1150: Covid-19. Portugal com 47 mortos, o valor mais elevado desde Fevereiro

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/MORTOS

Os números da DGS indicam que, nos últimos dois meses, altura em que o país entrou na sexta vaga da pandemia, morreram 1.455 pessoas, 592 em Abril e 863 em Maio.

Portugal registou hoje mais 29 916 casos de covid-19 e 27 mortos.

Portugal registou na quarta-feira 47 mortes por covid-19, o maior número de óbitos em mais de 100 dias, indicam os dados da Direcção-Geral da Saúde (DGS) divulgados esta quinta-feira.

De acordo com a autoridade de saúde, na quarta-feira, dia em que foram confirmados 26.848 casos de infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2, foram notificados 47 óbitos, mais cinco do que no dia anterior.

Portugal não registava tantos óbitos diários por covid-19 desde 17 de Fevereiro, dia em que foram notificadas 51 mortes devido à doença.

Os números da DGS indicam também que, nos últimos dois meses, altura em que o país entrou na sexta vaga da pandemia, morreram por covid-19 1.455 pessoas, 592 em Abril e 863 em Maio.

De acordo com o último relatório da DGS e do Instituto Ricardo Jorge, divulgado na sexta-feira, a mortalidade por covid-19 em Portugal atingiu os 41 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, valor que é cerca do dobro do dobro do limiar de 20 mortes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), e com tendência crescente.

“A mortalidade por todas as causas encontra-se acima dos valores esperados para a época do ano”, avançou o documento, que associou essa situação ao “aumento da mortalidade específica por covid-19”.

Henrique Oliveira, matemático do Instituto Superior Técnico e que integra o grupo de trabalho de acompanhamento da pandemia dessa instituição, estimou que os “internamentos em enfermaria e cuidados intensivos e os óbitos vão manter-se elevados até 25 de Junho”, uma vez que o país deve ter cerca de 200 mil pessoas infectadas actualmente.

Diário de Notícias
DN/Lusa
02 Junho 2022 — 17:28


 

1149: Há 138 casos confirmados de infecção humana por vírus Monkeypox em Portugal

SAÚDE PÚBLICA/SURTO/VÍRUS MONKEYPOX

Há mais 19 casos de infecção humana por vírus Monkeypox em Portugal, indica a Direcção-Geral da Saúde. “Todas as infecções confirmadas são em homens entre os 20 e os 61 anos”.

© Global Imagens (Arquivo)

Portugal tem agora 138 casos confirmados de infecção humana por vírus Monkeypox, segundo informou esta quinta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS). São mais 19 infecções face ao que foi divulgado ontem.

Até ao momento, a maioria das infecções foi reportada em Lisboa e Vale do Tejo, sendo que há também casos nas regiões Norte e Algarve. “Todas as infecções confirmadas são em homens entre os 20 e os 61 anos, tendo a maioria menos de 40 anos”, indica a DGS, referindo que os novos casos foram confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

“Os casos identificados mantêm-se em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis”, lê-se ainda no comunicado da DGS, dando conta de que a informação recolhida através dos inquéritos epidemiológicos está a ser analisada para “contribuir para a avaliação do surto a nível nacional e internacional”.

Na terça-feira, a DGS publicou uma orientação que define a abordagem clínica e epidemiológica dos casos de infecção humana por vírus Monkeypox, prevendo que as situações suspeitas sejam referenciadas rapidamente para observação médica e que os contactos assintomáticos podem continuar a manter as suas rotinas diárias, não necessitando de isolamento.

Esta é a primeira vez que um surto do vírus VMPX, como também pode ser designado, é detectado em Portugal, num contexto de ocorrência de casos a serem reportados por vários países desde o início de maio.

O período de incubação varia entre cinco e os 21 dias, sendo em média de seis a 16 dias e os sintomas iniciam-se com febre, cefaleia, astenia, mialgia ou adenomegalias, aos quais se segue o aparecimento do exantema (erupção cutânea).

O vírus Monkeypox foi identificado em macacos em 1958 e identificado pela primeira vez em humanos em 1970.

O contágio implica “contacto próximo” com uma pessoa afectada, nomeadamente contacto face a face ou pele com pele, e o vírus também se consegue transmitir através de contacto com objectos em que esteja presente.

Surto repentino em 30 países sugere que transmissão decorre há algum tempo, diz OMS

Na quarta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu que o​​​​​​ surto de infecções pelo vírus Monkeypox em 30 países não endémicos sugere que os contágios estão a ocorrer há algum tempo. A agência de Saúde das Nações Unidas insta as autoridades nacionais a expandirem a vigilância.

“O aparecimento repentino da Monkeypox em diferentes países ao mesmo tempo sugere que a transmissão [do vírus] não foi detectada por algum tempo”, referiu o director-geral da OMS em conferência de imprensa.

Segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, mais de 550 casos confirmados em 30 países onde a doença não é endémica foram já reportados à OMS, no âmbito do surto que teve início há cerca de um mês com casos de infecção pelo Monkeypox na Europa, incluindo Portugal, na América do Norte e no Médio Oriente.

“A OMS insta os países afectados a expandirem a sua vigilância e a rastrearem casos nas suas comunidades mais vastas”, salientou o director-geral da organização, alertando que qualquer pessoa pode ficar infectada com o vírus em caso de contacto próximo com uma pessoa doente.

Na conferência de imprensa, a responsável técnica para a Monkeypox, Rosamund Lewis, admitiu que o surgimento de infecções fora de África foi uma surpresa, embora a OMS esteja a acompanhar a doença há mais de 15 anos no continente africano, onde milhares de casos e mortes se verificam todos os anos.

Segundo a OMS, África registou este ano 70 mortes por infecção pelo vírus Monkeypox.

