1187: Vacinação no outono em simultâneo com a gripe e para pessoas a partir dos 65 anos

SAÚDE PÚBLICA/VACINAÇÃO/+ 65 ANOS/OUTONO

O plano apresentado por Marta Temido prevê um investimento de 15 milhões de euros em vacinas contra a gripe, estando disponíveis 6,9 milhões de vacinas contra a covid-19.

© MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

A campanha de vacinação do outono e inverno prevê a co-administração das vacinas contra a gripe e covid-19 em idosos, pessoas com mais de 18 anos com doenças graves, profissionais de saúde e utentes de lares e cuidados continuados.

O plano, apresentado esta quarta-feira pela ministra da Saúde, Marta Temido, e pela directora-geral da Saúde, Graça Freitas, prevê um investimento de 15 milhões de euros em vacinas contra a gripe e 6,9 milhões de vacinas disponíveis para a vacinação contra a covid-19.

Esta estratégia baseia-se nos pressupostos de que as variantes vão manter um perfil semelhante às que estão em circulação, que a efectividade vacinal contra a doença grave e morte se mantém semelhante à actual e que o plano será desenvolvido “com as vacinas disponíveis” na altura, adiantou Graça Freitas.

De acordo com a directora-geral da Saúde, este plano, que pode ser adaptado a novos pressupostos, prevê duas campanhas de “reforços sazonais” no outono/inverno, através da co-administração das vacinas contra a covid-19 e a gripe, utilizando sempre que possível os mesmos grupos elegíveis e com um intervalo mínimo para a vacina da covid-19 de três meses.

Em relação às pessoas mais vulneráveis, a vacina da gripe será tetravalente reforçada, uma vacina “especial que será usada pela primeira vez em Portugal” apenas para os residentes em lares, adiantou.

Segundo Graça Freitas, os principais grupos elegíveis são os residentes em lares e na rede de cuidados continuados integrados, as pessoas com mais de 65 anos, os maiores de 18 anos que tenham doenças crónicas como insuficiência cardíaca, doença pulmonar grave, doença neuromuscular grave e insuficiência renal e os profissionais de saúde e dos lares de idosos.

“Para a gripe, as grávidas já estão contempladas e as crianças com patologia crónica. Neste momento, a ciência está a dar-nos pistas e a comissão técnica de vacinação está a estudar a possibilidade de também para a covid-19 poderem ser vacinadas as crianças e as grávidas, mas é apenas uma possibilidade”, referiu Graça Freitas.

De acordo com o plano hoje apresentado, estas campanhas iniciam-se em 05 de Setembro em simultâneo e, na lógica da protecção dos mais vulneráveis, arrancarão com a vacinação pelos lares, rede de cuidados continuados e pessoas com 80 ou mais anos.

Nas segunda e terceira semanas de Setembro, começarão a ser vacinadas as pessoas com 70 ou mais anos e, cerca de um mês depois, as pessoas com mais de 65 anos, avançou Graça Freitas, que espera ter todas as pessoas elegíveis vacinadas em Dezembro.

Diário de Notícias
DN/Lusa
08 Junho 2022 — 17:53


 

1186: Quase nos 200. Mais 25 casos de infecção humana por vírus Monkeypox em Portugal

SAÚDE PÚBLICA/SURTO/VÍRUS MONKEYPOX/INFECÇÕES

Já foram confirmados 191 casos de infecção humana por vírus Monkeypox em Portugal, mais 25 face ao dia anterior, informa a DGS. Todos os doentes “mantêm-se em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis”.

© PIERRE-PHILIPPE MARCOU / AFP

Há mais 25 casos de infecção humana por vírus Monkeypox em Portugal, o que eleva para 191 o número total de infecções confirmadas, indica esta quarta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS). Ontem foram reportados 166.

Lisboa e Vale do Tejo é a região que regista o maior número de casos, mas também verificam-se infecções no Norte e Algarve.

Os casos confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) referem-se a “homens entre os 19 e os 61 anos, tendo a maioria menos de 40 anos”.

“Os casos identificados mantêm-se em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis”, refere a DGS.

