Mais de 2.100 condutores ficaram sem carta em seis anos do sistema “carta por pontos”

Segundo a ANSR, as infracções que mais contribuíram para a perda de pontos são a utilização do telemóvel, excesso de velocidade, condução sob a influência do álcool, desrespeito da obrigação de parar perante o sinal vermelho, desobediência ao sinal de sentido proibido e de STOP e passar pelo traço contínuo.. E deviam acrescentar a essas sanções, os acéfalos labregos que estacionam em cima dos passeios, das passadeiras, nas paragens dos transportes públicos, bloqueiam portas de prédios! Artigos 48º. e 49º. do Código da Estrada.

SOCIEDADE/TRANSGRESSÕES

Mais de 2.100 condutores ficaram sem carta de condução desde a entrada em vigor do sistema “carta por pontos” em 2016 e 1.063 perderam a totalidade dos pontos, revelou a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).

© Ronda Churchill / AFP

O sistema “carta por pontos”, que na quarta-feira completa seis anos de aplicação, consiste na subtracção de pontos quando são praticadas infracções graves, muito graves e crimes rodoviários, levando à cassação da carta de condução quando se perde a totalidade dos 12 pontos.

Num balanço feito à Lusa sobre os seis anos deste sistema, a ANSR avançou que, desde a entrada em vigor, foram cassadas 2.108 cartas de condução, 614 das quais no último ano, um aumento de 41% face ao número registado nos cinco anos anteriores

A Segurança Rodoviária precisou também que 1.063 condutores têm zero pontos na carta de condução, encontrando-se os processos na fase de audição da intenção de cassação da carta (560), notificação da decisão final (490) e instrução (13).

Após a subtracção da totalidade dos pontos, o condutor só fica sem a carta de condução depois de ter sido instaurado um processo autónomo administrativo e de ter sido efectivada a notificação da cassação, desde que não seja impugnada judicialmente.

Em seis anos, 3.171 condutores perderam a totalidade dos pontos, tendo ficado sem carta de condução 2.108.

Segundo a ANSR, as infracções que mais contribuíram para a perda de pontos são a utilização do telemóvel, excesso de velocidade, condução sob a influência do álcool, desrespeito da obrigação de parar perante o sinal vermelho, desobediência ao sinal de sentido proibido e de STOP e passar pelo traço contínuo.

Os distritos que apresentam uma média mensal superior a mil registos de contra-ordenações são Aveiro, Braga, Coimbra, Leiria, Lisboa, Porto, Santarém e Setúbal.

O sistema da “carta por pontos” prevê também que os condutores que disponham de apenas cinco ou quatro pontos frequentem uma acção de formação no prazo máximo de 180 dias a contar da data da recepção da notificação, tendo sido um total de 2.246 os que passaram por esta situação nos últimos seis anos.

De acordo com a ANSR, caso os condutores não frequentem estas acções de formação, a carta pode ser cassada e, nos últimos seis anos, 21 condutores ficaram sem carta por este motivo.

Segundo a Segurança Rodoviária, 2.571 condutores ficaram com três ou menos pontos, pelo que são obrigados a realizar uma prova teórica do exame de condução no prazo de 90 dias a contar da data da recepção da notificação.

Destes 2.571 condutores, 290 realizaram a prova teórica, 135 faltaram ou reprovaram à prova e vão ficar sem título de condução, 65 dos quais já ficaram com a carta cassada, 328 ainda não realizaram a prova e 1.818 em fase de notificação.

Para a ANSR “é inegável a utilidade do sistema carta por pontos, enquanto forma de contribuição para a melhoria dos comportamentos de condução”.

A Segurança Rodoviária destaca um estudo feito em 2020 que revelou que 77% dos condutores consideram o sistema como útil e a utilidade do sistema “advém essencialmente da capacidade” em sensibilizar para a importância do cumprimento das regras do Código da Estrada e adoptarem comportamentos mais seguros durante a condução.

Questionada sobre se a “carta por pontos” contribui para uma diminuição da sinistralidade, a ANSR referiu que não dispõe ainda de nenhum estudo sobre os reflexos na sinistralidade.

Depois da cassação do título, os automobilistas ficam inibidos de conduzir durante dois anos e têm de tirar novamente a carta.

