Ucrânia: Embaixador russo na ONU aponta Portugal entre países “responsáveis por arrastar” guerra

– Quando leio este tipo de notícias, apenas tenho de considerar que esta gajada nazi soviética encontra-se toda DEMENTE tal como o seu czar imperialista oligarca putineiro! Portugal, fornecedor de armas? Ah! Já me esquecia que o Costa mandou para a Ucrânia dezenas de mísseis de alta precisão, tanques, carros de combate, um porta-aviões, caças supersónicos, obuses 160mm, metralhadoras G3 do tempo da guerra colonial, além de munições de diversos calibres. Esta gajada gorda e anafada como o gajo da imagem INVADE um país soberano, assassina milhares de civis de todas as idades, desde crianças a idosos, ataca com mísseis e artilharia pesada residências civis, escolas, maternidades, hospitais, supermercados, até já incendiaram uma igreja ortodoxa, provocam o êxodo de milhares de pessoas que fogem à guerra provocada por esta escumalha e ainda têm a lata de se queixarem que a Ucrânia está a defender-se do INVASOR SOVIÉTICO que ainda tem a peida assente na ONU com direito a voto e a veto? Se isto não fosse terrífico, dava vontade de rir!

INVASÃO/GUERRA/UCRÂNIA/DEMÊNCIA COLECTIVA SOVIÉTICA

Vasily Nebenzya criticou o Ocidente por fornecer armamento e artilharia de longo alcance a Kiev, visando atingir “a população civil de língua russa” na região do Donbass.

© Spencer Platt/Getty Images/AFP

O embaixador da Rússia junto da ONU incluiu esta terça-feira Portugal numa lista de países fornecedores de equipamento militar a Kiev, acusando-os de serem “directamente responsáveis pelo arrastar” da guerra.

Numa reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação na Ucrânia, Vasily Nebenzya criticou o Ocidente por fornecer armamento e artilharia de longo alcance a Kiev, visando atingir “a população civil de língua russa” na região do Donbass (leste ucraniano).

“Os Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, França, Polónia, Áustria, Austrália, Bélgica, Bulgária, Grécia, Dinamarca, Espanha, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal, Roménia, Macedónia do Norte, Eslováquia, Eslovénia, Turquia, Finlândia, República Checa, Suécia (…) uma lista dos maiores fornecedores de equipamento militar ao regime ucraniano, gastando milhares de milhões de dólares”, afirmou Nebenzya.

“Apenas na semana passada, o Donbass foi atingido por armamento americano e europeu, que matou seis civis e feriu mais de 30. Cada um destes países é directamente responsável por arrastar a crise ucraniana e causar mortes”, avaliou.

O diplomata russo acusou ainda o Ocidente de promover a “russofobia”, indicando, por exemplo, que restaurantes em muitos desses países se recusam a atender clientes russos.

Nesta reunião do Conselho de Segurança, os alegados crimes cometidos pelas tropas russas na Ucrânia também estiveram sob análise, com a conselheira especial do secretário-geral para a Prevenção de Genocídios, Alice Wairimu Nderitu, a alertar para as “alegações graves que têm sido levantadas, incluindo a indicação da possível prática de genocídio e crimes de guerra”.

A ofensiva militar lançada pela Rússia na Ucrânia em 24 de Fevereiro causou já a fuga de mais de 15 milhões de pessoas de suas casas — mais de oito milhões de deslocados internos e mais de 7,7 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os sectores, da banca ao desporto.

A ONU confirmou que 4.597 civis morreram e 5.711 ficaram feridos na guerra, que esta terça-feira entrou no seu 118.º dia, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a zonas cercadas ou sob intensos combates.

Diário de Notícias
DN/Lusa
21 Junho 2022 — 19:10


 

1253: Análise: Xiaomi Smart Band 7, a mais eficiente das Mi Bands

TECNOLOGIA/SMART BAND/ANÁLISE

A Xiaomi acabou de apresentar para o mercado europeu a Xiaomi Smart Band 7. Apesar de parecer igual à versão anterior em termos de design, existem melhorias que fazem dela a mais eficiente das smartbands da Xiaomi, outrora Mi Bands.