A autoridade nacional de saúde recomenda a pessoas que apresentem erupção cutânea, lesões ulcerativas, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, a procurar “aconselhamento clínico”.

“Ao dirigirem-se a uma unidade de saúde, deverão cobrir as lesões cutâneas”, aconselha a DGS.

Perante sintomas suspeitos, devem ser reforçadas medidas de prevenção: evitar o contacto físico directo com outras pessoas e evitar partilhar vestuário, toalhas, lençóis e objectos pessoais “enquanto estiverem presentes as lesões cutâneas, em qualquer estádio, ou outros sintomas”.

Esta é a primeira vez que um surto do vírus VMPX, como também pode ser designado, é detectado em Portugal, num contexto de ocorrência de casos a serem reportados por vários países desde o início de maio.

O período de incubação varia entre cinco e os 21 dias, sendo em média de seis a 16 dias e os sintomas iniciam-se com febre, cefaleia, astenia, mialgia ou adenomegalias, aos quais se segue o aparecimento do exantema (erupção cutânea).

O vírus Monkeypox foi identificado em macacos em 1958 e identificado pela primeira vez em humanos em 1970.

O Monkeypox, da família do vírus que causa a varíola, é transmitido de pessoa para pessoa por contacto próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados.

Recentemente, a DGS publicou uma orientação que define a abordagem clínica e epidemiológica dos casos de infecção humana por vírus Monkeypox, prevendo que as situações suspeitas sejam referenciadas rapidamente para observação médica e que os contactos assintomáticos podem continuar a manter as suas rotinas diárias, não necessitando de isolamento.

Com Lusa

Diário de Notícias
DN
08 Junho 2022 — 11:09


 

1184: Festas populares podem resultar em 350 mil contágios directos

– Lá vêm eles novamente com as teorias da conspiração! [ironia 🙂 ]. Vê-se logo que a maralha da imagem está toda com máscara e respeitam os DOIS METROS de distância!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/CONVID-19/INFECÇÕES/FESTAS POPULARES

A propagação do vírus será maior nas festas dos santos populares das duas maiores cidades do país, “onde poderemos ter um mínimo de 60 mil contágios nos dias mais movimentados em Lisboa e 45 mil no Porto.

© Gonçalo Villaverde / Global Imagens

As festas populares poderão resultar em 350 mil contágios directos no país, prevê o relatório do Instituto Superior Técnico (IST) sobre a pandemia da covid-19, que reforça a recomendação para o uso de máscara.

“Todas as festas populares no país poderão traduzir-se num total de contágios directos num mínimo de 350 mil, podendo atingir valores mais elevados se novas variantes entrarem em Portugal”, estima a análise de risco elaborada pelo grupo de trabalho do IST que acompanha a evolução da covid-19 em Portugal e que a agência Lusa teve acesso esta quarta-feira.

O documento antecipa também que o número de contágios pelo coronavírus SARS-CoV-2 “produzidos sem máscara, com os níveis actuais de susceptíveis de infecção, em eventos como o Rock in Rio seja de 40 mil no total“.

A propagação do vírus será maior nas festas dos santos populares das duas maiores cidades do país, “onde poderemos ter um mínimo de 60 mil contágios nos dias mais movimentados em Lisboa e 45 mil no Porto“, adianta o relatório produzido por Henrique Oliveira, Pedro Amaral, José Rui Figueira e Ana Serro, que compõem o grupo de trabalho coordenado pelo presidente do Técnico, Rogério Colaço.

“Reforçamos a recomendação do uso de máscara em grandes eventos de massas ao ar livre, em festas populares, em concertos e eventos em ambiente fechado, nos transportes públicos e em contexto laboral quando há proximidade entre trabalhadores inferior a dois metros”, alertam os especialistas do Técnico.

Segundo a avaliação do IST, com os dados de domingo, a mortalidade acumulada a 14 dias por um milhão de habitantes “é agora de cerca de 56”, valor que é 2,75 vezes mais do que o preconizado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) para a redução das medidas de controlo da pandemia.

“Este número, superior a 40 óbitos por dia em média a sete dias, é elevado e é superior à média diária anual de óbitos por doenças respiratórias pré-pandemia, que ronda os 33”, salienta ainda o documento, ao sublinhar que só a covid-19 “é responsável por mais óbitos do que todas as outras doenças respiratórias reunidas em média anual”.