Diário de Notícias
DN/Lusa
31 Maio 2022 — 15:24


 

1135: Portugal chega aos 100 casos de infecção humana por vírus Monkeypox

SAÚDE PÚBLICA/VÍRUS DOS MACACOS/MONKEYPOX/INFECÇÕES

A DGS indica que foram confirmados mais quatro casos de infecção humana por vírus Monkeypox em Portugal. Todas as infecções são em homens entre os 20 e os 61 anos.

© EPA-EFE/Joédson Alves (Arquivo)

Subiu para 100 o número de casos de infecção humana por vírus Monkeypox em Portugal, indicou esta terça-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS). Há mais quatro casos confirmados face ao dia de ontem, o que eleva para 100 o número de infecções.

Até ao momento, a maioria das infecções foram reportadas em Lisboa e Vale do Tejo, “mas também há registo de casos nas regiões Norte e Algarve”.

“Todas as infecções confirmadas são em homens entre os 20 e os 61 anos, tendo a maioria menos de 40 anos”, indica a autoridade nacional de Saúde, referindo que os novos casos foram confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Diz a DGS que “os casos identificados mantêm-se em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis”, sendo que a informação que foi recolhida através dos inquéritos epidemiológicos está a ser analisada, de modo a “contribuir para a avaliação do surto a nível nacional e internacional”.

O vírus Monkeypox foi identificado em macacos em 1958 e identificado pela primeira vez em humanos em 1970.

O contágio implica “contacto próximo” com uma pessoa afectada, nomeadamente contacto face a face ou pele com pele, e o vírus também se consegue transmitir através de contacto com objectos em que esteja presente.

Os sintomas duram entre duas e quatro semanas, começam com febre, dores de cabeça, dores nas costas, fadiga e progridem para inchaço nos nódulos linfáticos e irritação cutânea.

Portugal vai comprar vacinas

Em entrevista ao DN, a directora do Programa de Saúde Prioritário para a área das Infecções Sexualmente Transmissíveis e Infecção pelo VIH, da DGS, Margarida Tavares, médica infecciologista, indica que Portugal é dos países da UE que integra o grupo que já pediu para adquirir vacinas e o “processo vai ser rápido e ágil”.

“Neste momento, a União Europeia, através da Autoridade de Preparação de Respostas a Emergências Sanitárias (HERA, sigla inglesa), já está a avaliar quais são os países mais necessitados de tais vacinas para fazer uma aquisição conjunta, de forma a que estas possam ser utilizadas desde já para se acautelar a evolução do vírus no espaço comunitário”, afirmou Margarida Tavares.

A médica infecciologista disse ainda que “há alguns países europeus que têm reservas destas vacinas e que já as disponibilizaram para o caso de uma necessidade urgente”.

Margarida Tavares referiu ainda que “nunca foi detectado nem um caso esporádico nem um surto em Portugal, ou que pelo menos tenha sido reportado”, tendo sido verificados surtos no Reino Unido, Singapura, Israel e nos EUA.

Anteriormente, a DGS recomendou que as pessoas que apresentem erupção cutânea, lesões ulcerativas, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, “devem procurar aconselhamento clínico”.

“Ao dirigirem-se a uma unidade de saúde, deverão cobrir as lesões cutâneas”, indica.

Perante sintomas, a DGS declara que devem ser reforçadas medidas de prevenção, “devendo os doentes abster-se de contacto físico directo com outras pessoas e de partilhar vestuário, toalhas, lençóis e objectos pessoais enquanto estiverem presentes as lesões cutâneas, em qualquer estádio, ou outros sintomas”.

Segundo a OMS, há mais de 200 casos de monkeypox detectados em países onde a doença não é endémica.

Diário de Notícias
DN
31 Maio 2022 — 12:30


 

“Nunca tivemos um contraste tão grande entre a riqueza de uns e a miséria de muitos outros”

– Um título que demonstra bem a realidade triste deste país… Os pobres andam a encher a pança aos ricos!

ENTREVISTA

“Humanidades para a sustentabilidade” é o título da última palestra do ciclo Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento organizado pelo Instituto de Altos Estudos da Academia das Ciências de Lisboa. A conferência de Maria Fernanda Rollo, professora na Universidade Nova de Lisboa, pode ser vista esta terça-feira por zoom às 18.00 horas.

