Sobre Francisco

Web designer, astro-fotógrafo, Astrónomo amador, Computer Networks and Systems Engineering

1326: Estrela morta apanhada a despedaçar sistema planetário

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta ilustração mostra uma estrela anã branca a extrair os detritos de objectos despedaçados num sistema planetário. O Telescópio Espacial Hubble detecta a assinatura espectral dos detritos vaporizados que revelou uma combinação de material rochoso metálico e gelado, os ingredientes dos planetas. As descobertas ajudam a descrever a natureza violenta dos sistemas planetários evoluídos e a composição dos seus corpos desintegrados.
Crédito: NASA, ESA, Joseph Olmsted (STScI)

O leito de morte de uma estrela perturbou tão violentamente o seu sistema planetário que a estrela morta deixada para trás, chamada anã branca, está a retirar detritos tanto do alcance interno como externo do sistema. Esta é a primeira vez que os astrónomos observam uma estrela anã branca a consumir tanto material rochoso-metálico como gelado, os ingredientes dos planetas.

Dados de arquivo do Telescópio Espacial Hubble e outros observatórios da NASA foram essenciais no diagnóstico deste caso de canibalismo cósmico. As descobertas ajudam a descrever a natureza violenta dos sistemas planetários evoluídos e podem dizer aos astrónomos mais sobre a composição dos sistemas recém-formados.

Os resultados baseiam-se na análise do material capturado pela atmosfera da estrela anã branca próxima G238-44. Uma anã branca é o que resta de uma estrela como o nosso Sol, depois de ter libertado as suas camadas exteriores e deixado de queimar combustível através da fusão nuclear.

“Nunca tínhamos visto ambos os tipos de objectos a acumular-se numa anã branca ao mesmo tempo,” disse Ted Johnson, investigador principal e recente licenciado da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles). “Ao estudar estas anãs brancas, esperamos obter uma melhor compreensão dos sistemas planetários que ainda se encontram intactos.”

As descobertas são também intrigantes porque pequenos objectos gelados são creditados por chocarem e “irrigarem” planetas secos e rochosos no nosso Sistema Solar. Pensa-se que, há milhares de milhões de anos atrás, cometas e asteróides entregaram água à Terra, criando as condições necessárias para a vida como a conhecemos. A composição dos corpos detectados a “choverem” para a anã branca implica que os reservatórios de gelo podem ser comuns entre os sistemas planetários, disse Johnson.

“A vida tal como a conhecemos requer um planeta rochoso coberto com uma variedade de elementos como carbono, azoto e oxigénio,” disse Benjamin Zuckerman, professor da UCLA e co-autor. “As abundâncias dos elementos que vemos nesta anã branca parecem exigir um corpo parente rochoso e um corpo parente volátil – o primeiro exemplo que encontramos entre os estudos de centenas de anãs brancas.”

Derby de demolição

As teorias da evolução dos sistemas planetários descrevem a transição entre a fase de gigante vermelha e da anã branca como um processo caótico. A estrela perde rapidamente as suas camadas exteriores e as órbitas dos planetas mudam drasticamente.

Pequenos objectos, como asteróides e planetas anões, podem aventurar-se demasiado perto de planetas gigantes e ser enviados a cair em direcção à estrela. Este estudo confirma a verdadeira escala desta violenta fase caótica, mostrando que até 100 milhões de anos após o início da sua fase de anã branca, a estrela é capaz de capturar e consumir simultaneamente material das suas regiões semelhantes às nossas cinturas, a de asteróides e a de Kuiper.

A massa total estimada eventualmente devorada pela anã branca neste estudo pode não ser mais do que a massa de um asteróide ou pequena lua. Embora a presença de pelo menos dois objectos que a anã branca está a consumir não tenha sido medida directamente, é provável que um seja rico em metais como um asteróide e o outro seja um corpo gelado semelhante ao que se encontra no limite do nosso Sistema Solar, na cintura de Kuiper.

Embora os astrónomos tenham catalogado mais de 5000 exoplanetas, o único planeta onde temos algum conhecimento directo da sua composição interior é a Terra. O canibalismo da anã branca proporciona uma oportunidade única de “desmontar” planetas e ver do que eram feitos quando se formaram pela primeira vez em torno da estrela.

