1214: Hubble determina massa de buraco negro isolado que vagueia pela Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de um buraco negro à deriva pela nossa Galáxia, a Via Láctea. O buraco negro é o remanescente esmagado de uma enorme estrela que explodiu como uma super-nova. O núcleo sobrevivente tem várias vezes a massa do nosso Sol. O buraco negro “prende” a luz devido ao seu intenso campo gravitacional. O buraco negro distorce o espaço à sua volta, o qual distorce imagens de estrelas de fundo alinhadas quase directamente atrás dele. Este efeito de “lente” gravitacional fornece a única evidência indicadora da existência de buracos negros solitários que vagueiam pela nossa Galáxia, dos quais pode haver uma população de 100 milhões de habitantes. O Telescópio Espacial Hubble vai à caça destes buracos negros, procurando a distorção na luz estelar à medida que os buracos negros se deslocam em frente das estrelas de fundo.
Crédito: ESA/Hubble, DSS, Nick Risinger (skysurvey.org), N. Bartmann

Os astrónomos estimam que 100 milhões de buracos negros vagueiam entre as estrelas da nossa Galáxia, a Via Láctea, mas nunca identificaram de forma conclusiva um buraco negro isolado. Após seis anos de meticulosas observações, o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA forneceu, pela primeira vez, evidências directas de um buraco negro isolado a vaguear pelo espaço interestelar através de uma medição precisa da massa do objecto fantasmagórico.

Até agora, todas as massas de buracos negros têm sido inferidas estatisticamente ou através de interacções em sistemas binários ou nos núcleos de galáxias. Os buracos negros de massa estelar são normalmente encontrados com estrelas companheiras, o que torna este invulgar.

O buraco negro errante recentemente detectado encontra-se a cerca de 5000 anos-luz de distância, no braço espiral Carina-Sagitário da nossa Galáxia. No entanto, a sua descoberta permite aos astrónomos estimar que o buraco negro de massa estelar isolado mais próximo da Terra possa estar a cerca de 80 anos-luz de distância. A estrela mais próxima do nosso Sistema Solar, Proxima Centauri, está a pouco mais de 4 anos-luz de distância.

Os buracos negros que vagueiam a nossa Galáxia nascem a partir de estrelas raras e monstruosas (que correspondem a menos de um-milésimo da população estelar da Galáxia) que são pelo menos 20 vezes mais massivas do que o nosso Sol.

Estas estrelas explodem como super-novas e o núcleo remanescente é esmagado pela gravidade num buraco negro. Dado que a detonação não é perfeitamente simétrica, o buraco negro pode “levar um pontapé” e ser impelido para a Galáxia como uma bola de canhão.

Os telescópios não conseguem fotografar um buraco negro errático porque não emite qualquer luz. No entanto, um buraco negro distorce o espaço, que depois desvia e amplifica a luz estelar de qualquer coisa que momentaneamente se alinhe exactamente atrás dele.

Os telescópios terrestres, que monitorizam o brilho de milhões de estrelas nos ricos campos estelares em direcção ao bojo central da nossa Via Láctea, procuram um súbito aumento de brilho de uma delas quando um objecto massivo passa entre nós e a estrela. Depois o Hubble acompanha os acontecimentos mais interessantes.

Duas equipas utilizaram dados do Hubble nas suas investigações – uma liderada por Kailash Sahu do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland; e a outra por Casey Lam da Universidade da Califórnia, Berkeley. Os resultados das equipas diferem ligeiramente, mas ambos sugerem a presença de um objecto compacto.

A deformação do espaço devido à gravidade de um objecto em primeiro plano que passa em frente de uma estrela localizada muito atrás dele irá momentaneamente curvar e ampliar a luz da estrela de fundo à medida que este passa em frente dela. Os astrónomos usam o fenómeno, chamado micro-lente gravitacional, para estudar estrelas e exoplanetas nos cerca de 30.000 eventos vistos até agora na nossa Galáxia.

A assinatura de um buraco negro em primeiro plano destaca-se como única entre outros eventos de micro-lente. A gravidade muito intensa do buraco negro prolonga a duração do evento de lente gravitacional por mais de 200 dias.