O relatório do IST refere que a mortalidade apresenta uma “tendência ainda de subida, prevendo-se o pico para depois do dia 15 de Junho e até final do mês”, uma projecção que “pode falhar, por defeito, se os contágios devido às festas populares forem descontrolados ou se surgirem novas variantes”.

Os peritos do Técnico adiantam também que os dados indicam uma descida nominal dos casos testados, mas sublinham ter “dúvidas” sobre essa efectiva descida, tendo em conta que uma positividade dos testes acima dos 60% pode indiciar que existam “mais casos assintomáticos ocultos que contribuem para novos contágios”.

“Actualmente, com o défice de informação oficial, apenas a análise da mortalidade diária permitirá confirmar, nos próximos dias, a efectiva monitorização actual dos novos casos”, sublinha o documento.

Relativamente à sexta vaga, o relatório refere que o pico já terá sido ultrapassado, mas pode haver um “recrudescimento de contágios a partir das festas de Junho, admitindo que ainda existem 45% de susceptíveis à variante Ómicron no país”.

O grupo de trabalho do IST salienta que o período entre vagas pandémicas está entre 115 e 120 dias, o que deve levar as “autoridades de saúde a adaptar a sua estratégia a esta periodicidade”.

“Há uma indicação que no início de Setembro, com um erro de 15 a 20 dias, teremos o início de uma nova vaga pandémica”, referem os especialistas do Técnico, que estão a modelar os seus sistemas dinâmicos a factores como a perda de imunidade natural e adquirida com a vacinação contra a covid-19.

Face à actual situação do país, o Indicador de Avaliação da Pandemia (IAP) do IST e da Ordem dos Médicos está nos 81,4 pontos, acima do “nível de alarme”, valor que aconselha ao reforço da monitorização e a “passar a mensagem de que o perigo pandémico ainda não terminou, sobretudo com os festejos populares e grandes eventos de massas em Junho”.

O IAP combina a incidência, a transmissibilidade, a letalidade e a hospitalização em enfermaria e em cuidados intensivos, apresentando dois limiares: o nível de alarme, quando atinge os 80 pontos, e o nível crítico, quando chega aos 100 pontos.

“Se a hipótese da perda de imunidade se verificar, estas vagas vão se suceder de forma periódica ao longo dos anos. A única forma de quebrar estes ciclos será com vacinas de nova geração. A teoria e a história indicam também que as ondas pandémicas se irão atenuando ao longo dos ciclos repetidos até o vírus se tornar endémico”, conclui o relatório do grupo de trabalho do IST.

Diário de Notícias
Lusa/DN
08 Junho 2022 — 07:05


 

1183: O rover Perseverance da NASA estuda os ventos selvagens da Cratera Jezero

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

O rover Perseverance da NASA utilizou a sua câmara de navegação para capturar estes diabos de poeira que rodopiam pela Cratera de Jezero a 20 de Julho de 2021, o 148.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI

Os sensores meteorológicos do rover Perseverance testemunharam redemoinhos diários, e mais, enquanto estudavam o Planeta Vermelho.

Durante o seu primeiro par de centenas de dias na Cratera Jezero, o rover Perseverance da NASA viu alguma da actividade mais intensa de poeira jamais testemunhada por uma missão enviada para a superfície do Planeta Vermelho. Não só o rover detectou centenas de redemoinhos de poeira chamados diabos de poeira, como o Perseverance capturou o primeiro vídeo de rajadas de vento a levantar uma enorme nuvem de poeira marciana.

Um artigo recentemente publicado na revista Science Advances detalha os fenómenos meteorológicos observados nos primeiros 216 dias marcianos, ou sols. Os novos achados permitem aos cientistas compreender melhor os processos de poeira em Marte e contribuir para um corpo de conhecimentos que poderá um dia ajudá-los a prever as tempestades de poeira pelas quais Marte é famoso – e que constituem uma ameaça para os futuros exploradores robóticos e humanos.