A equipa mediu a presença de azoto, oxigénio, magnésio, silício e ferro, entre outros elementos. A detecção de ferro numa abundância muito elevada é evidência para núcleos metálicos de planetas terrestres, como a Terra, Vénus, Marte e Mercúrio. Uma abundância inesperadamente elevada de azoto levou-os a concluir a presença de corpos gelados.

“O melhor ajuste para os nossos dados foi uma mistura de quase dois-para-um de material semelhante a Mercúrio e material cometário, que é feito de gelo e poeira,” disse Johnson. “O ferro e o azoto gelado sugerem, cada um, condições de formação planetária extremamente diferentes. Não há nenhum objecto conhecido do Sistema Solar com tanto de ambos.”

Morte de um sistema planetário

Quando uma estrela como o nosso Sol se expande para uma gigante vermelha inchada, no final da sua vida, começa a libertar massa soprando as suas camadas exteriores. Uma consequência disto pode ser a dispersão gravitacional de pequenos objectos como asteróides, cometas e luas por quaisquer planetas grandes restantes. Tal como um jogo de pinball, os objectos sobreviventes podem ser atirados para órbitas altamente excêntricas.

“Após a fase de gigante vermelha, a estrela anã branca que resta é compacta – não maior do que a Terra. Os planetas podem acabar por se aproximar demasiado da estrela e sentir poderosas forças de maré que os despedaçam, criando um disco gasoso e poeirento que acaba por cair sobre a superfície da anã branca”, explicou Johnson.

Os investigadores estão a analisar o cenário final da evolução do Sol, daqui a 5 mil milhões de anos. A Terra poderá ser completamente vaporizada juntamente com os planetas interiores. Mas as órbitas de muitos dos asteróides na cintura principal serão gravemente perturbadas por Júpiter e acabarão por cair sobre a anã branca em que o Sol eventualmente se transformará.

Durante mais de dois anos, o grupo de investigação da UCLA, da Universidade da Califórnia em San Diego e da Universidade de Kiel na Alemanha, trabalhou para desvendar este mistério, analisando os elementos detectados na estrela anã branca catalogada como G238-44. A sua análise inclui dados do aposentado FUSE (Far Ultraviolet Spectroscopic Explorer) da NASA, do instrumento HIRES (High Resolution Echelle Spectrometer) montado no Observatório Keck no Hawaii e dos COS (Cosmic Origins Spectrograph) e STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) do Telescópio Espacial Hubble.

Os resultados da equipa foram apresentados numa conferência de imprensa da Sociedade Astronómica Americana no passado dia 15 de Junho de 2022.

Astronomia On-line
1 de Julho de 2022

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1325: União Europeia garante roaming gratuito até 2032

TECNOLOGIA/UNIÃO EUROPEIA/ROAMING GRATUITO

Em 2017, na União Europeia, foi definido que nos 27 estados membros os cidadãos iriam poder beneficiar de roaming gratuito, mantendo as suas tarifas nacionais para efectuar chamadas, SMS e dados, em qualquer que fosse o país onde estivessem.

Esta medida estava inscrita no Regulamento de Itinerância que expirou ontem. Mas tal como já havia sido anunciado, o roaming gratuito será estendido até 2032.

Em Novembro de 2019, a Comissão publicou uma análise aprofundada do mercado da itinerância, tendo demonstrado que os viajantes em toda a UE beneficiaram consideravelmente do fim das tarifas de itinerância e daí a necessidade de alargar este benefício por mais tempo.

A análise mostrava que, sem uma continuação do quadro existente, as condições do mercado das telecomunicações móveis ainda não permitiriam assegurar uma “itinerância como em casa” economicamente sustentável para os operadores que oferecem serviços a todas as pessoas que viajam na UE.

A Comissão realizou igualmente, entre Junho e Setembro de 2020, uma consulta pública para recolher opiniões sobre os serviços de itinerância a nível retalhista e grossista, bem como sobre o impacto da prorrogação e revisão destas regras.

A beneficiar desta medida estarão, por mais 10 anos, todos os cidadãos que além de garantirem a utilização do serviço em qualquer um dos Estados Membros como se estivesse em casa, ainda têm mais informações disponíveis sobre eventuais tarifas adicionais. OS operadores terão também assim uma solução economicamente mais sustentável e até as empresas continuarão a beneficiar de uma melhor conectividade no mercado único, para elevar os seus negócios.

