979: Helicóptero Ingenuity avista equipamentos que ajudaram ao pouso do rover Perseverance

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta imagem da cápsula e do para-quedas do Perseverance foi recolhida pelo helicóptero Ingenuity da NASA durante o seu 26.º voo a 19 de Abril de 2022. As imagens obtidas durante o voo podem fornecer uma visão do desempenho dos componentes durante a entrada, descida e aterragem do rover no dia 18 de Fevereiro de 2021.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

O helicóptero marciano Ingenuity da NASA inspeccionou recentemente tanto o para-quedas que ajudou o Perseverance a pousar em Marte, como a concha em forma de cone que protegeu o veículo no espaço profundo e durante a sua descida ardente em direcção à superfície marciana de dia 18 de Fevereiro de 2021.

Os engenheiros do programa MSR (Mars Sample Return) pediram se o Ingenuity podia fornecer-lhes esta perspectiva. O que daí resultou foram 10 imagens aéreas a cores obtidas dia 19 de Abril durante o 26.º voo do Ingenuity.

“A NASA alargou as operações de voo do Ingenuity para realizar voos pioneiros como este”, disse Teddy Tzanetos, líder da equipa do Ingenuity no JPL da NASA no sul da Califórnia. “Sempre que estamos no ar, o Ingenuity cobre novos terrenos e fornece uma perspectiva que nenhuma missão planetária anterior poderia alcançar. O pedido de reconhecimento do MSR é um exemplo perfeito da utilidade das plataformas aéreas em Marte.”

A entrada, descida e aterragem em Marte é rápida e stressante, não só para os engenheiros cá na Terra, mas também para o veículo que suporta as forças gravitacionais, altas temperaturas e outros extremos que vêm com a entrada na atmosfera de Marte a quase 20.000 km/h. O para-quedas e a cápsula tinham sido previamente fotografados à distância pelo rover Perseverance.

Mas as imagens recolhidas pelo helicóptero (de uma perspectiva aérea e mais próxima) fornecem mais pormenores. As imagens têm o potencial de ajudar a garantir aterragens mais seguras para futuras naves espaciais como o “lander” do programa MSR, que faz parte de uma campanha multi-missão que traria as amostras de rochas, atmosfera e sedimentos marcianos obtidos pelo Perseverance à Terra para análises detalhadas.

“O Perseverance teve a melhor aterragem marciana documentada da história, com câmaras a mostrar tudo, desde a inflação do para-quedas até ao pouso,” dise Ian Clark do JPL, antigo engenheiro de sistemas do Perseverance e agora líder da fase de ascensão do MSR. “Mas as imagens do Ingenuity oferecem um ponto de vista diferente.

Se reforçarem que os nossos sistemas funcionaram como pensamos que funcionaram ou fornecerem até mesmo um conjunto de dados de engenharia que possamos utilizar para o planeamento da MSR, será espantoso. E se não, as imagens continuam a ser fenomenais e inspiradoras.”

Nas imagens da concha e do campo de detritos que resultou do seu impacto com a superfície a cerca de 126 km/h, o revestimento protector da cápsula parece ter permanecido intacto durante a entrada atmosférica em Marte. Muitas das 80 linhas de suspensão de alta resistência que a ligam ao para-quedas são visíveis e também parecem intactas.

Espalhado e coberto de poeira, pode ser visto apenas cerca de um-terço do para-quedas laranja e branco – com cerca de 21,5 metros de largura, foi o maior de sempre já utilizado em Marte -, mas não mostra sinais de danos causados pelo fluxo de ar supersónico durante a inflação. Serão necessárias várias semanas de análise para um veredicto mais final.

Manobras do Voo 26

O voo de 159 segundos do Ingenuity começou às 11:37 da manhã, hora local de Marte, de 19 de abril, no aniversário do seu primeiro voo. Voando 8 metros acima do solo, o Ingenuity viajou 192 metros para sudeste e tirou a sua primeira fotografia. O helicóptero depois dirigiu-se para sudoeste e depois para noroeste, tirando imagens em locais pré-planeados ao longo da rota.

Uma vez recolhidas 10 imagens na sua memória flash, o Ingenuity dirigiu-se para oeste 75 metros e pousou. Distância total percorrida: 360 metros. Com a conclusão do Voo 26, o veículo aéreo registou mais de 49 minutos de voo e viajou 6,2 quilómetros.