Depois de alguns dias de teste, hoje damos-lhe a conhecer os pormenores desta que é considerada um sportwatch em formato de band, graças à funcionalidade de avaliação V02max.

Especificações gerais da Xiaomi Smart Band 7

A Xiaomi Smart Band 7 vem com um ecrã AMOLED completo de 1,62″, com 326ppp e brilho de 500 nits. Na verdade, apesar das semelhanças com a versão anterior, o um design de ecrã é mais amplo, com 25% de visibilidade aumentada, oferecendo assim mais espaço de visualização da informação.

Em termos de sensores, destaca-se o sensor PPG para monitorização de batimentos cardíacos e SpO2 e ainda o sensor de 6 eixos, com acelerómetro de 3 eixos e giroscópio também de 3 eixos, para maior precisão na monitorização de toda a actividade.

Tem Bluetooth 5.2, sendo compatível com Android (6.0) e iOS (10.0), através da app Mi Fitness. Para quem já utilizava a app MiFit, que foi actualizada para a Zepp Life, e pretende continuar a utilizar, a Smart Band 7 também é compatível. A bateria deverá durar entre 10 a 14 dias, algo que ainda não nos foi possível comprovar.

A Smart Band 7 tem como dimensões 46,5 x 20,7 x 12,25 mm e pesa apenas 13g. Além disso, tem resistência a água de 5ATM, estando apta para treinos à chuva ou em ambientes aquáticos. Vem ainda com mais de 100 mostradores de relógio, assim como várias opções coloridas de braceletes para combinar.

Vem com mais de 110 modos desportivos, dando liberdade aos utilizadores de definir os seus objectivos de fitness personalizados, mais adequados ao seu estilo de vida.

Na caixa vem apenas a Mi Band e respectiva bracelete, carregador magnético e manual de instruções rápidas.

A monitorização contínua e análise de treino profissional VO2max

A Xiaomi Smart Band 7 tem várias melhorias ao nível da monitorização da actividade física, sendo mesmo considerada como um sportwatch mas em formato de banda.

Uma das suas novidades mais evidentes é a nova análise de treino profissional VO2max, que mede a quantidade máxima de oxigénio que os utilizadores podem utilizar durante o exercício. Isto vai permitir analisar melhor os treinos, tempos de recuperação, guias de treino, entre muitos outros parâmetros.

Mas há mais. A monitorização contínua dos batimentos cardíacos e SpO2 poderão ser essenciais para detectar eventuais problemas de saúde.

A monitorização do sono é outro dos aspectos que melhorou bastante nesta nova pulseira, bem como a contagem diária de passos.

Para quem não quer estar constantemente a iniciar actividades físicas no relógio, há uma detecção automática do início e do fim de cada actividade.

A app Mi Fitness está renovada e adaptada a todas as novidades da Smart Band 7, mas se tem os seus dados anteriores associados, por exemplo à app Zepp Life, ainda que a possa utilizar também com a Mi Band 7, poderá transferir os seus dados para a app Mi Fitness.

A mais eficiente das Mi Bands

A Smart Band 7 da Xiaomi vem realmente trazer ao consumidor uma maior eficiência na monitorização de todos os parâmetros de análise. A contagem diária de passos é bastante precisa. Como comparação, nestes poucos dias de teste, a Smart Band 7 foi utilizada ao lado de um modelo de smartwatch de topo, e a variação desta contagem é muito baixa.

O mesmo aconteceu com a análise de batimentos cardíacos, monitorização de sono, entre outros parâmetros diários. O que varia é mais na interpretação automática das actividades físicas.

O tempo de testes ainda não permitiu avaliar a monitorização de actividades físicas de forma mais concreta, bem como a nova análise de treino profissional VO2max, algo que vai ser feito durante as próximas semanas. Nessa altura traremos mais novidades.

De referir que todas as notificações do smartphone podem chegar à Mi Band, podem ser rejeitadas chamadas e a smartband pode, por exemplo, funcionar nativamente de obturador da câmara.