Roaming gratuito por mais 10 anos na UE

Segundo pode ser lido no novo regulamento que entra hoje em vigor, são introduzidas, ainda assim, algumas alterações face ao regulamento anterior que já garantia roaming gratuito aos cidadãos.

Em primeiro lugar, os consumidores poderão aceder noutro país da UE aos mesmos serviços de que beneficiavam no próprio país, sempre que as mesmas redes e tecnologias estejam disponíveis na rede do Estado-Membro visitado. Um cliente de itinerância que usufrua de serviços 5G no seu país também deve usufruir de serviços de itinerância 5G sempre que esta tecnologia esteja disponível no Estado-Membro visitado.

Em segundo lugar, os consumidores receberão informações mais precisas sobre os tipos de serviços que podem acarretar custos adicionais, como as chamadas para serviços de atendimento ao cliente, serviços de assistência ou companhias de seguros. Este tipo de chamadas podem ser gratuitas ou menos dispendiosas quando se realizam no próprio país, mas podem estar sujeitas a tarifas adicionais quando se realizam em itinerância.

Informação de tarifas adicionais será mais eficaz

Além disso, os consumidores serão informados por SMS sobre as tarifas adicionais aplicáveis à utilização de serviços de itinerância nas chamadas redes não terrestres.

Estas redes são geralmente utilizadas no contexto de ligações móveis a bordo de aeronaves e de navios e não são abrangidas pelas regras de itinerância. A itinerância nessas redes acarretará amiúde custos adicionais. Quando os cidadãos viajam de avião ou barco, os seus telemóveis podem conectar-se involuntariamente a uma rede não terrestre.

Os operadores também devem oferecer aos clientes ferramentas para evitar custos adicionais, incluindo a possibilidade de não se conectarem a redes não terrestres.

Os serviços de itinerância serão, além disso, automaticamente interrompidos quando o consumidor atingir um custo total de 50 €, ou outro limite predefinido, a fim de evitar encargos adicionais. O mesmo se aplica à itinerância fora da União.

O papel dos operadores

O novo regulamento garante igualmente que, a nível grossista, os operadores se informam mutuamente sobre o modo de assegurar o acesso aos serviços de emergência e a transmissão da localização da pessoa que efectua a chamada, não só em relação a chamadas para o «112», mas também para os meios alternativos de acesso.

Quando entram num Estado-Membro, os clientes de itinerância recebem uma mensagem com informações sobre as chamadas para o 112 e outros meios disponíveis para contactar os serviços de emergência, por exemplo, aplicações ou texto em tempo real.

Os operadores devem assegurar a sensibilização dos utilizadores finais com deficiência para os serviços de emergência a que podem recorrer. Os clientes de itinerância serão informados por meio das aplicações nacionais de alerta ao público, sempre que estes serviços estejam disponíveis.

Poderá encontrar mais informações detalhadas sobre o novo regulamento aqui.

Pplware
Autor: Maria Inês Coelho

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Bandeira da UE já está no parlamento ucraniano. Zelensky defende que adesão “não deve demorar décadas ou anos”

Para quando a expulsão da União Soviética terrorista da ONU e de todas as organizações ocidentais?

INVASÃO SOVIÉTICA/TERRORISMO/UCRÂNIA

A região de Odessa, no sul da Ucrânia, foi alvo de ataques pelas forças russas, provocando pelo menos 18 mortos. “O pior cenário aconteceu e duas aeronaves estratégicas chegaram à região de Odessa”, tendo disparado mísseis “muito poderosos”, disse o porta-voz da administração militar.

© EPA/SERGEY KOZLOV

Zelensky defende que a adesão à UE “não deve demorar décadas ou anos”

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, assegurou esta sexta-feira a “determinação” para alcançar o “objectivo estratégico de adesão plena à União Europeia”, mas defendeu que a adesão à UE “não deve demorar anos ou décadas”.

As palavras de Zelensky foram partilhadas numa mensagem publicada nas redes sociais após a chegada oficial da bandeira da UE ao parlamento ucraniano.

“Hoje, juntamente com o presidente da Verkhovna Rada da Ucrânia e o primeiro-Ministro, assinámos uma declaração conjunta, que é um sinal de unidade de todos os ramos do governo e prova da nossa determinação em alcançar o objectivo estratégico de adesão plena à União Europeia (…)”, começou por escrever.

“O nosso caminho para a adesão não deve levar anos ou décadas. Temos de percorrer este caminho rapidamente, fazer a nossa parte do trabalho perfeita e permitir que os nossos amigos da União Europeia tomem mais uma decisão histórica”, salientou Zelensky.