© Carlos Pimentel/Global Imagens

Está optimista em relação ao cumprimento dos objectivos do desenvolvimento sustentável, apesar de estarmos numa terceira crise global consecutiva, a criada pela guerra na Ucrânia, depois de termos enfrentado a pandemia da covid-19 e a crise financeira?
Os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável representam um enunciado, portador de atributos fundamentais de universalidade e transversalidade, constituindo um instrumento poderoso de consciencialização, inspiração, escrutínio, orientação, compromisso e mesmo de esperança. Como salientava o então secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, “São uma lista das coisas a fazer em nome dos povos e do planeta, e um plano para o sucesso”. Essa lista de coisas tem a assinatura – o compromisso – dos líderes mundiais, e resultou de várias acções que a precederam, frustradas ou bem-sucedidas, e de uma dinâmica de diálogo e convergência, prosseguindo uma metodologia que a reforça. Será, então, de nos perguntarmos se a prossecução dos proclamados objectivos não será um meio no sentido da mitigação, superação ou mesmo de revogação das sucessivas e diversas crises e circunstâncias que refere. De resto, a Agenda diagnostica, traça caminhos, define prioridades, estabelece metas. Na realidade, convocar o propósito de Transformar o nosso mundo é o reconhecimento colectivo da necessidade de mudar algo que estava/está a correr mal. A Agenda comum representa a consciência da interdependência entre as pessoas, os países, entre si e com o planeta que habitam, detendo por isso essa qualidade catalisadora, congregando a simultaneidade do apelo e da consciencialização quanto à gravidade e a universalidade da questão com a formulação de um enunciado positivo, simultaneamente global e individual.

Apesar de tudo, tem havido progressos nas condições de vida da humanidade? A ciência e tecnologia têm ajudado mais que as políticas?
Tem havido muitos progressos, mas é evidente a sua insuficiência e a enorme desigualdade que subsiste devendo salientar-se a generalizada pressão gerada em termos ambientais. A ciência, e todo o ecossistema associado, tem tido uma contribuição determinante e verdadeiramente transversal – devemos à ciência a superação da pandemia da covid-19. É inquestionável a sua relevância e o que poderá proporcionar, designadamente em termos de transição global para a sustentabilidade. Certo, porém, a insuficiência de meios que muitas vezes lhe são atribuídos, sendo indispensável reunir condições estáveis e previsíveis que garantam a sua renovação persistente e tudo isso requer uma articulação eficiente e políticas públicas adequadas. Por outras palavras, é grande a desproporção entre os meios concedidos à ciência e a escala dos desafios globais que só poderão ser superados com a sua contribuição. Refiro-me evidentemente a todas as áreas científicas, importando sublinhar a indispensabilidades das ciências sociais, das humanidades e das artes para interpretar e fazer face aos complexos problemas que em todos os domínios afectam a nossa sociedade e a sua relação com o planeta.

As diferenças de desenvolvimento económico são o maior entrave a uma acção conjunta dos países contra ameaças como o aquecimento global?
As diferenças, e sobretudo a concorrência exacerbada e a natureza das suas ambições. O actual modelo de desenvolvimento económico encerra e tem gerado enormes desequilíbrios. Veja-se como a pandemia veio uma vez mais colocar em evidência assimetrias e desigualdades, expondo as fragilidades do sistema e, pela primeira vez nos tempos mais recentes, ligando crises ecológicas e de saúde. Nunca tivemos uma sociedade com tanta desigualdade e um contraste tão grande entre a riqueza e opulência de uns e a miséria de muitos outros, compreendendo nessa percepção de assimetrias não apenas as dimensões económica, social, cultural, política mas também ambiental ou dos níveis de poluição. Ou seja, simplificando, os mais ricos são realmente os mais poluentes. Data de há muitas décadas essa consciência e são múltiplos os alertas chamando a atenção para os Limites do Crescimento usando o título do livro que em 1972 confrontou as consequências do crescimento rápido da população mundial considerando os recursos naturais limitados. Sucedem-se os alertas, sem esquecer o emblemático Nosso Futuro Comum (Our Common Future) publicado em 1987, coordenado pela então primeira-ministra da Noruega indicando que a pobreza dos países do então designado ‘terceiro mundo’ e o consumismo elevado dos países do ‘primeiro’ eram causas fundamentais que impediam um desenvolvimento igualitário no mundo e, consequentemente, produziam graves crises ambientais. E dava muita informação sobre aquecimento global, chuvas ácidas, perda da biodiversidade. A ONU tem retomado e ampliado essas preocupações, assumindo-as como sua missão global e universal. Na prática tem sido o caminho para a Agenda 2030.