A Xiaomi Smart Band 7 estará disponível em Portugal a partir de 22 de Junho através dos canais oficiais da Xiaomi. O seu preço será de 59,90€, mas haverá uma promoção de lançamento entre 22 e 26 de Junho com o preço a 49,99€.

Pplware
Autor: Maria Inês Coelho
21 Jun 2022


 

1252: Medalha do Nobel da Paz vendida por 98 milhões de euros para crianças deslocadas

UNICEF

As receitas do leilão da medalha do Prémio Nobel da Paz 2021 vão para o programa da UNICEF para crianças ucranianas deslocadas pela guerra. “É essencial para nós que esta organização não pertença a nenhum governo”, disse Dmitri Muratov.

A medalha do Prémio Nobel da Paz 2021 foi vendida por 98,3 milhões de euros. O valor arrecadado vai para as crianças deslocadas pela guerra na Ucrânia

O chefe de redacção do jornal Novaya Gazeta, Dmitri Muratov, vendeu a medalha do Prémio Nobel da Paz 2021 por 98,3 milhões de euros, para as crianças deslocadas pela guerra na Ucrânia.

As receitas do leilão, realizado em Nova Iorque, na segunda-feira, vão para o programa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para crianças ucranianas deslocadas pela guerra, indicou a leiloeira Heritage Auctions, que organizou a venda.

A oferta final de 103,5 milhões de dólares (98,3 milhões de euros), dezenas de milhões de dólares mais alta que a anterior, foi feita por telefone, sem que a identidade do licitador fosse divulgada. Durante a tarde, a licitação mais elevada tinha sido de 550 mil dólares (522 mil euros).

A medalha do Prémio Nobel da Paz 2021
© EPA/JASON SZENES

Sobre a escolha da UNICEF como beneficiária dos fundos, Muratov, de nacionalidade russa, afirmou: “É essencial para nós que esta organização não pertença a nenhum governo. Pode trabalhar acima dos governos. Não há fronteiras para isso”.

Muratov ganhou o Nobel da Paz no ano passado, juntamente com a jornalista filipina Maria Ressa, “pelos esforços para preservar a liberdade de expressão”.

No final de Março, o Novaya Gazeta tinha anunciado a suspensão das publicações digitais e impressas na Rússia, até ao fim da intervenção militar na Ucrânia, depois de o Governo russo ter aumentado a repressão contra dissidentes.

O chefe de redacção do jornal Novaya Gazeta, Dmitri Muratov, mostra a medalha do Prémio Nobel da Paz 2021
Foto EPA/JASON SZENES

Dmitri Muratov fez parte do grupo de jornalistas que fundou o Novaya Gazeta em 1993, na sequência da queda da antiga União Soviética. Antes de suspender as publicações, o jornal foi o último a criticar o presidente russo, Vladimir Putin.

O Novaya Gazeta é conhecido pelas investigações sobre corrupção e violações dos direitos humanos na Chechénia, trabalhos que custaram a vida a seis colaboradores desde os anos de 1990, entre os quais a célebre jornalista Anna Politkovskaia, assassinada em 2006.

Diário de Notícias
DN/Lusa
21 Junho 2022 — 08:36


 

1251: Astrónomos encontram evidências do mais poderoso pulsar em galáxia distante

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

À medida que a concha de detritos da explosão de super-nova se expande ao longo de algumas décadas, torna-se menos densa e acaba por se tornar suficientemente fina para que as ondas de rádio do interior possam escapar. Isto permitiu observações do VLASS (VLA Sky Survey) para detectar emissões de rádio brilhantes criadas à medida que o poderoso campo magnético da estrela de neutrões que gira rapidamente varre o espaço circundante, acelerando as partículas carregadas. Este fenómeno é chamado uma nebulosa de vento pulsar.
Crédito: Melissa Weiss, NRAO/AUI/NSF

Astrónomos que analisavam dados do VLASS (VLA Sky Survey) descobriram uma das estrelas de neutrões mais jovens conhecidas – o remanescente super-denso de uma estrela massiva que explodiu como uma super-nova. Imagens do VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation) indicam que a emissão brilhante de rádio alimentada pelo campo magnético do pulsar giratório só recentemente surgiu por detrás de uma densa concha de detritos da explosão de super-nova.

