1232: 114.410 casos e 256 mortes, mas menos internamentos

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Portugal registou, entre 7 e 13 Junho, 114.410 infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2, 256 mortes associadas à covid-19 e uma diminuição dos internamentos em enfermaria e cuidados intensivos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

© Tiago Petinga / Lusa

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se menos 43.534 casos de infecção, verificando-se ainda uma redução de 41 mortes na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 1.896 pessoas, menos 95 do que no mesmo dia da semana anterior, com 98 doentes em unidades de cuidados intensivos, menos 10.

Diário de Notícias
DN/Lusa
17 Junho 2022 — 19:29


 

1231: Monkeypox: Portugal com 276 casos confirmados

SAÚDE PÚBLICA/SURTO/VÍRUS MONKEYPOX/INFECÇÕES

Portugal registou mais 35 casos de infecção pelo vírus ‘Monkeypox’, elevando para 276 o total de pessoas infectadas, todos homens que se encontram clinicamente estáveis, anunciou hoje a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

© AFP

Segundo a autoridade de saúde, grande parte das infecções foram notificadas em Lisboa e Vale do Tejo, mas também há registo de casos nas regiões Norte e Algarve, tratando-se de homens entre os 19 e os 61 anos, tendo a maioria menos de 40 anos.

Os casos de infecção foram confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e “mantêm-se em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis”, avançou a DGS, que está a analisar a informação recolhida através dos inquéritos epidemiológicos para contribuir para a avaliação do surto a nível nacional e internacional.

De acordo com as autoridades de saúde, a manifestação clínica da ‘Monkeypox’ é geralmente ligeira, com a maioria das pessoas infectadas a recuperar da doença em poucas semanas.

Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, nódulos linfáticos inchados, calafrios, exaustão, evoluindo para erupção cutânea.

O período de incubação é tipicamente de seis a 16 dias, mas pode chegar aos 21 e, quando a crosta das erupções cutâneas cai, a pessoa infectada deixa de ser infecciosa.

Portugal vai receber 2.700 doses das vacinas contra o vírus ‘Monkeypox’ adquiridas pela Comissão Europeia, confirmou recentemente a DGS, que está a elaborar uma norma técnica que definirá a forma como serão utilizadas.

Diário de Notícias
DN/Lusa
17 Junho 2022 — 14:08


 

1230: A teia cósmica da Tarântula: astrónomos mapeiam formação estelar em nebulosa fora da nossa Galáxia

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta imagem composta mostra a região de formação estelar 30 Doradus, também conhecida por Nebulosa da Tarântula. A imagem de fundo, obtida no infravermelho, é já por si só uma imagem composta: foi capturada pelo instrumento HAWK-I montado no VLT (Very Large Telescope) e pelo VISTA (Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy), ambos do ESO, e mostra estrelas brilhantes e nuvens cor de rosa claras de gás quente. Os traços brilhantes vermelhos/amarelos que estão sobrepostos na imagem vêm das observações rádio obtidas pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) e revelam regiões de gás denso e frio, com o potencial de colapsar e formar novas estrelas. Foi a estrutura em teia muito característica das nuvens de gás que levou os astrónomos a dar a esta nebulosa o nome de tarântula.
Crédito: ESO, ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/Wong et al., ESO/M.-R. Cioni/VISTA Magellanic Cloud survey; reconhecimento – Cambridge Astronomical Survey Unit

Com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os astrónomos revelaram detalhes intrincados de 30 Doradus, uma região de formação estelar também conhecida por Nebulosa da Tarântula. Numa imagem de alta resolução divulgada anteontem pelo ESO (Observatório Europeu do Sul), que inclui dados ALMA, vemos a nebulosa numa nova luz, com nuvens de gás que nos mostram como é que as estrelas massivas dão forma a esta região.