“De cada vez que aterramos num novo lugar em Marte, é uma oportunidade de melhor compreender o tempo do planeta,” disse a autora principal do artigo, Claire Newman da Aeolis Research, uma empresa de investigação centrada nas atmosferas planetárias. Ela acrescentou que pode haver meteorologia mais excitante a caminho: “Tivemos uma tempestade de poeira regional mesmo em cima de nós em Janeiro, mas ainda estamos a meio da estação da poeira, por isso é muito provável que vejamos mais tempestades.”

O Perseverance fez estas observações principalmente com as câmaras do rover e um conjunto de sensores pertencentes ao MEDA (Mars Environmental Dynamics Analyzer), um instrumento científico liderado pelo Centro de Astrobiologia da Espanha em colaboração com o Instituto Meteorológico Finlandês e o JPL da NASA no sul da Califórnia. O MEDA inclui sensores de vento, sensores de luz que podem detectar redemoinhos à medida que dispersam luz solar à volta do rover e uma câmara apontada para o céu para captar imagens de poeira e nuvens.

“A Cratera Jezero pode estar numa das fontes de poeira mais activas do planeta,” disse Manuel de la Torre Juarez, investigador principal adjunto do MEDA no JPL. “Tudo o que aprendermos sobre a poeira será útil para futuras missões.”

Redemoinhos frequentes

Os autores do estudo descobriram que pelo menos quatro redemoinhos passam pelo Perseverance num típico dia marciano e que mais de um por hora passa durante um período de pico logo após o meio-dia.

As câmaras do rover também documentaram três ocasiões nas quais rajadas de vento levantaram grandes nuvens de poeira. O maior destes eventos criou uma enorme nuvem cobrindo 4 quilómetros quadrados. O artigo estimou que estas rajadas de vento podem levantar, colectivamente, tanta ou mais poeira do que os redemoinhos, redemoinhos estes que existem em muitos maiores números.

Esta série de imagens de uma câmara de navegação a bordo do rover Perseverance rover da NASA mostra uma rajada de vento a varrer a planície marciana para além dos trilhos do rover no dia 18 de Junho de 2021 (o 117.º sol, ou dia marciano, da missão). A nuvem de poeira neste GIF foi estimada em 4 quilómetros quadrados de tamanho; foi a primeira nuvem de poeira marciana desta escala alguma vez capturada em imagens.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI

“Pensamos que estas rajadas são pouco frequentes, mas podem ser responsáveis por uma grande fracção da poeira de fundo que paira constantemente na atmosfera marciana,” disse Newman.

Porque é que Jezero é diferente?

Embora o vento e a poeira sejam prevalecentes por todo o planeta Marte, o que os investigadores estão a encontrar parece destacar Jezero. Esta maior actividade pode estar ligada ao facto de a cratera estar perto do que Newman descreve como uma “pista de tempestades de poeira” que corre de norte a sul ao longo do planeta, levantando frequentemente poeira durante a época de tempestades de poeira.

Newman acrescentou que a maior actividade em Jezero pode dever-se a factores como a rugosidade da sua superfície, o que pode facilitar com que o vento levante poeira. Esta pode ser uma explicação para que o módulo InSight da NASA – em Elysium Planitia, a cerca de 3452 km de distância da cratera Jezero – ainda esteja à espera que um diabo marciano limpe os seus painéis solares carregados de poeira, enquanto o Perseverance já mediu a remoção de poeira da superfície próxima por vários redemoinhos passageiros.

“O Perseverance é nuclear, mas se tivéssemos ao invés painéis solares, provavelmente não teríamos de nos preocupar com a acumulação de poeira,” disse Newman. “Geralmente há mais levantamento de poeira na Cratera Jezero, embora a velocidade média do vento seja aí mais baixa e a velocidade do vento no pico e a criatividade dos redemoinhos sejam comparáveis a Elysium Planitia.”

Na verdade, o levantamento de poeira em Jezero tem sido mais intenso do que a equipa teria desejado: a areia transportada nos redemoinhos danificou os dois sensores de vento do MEDA. A equipa suspeita que os grãos de areia danificaram os finos fios dos sensores de vento, que se destacam do mastro do Perseverance.