Da mesma forma é necessário avançar na legislação sobre os procedimentos da selecção de juízes, como parte da reforma do Tribunal Constitucional. Von der Leyen lembrou aos legisladores ucranianos que a reconstrução da Ucrânia exigirá investimentos enormes, que certamente irão acontecer, mas acrescentou que isto exige avanços internos.

Os investimentos, destacou, “terão que ser acompanhados de uma nova onda de reformas”.

Para Von der Leyen, “as instituições têm que ganhar vida para responder às aspirações do seu povo”. Um exemplo disso, destacou, é a iniciativa para tentar conter a “influência excessiva” dos oligarcas na economia ucraniana.

O país, recordou Von der Leyen, adoptou uma lei para romper com esta influência e agora “deve concentrar-se na implementação desta legislação”.

Diário de Notícias
01 Jul 11:20
Por Susete Henriques

Momento em que a bandeira da UE chega ao parlamento ucraniano. “De ir às lágrimas”

Depois da Ucrânia conseguir o estatuto de país candidato, a bandeira da União Europeia (UE) chegou ao parlamento ucraniano, um momento registado com emoção.

“De ir às lágrimas”. Foi assim que o embaixador da UE para a Ucrânia, Matti Maasikas, descreveu o momento em que a bandeira da União Europeia chega ao parlamento.

De pé, os deputados ucranianos aplaudem de forma ritmada a chegada da bandeira ao parlamento [Verkhovna Rada].

Diário de Notícias
01 Jul 10:21
Por Susete Henriques

Ataque a Odessa. Conselheiro de Zelensky acusa Rússia de praticar uma “táctica de terror”

No ataque a um prédio residencial e a dois centros de recreativos na região de Odessa foram usados mísseis X-22, refere Mikhail Podolyak, conselheiro do presidente ucraniano.

Pelo menos 18 pessoas morreram, entre os quais duas crianças. Para Podolyak não se trata de um erro da Rússia. “É uma táctica de terror: bombardeamento deliberado e baixas em massa”, acusou.

Na mensagem publicada na rede social Twitter, o conselheiro de Zelensky pede mais armas para travar bombardeamentos russos. “Para proteger as pessoas, precisamos de sistemas anti-mísseis”, sublinhou.

Diário de Notícias
01 Jul 09:29
Por Susete Henriques

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1323: O despertar do Ocidente

OPINIÃO

Numa das minhas crónicas anteriores sinalizava o nascimento de uma nova ordem mundial. Nesse momento os sinais dessa nova ordem mundial eram ainda ténues, mas havia já indícios de que o dia 24 de Fevereiro tinha alterado, profundamente, a geopolítica mundial. Hoje, isso parece ser uma realidade inquestionável.

Até ao começo da barbárie russa na Ucrânia, o Ocidente esteve enganado sobre Moscovo.

Como escreve David Satter no livro Quanto menos soubermos, melhor dormimos “desde que Putin assumiu o poder, o Ocidente manteve uma imagem da Rússia sem nenhuma relação com a realidade”. Acreditava que a Rússia estava numa trajectória de participação sincera no concerto das Nações, comercializando as suas matérias-primas, procurando desenvolver a sua sociedade, desempenhando o seu papel na economia mundial.

O começo da guerra fez passar para segundo plano o primado do desenvolvimento harmonioso das Nações. A guerra tornou-se a prioridade. O que temos assistido até agora é a disrupção dos circuitos do comércio mundial.

As sanções ocidentais, justamente aplicadas como instrumento condicionante das aspirações imperialistas de Putin, estão a contribuir para desregular o equilíbrio que existia na sensível malha da globalização. Que, convenhamos, está a correr sérios riscos. Em maio de 2022, em relação a maio de 2021, as exportações para a Rússia dos países que aderiram às sanções caíram 60% e as exportações dos países que não aderiram caíram 40%.

Isto inclui a China que viu diminuir, consideravelmente, as suas exportações para a Rússia. A juntar a isto a Europa, primeiro consumidor dos produtos chineses, olha com desconfiança a sua dependência do mercado chinês. Não parece ser saudável para as democracias a excessiva dependência de regimes autocratas!