“Estes fragmentos podem ser os restos de nuvens, anteriormente grandes e que foram despedaçadas pelas enormes energias emitidas por estrelas jovens massivas, num processo a que chamamos feedback,” disse Tony Wong, que liderou o trabalho de investigação sobre 30 Doradus apresentado no Encontro da Sociedade Astronómica Americana e publicado na revista da especialidade The Astrophysical Journal.

Os astrónomos pensavam inicialmente que o gás existente nestas regiões estivesse demasiado disperso e sobrecarregado por este feedback turbulento para que a gravidade o conseguisse aglomerar para formar novas estrelas. No entanto, os novos dados revelaram também filamentos muito densos onde o papel da gravidade é significativo.

“Os nossos resultados mostram que, até na presença de feedbacks muito fortes, a gravidade consegue exercer uma influência forte, permitindo a continuação da formação estelar,” acrescenta Wong, professor da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, EUA.

Situada na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa própria Via Láctea, a Nebulosa da Tarântula é uma das regiões de formação estelar mais brilhantes e activas da nossa vizinhança galáctica, a cerca de 170.000 anos-luz de distância da Terra.

No seu coração encontram-se algumas das estrelas mais massivas conhecidas, algumas com mais de 150 vezes a massa do nosso Sol, o que faz desta região o local ideal para estudar como é que as nuvens de gás colapsam sob a acção da gravidade para formar novas estrelas.

“O que torna 30 Doradus única é o facto de se encontrar suficientemente perto de nós para podermos estudar com todo o detalhe como é que as estrelas se formam e, no entanto, as suas propriedades são semelhantes àquelas encontradas em galáxias muito distantes, quando o Universo era jovem,” explica Guido De Marchi, cientista na Agência Espacial Europeia (ESA) e co-autor do artigo que apresenta estes resultados.

“Graças a 30 Doradus, podemos estudar como é que as estrelas se formavam há 10 mil milhões de anos atrás, na época em que nasceram a maioria das estrelas do Universo.”

Apesar da maior parte dos estudos anteriores relativos à Nebulosa da Tarântula se terem focado essencialmente em regiões do seu centro, os astrónomos já sabiam desde há muito que a formação de estrelas massivas ocorre também noutros lados. Para compreender melhor este processo, a equipa levou a cabo observações de alta resolução que cobrem uma grande região da nebulosa.

Com o auxílio do ALMA, os investigadores fizeram medições da emissão de monóxido de carbono gasoso, conseguindo assim mapear as enormes nuvens de gás frio da nebulosa que colapsam para dar origem a novas estrelas — e observar como é que se vão modificando à medida que enormes quantidades de energia vão sendo libertadas por essas novas estrelas.

“Estávamos à espera de descobrir que as partes da nebulosa mais próximas das estrelas jovens massivas mostrassem os sinais mais claros da gravidade a ser ultrapassada pelo feedback,” disse Wong. “Em vez disso, descobrimos que a gravidade continua a desempenhar um papel importante mesmo nas regiões da nebulosa que estão muito expostas ao feedback — pelo menos nas partes suficientemente densas.”

Na imagem divulgada pelo ESO, vemos os novos dados ALMA sobrepostos a uma imagem infravermelha da mesma região que mostra estrelas brilhantes e nuvens de gás quente cor-de rosa claras, obtida anteriormente com o VLT (Very Large Telescope) e o VISTA (Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy), ambos do ESO.

A imagem composta mostra uma forma distinta de teia nas nuvens de gás da Nebulosa da Tarântula, o que deu precisamente origem ao seu nome. Os novos dados ALMA correspondem aos traços brilhantes vermelhos e amarelos que vemos na imagem: gás denso muito frio que pode um dia colapsar e formar estrelas.

A nova investigação dá-nos pistas importantes sobre como é que a gravidade se comporta nas regiões de formação estelar da Nebulosa da Tarântula, no entanto o trabalho está longe de chegar ao fim. “Há ainda muito trabalho a fazer com este conjunto de dados e é por isso mesmo que estamos a divulgá-lo publicamente de modo a que outros investigadores possam levar a cabo os seus próprios estudos,” conclui Wong.