A Europa tem condições para liderar o mundo na busca do desenvolvimento sustentável?
A Europa pode ter um papel muito importante e os sinais para o assumir são muito explícitos. Refira-se a impressionante declaração e as orientações políticas de Ursula von der Leyen, proclamando a ambição de Passarmos a ser o primeiro continente neutro do ponto de vista climático é o maior desafio e a maior oportunidade da nossa era. Para isso, temos de tomar medidas decisivas e imediatas. A Proposta de Recomendação do Conselho sobre aprendizagem para a sustentabilidade ambiental de Janeiro passado é muito assertiva quanto ao diagnóstico da situação e à missão que cumpre à EU enunciando medidas concretas para o seu cumprimento. Palavras fortes, chamando a atenção para o momento crítico que vivemos, e como a acção humana quase nos levou a causar danos irreparáveis ao nosso planeta, a própria fonte da nossa existência e bem-estar. Deixa um enunciado, reclamando acções urgentes, individuais e colectivas e um apelo aos jovens e a importância da formação. Enfim, existem diversos outros testemunhos relativos ao papel que a Europa procura e poderá desempenhar, importando destacar o Pacto Ecológico Europeu e o propósito da integração da sustentabilidade ambiental em todas as políticas, programas e processos de educação e formação. Veremos o que se concretizará. De qualquer forma, a assunção da urgência e o enunciado lançado são auspiciosos.

Muito criticada por, por exemplo, não conseguir parar a invasão russa da Ucrânia, a ONU não deixa de ser o principal motor da cooperação internacional, como nesta questão dos objectivo para o desenvolvimento sustentável?
A gravidade e amplitude dos desafios globais tem mesmo que constituir preocupação e prioridade da ONU. A ONU tem precisamente que responder e actuar perante circunstâncias e fenómenos como os que compõem a Agenda 2030. Tem mesmo que preocupar-se e lutar por soluções ajustadas às questões da pobreza, das desigualdades, dos direitos humanos, da educação, da saúde, da protecção dos ecossistemas sabendo-se bem que requerem diálogos, acções e concertações entre nações. Problemas globais exigem respostas globais. A cooperação internacional é indispensável e determinante – como aliás a pandemia mostrou. Existe um limite cada vez mais instante no que respeita à pressão negativa das interacções entre humanos e meio ambiente, limite que porventura já não poderá ser revertido e que, se não for travado, se reflectirá negativamente no bem-estar da sociedade. Há um limite para a utilização dos recursos naturais, de modo que sejam conservados. Além do mais, sobrevém uma enorme responsabilidade, a humanidade na satisfação das necessidades do presente não pode comprometer a sobrevivência das gerações futuras. A ONU, na sua singularidade, compreendendo a sua história e a sua missão, tem, com certeza, a obrigação de zelar pelas gerações vindouras, mas essa incumbência requer a acção individual de cada um de nós. De outra forma, não seremos bem-sucedidos nem cumpriremos a nossa primeira função, garantir a sobrevivência e o bem-estar dos que nos sucederão.

leonidio.ferreira@dn.pt

Diário de Notícias
Leonídio Paulo Ferreira
31 Maio 2022 — 00:11


 

1132: Covid-19: Portugal continua país da UE com mais novos casos e segundo do mundo

– Somos os maiores, pá!!!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/ESTATÍSTICAS

Considerando os países e territórios com mais de um milhão de habitantes, só Taiwan tem maior média de novos casos diários (3.420) que Portugal (2.290).

Portugal continua o país da União Europeia com mais novos casos de infecção por SARS-CoV-2 por milhão de habitantes nos últimos sete dias e o segundo no mundo neste indicador, segundo o ‘site’ estatístico Our World in Data.

A média diária de novos casos subiu de 2.290 por milhão de habitantes na semana passada para 2.580 esta segunda-feira, seguindo-se a Espanha, com 449, Grécia, com 351, Alemanha (338) e Itália (334).