O objecto, chamado VT 1137-0337, encontra-se numa galáxia anã a 395 milhões de anos-luz da Terra. Apareceu pela primeira vez numa imagem VLASS feita em Janeiro de 2018. Não apareceu numa imagem da mesma região feita pelo levantamento FIRST do VLA em 1998. Continuou a aparecer em observações VLASS posteriores em 2018, 2019, 2020 e 2022.

“O que mais provavelmente estamos a ver é uma nebulosa de vento pulsar”, disse Dillon Dong, estudante no Caltech que vai começar uma bolsa de pós-doutoramento no NRAO (National Radio Astronomy Observatory) no final deste ano. Uma nebulosa de vento pulsar é criada quando o poderoso campo magnético de uma estrela de neutrões em rápida rotação acelera as partículas carregadas em redor até quase à velocidade da luz.

“Com base nas suas características, este é um pulsar muito jovem – possivelmente tão jovem quanto apenas 14 anos, mas não com mais de 60 a 80 anos,” disse Gregg Hallinan, orientador de doutoramento de Dong no Caltech.

Os cientistas relataram as suas descobertas na reunião da Sociedade Astronómica Americana em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia.

Dong e Hallinan descobriram o objecto em dados do VLASS, um projecto do NRAO que começou em 2017 para pesquisar todo o céu visível a partir do VLA – cerca de 80% do céu. Ao longo de um período de sete anos, o VLASS está a realizar um scan completo do céu três vezes, sendo um dos objectivos o de encontrar objectos transitórios. Os astrónomos encontraram VT 1137-0337 na primeira varredura VLASS de 2018.

Comparando esta análise VLASS com dados de um levantamento anterior do VLA, chamado FIRST, revelou 20 objectos transientes particularmente luminosos que poderiam estar associados a galáxias conhecidas.

“Este destacou-se porque a sua galáxia está a passar por um surto de formação estelar e também por causa das características da sua emissão de rádio,” disse Dong. A galáxia, chamada SDSS J113706.18-033737.1, é uma galáxia anã contendo cerca de 100 milhões de vezes a massa do Sol.

Ao estudar as características de VT 1137-0337, os astrónomos consideraram várias explicações possíveis, incluindo uma super-nova, um GRB (“gamma ray burst”, em português explosão de raios-gama) ou um evento de ruptura de maré em que uma estrela é triturada por um buraco negro super-massivo. Eles concluíram que a melhor explicação é uma nebulosa de vento pulsar.

Neste cenário, uma estrela muito mais massiva do que o Sol explodiu como super-nova, deixando para trás uma estrela de neutrões. A maior parte da massa da estrela original foi expelida para fora como uma concha de destroços. A estrela de neutrões gira rapidamente e à medida que o seu poderoso campo magnético varre o espaço circundante, acelera as partículas carregadas, provocando uma forte emissão de rádio.

Inicialmente, a emissão de rádio foi bloqueada pela concha de detritos da explosão. À medida que esse invólucro se expandia, tornou-se progressivamente menos denso até que eventualmente as ondas de rádio da nebulosa de vento pulsar puderam passar através dele.

“Isto aconteceu entre a observação FIRST em 1998 e a observação VLASS em 2018,” disse Hallinan.

Provavelmente o exemplo mais famoso de uma nebulosa de vento pulsar é a Nebulosa do Caranguejo (M1) na direcção da constelação de Touro, o resultado de uma super-nova que brilhou intensamente no ano 1054. M1 é facilmente visível hoje em dia através de telescópios pequenos.

“O objecto que encontrámos parece ser aproximadamente 10.000 vezes mais energético do que a Nebulosa do Caranguejo, com um campo magnético mais forte,” disse Dong. “É provável que seja um ‘super Caranguejo’ emergente”, acrescentou.

Apesar de Dong e Hallinan considerarem VT 1137-0337 como sendo muito provavelmente uma nebulosa de vento pulsar, também é possível que o seu campo magnético seja suficientemente forte para que a estrela de neutrões se qualifique como um magnetar – uma classe de objectos super-magnéticos. Os magnetares são um dos principais candidatos à origem dos misteriosos FRBs (Fast Radio Bursts), agora sob intenso estudo.