Astronomia On-line
17 de Junho de 2022


 

1229: Cientistas, à caça de fósseis da formação planetária, revelam excentricidades inesperadas em disco de detritos próximo

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Ao estudar pela primeira vez HD 53143 – uma estrela semelhante ao Sol com cerca de mil milhões de anos – em comprimentos de onda milimétricos, os cientistas descobriram que o disco de detritos da estrela é altamente excêntrico. Ao contrário dos discos de detritos em forma de anel, em que a estrela se situa no centro, HD 53143 está localizada num foco de um disco em forma elíptica e é mostrado como o ponto não resolvido abaixo e à esquerda do centro. Os cientistas pensam que um segundo ponto não resolvido no norte desta imagem é um planeta que está a perturbar e a moldar o disco de detritos.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/M. MacGregor (U. Colorado, Boulder); S. Dagnello (NRAO/AUI/NSF)

Usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os astrónomos fotografaram pela primeira vez o disco de detritos da estrela vizinha HD 53143 em comprimentos de onda milimétricos, e não se parece nada com o que esperavam.

Com base em dados iniciais coronográficos, os cientistas esperavam que o ALMA confirmasse o disco de detritos como um anel visto de face, salpicado por amontoados de poeira. Em vez disso, as observações tomaram um rumo surpreendente, revelando o disco de detritos mais complicado e excêntrico observado.

As observações foram apresentadas numa conferência de imprensa na 240.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. Serão publicadas numa próxima edição da revista The Astrophysical Journal Letters.

HD 53143 – uma estrela semelhante ao Sol com cerca de mil milhões de anos, localizada a 59,8 anos-luz da Terra na direcção da constelação de Carina – foi observada pela primeira vez em 2006 com o instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Telescópio Espacial Hubble.

À sua volta também existe um disco de detritos – uma cintura de cometas que orbita uma estrela colidindo constantemente e “moendo” em poeira mais pequena e detritos – que os cientistas pensavam anteriormente ser um anel visto de face semelhante ao disco de detritos que rodeia o nosso Sol, mais vulgarmente conhecido como Cintura de Kuiper.

As novas observações ALMA de HD 53143, utilizando os seus receptores altamente sensíveis de Banda 6, revelaram que o disco de detritos do sistema estelar é altamente excêntrico. Em discos de detritos com a forma de anel, a estrela está tipicamente localizada no centro do disco ou perto dele. Mas em discos excêntricos, de forma elíptica, a estrela reside num dos focos da elipse, distante do centro do disco.

É o caso de HD 53143, que não tinha sido observada em estudos coronográficos anteriores, porque os coronógrafos bloqueiam propositadamente a luz de uma estrela para ver mais claramente os objectos próximos. O sistema estelar também pode estar a abrigar um segundo disco e pelo menos um planeta.

“Até agora, os cientistas nunca tinham visto um disco de detritos com uma estrutura tão complicada. Para além de ser uma elipse com uma estrela num foco, também tem provavelmente um segundo disco interior desalinhado ou inclinado em relação ao disco exterior,” disse Meredith MacGregor, professora assistente no CASA (Center for Astrophysics and Space Astronomy) e Departamento de Astrofísica e Ciências Planetárias da Universidade do Colorado, Boulder, autora principal do estudo. “A fim de produzir esta estrutura, deve haver um planeta ou planetas no sistema que estejam a perturbar gravitacionalmente o material no disco.”

Este nível de excentricidade, disse MacGregor, torna HD 53143 o disco de detritos mais excêntrico observado até à data, sendo duas vezes mais excêntrico do que o disco de Fomalhaut, que MacGregor fotografou completamente em comprimentos de onda milimétricos usando o ALMA em 2017.

“Até agora, não encontrámos muitos discos com uma excentricidade significativa. Em geral, não esperamos que os discos sejam muito excêntricos, a menos que algo, como um planeta, os esteja a esculpir e a forçar com que sejam excêntricos. Sem essa força, as órbitas tendem a tornar-se circulares, como vemos no nosso Sistema Solar.”