“Para conseguirmos as fotos que precisávamos, o Ingenutiy fez muitas manobras, mas estávamos confiantes porque também houveram manobras nos voos 10, 12 e 13,” disse Håvard Grip, piloto chefe do Ingenuity no JPL. “O nosso local de aterragem preparou-nos bem para fotografar uma área de interesse para a equipa científica do Perseverance no Voo 27, perto do cume ‘Séítah'”.

A nova área de operações no delta seco do rio da Cratera Jezero marca uma partida dramática do terreno modesto e relativamente plano que o Ingenuity tem sobrevoado desde o seu primeiro voo. Com vários quilómetros de largura, o delta formou-se onde um antigo rio se uniu ao lago da Cratera Jezero.

Subindo mais de 40 metros acima do chão da cratera e cheio de falésias irregulares, superfícies angulares, rochas salientes e bolsas de areia, o delta parece guardar muitas revelações geológicas – talvez até evidências de que a vida microscópica existia em Marte há milhares de milhões de anos.

Ao chegar ao delta, as primeiras ordens do Ingenuity podem ser ajudar a determinar qual dos dois canais secos do rio o Perseverance deve subir para alcançar o topo do delta. Juntamente com a assistência no planeamento das rotas, os dados fornecidos pelo helicóptero vão ajudar a equipa do Perseverance a avaliar potenciais alvos científicos. O Ingenuity pode até ser chamado a fotografar características geológicas demasiado afastadas para o rover alcançar ou a explorar zonas e locais de aterragem à superfície onde os tubos das amostras podem ser depositados para o programa MSR.

Astronomia On-line
29 de Abril de 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
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by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

978: Observações do Hubble utilizadas para responder a perguntas-chave sobre exoplanetas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Observações de arquivo de 25 Júpiteres quentes pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA foram analisadas por uma equipa internacional de astrónomos, permitindo-lhes responder a cinco questões em aberto importantes para a nossa compreensão das atmosferas exoplanetárias. Entre outros achados, a equipa descobriu que a presença de óxidos e hidretos metálicos nas atmosferas exoplanetárias mais quentes estava claramente correlacionada com o facto de as atmosferas estarem termicamente invertidas.
Crédito: ESA/Hubble, N. Bartmann

Observações de arquivo de 25 Júpiteres quentes, pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, foram analisadas por uma equipa internacional de astrónomos, permitindo-lhes responder a cinco questões em aberto importantes para a nossa compreensão das atmosferas exoplanetárias.

Entre outros achados, a equipa descobriu que a presença de óxidos e hidretos metálicos nas atmosferas exoplanetárias mais quentes estava claramente correlacionada com o facto de as atmosferas estarem termicamente invertidas.

O campo da ciência exoplanetária há muito que mudou o seu foco de apenas detecção para a caracterização, embora esta caracterização continue a ser extremamente desafiante. Até agora, a maior parte da investigação sobre a caracterização tem sido direccionada para a modelagem, ou estudos centrados num ou em alguns exoplanetas.

Este novo trabalho, liderado por investigadores da UCL (University College London), utilizou a maior quantidade de dados de arquivo alguma vez examinados num único levantamento de atmosferas exoplanetárias para analisar as atmosferas de 25 exoplanetas.

A maioria dos dados provém de observações feitas com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. O autor principal, Quentin Changeat, explica: “O Hubble permitiu a caracterização aprofundada de 25 exoplanetas e a quantidade de informação que aprendemos sobre a sua química e formação – graças a uma década de intensas campanhas de observação – é incrível.”

A equipa científica procurou encontrar respostas a cinco questões em aberto sobre atmosferas exoplanetárias – um objectivo ambicioso que conseguiram alcançar. As suas perguntas estudaram o que o H- (o H- é um ião negativo de hidrogénio que foi formado pela dissociação de uma molécula como o H2 (hidrogénio) ou H2O (água).

Estas moléculas separam-se a temperaturas muito elevadas, a mais de 2227º C) e certos metais nos podem dizer sobre a química e circulação das atmosferas exoplanetárias e sobre a formação planetária. Escolheram investigar uma vasta gama de Júpiteres quentes, com a intenção de identificar tendências dentro da sua população de amostras que possam fornecer uma visão mais geral das atmosferas exoplanetárias.

O colíder do estudo, Billy Edwards da UCL e do CEA (Commissariat à l’énergie atomique et aux énergies alternatives) disse: “O nosso estudo marca um ponto de viragem para o campo: estamos agora a passar da caracterização de atmosferas exoplanetárias individuais para a caracterização de populações atmosféricas.”

A fim de investigar a sua amostra de 25 exoplanetas, a equipa reanalisou uma enorme quantidade de dados de arquivo, consistindo em 600 horas de observações do Hubble, que complementaram com mais de 400 horas de observações pelo Telescópio Espacial Spitzer. Os seus dados continham eclipses para todos os 25 exoplanetas e trânsitos para 17 deles.