“Nesse caso, este seria o primeiro magnetar apanhado no ato de aparecer e isso, também, é extremamente excitante,” disse Dong.

De facto, verificou-se que alguns FRBs foram associados a fontes de rádio persistentes, cuja natureza também é um mistério. Têm fortes semelhanças, nas suas propriedades, com VT 1137-0337, mas não mostraram evidências de uma forte variabilidade.

“A nossa descoberta de uma fonte muito semelhante a ‘ligar-se’ sugere que as fontes de rádio associadas aos FRBs também podem ser nebulosas luminosas de vento pulsar”, disse Dong.

Os astrónomos planeiam fazer observações adicionais para aprender mais sobre o objecto e para monitorizar o seu comportamento ao longo do tempo.

Astronomia On-line
21 de Junho de 2022


 

1250: Astrónomos descobrem um sistema multi-planetário próximo

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Ilustração dos dois recém-descobertos exoplanetas rochosos que podem ser ideais para observações atmosféricas de acompanhamento.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Astrónomos de várias instituições descobriram um novo sistema multi-planetário na nossa vizinhança solar situado a apenas 10 parsecs, ou cerca de 33 anos-luz, da Terra, tornando-o um dos sistemas multi-planetários conhecidos mais próximos do nosso.

No coração do sistema encontra-se uma pequena e fria estrela anã M, chamada HD 260655, e os astrónomos descobriram que alberga pelo menos dois planetas terrestres do tamanho da Terra. Os mundos rochosos provavelmente não são habitáveis, pois as suas órbitas são relativamente íntimas, expondo os planetas a temperaturas demasiado elevadas para sustentar água líquida à superfície.

No entanto, os cientistas estão entusiasmados com este sistema porque a proximidade e o brilho da sua estrela vão dar-lhes uma visão mais detalhada das propriedades dos planetas e dos sinais de qualquer atmosfera que possam conter.

“Ambos os planetas neste sistema são, cada um, considerados dos melhores alvos para estudo atmosférico devido ao brilho da sua estrela,” diz Michelle Kunimoto, pós-doutorada do Instituto Kavli para Astrofísica e Investigação Espacial do MIT e uma das principais cientistas da descoberta.

“Será que existe uma atmosfera rica e volátil em torno destes planetas? E será que existem sinais de espécies à base de água ou de carbono? Estes planetas são testes fantásticos para estas explorações.”

O poder dos dados

O novo sistema planetário foi inicialmente detectado pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, uma missão liderada pelo MIT que foi concebida para observar as estrelas mais próximas e brilhantes e detectar quedas periódicas na luz, quedas estas que poderiam assinalar a passagem de um planeta.

Em Outubro de 2021, Kunimoto, membro da equipa científica do TESS no MIT, estava a monitorizar os dados que estavam a ser transmitidos pelo TESS quando reparou num par de mergulhos periódicos na luz estelar, ou trânsitos, na estrela HD 260655.

Ela correu as detecções através do “pipeline” de inspecção científica da missão e os sinais foram logo classificados como dois objectos de interesse TESS, ou TOI (TESS Objects of Interest) – objectos assinalados como potenciais planetas. Os mesmos sinais também foram encontrados independentemente pelo SPOC (Science Processing Operations Center), o “pipeline” oficial da busca exoplanetária do TESS, com sede no Centro Espacial Ames da NASA.

Os cientistas normalmente fazem observações de acompanhamento, com outros telescópios, para confirmar que os objectos são de facto planetas.

O processo de classificação e posterior confirmação de novos planetas pode muitas vezes demorar vários anos. Para HD 260655, esse processo foi encurtado significativamente com a ajuda de dados de arquivo.

Logo após Kunimoto ter identificado os dois potenciais planetas em torno de HD 260655, Avi Shporer, também do MIT, procurou ver se a estrela tinha sido observada anteriormente por outros telescópios.

