada vez mais longos e recorrentes é considerada “grave” e levanta preocupações ao regulador.

A ERSAR tem vindo, ao longo dos últimos anos, a tentar sensibilizar os operadores locais – em gestão directa pelos municípios ou por via de concessão pública – a implementarem modelos de facturação dos serviços que permitam cobrir os gastos e os custos de manutenção da rede.

O que acontece hoje, de forma generalizada, é que os municípios cobram estes serviços abaixo do preço de custo, não reflectindo o valor real do tratamento e abastecimento de água na factura paga pelo consumidor. A ERSAR defende uma “utilização economicamente eficiente [dos recursos], com a recuperação dos custos de serviços de águas” como condição essencial para a sustentabilidade do consumo de água.

dnot@dn.pt

Diário de Notícias
Francisco de Almeida Fernandes
28 Junho 2022 — 06:50


 

1138: Vulcões antigos podem ser uma das fontes da água encontrada na Lua

CIÊNCIA/VULCANOLOGIA/GEOLOGIA/LUA

Por se tratarem de ambientes inóspitos, é sempre surpreendente saber que outros planetas e satélites, como o nosso, albergam água ou formas de vida. Relativamente à Lua, especula-se, agora, que a água que foi por lá encontrada pode ter surgido a partir de vulcões.

Para a encontrar é necessário cavar suficientemente fundo.

Em Janeiro, o programa espacial da China, CNSA, detectou sinais de água na superfície da Lua, pela primeira vez. Os dados, que foram recolhidos pela sua sonda Chang’e-5, fizeram imenso sucesso e a notícia foi surpreendeu todos os terráqueos.

Depois disso, um estudo revelou que nem toda a água da Lua provinha da sua própria superfície, uma vez que uma parte dela deverá ter partido da atmosfera da Terra, conforme se especula. Agora, um outro estudo demonstra que existe outra fonte para a água da Lua: vulcões.

A investigação foi levada a cabo pela University of Colorado e levanta a hipótese de existirem camadas de gelo que foram originadas por erupções vulcânicas nos pólos da Lua.

Imagem meramente ilustrativa

Segundo Andrew Wilcoski, autor principal do estudo e aluno de pós-graduação no Departamento de Ciências Astrofísicas e Planetárias (APS) e no Laboratório de Física Atmosférica e Espacial (LASP) da universidade, os investigadores veem o fenómeno como “uma geada na Lua que se foi acumulando com o tempo”.

Simulações concluíram que água na Lua pode ter chegado através de vulcões

Para tirarem conclusões, os investigadores basearam-se em simulações computorizadas que utilizaram para recriar as condições na Lua, na altura em que presumivelmente as fontes de água se desenvolveram. A partir daí, descobriram que os antigos vulcões lunares emitiam uma grande quantidade de vapor de água, que depois se instalava na superfície sob a forma de gelo.

É possível que 5 ou 10 metros abaixo da superfície, haja grandes camadas de gelo.

Revelou Paul Hayne, professor assistente na APS e na LASP e co-autor do estudo.

O mesmo professor partilhou ainda que “há muitas fontes potenciais neste momento” e que a Lua pode albergar muito mais água do que aquela que os investigadores pensavam ser possível anteriormente.

Os cientistas especulam que há dois ou quatro mil milhões de anos, milhares de vulcões irromperam da superfície da Lua, dando origem a enormes rios de lava. de acordo com os modelos informáticos, aproximadamente 41% da água dos vulcões pode ter condensado na Lua, permanecendo em forma de gelo.

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
31 Mai 2022


 

1025: Alguma água da Lua pode ter vindo da atmosfera da Terra

CIÊNCIA/LUA

A Lua tem água e já várias agências espaciais descobriram indícios dessa realidade. Um relatório publicado no início deste ano, referiu que a sonda chinesa Chang’e-5 alegadamente encontrou água lunar. As regiões polares da Lua poderão conter até 3.500 quilómetros cúbicos de água líquida sub-superficial.