Considerando os países e territórios com mais de um milhão de habitantes, Taiwan tem a maior média de novos casos diários (3.420), seguida de Portugal, Singapura (1.460), Austrália (1.440), Nova Zelândia (1.360) e Panamá (727).

No que toca às novas mortes diárias atribuídas à covid-19, Portugal mantém a maior da União Europeia (3,19), praticamente sem alteração desde a semana passada, em que estava em 3,17, seguida da Finlândia, com 2,99, a Espanha com 2,15, a Irlanda com 1,72 e a Grécia com 1,56.

Em termos mundiais, olhando para territórios e países com mais de um milhão de habitantes, Taiwan tem a maior média diária de novas mortes atribuídas à covid-19 (3,95), seguida de Portugal, Finlândia, Nova Zelândia (2,65) e Espanha.

A média de novos casos diários por milhão de habitantes na União Europeia está em 269,51 e a de novas mortes diárias em 0,91, valores inferiores ao que se verificava na segunda-feira passada.

A média mundial de novos casos está em 62 e a de novas mortes atribuídas à covid-19 está em 0,19, também a descer em relação à semana passada.

Diário de Notícias
DN/Lusa
30 Maio 2022 — 16:08


 

1131: Monkeypox: Será que estamos próximos de uma nova pandemia?

CIÊNCIA/VARÍOLA DOS MACACOS/MONKEYPOX

Tal como temos vindo a informar, o número de casos de Monkeypox tem vindo a crescer à escala mundial. Em Portugal o número de infecções confirmadas pelo vírus Monkeypox voltou a subir e está agora nos 96 casos, segundo anunciou a Direcção-Geral da Saúde (DGS), que está a estudar a eventual necessidade de vacinar contactos de casos e profissionais de saúde.

Mas será que o vírus Monkeypox poderá levar a uma próxima nova pandemia?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou hoje improvável que o surto de infecções pelo vírus Monkeypox se transforme numa pandemia como a COVID-19, apesar do rápido aumento de casos no último mês.

Rosamund Lewis, da OMS, especialista em varíola dos macacos, referiu que…

Não acreditamos que este surto seja o início de uma nova pandemia porque é um vírus já conhecido, temos as ferramentas para controlá-lo e a nossa experiência diz-nos que não é transmitido tão facilmente em humanos como em animais

Até agora, desde que o Reino Unido reportou o primeiro caso confirmado de Monkeypox em 7 de maio, a OMS recebeu um total de 257 notificações de casos confirmados em laboratório e cerca de 120 suspeitos distribuídos por 23 países.

Segundo anunciou hoje a Direcção-Geral da Saúde, o número de casos confirmados de Monkeypox subiu para 96 em Portugal e todos os infectados se mantêm em acompanhamento clínico e estáveis. A maioria das infecções foram notificadas, até à data, em Lisboa e Vale do Tejo, mas também há registo de casos nas regiões Norte e Algarve.

Todas as infecções confirmadas são em homens entre os 20 e os 61 anos, tendo a maioria menos de 40 anos, que se mantêm em acompanhamento clínico.

A DGS aconselha as pessoas que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, a procurar aconselhamento médico.

Os sintomas duram entre duas e quatro semanas, começam com febre, dores de cabeça, dores nas costas, fadiga e progridem para inchaço nos nódulos linfáticos e irritação cutânea.

Pplware
Autor: Pedro Pinto


 

1130: Já pensou em como soaria a sua voz em Marte? A NASA mostra-lhe!

CIÊNCIA/ESPAÇO/MARTE

A NASA desenvolveu uma forma de trazer um pouco de Marte até à Terra e de oferecer sensações aos entusiastas que dificilmente terão oportunidade de visitar o planeta vermelho. Experimente e ouça como soaria a sua voz em Marte.

Só precisa de gravar um áudio e esperar que a magia aconteça.

Pela mão dos astronautas e dos satélites, chegam-nos frequentemente imagens e sons do espaço. Embora seja por si só impressionante, dificilmente teremos a oportunidade de ver e ouvir em pessoa o que por lá se passa. Com isto em mente, a NASA arranjou forma de trazer um bocadinho de Marte até nós.

A agência espacial americana lançou um website onde é possível ouvir a voz dos utilizadores caso esses estivessem em Marte. O website baseia-se nos dados que o rover Perseverance da NASA recolheu durante a sua estadia.