Um eclipse ocorre quando um exoplaneta passa atrás da sua estrela do ponto de vista da Terra, e um trânsito ocorre quando um planeta passa em frente da sua estrela. Tanto os dados dos eclipses como os dados dos trânsitos podem fornecer informações cruciais sobre a atmosfera de um exoplaneta.

O levantamento em grande escala produziu resultados, com a equipa capaz de identificar algumas tendências e correlações claras entre as composições atmosféricas e o comportamento observado. Algumas das suas principais descobertas relacionavam-se com a presença ou ausência de inversões térmicas (uma inversão térmica é um fenómeno natural onde a atmosfera de um planeta ou exoplaneta não arrefece de forma estável com o aumento da altitude, mas em vez disso inverte do arrefecimento para o aquecimento a uma altitude mais elevada.

Pensa-se que as inversões térmicas ocorrem devido à presença de certas espécies metálicas na atmosfera. Por exemplo, a atmosfera da Terra tem uma inversão atmosférica que se deve à presença do ozono (O3)) nas atmosferas da sua amostra de exoplanetas.

Constataram que quase todos os exoplanetas com atmosfera termicamente invertida eram extremamente quentes, com temperaturas superiores a 2000 Kelvin. É importante notar que isto é suficientemente quente para que as espécies metálicas TiO (óxido de titânio), VO (óxido de vanádio) e FeH (hidreto de ferro) sejam estáveis numa atmosfera. Dos exoplanetas com inversões térmicas, verificou-se que quase todos tinham H-, TiO, VO ou FeH nas suas atmosferas.

É sempre um desafio tirar inferências de tais resultados, porque a correlação não implica necessariamente causalidade. No entanto, a equipa foi capaz de propor um argumento convincente para que a presença de H-, TiO, VO ou FeH pudesse levar a uma inversão térmica – nomeadamente que todas estas espécies metálicas absorvem muito eficazmente a luz estelar.

Pode ser que as atmosferas exoplanetárias suficientemente quentes para sustentar estes elementos tendam a ser termicamente invertidas, pois absorvem tanta luz estelar que as suas atmosferas superiores aquecem ainda mais. Por outro lado, a equipa também descobriu que os Júpiteres quentes mais frios (com temperaturas inferiores a 2000 K e, portanto, sem H-, TiO, VO ou FeH nas suas atmosferas) quase nunca tiveram atmosferas termicamente invertidas.

Um aspecto significativo desta investigação foi que a equipa conseguiu utilizar uma grande amostra de exoplanetas e uma quantidade extremamente grande de dados para determinar tendências, que podem ser utilizadas para prever o comportamento noutros exoplanetas.

Isto é extremamente útil, porque proporciona uma visão de como os planetas se podem formar e também porque permite que outros astrónomos planeiem mais eficazmente observações futuras. Inversamente, se um artigo científico se debruçar num único exoplaneta em grande detalhe, embora isso seja valioso, é muito mais difícil extrapolar tendências a partir dele.

Uma melhor compreensão das populações de exoplanetas poderia também aproximar-nos da resolução de mistérios em aberto sobre o nosso próprio Sistema Solar. Changeat acrescenta: “Muitas questões como as origens da água na Terra, a formação da Lua e as diferentes histórias evolutivas da Terra e de Marte, ainda estão por resolver apesar da nossa capacidade em obter medições in-situ. Grandes estudos populacionais de exoplanetas, como o que aqui apresentamos, visam a compreensão desses processos gerais.”

Astronomia On-line
29 de Abril de 2022


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977: NASA dá luz verde à nave espacial OSIRIS-REx para visitar outro asteróide

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista da nave espacial OSIRIS-REx a disparar os seus propulsores perto da superfície do asteróide Apophis.
Crédito: Heather Roper

A nave espacial OSIRIS-REx da NASA vai passar pela Terra para entregar uma amostra do asteróide Bennu no dia 24 de Setembro de 2023. Mas depois disso, não termina o que tem a fazer.

A NASA alargou a missão liderada pela Universidade do Arizona, que passará a chamar-se OSIRIS-APEX, para estudar o asteróide Apophis durante 18 meses, asteróide este que está perto da Terra. O Apophis fará uma passagem próxima pelo nosso planeta em 2029.