Além disso, se o objecto interveniente fosse ao invés uma estrela em primeiro plano, isso provocaria uma mudança transitória de cor na luz estelar medida, porque a luz da estrela em primeiro plano e da estrela de fundo ficariam momentaneamente misturadas. Mas não foi vista nenhuma mudança de cor no evento do buraco negro.

De seguida, o Hubble foi utilizado para medir a quantidade de desvio da imagem da estrela de fundo pelo buraco negro. O Hubble é capaz da extraordinária precisão necessária para tais medições. A imagem da estrela foi desviada da sua posição normal por cerca de um milésimo de segundo de arco. Isto equivale a medir a altura de um humano adulto deitado na superfície da Lua a partir da Terra.

Esta técnica de micro-lente forneceu informações sobre a massa, distância e velocidade do buraco negro. A quantidade de deflexão pela intensa distorção do espaço do buraco negro permitiu à equipa de Sahu estimar que tem cerca de sete vezes a massa do Sol.

A equipa de Lam relata um intervalo de massa ligeiramente inferior, o que significa que o objecto pode ser ou uma estrela de neutrões ou um buraco negro. Eles estimam que a massa do objecto compacto e invisível tem entre 1,6 e 4,4 vezes a massa do Sol. No limite superior deste intervalo, o objecto seria um buraco negro; no limite inferior, seria uma estrela de neutrões.

“Por muito que gostássemos de dizer que se trata definitivamente de um buraco negro, devemos reportar todas as soluções permitidas. Isto inclui tanto buracos negros de massa baixa como possivelmente até uma estrela de neutrões”, disse Jessica Lu da equipa de Berkeley.

“O que quer que seja, o objecto é o primeiro remanescente estelar escuro descoberto a vaguear pela Galáxia, sem estar acompanhado por outra estrela”, acrescentou Lam.

Esta foi uma medição particularmente difícil para a equipa porque existe outra estrela brilhante que está extremamente próxima em termos de separação angular da estrela de origem. “Portanto, é como tentar medir o pequeno movimento de um pirilampo ao lado de uma lâmpada brilhante,” disse Sahu. “Tivemos de subtrair meticulosamente a luz da estrela brilhante próxima para medir precisamente a deflexão da fonte fraca.”

A equipa de Sahi estima que o buraco negro isolado está a viajar através da Galáxia a 160.000 km/h (depressa o suficiente para viajar da Terra à Lua em menos de três horas). É mais rápido do que a maioria das outras estrelas vizinhas naquela região da nossa Galáxia.

“A micro-lente astrométrica é conceptualmente simples, mas observacionalmente muito complexa,” disse Sahu. “A técnica de micro-lente é a única disponível para identificar buracos negros isolados”.

Quando o buraco negro passou em frente de uma estrela de fundo localizada a 19.000 anos-luz de distância no bojo da Via Láctea, a luz estelar que vinha em direcção à Terra foi ampliada durante 270 dias à medida que o buraco negro passava.

No entanto, foram necessários vários anos de observações do Hubble para seguir como a posição da estrela de fundo parecia ser deflectida pela curvatura da luz pelo buraco negro em primeiro plano.

A existência de buracos negros de massa estelar é conhecida desde o início da década de 1970, mas todas as suas medições de massa – até agora – têm sido feitas em sistemas estelares binários.

O gás da estrela companheira cai no buraco negro e é aquecido a temperaturas tão elevadas que emite raios-X. Cerca de duas dúzias de buracos negros tiveram as suas massas medidas em binários de raios-X através do efeito gravitacional que exercem nas companheiras.

As estimativas de massa variam de 5 a 20 massas solares. Os buracos negros detectados noutras galáxias graças às ondas gravitacionais libertadas a partir de fusões entre buracos negros e objectos companheiros chegaram a atingir 90 massas solares.