Para além dos perigos que a guerra introduziu na malha sistémica da globalização, há um novo alinhamento na geografia política mundial. O mais significativo sinal disso é o crescimento da NATO e a entrada das neutrais Suécia e Finlândia na lógica de uma possível confrontação com Moscovo. O que Putin pensava ser um passeio sem complicações até Kiev foi a semente de uma nova ordem mundial.

Os países ocidentais fazem agora contas ao seu PIB para alcançar os 2% dedicados aos orçamentos da guerra. Claro que isto prejudica as agendas ambiental, social, do desenvolvimento económico. O que se gasta na guerra não se gasta em educação, em investimento produtivo, em ferramentas na defesa do ambiente. Façam favor de agradecer a Putin!

No plano da geo-estratégia estão a desenhar-se, mais nitidamente, dois blocos. A NATO, alinhada à Europa fez da Rússia o seu inimigo principal. O novo Conceito Estratégico da NATO faz subir para 300 mil o número de homens em prontidão para qualquer eventualidade.

O Ocidente tem um olho na Rússia, mas vai também olhando de soslaio para a China. Do G7 fala-se já do G12, que na lógica da prevenção de um conflito com a China incluem alguns “tigres asiáticos” entre eles a Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul e Japão.

E, nesta lógica, os países do G7 dedicaram a verba de 600 biliões de dólares como contraponto à iniciativa chinesa da Nova Rota da Seda. Vejam, portanto, onde já vai a harmonia entre Estados e a desconfiança que está a gerar-se. Agradeçam, se faz favor, ao sr. Putin.

Entretanto a guerra vai continuar. Provavelmente, por muito e maus anos. O presidente Macron deve estar arrependido de se preocupar tanto com a humilhação de Putin quando este, há escassos dias, lhe respondeu que preferia ir jogar hóquei no gelo do que reunir-se com Macron e Biden para acabar com a guerra. De humilhações estamos pois conversados!

Há, assim, sinais mais palpáveis do surgimento de uma nova ordem mundial. Não é por acaso que Putin resolve promover uma reunião dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para contrapor a um Ocidente mais prevenido, mais vigilante, mais preocupado em manter unidas as suas hostes.

Pouco a pouco vai-se desenhando uma nova ordem mundial. Que é mais disruptiva, mais perigosa, mais beligerante, menos global, menos diplomática. Nesta nova ordem mundial o Ocidente despertou. E quem lhe abriu os olhos foi Putin!

Jornalista

Diário de Notícias
António Capinha
01 Julho 2022 — 00:07

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1322: Governo estende até ao final de Julho comparticipação de testes à covid-19

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/TESTES

O preço máximo para efeitos de comparticipação é de 10 euros. Apenas abrangidos testes prescritos pelo SNS e realizados nas farmácias de oficina.

© zoranm/Getty Images

O Governo estendeu o prazo de comparticipação de testes rápidos de antigénio de uso profissional à covid-19 prescritos pelo Serviço Nacional de Saúde até ao final de Julho, avançou esta quinta-feira o Ministério da Saúde.

“A portaria que estabelece o regime excepcional e temporário de comparticipação de testes rápidos de antigénio (TRAg) de uso profissional prescritos pelo SNS e realizados nas farmácias de oficina será prorrogada até ao final do mês de Julho”, refere o Ministério da Saúde numa resposta à agência Lusa.

Na anterior portaria, assinada pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, a medida era aplicada até esta quinta-feira e justificada com a incidência muito elevada da pandemia de covid-19.

A portaria sublinhava a relevância da realização de testes de diagnóstico para despiste de infecção por SARS-CoV-2, tanto para referenciação de pessoas sintomáticas como para detecção precoce de casos confirmados.

Segundo a anterior portaria, o preço máximo para efeitos de comparticipação é de 10 euros.

No âmbito deste regime, os testes rápidos de antigénio à covid-19 estão disponíveis em 1.502 farmácias e 718 laboratórios do país, segundo dados da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).

Há ainda 148 estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde onde estes testes podem ser realizados gratuitamente.

Diário de Notícias
DN/Lusa
30 Junho 2022 — 16:26

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1321: Notas à margem da Cimeira da NATO

OPINIÃO

A Suécia e a Finlândia parecem ter aceitado, sem grandes discussões, as exigências impostas por Recep Tayyip Erdogan. A prioridade absoluta, para ambos, era avançar rapidamente com o processo de adesão à NATO.