Uma das questões levantadas é a proveniência da água e sabe-se que nem toda a água da Lua vem da sua própria superfície. Alguma desta água terá sido captada a partir da atmosfera da Terra.

Alguma água da Lua retirada na atmosfera da Terra

Segundo novas investigações dos cientistas do Instituto Geofísico da Universidade do Alasca Fairbanks publicadas no mês passado, existirá água lunar extraída da atmosfera da Terra. Esta é uma boa notícia para o projecto Artemis da NASA, a planeada presença humana a longo prazo na Lua, que dependerá fortemente do abastecimento de água da Lua.

Como a equipa Artemis da NASA planeia construir uma base no pólo sul da Lua, os iões de água que tiveram origem há muitos atrás na Terra podem ser utilizados no sistema de suporte de vida dos astronautas.

Disse em declaração o investigador Gunther Kletetschka do Instituto Geofísico UAF.

O investigador e a sua equipa estimaram que as regiões polares da Lua poderão conter até 3.500 quilómetros cúbicos ou mais de água líquida pergelissolo, ou sub-superfície. Estes depósitos, especulam eles, não foram criados localmente, mas sim surgiram de iões que escaparam à atmosfera da Terra.

Os investigadores sugerem que os iões de hidrogénio e oxigénio são depositados na Lua quando esta viaja através da cauda da magnetosfera da Terra.

Estas descobertas são ainda confirmadas por medições recentes de várias agências espaciais – NASA, Agência Espacial Europeia, Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial, e Organização Indiana de Investigação Espacial – que revelaram uma grande quantidade de iões formadores de água presentes durante o trânsito da lua através desta parte da magnetosfera.

Mas de onde veio então toda esta água?

A Lua tem água de várias fontes. Não terá sido só da atmosfera da Terra que o nosso satélite natural acumulou água. Acredita-se que parte desta água tenham sido depositada por asteróides e cometas que colidiram com a Lua durante um período conhecido como Late Heavy Bombardment (numa tradução directa Bombardeamento Pesado Final), há cerca de 3,5 mil milhões de anos.

Além disso, o vento solar é também uma fonte de água na lua, pois transporta iões de oxigénio e hidrogénio, que podem ter sido combinados e depositados como moléculas de água. Independentemente da sua origem, o facto de haver água na lua é uma boa notícia para os exploradores do espaço.

A nossa Lua move-se periodicamente através da cauda magnética da Terra que contém iões terrestres de hidrogénio e oxigénio. Pode ter sido descoberto um possível contraste de densidade que poderia ser consistente com a presença da fase aquática de potencial origem terrestre.

Utilizando novos aspectos de gravidade (descritores) derivados de coeficientes de potencial harmónico do campo de gravidade da Lua, descobrimos anomalias de ângulo de ataque de gravidade que apontam para localizações de fase aquática nas regiões polares da Lua.

A nossa análise sugere que os processos de craterização de impacto foram responsáveis por uma rede específica de poros espaciais que foram subsequentemente enchidos com os volumes de enchimento de fase de água permafrost no subsolo lunar. Neste trabalho, sugerimos a acumulação de até ~ 3000 km3 de fase de água terrestre (fuga atmosférica da Terra) que agora enchem o regolito, parte do qual é distribuído ao longo das zonas de impacto das regiões polares da Lua.

Estes locais únicos servem como locais potenciais de utilização de recursos para futuras explorações de aterragem e habitats (por exemplo, objectivos da missão Artemis da NASA).