Por sorte, HD 260655 estava listada num levantamento de estrelas realizado pelo HIRES (High Resolution Echelle Spectrometer), um instrumento que opera como parte do Observatório Keck no Hawaii. O HIRES tinha vindo a monitorizar a estrela, juntamente com uma série de outras estrelas, desde 1998, e os investigadores puderam ter acesso aos dados do levantamento disponíveis ao público.

HD 260655 também estava listada como parte de outro levantamento independente pelo CARMENES, um instrumento que funciona como parte do Observatório de Calar Alto na Espanha. Como estes dados eram privados, a equipa contactou membros tanto do HIRES como do CARMENES com o objectivo de combinar o poder dos seus dados.

“Estas negociações são por vezes bastante delicadas,” observa Shporer. “Felizmente, as equipas concordaram em trabalhar em conjunto. Esta interacção humana é quase tão importante na obtenção de dados [como as observações propriamente ditas].”

Atracção planetária

No final, este esforço colaborativo confirmou rapidamente a presença de dois planetas em torno de HD 260655 em cerca de seis meses.

Para confirmar que os sinais do TESS eram, de facto, de dois planetas em órbita, os investigadores examinaram os dados da estrela tanto do HIRES como do CARMENES. Ambos os levantamentos medem a oscilação gravitacional de uma estrela, também conhecida como velocidade radial.

“Cada planeta em órbita de uma estrela vai exercer um pequeno puxão gravitacional na sua estrela,” explica Kunimoto. “O que procuramos é qualquer movimento ligeiro dessa estrela que possa indicar que um objecto de massa planetária está a puxá-la.”

A partir dos dois conjuntos de dados de arquivo, os investigadores encontraram sinais estatisticamente significativos de que os sinais detectados pelo TESS eram, de facto, dois planetas em órbita.

“Foi aí que soubemos que tínhamos encontrado algo muito excitante,” diz Shporer.

A equipa analisou então mais de perto os dados do TESS para determinar as propriedades de ambos os planetas, incluindo os períodos orbitais e tamanhos. Determinaram que o planeta interior, apelidado HD 260655b, orbita a estrela a cada 2,8 dias e é cerca de 1,2 vezes maior que a Terra. O segundo planeta exterior, HD 260655c, completa uma órbita a cada 5,7 dias e tem 1,5 vezes o tamanho da Terra.

A partir dos dados de velocidade radial do HIRES e do CARMENES, os cientistas conseguiram calcular a massa dos planetas, que está directamente relacionada com a amplitude pela qual cada planeta “puxa” a estrela. Descobriram que o planeta interior tem cerca do dobro da massa da Terra, enquanto que o planeta exterior tem cerca de três massas terrestres.

A partir do seu tamanho e massa, a equipa estimou a densidade de cada planeta. O planeta interior, mais pequeno, é ligeiramente mais denso do que a Terra, enquanto que o planeta exterior, maior, é um pouco menos denso. Ambos os exoplanetas, com base na sua densidade, são provavelmente terrestres, ou rochosos em termos de composição.

Os investigadores também estimam, com base nas suas órbitas curtas, que a superfície do planeta interior tem uma temperatura de cerca de 710 K, enquanto o planeta exterior ronda os 560 K.

“Consideramos essa gama de temperaturas fora da zona habitável, demasiado quente para que exista água líquida à superfície,” disse Kunimoto.

“Mas podem existir mais planetas no sistema,” acrescenta Shporer. “Há muitos sistemas multi-planetários que albergam cinco ou seis planetas, especialmente em torno de estrelas pequenas como esta. Esperamos encontrar mais, e um deles poderá estar na zona habitável. É um pensamento optimista.”

Astronomia On-line
21 de Junho de 2022


 

1249: Novas imagens, utilizando dados de telescópios aposentados, revelam características ocultas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A Grande Nuvem de Magalhães é um satélite da Via Láctea, contendo cerca de 30 mil milhões de estrelas. Vista aqui no infravermelho distante e no rádio, a poeira fria e quente da Grande Nuvem de Magalhães é mostrada a verde e azul, respectivamente, com o gás hidrogénio a vermelho.
Crédito: ESA/NASA/JPL-Caltech/CSIRO/C. Clark (STScI)

Novas imagens utilizando dados de missões da ESA e da NASA mostram a poeira que preenche o espaço entre as estrelas em quatro das galáxias mais próximas da nossa própria Via Láctea. Mais do que impressionantes, as fotos são também um tesouro científico, dando uma ideia de como a densidade das nuvens de poeira pode variar drasticamente dentro de uma galáxia.