“Não é uma doença desconhecida, mas é verdade que, no novo contexto em que se está a espalhar, é algo novo”, reconheceu Rosamund Lewis.

Com Lusa

Diário de Notícias
DN
02 Junho 2022 — 11:11


 

1148: Sexta vaga representa 21% dos casos e 6% das mortes desde o início da pandemia

– “O aumento significativo de infecções registado nas últimas semanas deve-se, segundo os especialistas, ao fim da obrigatoriedade generalizada do uso de máscara.“. Digam isso às gajas e aos gajos labregos acéfalos que gostam de andar com as trombas ao léu…

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/SEXTA VAGA

O aumento significativo de infecções registado nas últimas semanas deve-se, segundo os especialistas, ao fim da obrigatoriedade generalizada do uso de máscara.

© Global Imagens

Os quase 990 mil casos confirmados em Abril e Maio representam 21% das infecções desde o início da pandemia de covid-19, mas as 1.455 mortes nesses dois meses constituem cerca de 6% do total de óbitos.

Nos últimos dois meses, o país entrou na sexta vaga da pandemia, registando, segundo os dados da Direcção-Geral da Saúde (DGS), um total de 988.307 casos: 288.059 em Abril e 700.248 em Maio, que significam 21% das 4.717.243 infecções notificadas por Portugal à Organização Mundial da Saúde (OMS) à data de quarta-feira.

Apesar de um em cada cinco casos de infecção pelo SARS-CoV-2 ter sido registado nos últimos 60 dias, os 1.455 óbitos registados nesse período representam apenas cerca de 6% do total de 23.150 mortes comunicadas à OMS desde que, em 16 de Março de 2020, se verificou a primeira vítima mortal por covid-19 em Portugal.

O aumento significativo de infecções registado nas últimas semanas deve-se, segundo os especialistas, ao fim da obrigatoriedade generalizada do uso de máscara desde 21 de Abril, numa altura em que a incidência estava nos 556 casos por 100 mil habitantes, mas também ao crescimento de uma nova linhagem da variante Ómicron do SARS-CoV-2.

Detectada pela primeira vez entre o final de Março e o início de Abril, a BA.5, que tem revelado uma maior capacidade de transmissão, ganhando terreno à antecessora BA.2, é esta semana já responsável por cerca de 87% das infecções confirmadas no país, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Henrique Oliveira, matemático do Instituto Superior Técnico (IST) e que integra o grupo de trabalho de acompanhamento da pandemia dessa instituição, adiantou à Lusa que Portugal está agora com um índice de transmissibilidade (Rt) do vírus de 0,96 e “numa situação de planalto” que se deve manter ao longo desta semana, sendo expectável uma “queda acentuada de casos a partir de meados de Junho”.

O especialista em sistemas dinâmicos projectou que, apesar da prevista redução do número de infecções, os “internamentos em enfermaria e cuidados intensivos e os óbitos vão manter-se elevados até 25 de Junho”, uma vez que o país deve ter cerca de 200 mil pessoas infectadas actualmente.

O matemático, que é também um dos responsáveis pelo Indicador de Avaliação da Pandemia desenvolvido em colaboração entre o IST e a Ordem dos Médicos, reforçou ainda a previsão de que, devido a isolamentos e baixas médicas por covid-19, esta sexta vaga levou à perda de “30 milhões de horas de trabalho” em Portugal, sendo este valor o “limiar mínimo” para esse indicador.

A sexta onda pandémica agravou-se em Maio, com Portugal a registar um total de 700.248 contágios nesse mês, mais 143% do que os 288.059 casos confirmados em Abril, um crescimento que foi ainda extensivo aos óbitos.

De acordo com os dados da Direcção-Geral da Saúde, morreram por covid-19 em Abril 592 pessoas, o que representa uma média de 19,7 óbitos diários, mas em Maio foram registados 863, o que fez subir a média para 27,8 mortes por dia no último mês.

Em termos pandémicos, Maio de 2022 apresentou uma situação muito mais desfavorável em relação ao mesmo mês de 2021 em termos de infecções diárias pelo SARS-CoV-2 e de mortes específicas por covid-19.

Em Maio de 2021, com apenas cerca de dois milhões de pessoas com vacinação completa, registaram-se 12.600 contágios e 51 mortes por covid-19.

Ou seja, na grande maioria dos dias de Maio de 2022 registou-se mais casos de infecção em cada dia do que no total do mês de Maio de 2021.

Além disso, em Maio de 2022 morreram 17 vezes mais pessoas do que no mesmo mês de 2021 por covid-19.

Também a pressão hospitalar foi em Maio deste ano maior do que no mês homólogo, com os últimos dados oficiais disponíveis a indicarem 1.842 internados e 99 doentes em cuidados intensivos a 23 de Maio de 2022, quando no mesmo dia de 2021 estavam hospitalizadas 220 pessoas, das quais 58 em medicina intensiva.

Apesar de o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus estar a baixar, a DGS e o INSA alertaram, na última sexta-feira, que a epidemia de covid-19 mantém uma incidência muito elevada, com tendência crescente, sendo expectável o aumento da procura de cuidados de saúde e da mortalidade, em especial nos grupos mais vulneráveis.

Perante esta projecção, estas entidades salientam que deve ser mantida a vigilância da situação epidemiológica, recomendando também fortemente o reforço das medidas de protecção individual e a vacinação de reforço.

Em 18 de maio entrou em vigor a contabilização das suspeitas de reinfecção, com a actualização retrospectiva dos casos acumulados.

De acordo com a DGS, os novos casos passam a incluir as primeiras infecções e as reinfecções pelo SARS-CoV-2.

Diário de Notícias
Lusa/DN
02 Junho 2022 — 08:46