Estes sensores são particularmente vulneráveis porque têm que permanecer expostos ao vento a fim de o medir correctamente. Os grãos de areia soprados pelo vento, e provavelmente transportados em redemoinhos, também danificaram um dos sensores de vento do rover Curiosity (o outro sensor de vento do Curiosity foi danificado por detritos levantados durante a sua aterragem na Cratera Gale).

Tendo em mente os danos do Curiosity, a equipa do Perseverance acrescentou um revestimento protector adicional aos fios do MEDA. No entanto, a meteorologia de Jezero ainda levou a melhor. De la Torre Juarez disse que a equipa está a testar alterações de software que deverão permitir com que os sensores de vento continuem a funcionar.

“Recolhemos muitos dados científicos,” disse de la Torre Juarez. “Os sensores de vento estão gravemente afectados, ironicamente, porque conseguimos obter aquilo que queríamos medir.”

Astronomia On-line
7 de Junho de 2022


 

1182: Estrutura desconhecida em galáxia revelada por imagens de alto contraste

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de uma galáxia gigante com um jato altamente energético.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)

Como resultado da obtenção de um elevado alcance dinâmico de imagem, uma equipa de astrónomos no Japão descobriu pela primeira vez uma fraca emissão de rádio cobrindo uma galáxia gigante com um buraco negro energético no seu centro. A emissão de rádio é libertada a partir do gás, criada directamente pelo buraco negro central. A equipa espera compreender como um buraco negro interage com a sua galáxia hospedeira, aplicando a mesma técnica a outros quasares.

3C 273, que se situa a uma distância de 2,4 mil milhões de anos-luz da Terra, é um quasar. Um quasar é o núcleo de uma galáxia que se pensa abrigar um enorme buraco negro no seu centro, que engole o seu material circundante, emitindo uma enorme radiação.

Ao contrário do que o seu nome pode indicar, 3C 273 é o primeiro quasar jamais descoberto, o mais brilhante e o mais bem estudado. É uma das fontes mais frequentemente observadas com telescópios porque pode ser usada como padrão de posição no céu: por outras palavras, 3C 273 é um farol de rádio.

Quando vemos o farol de um carro, o brilho intenso faz com que seja difícil ver os arredores mais escuros. O mesmo acontece com os telescópios quando se observam objectos brilhantes. O alcance dinâmico é o contraste entre os tons mais brilhantes e mais escuros de uma imagem. É necessária uma gama dinâmica elevada para revelar tanto as partes brilhantes como as escuras numa única exposição de um telescópio.

O ALMA pode atingir regularmente gamas dinâmicas de imagem até cerca de 100, mas as câmaras digitais disponíveis comercialmente têm normalmente uma gama dinâmica de vários milhares. Os radiotelescópios não são muito bons a ver objectos com contraste significativo.

3C 273 é conhecido há décadas como o quasar mais famoso, mas o conhecimento tem estado concentrado nos seus núcleos centrais brilhantes, de onde provém a maioria das ondas de rádio. Contudo, sabe-se muito menos sobre a sua própria galáxia hospedeira, porque a combinação da galáxia fraca e difusa com o núcleo de 3C 273 exigia intervalos dinâmicos tão elevados para detectar.

A equipa de investigação usou uma técnica chamada auto-calibração para reduzir a fuga de ondas de rádio de 3C 273 para a galáxia, que utilizou o próprio 3C 273 para corrigir os efeitos das flutuações atmosféricas da Terra sobre o sistema telescópico. Atingiram um alcance dinâmico de 85.000, um recorde ALMA para objectos extra-galácticos.

Como resultado de atingir um tão elevado alcance dinâmico de imagem, a equipa descobriu a fraca emissão de rádio que se estende por dezenas de milhares de anos-luz sobre a galáxia hospedeira de 3C 273. A emissão de rádio em torno de quasares sugere tipicamente emissão de sincrotrão, que provém de eventos altamente energéticos como explosões de formação estelar ou jactos ultra-rápidos emanados do núcleo central. Existe também um jacto sincrotrão em 3C 273, visto na parte inferior direita das imagens.