Ouça a sua voz como se estivesse em Marte

Conforme vimos aqui, os dados de um estudo sobre a velocidade do som em Marte foram apresentados na 53.ª Conferência de Ciência Lunar e Planetária pelo cientista planetário Baptiste Chide do Laboratório Nacional de Los Alamos. A investigação concluiu que seria complicado estabelecer uma conversa no planeta vermelho, uma vez que as frequências altas chegar-nos-iam antes das frequências baixas.

Para que as pessoas possam entender esta questão e saber como soaria a sua voz em Marte, os autores da investigação desenvolveram um website onde é possível realizar a experiência. Além da nossa voz, também é possível ouvir outros sons, como um helicóptero a voar em Marte e vento.

Para ouvir a sua voz em ambiente marciano, basta aceder aqui e pressionar o microfone enquanto fala (durante 10 segundos, no máximo). Caso queira guardar o áudio gerado, pode fazê-lo. Caso contrário, se abandonar a página, perderá a gravação.

Segundo um comunicado de imprensa, a obtenção dos dados foi um tanto complicada para os investigadores. Isto, porque, além de ser um planeta ventoso, Marte é também muito silencioso. Ainda assim, poderá achar que é uma experiência engraçada e, por isso, desafiamos que tente e partilhe connosco o que achou!

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
30 Mai 2022


 

1128: Geologia a 50 anos-luz: o Webb prepara-se para estudar mundos rochosos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/GEOLOGIA

Ilustração que mostra como poderia ser o exoplaneta 55 Cancri e, com base no entendimento actual do planeta. 55 Cancri e é um planeta rochoso com um diâmetro quase duas vezes superior ao da Terra orbitando a apenas 0,015 unidades astronómicas da sua estrela parecida com o Sol. Devido à sua órbita íntima, o planeta é extremamente quente, com temperaturas diurnas que atingem cerca de 2400 graus Celsius.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Dani Player (STScI)

Com os seus segmentos do espelho totalmente alinhados e os seus instrumentos científicos em calibração, o Telescópio Espacial James Webb da NASA está a poucas semanas de ficar totalmente operacional. Logo após as primeiras observações serem reveladas este verão, terá início a ciência profunda do Webb.

Entre as investigações planeadas para o primeiro ano estão estudos de dois exoplanetas quentes classificados como “super-Terras” pelo seu tamanho e composição rochosa: 55 Cancri e, coberto de lava, e LHS 3844 b. Os investigadores vão treinar os espectrógrafos de alta precisão do Webb nestes planetas com vista a compreender a diversidade geológica dos planetas pela Galáxia e a evolução de planetas rochosos como a Terra.

A super-quente super-Terra 55 Cancri e

55 Cancri e orbita a menos de 2,4 milhões de quilómetros da sua estrela parecida com o Sol (1/25 da distância entre Mercúrio e o Sol), completando uma órbita em menos de 18 horas. Com temperaturas de superfície muito acima do ponto de fusão de minerais típicos que formam rochas, pensa-se que o lado diurno do planeta esteja coberto por oceanos de lava.

Presume-se que os planetas que orbitam tão perto da sua estrela tenham bloqueio de maré, com um lado virado permanentemente para a estrela. Como resultado, o ponto mais quente do planeta deve ser aquele que enfrenta a estrela mais directamente, e a quantidade de calor proveniente do lado diurno não deve mudar muito ao longo do tempo.

Mas este não parece ser o caso. As observações de 55 Cancri e pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA sugerem que a região mais quente não é a parte que enfrenta a estrela mais directamente, enquanto que a quantidade total de calor detectada a partir do lado diurno varia.

Será que 55 Cancri e tem uma atmosfera espessa?

Uma explicação para estas observações é que o planeta tem uma atmosfera dinâmica que move o calor. “55 Cancri e poderia ter uma atmosfera espessa dominada por oxigénio ou azoto,” explicou Renyu Hu do JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Califórnia, que lidera uma equipa que vai utilizar o NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb e o MIRI (Mid-Infrared Instrument) para capturar o espectro de emissões térmicas do lado diurno do planeta. “Se tiver uma atmosfera, [o Webb] tem a sensibilidade e o alcance de comprimento de onda para a detectar e determinar do que é feita,” acrescentou Hu.

Ou será que chove lava à noite em 55 Cancri e?