MacGregor salienta que os discos de detritos não são apenas colecções de poeira e rochas no espaço. São um registo histórico da formação planetária e de como os sistemas planetários evoluem. E fornecem uma espreitadela ao seu futuro. “Não podemos estudar directamente a formação da Terra e do Sistema Solar, mas podemos estudar outros sistemas que parecem semelhantes ao nosso.

É um pouco como olhar para trás no tempo”, disse. “Os discos de detritos são o registo fóssil da formação planetária e este novo resultado é a confirmação de que há muito mais a aprender com estes sistemas e de que o conhecimento pode proporcionar um vislumbre da complicada dinâmica dos jovens sistemas estelares semelhantes ao nosso Sistema Solar.”

O Dr. Joe Pesce, oficial do programa ALMA na NSF, acrescentou: “Estamos a encontrar planetas para onde quer que olhemos e estes resultados fabulosos do ALMA estão a mostrar-nos como se formam – tanto os que estão à volta de outras estrelas como no nosso próprio Sistema Solar. Esta investigação demonstra como a astronomia funciona e como se faz progresso, informando não só o que sabemos sobre o campo, mas também sobre nós próprios.”

Astronomia On-line
17 de Junho de 2022


 

1228: Jovem galáxia contém evidências de que as primeiras galáxias podem ser maiores e mais complexas do que pensávamos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA

A1689-zD1 é uma galáxia formadora de estrelas localizada na direcção da constelação de Virgem. Foi observada pela primeira vez graças à lente gravitacional da galáxia Abell 1689, que fez com que a jovem galáxia aparecesse nove vezes mais luminosa. Novas observações feitas usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) estão a revelar aos cientistas que a jovem galáxia, e outras como ela, podem ser maiores e mais complexas do que se pensava originalmente.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/H. Akins (Grinnell College), B. Saxton (NRAO/AUI/NSF)

Cientistas usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para observar uma quantidade significativa de gás frio e neutro nas regiões exteriores da jovem galáxia A1689-zD1, bem como fluxos de gás quente provenientes do centro da galáxia.

Estes resultados podem lançar luz sobre uma fase crítica da evolução galáctica para as primeiras galáxias, onde as jovens galáxias começam a transformação para serem cada vez mais como as suas primas mais recentes e mais estruturadas.

As observações foram apresentadas numa conferência de imprensa na 240.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. Serão publicadas numa próxima edição da revista The Astrophysical Journal.

A1689-zD1 – uma galáxia jovem, activa e formadora de estrelas ligeiramente menos luminosa e menos massiva do que a Via Láctea – está localizada a cerca de 13 mil milhões de anos-luz da Terra na direcção da constelação de Virgem. Foi descoberta escondida por trás do enxame galáctico Abell 1689 em 2007 e confirmada em 2015 graças a lentes gravitacionais, que ampliou o brilho da jovem galáxia mais de 9 vezes.

Desde então, os cientistas têm continuado a estudar a galáxia como uma possível análoga para a evolução de outras galáxias “normais”. Esse rótulo – normal – é uma distinção importante que ajudou os investigadores a dividir os comportamentos e características de A1689-zD1 em dois grupos: típicos e invulgares, com as características invulgares a imitarem as de galáxias mais recentes e mais massivas.

“A1689-zD1 está localizada no Universo inicial – apenas 700 milhões de anos após o Big Bang. Esta é a era em que as galáxias estavam apenas a começar a formar-se,” disse Hollis Akins, estudante universitário de astronomia em Grinnell College e autor principal da investigação.

“O que vemos nestas observações são evidências de processos que podem contribuir para a evolução daquilo a que chamamos galáxias normais, em oposição às galáxias massivas. Mais importante ainda, estes processos são processos que não pensávamos anteriormente aplicáveis a estas galáxias normais.”