Uma característica essencial da emissão de sincrotrão é que o seu brilho muda com a frequência, mas a fraca emissão de rádio descoberta pela equipa tinha um brilho constante, independentemente da frequência de rádio. Depois de considerar mecanismos alternativos, a equipa descobriu que esta emissão de rádio fraca e prolongada provinha do hidrogénio gasoso na galáxia energizada directamente pelo núcleo de 3C 273.

Esta é a primeira vez que as ondas de rádio de tal mecanismo se estendem por dezenas de milhares de anos-luz na galáxia hospedeira de um quasar. Os astrónomos tinham negligenciado este fenómeno durante décadas, neste icónico farol cósmico.

Então porque é que esta descoberta é tão importante? Há muito que se tenta saber se a energia de um núcleo quasar é suficientemente forte para privar a capacidade da galáxia de formar estrelas. A ténue emissão de rádio pode ajudar a resolver este mistério na astronomia galáctica.

O gás hidrogénio é um ingrediente essencial na formação estelar, mas se uma luz tão intensa brilhar sobre ele e o ionizar, então nenhuma estrela consegue nascer.

Para estudar se este processo está a acontecer em torno de quasares, os astrónomos utilizaram a luz óptica emitida pelo gás ionizado. O problema de trabalhar com a luz óptica é que a poeira cósmica absorve a luz ao longo do caminho até ao telescópio, pelo que é difícil saber quanta luz o gás emite.

Além disso, o mecanismo responsável por emitir luz óptica é complexo, forçando os astrónomos a fazer muitas suposições. As ondas de rádio descobertas neste estudo provêm do mesmo gás devido a processos simples e não são absorvidas pela poeira. A utilização de ondas de rádio torna a medição do gás ionizado criado pelo núcleo de 3C 273 muito mais fácil.

Neste estudo, os astrónomos descobriram que pelo menos 7% da luz de 3C 273 foi absorvida pelo gás da galáxia hospedeira, criando um gás ionizado equivalente a 10-100 mil milhões de vezes a massa do Sol. Contudo, 3C 273 tinha muito gás imediatamente antes da formação das estrelas, pelo que, como um todo, não parece que a formação estelar tenha sido fortemente reprimida pelo núcleo.

“Esta descoberta proporciona um novo caminho para o estudo de problemas anteriormente abordados utilizando observações no visível,” diz Shinya Komugi, professor associado na Universidade de Kogakuin e autor principal do estudo publicado na revista The Astrophysical Journal. “Ao aplicar a mesma técnica a outros quasares, esperamos compreender como uma galáxia evolui através da sua interacção com o núcleo central.”

Astronomia On-line
7 de Junho de 2022


 

1181: Pondo em prática a teoria da relatividade especial, através da contagem de galáxias

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta imagem feita a partir de uma composição de exposições captadas entre Setembro de 2003 e Janeiro de 2004 pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra quase 10.000 galáxias na mais profunda imagem de luz visível do cosmos, atravessando milhares de milhões de anos-luz.
Crédito: NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), Equipa HUDF

Os cientistas que estudam o cosmos têm uma filosofia favorita conhecida como o “princípio da mediocridade”, o que, na sua essência, sugere que a Terra não é realmente nada especial, nem o Sol, nem a nossa Via Láctea, em comparação com o resto do Universo.

Agora, uma nova investigação realizada na Universidade do Colorado, em Boulder, EUA, acrescentou mais uma evidência ao caso da mediocridade: as galáxias estão, em média, em repouso em relação ao Universo primitivo. Jeremy Darling, professor de astrofísica na mesma universidade, publicou recentemente esta descoberta cosmológica na revista The Astrophysical Journal Letters.

“O que esta investigação nos diz é que temos um movimento engraçado, mas esse movimento engraçado é consistente com tudo o que sabemos sobre o Universo – não há nada de especial a acontecer aqui,” disse Darling. “Não somos especiais como uma galáxia ou como observadores.”

Há cerca de 35 anos, os cientistas descobriram o fundo cósmico de micro-ondas, que é a radiação electromagnética deixada pela formação do Universo durante o Big Bang. O fundo cósmico de micro-ondas parece mais quente na direcção do nosso movimento e mais frio para longe da direcção do nosso movimento.

