1109: Nova descoberta sobre galáxias distantes: as estrelas são mais massivas do que pensávamos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA/GALÁXIAS

A Galáxia de Andrómeda, a nossa grande vizinha galáctica mais próxima, é o objecto mais distante que podemos observar no céu nocturno à vista desarmada.
Crédito: Getty

Uma equipa de astrofísicos da Universidade de Copenhaga chegou a um resultado importante no que diz respeito às populações estelares para lá da Via Láctea. O resultado pode mudar a nossa compreensão de uma vasta gama de fenómenos astronómicos, incluindo a formação de buracos negros, super-novas e a razão pela qual as galáxias morrem.

Desde que os seres humanos estudam os céus que o aspecto das estrelas em galáxias distantes tem sido um mistério. Num estudo publicado na The Astrophysical Journal, uma equipa de investigadores do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhaga está a colocar de lado a anterior compreensão das estrelas para lá da nossa própria Galáxia.

Desde 1955 que se assume que a composição das estrelas nas outras galáxias do Universo é semelhante à das centenas de milhares de milhões de estrelas dentro da nossa – uma mistura de estrelas massivas, de massa média e de massa baixa. Mas com a ajuda de observações de 140.000 galáxias em todo o Universo e de uma vasta gama de modelos avançados, a equipa testou se a mesma distribuição de estrelas aparente na Via Láctea se aplica noutros locais. A resposta é não. As estrelas em galáxias distantes são tipicamente mais massivas do que as do nosso “bairro local”. A descoberta tem um grande impacto sobre o que pensamos saber sobre o Universo.

“A massa das estrelas diz muito aos astrónomos. Se mudarmos a massa, também mudamos o número de super-novas e buracos negros que surgem das estrelas massivas. Como tal, o nosso resultado significa que teremos de rever muitas das coisas que em tempos presumimos, porque as galáxias distantes parecem bastante diferentes da nossa,” diz Albert Sneppen, estudante do Instituto Neils Bohr e primeiro autor do estudo.

A luz analisada de 140.000 galáxias

Os investigadores assumiram que o tamanho e massa das estrelas noutras galáxias eram semelhantes à nossa durante mais de cinquenta anos, pela simples razão de não as poderem observar através de um telescópio, como podiam fazer com as estrelas da nossa própria Galáxia.

As galáxias distantes estão a milhares de milhões de anos-luz de distância. Como resultado, apenas a luz das suas estrelas mais poderosas chega à Terra. Isto tem sido uma dor de cabeça para investigadores em todo o mundo durante anos, pois nunca puderam esclarecer com precisão como as estrelas de outras galáxias foram distribuídas, uma incerteza que os forçou a acreditar que estavam distribuídas largamente como as estrelas da nossa Via Láctea.

“Só conseguimos ver a ponta do icebergue e sabemos há muito tempo que esperar que outras galáxias se parecessem com a nossa não era um pressuposto particularmente bom de se fazer. Contudo, nunca ninguém foi capaz de provar que outras galáxias formam diferentes populações de estrelas. Este estudo permitiu-nos fazer exactamente isso, o que pode abrir a porta para uma compreensão mais profunda da formação e evolução das galáxias,” diz o professor associado Charles Steinhardt, coautor do estudo.

No estudo, os investigadores analisaram a luz de 140.000 galáxias usando o catálogo COSMOS, uma grande base de dados internacional com mais de um milhão de observações da luz de outras galáxias. Estas galáxias estão distribuídas do ponto mais próximo ao mais distante do Universo, a partir do qual a luz viajou doze mil milhões de anos antes de poder ser observada na Terra.

As galáxias massivas morrem primeiro

De acordo com os investigadores, a nova descoberta terá uma vasta gama de implicações. Por exemplo, continua por resolver a razão pela qual as galáxias morrem e deixam de formar novas estrelas. O novo resultado sugere que isto poderá ser explicado por uma simples tendência.

“Agora que somos mais capazes de descodificar a massa das estrelas, podemos ver um novo padrão; as galáxias menos massivas continuam a formar estrelas, enquanto que as galáxias mais massivas param de formar novas estrelas. Isto sugere uma tendência notavelmente universal na morte das galáxias,” conclui Albert Sneppen.

Astronomia On-line
27 de Maio de 2022


 

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