Um destes processos invulgares é a produção e distribuição, na galáxia, do combustível para a formação estelar, potencialmente em grandes quantidades. A equipa usou o receptor de Banda 6 do ALMA, altamente sensível, para observar um halo de gás carbono que se estende muito para além do centro da jovem galáxia.

Isto poderia ser evidência de formação estelar contínua na mesma região ou o resultado de rupturas estruturais, tais como fusões ou fluxos, nas fases mais precoces da formação da galáxia.

De acordo com Akins, isto é invulgar para as primeiras galáxias. “O gás de carbono que observámos nesta galáxia é tipicamente encontrado nas mesmas regiões que o gás hidrogénio neutro, que é também onde novas estrelas tendem a formar-se.

Se for esse o caso para A1689-zD1, a galáxia é provavelmente muito maior do que se pensava anteriormente. É também possível que este halo seja um remanescente da actividade galáctica anterior, como fusões que exerceram forças gravitacionais complexas na galáxia, levando à ejecção de muito gás neutro a estas grandes distâncias.

Em ambos os casos, a evolução precoce desta galáxia foi provavelmente activa e dinâmica e estamos a aprender que este pode ser um tema comum, embora anteriormente não observado, na formação das primeiras galáxias.”

Mais do que apenas invulgar, a descoberta poderá ter implicações significativas para o estudo da evolução galáctica, particularmente à medida que as observações no rádio desvendam detalhes invisíveis nos comprimentos de onda ópticos. Seiji Fujimoto, investigador pós-doutorado no Cosmic Dawn Center do Instituto Niels Bohr, co-autor da investigação, disse: “A emissão do gás de carbono em A1689-zD1 é muito mais extensa do que a observada com o Telescópio Espacial Hubble e isto pode significar que as primeiras galáxias não são tão pequenas como parecem. Se, de facto, as primeiras galáxias são maiores do que pensávamos anteriormente, isto terá um grande impacto na teoria da formação e evolução das galáxias no Universo primitivo.”

Liderada por Akins, a equipa também observou fluxos de gás quente e ionizado – geralmente provocados por actividade galáctica violenta como super-novas – empurrando para fora do centro da galáxia. Dada a sua natureza potencialmente explosiva, os fluxos podem ter algo a ver com o halo de carbono.

“Os fluxos ocorrem como resultado de actividade violenta, tal como explosões de super-novas – que explodem material gasoso vizinho para fora da galáxia – ou buracos negros nos centros das galáxias – que têm fortes efeitos magnéticos que podem ejectar material em jactos poderosos.

Devido a isto, há uma forte possibilidade de que os fluxos quentes tenham algo a ver com a presença do halo frio de carbono,” disse Akins. “E isso realça ainda mais a importância da natureza multifásica, ou quente para frio, do fluxo gasoso.”

Darach Watson, professor associado no Cosmic Dawn Center do Instituto Niels Bohr e co-autor da nova investigação, confirmou A1689-zD1 como uma galáxia com um alto desvio para o vermelho em 2015, a mais distante galáxia poeirenta conhecida.

“Temos visto este tipo de grande emissão de halos gasosos de galáxias que se formaram mais tarde no Universo, mas vê-lo numa galáxia tão precoce significa que este comportamento é universal mesmo nas galáxias mais modestas que formaram a maioria das estrelas no início do Universo. Compreender como estes processos ocorreram numa galáxia tão jovem é fundamental para compreender como a formação de estrelas ocorre no Universo primitivo.”

Kirsten Knudsen, professora de astrofísica no Departamento do Espaço, Terra e Ambiente da Universidade de Tecnologia de Chalmers e co-autora da investigação, encontrou evidências do continuum de poeira de A1689-zD1 em 2017. Knudsen realçou o papel fortuito da lente gravitacional extrema para tornar possível cada descoberta na investigação.

“Dado que A1689-zD1 está ampliada mais de nove vezes, podemos ver detalhes críticos que de outra forma são difíceis de observar em observações comuns de galáxias tão distantes. Em última análise, vemos aqui que as primeiras galáxias do Universo são muito complexas e esta galáxia continuará a apresentar novos desafios e resultados de investigação durante algum tempo.”