“As detecções de buracos negros isolados proporcionarão novos conhecimentos sobre a população destes objectos na Via Láctea,” disse Sahu. Ele espera que o seu programa venha a revelar mais buracos negros isolados dentro da nossa Galáxia. Mas é como procurar uma agulha num palheiro. A previsão é que apenas um em poucas centenas de eventos de micro-lente sejam provocados por buracos negros isolados.

No seu artigo de 1916 sobre a relatividade geral, Albert Einstein previu que a sua teoria poderia ser testada observando o desvio na posição aparente de uma estrela de fundo provocado pela gravidade do Sol.

Isto foi testado por uma colaboração liderada pelos astrónomos Arthur Eddington e Frank Dyson durante um eclipse solar no dia 29 de Maio de 1919. Eddington e colegas mediram um desvio da posição de uma estrela de fundo de 2 segundos de arco, validando as teorias de Einstein.

Estes cientistas dificilmente poderiam imaginar que, mais de um século depois, esta mesma técnica seria utilizada – com um melhoramento então inimaginável de mil vezes em termos de precisão – para procurar buracos negros espalhados pela nossa Galáxia.

Astronomia On-line
14 de Junho de 2022


 

1213: Descoberto um número inédito de anãs castanhas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de uma anã castanha.
Crédito: The Open University

As anãs castanhas, objectos misteriosos situados na linha entre estrelas e planetas, são essenciais para a nossa compreensão tanto das populações estelares como das populações planetárias.

Contudo, em quase três décadas de buscas, apenas 40 anãs castanhas puderam ser observadas. Uma equipa internacional liderada por investigadoras da The Open University e da Universidade de Berna observou directamente quatro novas anãs castanhas graças a um novo e inovador método de busca.

As anãs castanhas são objectos situados, em termos de massa, entre as estrelas mais leves e os planetas mais massivos, com uma mistura de características estelares e planetárias. Devido a esta natureza híbrida, estes objectos enigmáticos são cruciais para melhorar a nossa compreensão tanto das estrelas como dos planetas gigantes.

As anãs castanhas que orbitam uma estrela mãe suficientemente longe são particularmente valiosas, pois podem ser fotografadas directamente – ao contrário das que estão demasiado próximas da sua estrela e que, por isso, se escondem no seu brilho. Isto proporciona aos cientistas uma oportunidade única de estudar os detalhes das atmosferas frias e semelhantes a planetas das anãs castanhas.

No entanto, apesar dos esforços notáveis no desenvolvimento de novas tecnologias de observação e técnicas de processamento de imagem, as detecções directas destas anãs castanhas, companheiras de estrelas, têm permanecido bastante esparsas, com apenas cerca de 40 sistemas observados em quase três décadas de investigações. Investigadores liderados por Mariangela Bonavita da Open University e Clémence Fontanive do Centro para o Espaço e Habitabilidade do NCCR PlanetS da Universidade de Berna observaram directamente quatro novas anãs castanhas que divulgam num novo estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Esta é a primeira vez que múltiplos novos sistemas com anãs castanhas como companheiras, em separações amplas, são anunciados ao mesmo tempo.

Método inovador de pesquisa

“As anãs castanhas companheiras, com órbitas largas, são já de si raras, e a sua detecção coloca directamente enormes desafios técnicos, uma vez que as estrelas anfitriãs cegam completamente os nossos telescópios”, diz Mariangela Bonavita. A maioria dos levantamentos realizados até agora têm visado indeliberadamente estrelas aleatórias em jovens enxames.

“Uma abordagem alternativa para aumentar o número de detecções é apenas observar estrelas que mostram indícios de um objecto adicional no sistema,” explica Clémence Fontanive. “Por exemplo, a forma como uma estrela se move sob a atracção gravitacional de uma companheira pode ser um indicador da existência dessa companheira, quer seja uma estrela, um planeta ou algo no meio.

“Nós desenvolvemos a ferramenta COPAINS que prevê os tipos de companheiras que podem ser responsáveis pelas anomalias observadas em movimentos estelares,” continua Clémence Fontanive. Aplicando a ferramenta COPAINS, a equipa de investigação seleccionou cuidadosamente 25 estrelas próximas que pareciam promissoras para a detecção directa de companheiras escondidas, de baixa massa, com base em dados do observatório espacial Gaia da ESA.