Pouco antes do anúncio do acordo entre os dois países candidatos e o presidente da Turquia, o prognóstico que prevalecia era que o impasse se iria arrastar por algum tempo, talvez mesmo até às eleições presidenciais turcas, previstas para Junho do próximo ano. Erdogan teria a ganhar com a continuação do bloqueio, na frente política interna.

A sua recusa seria continuamente propagandeada como uma posição nacionalista, uma demonstração de poder, numa altura em que o povo turco se sente marginalizado pelos ocidentais, em particular pela União Europeia.

Ao levantar a ameaça de veto, momentos antes da abertura oficial da cimeira da NATO de Madrid, Erdogan surpreendeu-nos. Disseram-nos, depois, que isso mostrou a coesão que existe no seio da Aliança Atlântica. Sou dos que não compram essa narrativa. E, uma vez conhecidos os termos do acordou, ficou claro que Erdogan ganhou o braço de ferro.

As cedências suecas e finlandesas levantam vários tipos de preocupações. Menciono duas de seguida, sem falar do desassossego que decorre da submissão a um déspota. E sem esquecer que a chantagem irá continuar, até ao momento da ratificação das adesões pelo parlamento turco.

Primeiro, por mostrarem que existe um enorme receio, no que diz respeito a uma possível agressão vinda de Moscovo. Dito de outra maneira, os nórdicos estão na verdade convencidos que a Rússia de Vladimir Putin representa uma séria ameaça para a paz nessa região do continente europeu.

Segundo, porque o acordo prevê a possibilidade de extradições de militantes curdos e outros refugiados que o autocrata de Ancara tenha na linha de mira. Sabemos que Erdogan não dá qualquer valor aos direitos humanos nem à independência do sistema de justiça no seu país.

É aliás uma aberração ter um regime desse tipo à frente do segundo maior país membro da Aliança Atlântica. Mas também é verdade que os regimes – e os ditadores – passam, não são eternos. Pode acontecer que no próximo ano Erdogan perca as eleições e a Turquia volte às práticas democráticas.

Então, mais tarde ou mais cedo, uma das reformas a fazer será incluir no tratado da organização a possibilidade de suspensão de um dos membros, enquanto durar uma situação semelhante à que se vive actualmente na Turquia. Hoje, essa possibilidade não existe e bem falta faz.

Para além da aprovação do novo conceito estratégico, o desfecho do que está a acontecer na Ucrânia é que será verdadeiramente transformador. A cimeira de Madrid reconheceu que não se pode deixar a Rússia vencer o conflito que provocou. Nos tempos de hoje, a violação da lei e da ordem internacionais não deve trazer vantagens para o infractor.

Já a reunião do G7, uma cimeira algo confusa nas vésperas do encontro de Madrid, havia chegado à mesma conclusão. Mas uma declaração desse tipo só tem valor se for traduzida em acções concretas que impeçam a vitória de Moscovo.

Infelizmente, diria que não estamos no bom caminho. Existe mesmo o risco, se nada mais nem mais urgente se fizer, de assistirmos à progressiva destruição da Ucrânia. A actual dinâmica de guerra de desgaste joga a favor da Rússia, por várias razões.

A Rússia tem como trunfos uma economia marcadamente mais forte, meios militares mais vastos e uma filosofia de guerra que se baseia na destruição das infra-estruturas e das zonas urbanas, aniquilando modos de vida e criando o terror no seio das populações civis vítimas da agressão.

As democracias europeias não podem ganhar esta batalha vital sem um empenho mais profundo, acelerado e bem explicado aos cidadãos. Ao ritmo actual, a ajuda em armamento não chegará a tempo, nem será suficiente. Mais ainda: só, a Ucrânia não terá a força necessária para repor a sua soberania. Veremos, nos próximos tempos, se a cimeira de Madrid teve em conta estas evidências, ao prometer à Ucrânia o apoio firme e continuado dos membros da Aliança Atlântica.

Conselheiro em segurança internacional.
Ex-secretário-geral-adjunto da ONU

Diário de Notícias
Victor Ângelo
01 Julho 2022 — 00:15


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1320: Adesão à greve dos trabalhadores do sector da saúde ronda 80%

SAÚDE/GREVES

A paralisação, que exclui médicos e enfermeiros, foi motivada por reivindicações antigas que continuam sem resposta.

© D.R

A adesão à greve desta sexta-feira dos trabalhadores do sector público da saúde, excepto médicos e enfermeiros, rondava até às 08:50, os 70 a 80%, segundo fonte sindical, adiantando que há perturbações nas consultas e atendimento.