Com uma consistência semelhante à do fumo, a poeira é criada por estrelas moribundas e é um dos materiais que formam novas estrelas. As nuvens de poeira observadas pelos telescópios espaciais são constantemente moldadas pela explosão de estrelas, ventos estelares e pelos efeitos da gravidade.

Quase metade de toda a luz das estrelas no Universo é absorvida pela poeira. Muitos dos elementos químicos pesados essenciais à formação de planetas como a Terra estão presos em grãos de poeira no espaço interestelar. Assim, a compreensão da poeira é uma parte essencial da compreensão do nosso Universo.

As novas observações foram possíveis através do trabalho do Observatório Espacial Herschel da ESA, que operou de 2009 a 2013. O JPL da NASA, no sul da Califórnia, EUA, contribuiu com peças-chave de dois instrumentos na nave espacial. Os instrumentos super-frios do Herschel foram capazes de detectar o brilho térmico da poeira, que é emitido como luz infravermelha distante, uma gama de comprimentos de onda mais longos do que o que os olhos humanos conseguem detectar.

As imagens da poeira interestelar, pelo Herschel, fornecem vistas de alta resolução de detalhes finos nestas nuvens, revelando intrincadas subestruturas. Mas a forma como o telescópio espacial foi concebido significava que muitas vezes não conseguia detectar a luz de nuvens mais espalhadas e difusas, especialmente nas regiões exteriores das galáxias, onde o gás e a poeira se tornam esparsos e, portanto, mais ténues.

Para algumas galáxias próximas, isso significava que o Herschel perdia até 30% de toda a luz emitida pela poeira. Com uma lacuna tão significativa, os astrónomos esforçavam-se por utilizar os dados do Herschel para compreender como a poeira e o gás se comportavam nestes ambientes.

Para preencher os mapas de poeira do Herschel, as novas imagens combinam dados de três outras missões: o aposentado Observatório Planck da ESA, juntamente com duas missões da NASA igualmente reformadas, o IRAS (Infrared Astronomical Satellite) e o COBE (Cosmic Background Explorer).

As imagens mostram a Galáxia de Andrómeda, também conhecida como M31; a galáxia do Triângulo, ou M33; e a Grande e Pequena Nuvem de Magalhães – galáxias anãs que orbitam a Via Láctea que não têm a estrutura espiral das galáxias de Andrómeda e do Triângulo. Todas as quatro estão a menos de 3 milhões de anos-luz da Terra.

Nas imagens, o vermelho indica o gás hidrogénio, o elemento mais comum no Universo. Estes dados foram recolhidos utilizando múltiplos radiotelescópios localizados em todo o globo. A imagem da Grande Nuvem de Magalhães mostra uma cauda vermelha a sair em baixo e à esquerda, que foi provavelmente criada quando colidiu com a Pequena Nuvem de Magalhães há cerca de 100 milhões de anos.

As bolhas de espaço vazio indicam regiões onde as estrelas se formaram recentemente, porque ventos intensos das estrelas recém-nascidas sopram a poeira e o gás circundantes. A luz verde à volta das orlas dessas bolhas indica a presença de poeira fria que se acumulou como resultado destes ventos. A poeira mais quente, vista a azul, indica onde as estrelas estão a formar-se ou outros processos que aqueceram a poeira.

Muitos elementos pesados na natureza – incluindo carbono, oxigénio e ferro – podem ficar presos a grãos de poeira e a presença de elementos diferentes muda a forma como a poeira absorve a luz das estrelas. Isto, por sua vez, afecta a visão que os astrónomos têm de eventos como a formação estelar.

Nas nuvens mais densas de poeira, quase todos os elementos pesados podem ficar presos em grãos de poeira, o que aumenta a relação poeira-gás. Mas em regiões menos densas, a radiação destrutiva das estrelas recém-nascidas ou as ondas de choque da explosão de estrelas esmaga os grãos de poeira e devolve alguns desses elementos pesados trancados de volta ao gás, alterando mais uma vez a proporção.