Pplware
Autor: Vítor M
09 Mai 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

995: A atmosfera da Terra pode ser fonte de alguma água lunar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A imagem mostra a distribuição de gelo superficial no pólo sul (esquerda) e no pólo norte (direita) da Lua, detectado pelo instrumento M3 (Moon Mineralogy Mapper) da NASA a bordo da sonda indiana Chandrayaan-1 em 2009. O azul representa as localizações de gelo, traçadas sobre uma imagem da superfície lunar, onde a escala cinzenta corresponde à temperatura da superfície (zonas mais escuras representando áreas mais frias e sombras mais claras indicando zonas mais quentes). O gelo está concentrado nos locais mais escuros e frios, nas sombras das crateras. Esta imagem foi a primeira vez que os cientistas observaram directamente evidências de água gelada na superfície da Lua.
Crédito: NASA

De acordo com novas investigações por cientistas do Instituto Geofísico da Universidade do Alaska Fairbanks, os iões de hidrogénio e oxigénio que escapam da atmosfera superior da Terra e se combinam na Lua podem ser uma das fontes de água e gelo lunares conhecidas.

O trabalho liderado por Gunther Kletetschka, professor associado, acrescenta a um corpo crescente de investigação sobre a água nos pólos norte e sul da Lua.

Encontrar água é fundamental para o projecto Artemis da NASA, a planeada presença humana a longo prazo na Lua. A NASA planeia enviar humanos de volta à Lua nesta década.

“Dado que a equipa Artemis da NASA planeia construir uma base no pólo sul da Lua, os iões de água que tiveram origem há muitos éones atrás na Terra podem ser usados no sistema de suporte de vida dos astronautas,” disse Kletetschka.

A nova investigação estima que as regiões polares da Lua podem conter até 3500 quilómetros cúbicos ou mais de água gelada à superfície ou sub-superficial criada a partir de iões que escaparam à atmosfera da Terra. Trata-se de um volume comparável ao lago Huron da América do Norte, o oitavo maior lago do mundo.

Os investigadores basearam esse total no cálculo do modelo de volume mais baixo – 1% do escape atmosférico da Terra que alcança a Lua.

Pensa-se geralmente que a maioria da água lunar tenha sido depositada por asteróides e cometas que colidiram com a Lua. A maioria foi durante um período conhecido como Intenso Bombardeamento Tardio. Argumenta-se que nesse período, há cerca de 3,5 mil milhões de anos, quando o Sistema Solar tinha cerca de mil milhões de anos, os planetas interiores primitivos e a Lua da Terra sofreram impactos invulgarmente pesados por asteróides.

Os cientistas também teorizam que o vento solar possa ser uma fonte. O vento solar transporta iões de oxigénio e hidrogénio, que podem ter sido combinados e depositados na Lua como moléculas de água.

Agora há uma forma adicional de explicar como a água se acumula na Lua.

A investigação foi publicada dia 16 de Março na revista Scientific Reports num artigo em co-autoria com o estudante de doutoramento Nicholas Hasson do Instituto Geofísico e do Centro de Investigação da Água e do Ambiente da Universidade do Alaska Fairbanks. Vários colegas da República Checa estão também entre os co-autores.

Kletetschka e colegas sugerem que os iões de hidrogénio e oxigénio são levados para a Lua quando esta passa pela cauda da magnetosfera da Terra, o que acontece em cinco dias da viagem mensal da Lua em torno do planeta. A magnetosfera é a bolha em forma de lágrima criada pelo campo magnético da Terra que protege o planeta de grande parte do fluxo contínuo de partículas solares carregadas.

Medições recentes de várias agências espaciais – NASA, ESA, JAXA e ISRO – revelaram números significativos de iões formadores de água presentes durante o trânsito da Lua através desta parte da magnetosfera.

Estes iões têm-se acumulado lentamente desde o Intenso Bombardeamento Tardio.

A presença da Lua na cauda da magnetosfera, chamada magnetocauda, afecta temporariamente algumas das linhas do campo magnético da Terra – aquelas que são quebradas e que se arrastam simplesmente para o espaço durante muitos milhares de quilómetros. Nem todas as linhas do campo magnético da Terra estão ligadas ao planeta em ambas as extremidades; algumas têm apenas um ponto de ligação.