“Tal como esperávamos, a adesão à greve de hoje [sexta-feira] ronda os 70 a 80%. Os efeitos da greve, que abrange todos os trabalhadores da saúde, excepto médicos e enfermeiros, dos serviços tutelados pelo Ministério da Saúde, como hospitais ou centros de saúde, estão a fazer-se sentir sobretudo no atendimento e nos serviços de consultas do continente e das regiões autónomas”, disse à Lusa o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (Sintap).

De acordo com José Abraão, os trabalhadores estão “desesperados” e “querem ver resolvidos problemas que se arrastam há anos”.

“Na quinta-feira, fomos informados que está marcada para dia 27 deste mês uma reunião com o Ministério da Saúde para tentar resolver os problemas dos trabalhadores”, disse.

A paralisação, convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), foi motivada por reivindicações antigas que continuam sem resposta.

A 7 de Junho, a coordenadora da Federação disse que os trabalhadores estavam “há muitos anos à espera de concretização e de resolução dos seus problemas.

Em concreto, a coordenadora da FNSTFPS falou em problemas que afectam auxiliares de acção médica, técnicos superiores de saúde e técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, e que acentuam a instabilidade nos serviços de saúde e prejudicam o Serviço Nacional de Saúde.

“São situações que poderão parecer diversas e distantes, mas que no seu conjunto criam uma desmotivação aos trabalhadores da saúde, que em termos de retenção de trabalhadores na saúde em nada beneficia”, referiu.

Elisabete Gonçalves denunciou sobretudo problemas relacionados com a carreira desses profissionais, reivindicando a reposição da carreira de técnico auxiliar, e criticando também a alteração da carreira dos técnicos superiores de diagnóstico que “não traduz as especificidades destes trabalhadores”.

“Quanto aos técnicos superiores de saúde, há anos que lutam por procedimentos concursais de promoção que não estão a ser feitos, o que limita a valorização destes trabalhadores”, explicou a coordenadora.

A greve é dirigida a todos os trabalhadores de Portugal continental e da região autónoma dos Açores, e foi antecedida, na quinta-feira, de uma paralisação na região autónoma da Madeira.

Diário de Notícias
DN/Lusa
01 Julho 2022 — 09:40

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1319: Embalagens de plástico para refeições prontas sujeitas a taxa de 30 cêntimos

SOCIEDADE/EMBALAGENS/TAXAS

A partir de 1 de Janeiro de 2023 aplica-se o mesmo nas embalagens de alumínio ou multi-material com alumínio.

© Global Imagens

As embalagens de plástico de uso único para refeições prontas a consumir estão a partir de hoje sujeitas a uma taxa de 30 cêntimos, uma medida que tinha sido anunciada para Janeiro e adiada devido à pandemia de covid-19.

Segundo a lei, a taxa aplica-se a partir de hoje a embalagens de utilização única de plástico ou multi-material com plástico, e aplica-se a partir de 01 de Janeiro de 2023 nas embalagens de alumínio ou multi-material com alumínio.

Em causa estão nomeadamente as embalagens para ‘takeaway’ e as das entregas a domicílio.

A medida destina-se a fomentar a introdução de sistemas de embalagens reutilizáveis na restauração e promover a redução de embalagens de utilização única.

“O fornecimento de refeições em regime de pronto a comer e levar ou com entrega ao domicílio revela uma clara tendência de crescimento tendo como resultado directo o aumento do consumo de embalagens de utilização única, o que torna ainda mais premente a introdução de medidas que permitam dissociar este crescimento do consumo de recursos e da produção de resíduos”, diz a portaria que regulamenta a mudança que hoje entra em vigor.

O documento lembra que os estabelecimentos que forneçam refeições prontas a consumir em regime de pronto a comer e levar já são obrigados a aceitar que os seus clientes utilizem os seus próprios recipientes, pelo que há uma alternativa ao pagamento da contribuição.

As receitas da taxa serão dirigidas em metade para o Estado e 40% para o Fundo Ambiental, pode ler-se também na portaria.

O Governo já tinha proibido a partir de Novembro do ano passado a colocação no mercado de outros produto de plástico de uso único, como a palhinhas ou cotonetes, talheres e pratos, varas para balões ou copos, transpondo parcialmente uma directiva europeia.