O Dr. Joe Pesce, oficial do programa ALMA na NSF, acrescentou: “Esta fascinante investigação ALMA acrescenta a um conjunto crescente de resultados que indicam que as coisas não são exactamente como esperávamos no início do Universo, mas são realmente interessantes e excitantes, apesar de tudo!”

Estão planeadas para Janeiro de 2023 observações espectroscópicas e infravermelhas de A1689-zD1, usando os instrumentos NIRSpec IFU (Integral Field Unit) e NIRCam no Telescópio Espacial James Webb. As novas observações vão complementar os dados anteriores do Hubble e do ALMA, fornecendo um olhar multi-comprimento de onda mais profundo e mais completo da jovem galáxia.

Astronomia On-line
17 de junho de 2022


 

1227: Rover da NASA descobriu lixo em Marte

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/MARTE

Conforme temos vindo a ser avisados, a Terra está inegavelmente poluída e os milhares de milhões de pessoas do mundo produzem uma quantidade inimaginável de lixo. Aparentemente, não nos ficamos apenas pelo no nosso planeta e também já foram encontrados vestígios em Marte.

Aparentemente, o Perseverance da NASA já deixou a sua marca.

O rover Perseverance da NASA rumou a Marte para descobrir mais acerca do planeta vermelho e, se possível, encontrar evidência sobre vida. No entanto, enquanto procurava vida microbiana, o rover avistou lixo originado pela aterragem de um objecto.

Aparentemente, esse vestígio é material térmico que a NASA usou para proteger o Perseverance de temperaturas extremas enquanto ele viajar para Marte e entrava na atmosfera marciana. Os seres humanos já deixaram, no planeta vermelho, sinais de exploração.

A minha equipa detectou algo inesperado: é um pedaço de cobertor térmico que pensam ter vindo do momento da minha descida, a mochila a jacto movida a foguetes que me fez descer no dia da aterragem em 2021.

Disse a NASA, num tweet feito a partir da conta do Perseverance.

A agência espacial está na dúvida relativamente à trajectória que o lixo percorreu. Isto, porque pode ter aterrado naquele exacto local ou ter chegado lá com a ajuda do vento. Aliás, esta foi uma questão levantada pela própria NASA.

Os vestígios deixados por Marte foram, então, deixados pelo Perseverance, pois, em Fevereiro de 2021, ao descer, a nave que segurava o rover descartou uma panóplia de instrumentos e objectos, incluindo o tal cobertor térmico, um para-quedas supersónico e uma grua que permitiu que o Perseverance pousasse na superfície de Marte. Portanto, este lixo encontrado agora não é de estranhar.

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
17 Jun 2022


 

1226: Astrónomos descobriram 2 super-terras em órbita de uma estrela próxima

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROBIOLOGIA

Haveremos de encontrar um planeta que possa albergar vida, se não a tiver já. Bom, esta é uma esperança, apesar de não haver nada que nos diga que isso é possível. Contudo, os astrónomos continuam na sua senda de descobertas. Desta vez foram encontrados dois novos mundos, duas super-terras de provável abundância mineral rochosa. Estes planetas foram encontrados em órbita de uma estrela próxima do nosso próprio bairro cósmico.

Os dois exoplanetas recentemente descobertos são maiores que a Terra, mas menores que um gigante do gelo. Eles orbitam orbitando uma estrela anã vermelha fresca.

Exoplanetas: “Lá em cima… há um mundo sem fim…”

Embora seja improvável que estes mundos sejam habitáveis, dada a nossa actual compreensão da vida, a estrela e os seus exoplanetas estão entre os sistemas multi-mundos mais próximos da Terra. Estes planetas foram descobertos quando passaram na frente da sua estrela (em relação ao nosso planeta), uma anã vermelha fresca chamada HD 260655, que está apenas a 33 anos-luz de distância.