A presença da Lua na magnetocauda faz com que algumas destas linhas partidas de campo voltem a ligar-se com a sua contraparte oposta partida. Quando isso acontece, os iões de hidrogénio e oxigénio que escaparam à Terra correm para essas linhas de campo reconectadas e são acelerados de volta para a Terra.

Os autores do artigo sugerem que muitos desses iões que regressam atingem a Lua que passa, a qual não tem uma magnetosfera própria para os repelir.

“É como se a Lua estivesse no duche – um duche de iões de água que voltam para a Terra, caindo sobre a superfície da Lua,” disse Kletetschka.

Os iões combinam-se então para formar o pergelissolo lunar. Parte, através de processos geológicos e outros, tais como impactos de asteróides, são conduzidos abaixo da superfície, onde podem tornar-se água líquida.

A equipa de investigação usou dados gravitacionais da sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA para estudar regiões polares juntamente com várias grandes crateras lunares. Anomalias em medições subterrâneas de crateras de impacto indicam locais de rocha fracturada conducentes a conter água líquida ou gelo. As medições de gravidade nesses locais subterrâneos sugerem a presença de gelo ou água líquida, lê-se no artigo científico.

A investigação mais recente baseia-se em trabalhos publicados em Dezembro de 2020 por quatro dos autores do novo artigo, incluindo Kletetschka.

Astronomia On-line
3 de Maio de 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

939: Estudo aponta que a água na lua de Júpiter está mais próxima da superfície do que se pensava

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Europa tem sido um candidato para encontrar vida no nosso sistema solar devido ao seu vasto oceano, que se acredita conter água líquida – um ingrediente chave para a vida.

Júpiter
© NASA

Os cumes que cruzam a superfície gelada da lua de Júpiter, Europa, indicam que existem bolsas de água, aumentando as esperanças na busca de vida extraterrestre, disseram cientistas da Universidade de Stanford (EUA), nesta terça-feira.

Europa tem sido um candidato para encontrar vida no nosso sistema solar devido ao seu vasto oceano, que se acredita conter água líquida – um ingrediente chave para a vida.

Há um problema: o oceano está provavelmente 25 a 30 quilómetros abaixo da camada de gelo da lua. No entanto, a água pode estar mais perto da superfície do que se pensava anteriormente, de acordo com uma nova investigação publicada na revista Nature Communications.

A descoberta veio em parte por acaso, quando geofísicos que estudavam uma camada de gelo na Gronelândia assistiram a uma apresentação sobre Europa e detectaram uma característica que reconheceram. “Estávamos a trabalhar em algo totalmente diferente relacionado com as mudanças climáticas e o seu impacto na superfície da Gronelândia quando vimos essas pequenas cristas duplas”, disse o autor do estudo, Dustin Schroeder, professor de geofísica da Universidade de Stanford.

Eles perceberam que as cristas geladas em forma de M na Gronelândia pareciam versões menores de cristas duplas na Europa, que são a característica mais comum na lua de Júpiter. As cristas duplas de Europa foram fotografadas pela primeira vez pela nave Galileo da NASA na década de 1990, mas pouco se sabia sobre como elas foram formadas.

Os cientistas usaram um radar de penetração no gelo para observar que essas cristas ou cumes da Gronelândia foram formadas quando bolsas de água a cerca de 30 metros abaixo da superfície da camada de gelo voltaram a congelar e partiram. “Isto é particularmente empolgante, porque os cientistas estudam os cumes duplos na Europa há mais de 20 anos e ainda não chegaram a uma resposta definitiva sobre como se formam”, disse o principal autor do estudo, Riley Culberg, estudante de doutoramento em engenharia eléctrica em Stanford. .

“Esta foi a primeira vez que pudemos ver algo semelhante acontecer na Terra e realmente observar os processos subterrâneos que levaram à formação das cristas”, disse ele à AFP. “Se as cristas duplas de Europa também se formam dessa maneira, isso sugere que as bolsas de águas devem ter sido (ou talvez ainda sejam) extremamente comuns.”