Os cientistas que estudam o espaço interestelar e a formação estelar querem compreender melhor este ciclo contínuo. As imagens do Herschel mostram que a relação poeira-gás pode variar dentro de uma única galáxia até um factor de 20, muito mais do que anteriormente estimado.

“Estas imagens melhoradas do Herschel mostram-nos que os ‘ecossistemas’ de poeira nestas galáxias são muito são muito dinâmicos,” disse Christopher Clark, astrónomo do STScI (Space Telescope Science Institute) em Maryland, que liderou o trabalho de criação das novas imagens.

Astronomia On-line
21 de Junho de 2022


 

1248: A guerra não é um país estrangeiro

OPINIÃO

O mundo ocidental instalou-se na guerra, como se voltasse, com alívio, à essencial natureza das coisas. Os meus colegas indianos, quando lá passei, tinham-me alertado: a força dos países não se mede na sua riqueza, mede-se no seu poder militar, nas suas armas.

Voltámos, na nossa Europa, a viver no mundo hobbesiano da guerra de todos contra todos, mundo donde os nossos irmãos humanos asiáticos e africanos nunca verdadeiramente chegaram a sair, mundo que responde talvez à nossa mais funda natureza.

Um louco que se toma por Pedro o Grande é sempre mais do que um louco que se toma por Pedro o Grande, pois traz consigo mitos e fantasmas que sustentam todas essas mentiras, pintadas em grandes cartões como os que Potemkin oferecia a Catarina II, nos quais se finge a grandeza de uma pátria; um louco é sempre mais que um louco, é aquele que quis grandeza/qual a sorte não dá (Pessoa) e acaba por oferecer ao seu país, como legado, Alcácer Quibir, Waterloo ou o bunker de Berlim.

Putin é esse louco, mas nele o mais profundo de nós ganha existência e alacridade: Na realidade os nossos concidadãos do mundo não caíram tão baixo como nós pensamos, pela simples razão que nunca também se elevaram a um nível tão grande como nós tínhamos imaginado (Freud, Considerações de actualidade sobre a guerra e a morte, 1915).

Pois não vemos dia a dia nas atrocidades da Ucrânia o mesmo filme dos crimes e violências praticados na Segunda Guerra Mundial, nas perseguições e ódios étnicos na Rússia e Ucrânia a reencenação do mecanismo que levou aos massacres na ex-Jugoslávia? Nada novo sobre a terra…

Mas Freud, naquele mesmo ensaio, faz mais um aviso que nos parece essencial: Mas nós verificámos nos nossos concidadãos do mundo um outro sintoma que não nos surpreendeu e assustou menos do que a baixa do seu nível moral.

Refiro-me à sua falta de inteligência, à sua estúpida obstinação, à sua inacessibilidade aos argumentos mais convincentes, à credulidade infantil com que aceitam as afirmações mais contestáveis (…) Os argumentos lógicos nada podem contra os interesses afectivos e por isso a luta por razões é estéril no mundo dos interesses.

O mais perigoso efeito do clima de guerra que vivemos reside nessa “suspensão da inteligência e da racionalidade” que se está mais uma vez a impor ao nosso pensamento.

Quando a ideia de que a Rússia existirá no futuro e de que teremos necessariamente que pensar como viver com ela após a guerra, provoca o horror e o anátema gerais e faz de quem a profere, seja ele um velho político americano na reforma ou o Presidente da República Francesa, um criminoso e um traidor, algo de muito perigoso se está a passar com as nossas faculdades racionais e capacidade de discussão.

Por isso todos os líderes guerreiros são loucos que se tomam por personagens ilustres da História: Napoleão tomava-se por Alexandre da Macedónia, Estaline julgava-se Alexandre Nevsky, Hitler pensava-se como Frederico da Prússia… que nos pode espantar que o louco do Kremlin se tome hoje por Pedro o Grande?

Diplomata e escritor

Diário de Notícias
Luís Castro Mendes
21 Junho 2022 — 00:11