Isto faz com que seja um excelente alvo para as pesquisas de seguimento para tentar compreender de que são feitos os exoplanetas, e para avaliar as suas atmosferas – um esforço que ajudará a nossa procura de vida extraterrestre, mesmo que os dois mundos se revelem incapazes de a acolher eles próprios.

Ambos os planetas neste sistema são cada um considerado entre os melhores alvos de estudo atmosférico devido ao brilho da sua estrela.

Haverá uma atmosfera rica em voláteis em torno destes planetas? E há sinais de espécies à base de água ou de carbono? Estes planetas são bancos de ensaio fantásticos para essas explorações.

Disse a astrónoma Michelle Kunimoto do Instituto Kavli do MIT para a Astrofísica e Investigação Espacial.

Há muitas super-terras “conhecidas” na nossa galáxia

Até à data, mais de 5.000 exoplanetas foram confirmados na Via Láctea, e os astro-biólogos estão profundamente interessados em encontrar mundos terrestres, ou rochosos, como Terra, Vénus, e Marte.

Temos uma amostra do tamanho de exactamente um mundo conhecido por acolher vida – o nosso – pelo que encontrar planetas semelhantes à Terra em tamanho e composição é um dos principais critérios na procura de vida noutros locais da galáxia.

Os exoplanetas rochosos, contudo, são relativamente pequenos tanto em tamanho como em massa, o que os torna mais difíceis de detectar. A maioria dos exoplanetas que temos conseguido medir até à data tendem a cair na categoria dos gigantes. Mundos rochosos – e melhor ainda, os mundos rochosos próximos – são muito procurados.

Os dois mundos em órbita da HD 260655 – chamados HD 260655 b e HD 260655 c – foram descobertos porque passam entre nós e a sua estrela durante a sua órbita. As fracas quedas em luz estelar devidas a estes trânsitos exoplanetários foram registadas pelo telescópio de caça ao exoplaneta TESS da NASA, concebido para detectar exactamente tais fenómenos.

Quando a astrónoma detectou estes mergulhos de trânsito nos dados do TESS, o passo seguinte foi verificar se a estrela tinha aparecido em sondagens anteriores – e tinha aparecido.

O Espectrómetro Echelle de Alta Resolução no Telescópio Keck (agora conhecido como ANDES) tinha dados disponíveis publicamente desde 1998. Outro espectrómetro, CARMENES no Observatório Calar Alto, em Espanha, também tinha registado a estrela. Isto faz uma enorme diferença para a ciência que estuda os exoplanetas.

Os dados espectrográficos podem revelar se uma estrela está ou não em movimento no local.

Planetas que em poucos dias “contabilizam” um ano

Entre os dados TESS e os dados de HIRES e CARMENES, a equipa pôde confirmar que dois exoplanetas estavam em órbita HD 260655. Além disso, com ambos os conjuntos de dados, a equipa conseguiu compilar um perfil abrangente dos dois exoplanetas.

O exoplaneta interior, HD 260655 b, tem cerca de 1,2 vezes o tamanho da Terra e o dobro da massa da Terra, e orbita a estrela a cada 2,8 dias. O mundo exterior, HD 260655 c, é 1,5 vezes o tamanho e três vezes a massa da Terra, e tem uma órbita de 5,7 dias.

Nesses tamanhos e massas, as suas densidades sugerem que os dois exoplanetas são provavelmente mundos rochosos.

Infelizmente, ainda que a estrela seja mais fria e mais fraca do que o Sol, a proximidade dos planetas ao HD 260655 significa que os mundos seriam demasiado quentes para a vida como a conhecemos. O HD 260655 b tem uma temperatura média de 435 graus Celsius, e o HD 260655 c é mais suave, mas ainda assim ardente 284 graus Celsius.

Pplware
Autor: Vítor M
16 Jun 2022


 

1225: Mais de 24 mil reacções adversas em 24,1 milhões de vacinas administradas

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/REACÇÕES ADVERSAS

Foram registados 24.624 casos de reacção adversa, entre os quais 7.956 considerados graves. Existe uma maior preponderância de notificação de reacção adversa por parte do género feminino.