Na norma que entra hoje em vigor há algumas excepções, uma delas para as embalagens que acondicionem refeições prontas a consumir que não são embaladas no estabelecimento de venda ao consumidor final, “uma vez que o estabelecimento não controla nestes casos o embalamento do produto, não permitindo assim que o consumidor tenha uma alternativa”, justifica-se.

Diário de Notícias
Lusa/DN
01 Julho 2022 — 07:15

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1318: O meu Wallpaper de hoje, dia 01.07.2022

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1317: Monkeypox. Surto terá tido origem única e vírus tem mais de 50 mutações

SAÚDE PÚBLICA/SURTO/VÍRUS MONKEYPOX/MUTAÇÕES

O estudo do INSA sobre a sequenciação genética do vírus Monkeypox refere a origem única do surto mas indica que potencialmente terão existido várias introduções em países diferentes e salienta o número anormalmente elevado de mutações do vírus, uma média de 50.

© Reinaldo Rodrigues Global Imagens (Arquivo)

Uma investigação do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) sugere que o surto de ‘monkeypox’ tenha uma única origem e que o vírus tem um número “anormalmente elevado” de mutações, tendo em conta as suas características.

O estudo do INSA sobre a sequenciação genética do vírus ‘Monkeypox’, publicado na revista científica Nature Medicine, refere a origem única do surto mas indica que potencialmente terão existido várias introduções em países diferentes e salienta o número anormalmente elevado de mutações do vírus, uma média de 50, contrariando expectativas da comunidade científica tendo em conta as características do agente em causa.

“A origem mais provável do vírus que está a causar o surto de ‘monkeypox’ mundialmente em 2022 é um vírus ancestral comum que terá causado um surto na Nigéria em 2017 e que tenha sido responsável também pela exportação de alguns casos em 2018 e 2019 para o Reino Unido, Singapura e Israel”, disse esta quinta-feira à Lusa o investigador do INSA João Paulo Gomes, que liderou o estudo.

A hipótese mais plausível será a de que a linhagem original tenha continuado a circular na Nigéria ou em países vizinhos ao longo dos últimos cinco anos e tenha acumulado mutações nesse processo.

De acordo com esta teoria, algumas pessoas infectadas terão viajado, provavelmente nos meses de Março ou Abril de 2022, para países não endémicos como Portugal, Reino Unido e Espanha e iniciado cadeias de transmissão.

Relativamente às características do vírus, o responsável da Unidade de Investigação do Núcleo de Genómica e Bioinformática do Departamento de Doenças Infecciosas do INSA disse que os investigadores ficaram surpreendidos quando se aperceberam que existiam “muito mais mutações do que o que era esperado”.

Investigadores observaram “um vírus muito evoluído”

“Se ele provêm, muito provavelmente, do vírus da Nigéria, que circulou há cerca de cinco anos, e esperando uma taxa de mutação perfeitamente descrita de cerca de uma, não mais de duas, mutações por ano, não seria expectável que tivéssemos um vírus a circular agora e a causar este surto massivo com mais de dez mutações. No entanto, encontrámos uma média de 50 mutações no vírus que sequenciámos e isto fez com que apelidássemos de uma evolução acelerada”, salientou.

O que os investigadores observaram foi “um vírus muito evoluído” relativamente ao que estavam à espera, mas João Paulo Gomes referiu que não é conhecido “qual o impacto destas mutações em termos de maior ou menor transmissão, em termos de maior ou menor severidade”.

O investigador adiantou que “um número muito significativo” das mutações tinha como alvo proteínas do vírus que estão associadas à interacção com as proteínas humanas, em particular com o sistema imunitário, o que “sugere claramente um processo de adaptação” aos humanos.

“A maior parte das mutações parecem resultar de um mecanismo de defesa do próprio ser humano, que actua normalmente com vista a modificar geneticamente o vírus invasor de forma a controlar a infecção, podendo, no entanto, acontecer que, por má regulação deste sistema, as mutações criadas no vírus não lhe sejam prejudiciais, o que parece ter sido exactamente o que aconteceu com o vírus ‘Monkeypox’ de 2022”, rematou.

Em Portugal, já foram reportados 402 casos de ‘Monkeypox’.

Até 27 de Junho, tinham sido reportados um total de 4.357 casos em 48 países.

Diário de Notícias
DN/Lusa
30 Junho 2022 — 14:12

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