A partir deste brilho do Universo primitivo, os cientistas podem inferir que o Sol – e a Terra em órbita – está a mover-se numa determinada direcção, a uma certa velocidade. Os investigadores descobrem que a nossa velocidade inferida é uma fracção de um por cento da velocidade da luz – pequena, mas não zero.

Os cientistas podem testar independentemente esta inferência contando as galáxias que são visíveis da Terra ou somando o seu brilho. Podem fazê-lo em grande parte graças à teoria da relatividade especial de Albert Einstein de 1905, que explica como a velocidade afecta o tempo e o espaço.

Nesta aplicação, uma pessoa na Terra olhando para o Universo numa direcção – a mesma direcção em que o Sol e a Terra se estão a mover – deveria ver galáxias mais brilhantes, mais azuis e mais concentradas. Da mesma forma, ao olhar na direcção contrária, a pessoa deveria ver galáxias mais escuras, avermelhadas e mais espaçadas.

Mas quando os investigadores têm tentado contar galáxias nos últimos anos – um processo que é difícil de fazer com precisão – eles chegaram a números que sugerem que o Sol está a mover-se muito mais depressa do que se pensava anteriormente, o que está em desacordo com a cosmologia padrão.

“É difícil contar galáxias em todo o céu – normalmente está-se preso a um hemisfério ou menos,” disse Darling. “E, além disso, a nossa própria Galáxia incomoda a contagem. Tem poeira que faz com que contemos menos galáxias e fá-las parecer mais fracas.”

Darling ficou intrigado e perplexo com este puzzle cosmológico, por isso decidiu investigar por si próprio. Ele também sabia da existência de dois levantamentos recentemente divulgados que poderiam ajudar a melhorar a exactidão de uma contagem de galáxias – e a esclarecer o mistério da velocidade: o VLASS (Very Large Array Sky Survey) no estado norte-americano do Novo México, e o RACS (Rapid Australian Square Kilometer Array Pathfinder Continuum Survey) na Austrália

Juntos, estes levantamentos permitiram a Darling estudar todo o céu juntando vistas dos hemisférios norte e sul. Os novos levantamentos também utilizaram ondas de rádio, o que tornou mais fácil “ver” através da poeira da Via Láctea, melhorando assim a visão do Universo.

Quando Darling analisou os levantamentos, descobriu que o número de galáxias e o seu brilho estava em perfeito acordo com a velocidade que os investigadores tinham anteriormente inferido a partir do fundo cósmico de micro-ondas.

“Encontramos uma direcção brilhante e uma direcção ténue – encontramos uma direcção onde há mais galáxias e uma direcção onde há menos galáxias,” disse. “A grande diferença é que se alinha com o Universo primitivo do fundo cósmico de micro-ondas e tem a velocidade certa. A nossa cosmologia está saudável.”

Dado que as descobertas de Darling diferem de resultados passados, o seu trabalho irá provavelmente suscitar alguns estudos de seguimento para confirmar ou contestar os seus resultados.

Mas para além de impulsionar o campo da cosmologia, os resultados são um bom exemplo, no mundo real, da teoria especial da relatividade de Einstein – e demonstram como os investigadores ainda estão a pôr a teoria em prática, mais de 100 anos após o famoso físico a ter proposto pela primeira vez.

“Adoro a ideia de que este princípio básico de que Einstein nos falou há muito tempo é algo que se pode ver,” disse Darling. “É uma coisa realmente esotérica que parece super-estranha, mas se sairmos e contarmos galáxias, podemos ver este efeito giro. Não é tão esotérico ou estranho como se possa pensar.”

Astronomia On-line
7 de Junho de 2022


 

1180: Astrofotografia lunar em 07.06.2022

Flag for Portugal Lisbon, Portugal — Moonrise, Moonset, and Moon Phases, Junho 2022

Moon: 54.1%

First Quarter

Current Time: 8 de Jun de 2022, 1:11:45
Moon Direction: 266,98° W
Moon Altitude: 14,82°
Moon Distance: 389.134 km
Next Full Moon: 14 de Jun de 2022, 12:51
Next New Moon: 29 de Jun de 2022, 3:52
Next Moonset: Today, 2:33

Stellarium

07.06.2022

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