Outra possibilidade intrigante, no entanto, é que 55 Cancri e não tem bloqueio de maré. Ao invés, pode ser como Mercúrio, girando três vezes por cada duas órbitas (o que é conhecido como uma ressonância 3:2). Como resultado, o planeta teria um ciclo dia-noite.

“Isso poderia explicar porque é que a parte mais quente está deslocada,” explicou Alexis Brandeker, investigador da Universidade de Estocolmo que lidera a outra equipa que estuda o planeta. “Tal como na Terra, levaria tempo para que a superfície aquecesse. A hora mais quente do dia seria à tarde, não ao meio-dia.”

A equipa de Brandeker planeia testar esta hipótese usando o NIRCam para medir o calor emitido pelo lado iluminado de 55 Cancri e durante quatro órbitas diferentes. Se o planeta tiver uma ressonância de 3:2, vão observar cada hemisfério duas vezes e deverão ser capazes de detectar qualquer diferença entre os hemisférios.

Neste cenário, a superfície aqueceria, derreteria e até seria vaporizada durante o dia, formando uma atmosfera muito fina que o Webb poderia detectar. À noite, o vapor arrefeceria e condensar-se-ia para formar gotículas de lava que choveriam de volta para a superfície, tornando-a sólida novamente à medida que a noite cai.

A menos quente super-Terra LHS 3844 b

Ao passo que 55 Cancri e fornecerá informações sobre a geologia exótica de um mundo coberto de lava, LHS 3844 b oferece uma oportunidade única para analisar a rocha sólida numa superfície exoplanetária.

Como 55 Cancri e, LHS 3844 b orbita extremamente perto da sua estrela, completando uma revolução em 11 horas. No entanto, como a sua estrela é relativamente pequena e fria, o planeta não é suficientemente quente para que a superfície esteja derretida. Além disso, as observações do Spitzer indicam que é muito pouco provável que o planeta tenha uma atmosfera substancial.

De que é feita a superfície de LHS 3844 b?

Embora não possamos fotografar a superfície de LHS 3844 b directamente com o Webb, a falta de uma atmosfera obscura torna possível o estudo da superfície com espectroscopia.

“Acontece que diferentes tipos de rochas têm diferentes espectros,” explicou Laura Kreidberg no Instituto Max Planck para Astronomia. “Pode-se ver com os olhos que o granito é de cor mais clara do que o basalto.” Existem diferenças semelhantes na luz infravermelha que as rochas emitem.”

A equipa de Kreidberg vai utilizar o MIRI para capturar o espectro de emissão térmica do lado diurno de LHS 3844 b e depois compará-lo com espectros de rochas conhecidas, como o basalto e o granito, para determinar a sua composição. Se o planeta for vulcanicamente activo, o espectro poderá também revelar a presença de vestígios de gases vulcânicos.

A importância destas observações vai muito além de apenas dois dos mais de 5000 exoplanetas confirmados. “Eles vão dar-nos novas perspectivas fantásticas sobre planetas semelhantes à Terra no geral, ajudando-nos a aprender como poderia ter sido a Terra primitiva quando estava quente como estes planetas estão hoje,” disse Kreidberg.

Estas observações de 55 Cancri e e LHS 3844 b serão realizadas como parte do programa de Observadores Gerais do Ciclo 1 do Webb. Os programas de Observadores Gerais foram seleccionados competitivamente usando um sistema de revisão anónimo, o mesmo sistema usado para atribuir tempo no Hubble.

Astronomia On-line
31 de Maio de 2022


 

1127: Astrónomos encontram um tesouro escondido de buracos negros enormes

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Os enormes buracos negros recém-descobertos residem em galáxias anãs, onde a sua radiação compete com a luz de jovens estrelas abundantes.
Crédito: NASA & ESA/Hubble, impressão de artista do jacto do buraco negro por M. Polimera

Cientistas da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, liderados pela equipa de estudantes universitários Sheila Kannappan e Mugdha Polimera, encontraram um tesouro anteriormente ignorado de enormes buracos negros em galáxias anãs que fornecem um vislumbre da história de vida do buraco negro super-massivo no centro da nossa própria Galáxia, a Via Láctea. Os achados foram publicados no passado dia 24 de maio na revista The Astrophysical Journal.

“Os buracos negros que encontrámos são os blocos básicos de construção dos buracos negros super-massivos como o da nossa própria Via Láctea,” disse Kannapan. “Há tanto que queremos aprender sobre eles.”