© CARLOS BARROSO/LUSA

O Sistema Nacional de Farmacovigilância (SNF) registou um total de 24.624 reacções adversas às vacinas contra a covid-19, o que representa um caso em cada mil inoculações, indicou a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed).

“Face ao número total de vacinas administradas, verifica-se que as reacções adversas às vacinas contra a covid-19 são pouco frequentes, com cerca de um caso em mil inoculações, um valor estável ao longo do tempo”, refere o relatório do Infarmed sobre a monitorização da segurança das vacinas em Portugal.

De acordo com o documento, até 31 de maio foram administradas cerca de 24,1 milhões de vacinas contra o coronavírus SARS-CoV-2 e registados 24.624 casos de reacção adversa (RAM), entre os quais 7.956 considerados graves.

“Dos casos de RAM classificados como graves, cerca de 83% dizem respeito a situações de incapacidade temporária (incluindo o absentismo laboral) e outras consideradas clinicamente significativas pelo notificador, quer seja profissional de saúde ou utente”, indicou o Infarmed.

No que diz respeito ao total de casos graves, 131 (0,5%) foram de morte, que “ocorreram num grupo de indivíduos com uma mediana de idades de 77 anos”, refere ainda o relatório, que ressalva, porém, que estes “acontecimentos não podem ser considerados relacionados com uma vacina contra a covid-19 apenas porque foram notificados de forma espontânea ao Sistema Nacional de Farmacovigilância”.

“Na grande maioria dos casos notificados em que há informação sobre história clínica e medicação concomitante, um resultado adverso fatal pode ser explicado pelos antecedentes clínicos do doente e ou outros tratamentos, sendo as causas de morte diversas e sem apresentação de um padrão homogéneo”, refere o relatório.

De acordo com o Infarmed, na faixa etária entre os 5 e 11 anos, os 48 casos notificados como graves referem-se na sua maioria a situações já descritas na informação das vacinas, como febre, vómitos, diarreia, mal-estar e cefaleia, e foram notificadas duas miocardites que evoluíram positivamente para cura.

Já no grupo dos jovens entre os 12 e os 17 anos, a maioria dos 117 casos considerados graves estavam relacionados com síncope ou pré-síncope e reacções alérgicas, mas todos tiveram evolução positiva e sem sequelas.

Vinte destes casos foram notificados como miocardite e pericardite, doenças inflamatórias com causa variada, normalmente associadas a infecções virais nestas faixas etárias.

Os dados do Infarmed indicam ainda que o maior número de reacções adversas foi registado em pessoas que receberam a vacina Comirnaty, a mais utilizada em Portugal, com 12.741 casos, mas estes dados “não permitem a comparação dos perfis de segurança entre vacinas”, uma vez que foram utilizadas em grupos populacionais distintos de idade, género, perfil de saúde e em períodos e contextos epidemiológicos distintos.

O documento adianta também que existe uma maior preponderância de notificação de RAM por parte do género feminino, o que é a tendência normal de notificação para qualquer outro medicamento, o que pode “dever-se a uma maior atenção das mulheres à sua saúde, bem como ao seu maior interesse por temáticas da área da saúde e bem-estar”.

Entre as reacções adversas mais notificadas constam febre, dor de cabeça, dor muscular, fadiga, calafrios, náusea, dor articular, dor generalizada, mal-estar geral, tonturas, aumento do volume dos gânglios linfáticos, vómitos e fraqueza.

“As RAM notificadas com maior frequência enquadram-se no perfil reactogénico comum de qualquer vacina”, avança o Infarmed.

O Sistema Nacional de Farmacovigilância, criado em 1992, funciona sob a coordenação do Infarmed e monitoriza a segurança de todos os medicamentos autorizados, incluindo vacinas, através da recolha e avaliação de suspeitas de reacções adversas a medicamentos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
16 Junho 2022 — 19:51