Usando o instrumento SPHERE no VLT (Very Large Telescope) no Chile para observar estas estrelas, detectaram com sucesso dez novas companheiras com órbitas que vão desde a de Júpiter até para lá da de Plutão, incluindo cinco estrelas de baixa massa, uma anã branca (um denso remanescente estelar) e as quatro novas anãs castanhas.

Grande impulso no ritmo de detecção

“Estas descobertas avançam significativamente o número de anãs castanhas conhecidas que orbitam estrelas a grandes distâncias, com um grande impulso no ritmo de detecção em comparação com qualquer levantamento anterior,” explica Mariangela Bonavita.

Embora por agora esta abordagem se limite principalmente a assinaturas de anãs castanhas e companheiras estelares, as fases futuras da missão Gaia vão empurrar estes métodos para massas inferiores e permitir a descoberta de novos exoplanetas gigantes. Clémence Fontanive acrescenta: “Para além de termos tantas descobertas de uma só vez, o nosso programa também demonstra o poder destas estratégias de busca.”

“Este resultado só foi possível porque pensámos que, ao combinarmos instalações espaciais e terrestres para a imagem directa de exoplanetas, o todo é maior que a soma das suas partes. Esperamos que este seja o início de uma nova era de sinergia entre diferentes instrumentos e métodos de detecção”, conclui Mariangela Bonavita.

Astronomia On-line
14 de Junho de 2022


 

1212: Hoje é dia de super Lua! Saiba a que horas pode ver em Portugal

01.-  O tempo, ou seja, o céu, não tem estado limpo nestes últimos dias. Esta madrugada então encontrava-se totalmente coberto de nuvens e a continuar assim, não há super Lua para ninguém, pelo menos em Lisboa;

02.- Em fase de Lua cheia, esta encontra-se totalmente iluminada pela luz solar o que para os astrónomos e astro-fotógrafos, é a pior altura para se captarem imagens dado que a luz solar ao incidir directa e totalmente na Lua, elimina os relevos das crateras lunares, fazendo com que se veja um disco branco. Boa sorte para logo!

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Quando a lua cheia se aproxima muito da Terra, parece gigante e mais brilhante. Parece, porque na verdade é uma ilusão óptica. Sempre que se encontra no perigeu, a Lua fica cerca de 50 mil quilómetros mais perto do nosso planeta do que é normal e transforma-se neste fenómeno que é denominado de super lua.

Se o céu estiver limpo, esta terça-feira vai ser possível ver a primeira super lua do ano. Saiba a que horas pode ser observada no seu esplendor.

Super Lua, hoje a partir das 23h22 (hora de Lisboa)

Hoje é dia de super lua. É a primeira vez que este fenómeno vai acontecer este ano e, segundo informações, há mais duas este verão. A super lua pode ser observada a partir das 23h22 (hora de Lisboa), onde a Lua irá atingir o ponto mais próximo da Terra. Caso o céu esteja limpo, será possível observar uma Lua mais brilhante do que é habitual.

O perigeu é o ponto da órbita em que a Lua se encontra mais próxima da Terra. Como a órbita do satélite, tal como a dos planetas, é elíptica, o seu trajecto não é sempre igual – o que permite esta aproximação à Terra.

Em declarações ao jornal Publico, Cláudio Melo, astrónomo na agência espacial portuguesa (Portugal Space), referiu que este é um fenómeno que ocorre “duas a quatro vezes por ano”. Ainda este verão, podemos acompanhar mais duas super luas em Portugal: a 13 de Julho e a 12 de Agosto há nova oportunidade para ver este fenómeno.

A Lua vai parecer mais brilhante e maior. É um efeito simples, que é normal, mas que as pessoas continuam a parar para observar porque é sempre diferente”, referiu Cláudio Melo ao jornal. As previsões para a noite desta terça-feira indicam céu pouco nublado, as condições perfeitas para avistar esta super lua.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
14 Jun 2022