As bolsas de água de Europa podem estar enterradas cinco quilómetros abaixo da camada de gelo da lua – mas isso ainda seria muito mais fácil de ter acesso. “Particularmente, se essas bolsas de água se formarem porque a água do oceano foi forçada a subir através de fracturas na concha do gelo, é possível que elas preservem evidências de qualquer vida no próprio oceano”, disse Culberg.

A água mais próxima da superfície também incluiria “produtos químicos interessantes” do espaço e de outras luas, aumentando a “possibilidade de existência de vida”, disse Schroeder, em comunicado. “Podemos não ter muito tempo para esperar para descobrir mais”.

A missão Europa Clipper da NASA, programada para ser lançada em 2024 e chegar em 2030, terá equipamentos de radar de penetração no gelo semelhantes aos usados ​​pelos cientistas que estudam as cristas duplas da Gronelândia. É improvável que a nave encontre uma prova definitiva de vida porque não pousará em Europa, apenas sobrevoará e analisará desde cima.

Mas as esperanças continuam altas. Prevê-se que o oceano da lua tenha mais água do que todos os mares da Terra juntos, de acordo com o site do Europa Clipper.

“Se há vida em Europa, quase de certeza que é completamente independente da origem da vida na Terra… isso significaria que a origem da vida deve ser muito fácil em toda a galáxia e mais além”, disse o cientista do projecto, Robert Pappalardo, no site.

Diário de Notícias
DN/AFP
19 Abril 2022 — 17:25


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética na Ucrânia


 

573: A água da Terra nasceu ainda antes do planeta

CIÊNCIA/GEOLOGIA

(PD/CC0) Comfreak / pixabay

Ainda não sabemos como surgiu a vida na Terra, mas temos a certeza de que a vida, tal como a conhecemos, não existiria sem a água que envolve a superfície do nosso planeta. Agora, um novo estudo aponta que a água já estava presente no Sistema Solar mesmo antes de a Terra existir.

Uma equipa de cientistas das Universidades Sorbonne e Paris-Saclay, em França, indica que toda a água da Terra nasceu antes do planeta, já estando presente no Sistema Solar antes da formação dos planetas internos.

Os cientistas analisaram a composição isotópica da água desde o início do Sistema Solar, nas regiões internas onde a Terra e os outros planetas terrestres se formaram.

Para isso, estudaram um dos meteoritos mais antigos do nosso Sistema Solar, usando um método inovador para analisar as inclusões fluidas, pequenas bolhas de líquidos ou gases que ficam presas no interior do meteorito à medida que se cristaliza.

“Utilizamos a composição isotópica do hidrogénio em inclusões ricas em cálcio e alumínio (CAIs) de meteoritos primitivos, as rochas mais antigas do Sistema Solar, para estabelecer a composição isotópica de hidrogénio da água no início da formação do Sistema Solar”, escreveram os investigadores.

Segundo o Science Alert, os dados mostram que existiam dois “reservatórios de gás” durante os primeiros 200.000 anos do nosso Sistema Solar, mesmo antes da formação dos primeiros embriões planetários.

Enquanto que um dos reservatórios continha o gás solar a partir do qual a matéria do Sistema Solar acabou por se condensar, o outro era rico em água, já com a assinatura isotópica da água terrestre actual – o que sugere que a água estava presente no início do Sistema Solar desde o seu início, mesmo antes da acreção dos primeiros blocos constituintes do nosso planeta.

A presença era tão grande que a equipa acredita que havia um influxo maciço de água nas regiões internas quentes do Sistema Solar.

“Propomos que a composição isotópica da água do Sistema Solar interno foi estabelecida durante o colapso do núcleo da nuvem proto-solar“, explicam os cientistas, no artigo científico publicado este mês na Nature Astronomy.

  ZAP //

ZAP
14 Fevereiro, 2022