Como uma galáxia espiral gigante, pensa-se que a Via Láctea tenha sido construída a partir da fusão de muitas galáxias anãs mais pequenas. Cada anã que é atraída pode trazer consigo um buraco negro central massivo, com dezenas ou centenas de milhares de vezes a massa do nosso Sol, potencialmente destinado a ser engolido pelo buraco negro central super-massivo da Via Láctea.

Mas quantas vezes as galáxias anãs contêm um buraco negro massivo é desconhecido, deixando uma falha fundamental na compreensão de como os buracos negros e as galáxias evoluem em conjunto.

“Este resultado realmente fez-me perder a cabeça porque estes buracos negros estavam anteriormente escondidos à vista de todos,” disse Polimera. “Os buracos negros são um tema fascinante…, mas há ainda a questão persistente: de onde vêm tais buracos negros super-massivos? O nosso trabalho é um pequeno passo mais próximo de responder a essa questão.”

Kannapan comparou a sua descoberta do buraco negro a pirilampos.

“Tal como os pirilampos, só vemos buracos negros quando estão iluminados – quando estão a crescer – e os iluminados dão-nos uma pista de quantos não conseguimos ver,” disse ela.

Alegações extraordinárias e evidências extraordinárias

A investigação, financiada em parte pela NSF (National Science Foundation), usou dados para galáxias em dois levantamentos internacionais que Kannapan lidera – o RESOLVE (REsolved Spectroscopy Of a Local VolumE) e o ECO (Environmental COntext Catalog) – para avaliar a presença destes buracos negros crescentes.

Estes levantamentos incluem dados ultravioleta e de rádio, ideias para estudar a formação das estrelas; a maioria dos levantamentos astronómicos seleccionam amostras que favorecem galáxias grandes e brilhantes, mas os levantamentos de Kannapan são inventários completos de grandes volumes do Universo actual em que as galáxias anãs são abundantes.

Kannapan e os seus estudantes perceberam que os dados espectroscópicos utilizados para avaliar a presença de um buraco negro crescente seriam muitas vezes ambíguos da mesma forma específica para as galáxias anãs. Estas galáxias eram tipicamente expulsas dos levantamentos e a ambiguidade era ignorada.

Mas esta ambiguidade despertou a curiosidade de Kannapan. Ela suspeitava que tendo em conta duas propriedades típicas das galáxias anãs – a sua composição elementar mais primordial (principalmente hidrogénio e hélio) e o seu elevado ritmo de formação estelar – poderia resolver a ambiguidade em favor da presença de um buraco negro crescente.

Um professor de astrofísica na Universidade de Elon, Chris Richardson, forneceu simulações teóricas que confirmaram esta suspeita: a ambiguidade observada é exactamente o que as simulações prevêem para uma composição primordial, uma galáxia anã altamente formadora de estrelas contendo um buraco negro massivo em crescimento.

A etapa final da investigação envolveu a procura de galáxias por parte de Polimera nos levantamentos que corresponderam exactamente aos critérios – resultando na descoberta de que os buracos negros massivos e crescentes são mais comuns nas galáxias anãs do que se pensava anteriormente.

A incapacidade de ver um buraco negro contribui para a complexidade do seu estudo. Ao invés, os cientistas devem observar os buracos negros com base nas actividades que ocorrem à sua volta através da atracção gravitacional. No entanto, este tipo de actividade do buraco negro pode ser difícil de desenredar de uma actividade semelhante de estrelas jovens e brilhantes.

“Ficámos todos nervosos,” disse Polimera. “A primeira questão que me veio à cabeça foi: será que nos escapou uma maneira em que a formação estelar extrema, por si só, poderia explicar estas galáxias?”

A resposta foi um retumbante não.

“Ficámos com este resultado que é chocante,” disse Kannapan. “Mugdha fez um trabalho magistral com os dados… ela pesquisou exaustivamente todas as outras explicações possíveis,” disse Kannapan sobre os resultados. “As afirmações extraordinárias exigem provas extraordinárias… ela passou anos a investigar exaustivamente explicações alternativas, apenas para ser obrigada a concluir que a população recentemente identificada de buracos negros massivos e em crescimento é real.”

Astronomia On-line
31 de Maio de 2022