A Universidade do Arizona vai continuar a liderar a missão, que fará a sua primeira manobra em direcção ao asteroide Apophis 30 dias após a nave espacial OSIRIS-REx entregar a amostra que recolheu de Bennu em Outubro de 2020. Nesse momento, a equipa original da missão vai dividir-se – a equipa de análise da amostra irá estudar a amostra de Bennu, enquanto a equipa da sonda e dos instrumentos transita para a missão OSIRIS-APEX, abreviatura para OSIRIS-Apophis Explorer.

O professor de Ciências Planetárias Dante Lauretta vai continuar a ser o principal investigador da OSIRIS-REx durante os dois anos restantes da fase de entrega de amostras da missão. A professora assistente de Ciências Planetárias e a investigadora principal adjunta da OSIRIS-REx, Dani DellaGiustina, tornar-se-á então a investigadora principal da OSIRIS-APEX. A extensão acrescenta outros 200 milhões de dólares ao custo da missão.

A equipa da missão fez uma busca exaustiva de potenciais alvos asteróidais. A nave espacial OSIRIS-REx foi construída para o que se chama de missão de rendez-vous, ou seja, em vez de fazer uma única passagem por um objecto e de rapidamente capturar imagens e recolher dados, foi concebida para se aproximar e permanecer com o objecto. DellaGiustina disse: “a nossa nave espacial, nisso, é realmente fenomenal.”

“Apophis é um dos asteróides mais infames,” disse DellaGiustina. “Quando foi descoberto pela primeira vez em 2004, houve a preocupação de que iria colidir com a Terra em 2029 durante a sua aproximação. Esse risco foi anulado após observações subsequentes, mas será a distância mais pequena que um asteróide deste tamanho estará nos cerca de 50 anos em que já seguimos asteróides, ou até nos próximos 100 anos no que toca aos asteróides que descobrimos até agora. Vai passar a menos de um-décimo da distância entre a Terra e a Lua durante o encontro de 2029. As pessoas na Europa e em África poderão vê-lo a olho nu, tal é a sua pequena distância à Terra. Ficámos entusiasmados por descobrir que a missão tinha sido prolongada.”

A OSIRIS-REx foi lançada em 2016 para recolher uma amostra do asteróide Bennu que vai ajudar os cientistas a aprender mais sobre a formação do Sistema Solar e da Terra como um planeta habitável. A OSIRIS-REx é a primeira missão da NASA a recolher e a entregar uma amostra de um asteróide próximo da Terra.

A OSIRIS-APEX não vai recolher uma amostra, mas quando alcançar o Apophis, vai estudá-lo durante 18 meses e recolher dados ao longo do percurso. Fará também uma manobra semelhante à que fez durante a recolha de amostras em Bennu, aproximando-se da sua superfície e disparando os seus propulsores. Este evento vai expor o subsolo do asteroide, para permitir aos cientistas da missão aprenderem mais sobre as propriedades materiais do asteroide.

Os cientistas também querem estudar como o asteróide será fisicamente afectado pela atracção gravitacional da Terra, à medida que se aproxima em 2029.

Querem também aprender mais sobre a composição do asteroide. O Apophis tem aproximadamente o mesmo tamanho de Bennu – mais de 300 metros na sua linha mais longa – mas difere no que toca ao seu tipo espectral. Bennu é um asteróide do tipo B ligado aos meteoritos condritos carbonáceos, enquanto que Apophis é um asteroide do tipo S ligado aos meteoritos condritos comuns.

“A missão OSIRIS-REx já alcançou tantos feitos e estou orgulhoso por continuar a ensinar-nos sobre as origens do nosso Sistema Solar,” disse o presidente da Universidade do Arizona, Robert C. Robbins. “A extensão da missão OSIRIS-APEX mantém a Universidade do Arizona na liderança como uma das principais instituições do mundo a estudar pequenos corpos com naves espaciais e demonstra novamente a nossa incrível capacidade nas ciências espaciais.”

DellaGiustina está também entusiasmada com o facto de a missão proporcionar uma excelente oportunidade para os cientistas em início de carreira obterem desenvolvimento profissional. Os veteranos da OSIRIS-REx vão trabalhar de perto com estes cientistas em início de carreira como mentores nas fases iniciais da missão. Quando a sonda chegar a Apophis, a próxima geração vai assumir papéis de liderança na OSIRIS-APEX.

“A OSIRIS-APEX é uma manifestação de um objectivo central da nossa missão de impulsionar a próxima geração de líderes na exploração espacial. Não podia estar mais orgulhoso da Dani e da sua equipa APEX,” disse Lauretta. “A Dani começou a trabalhar connosco em 2005, como estudante. Vê-la assumir a liderança da missão ao asteróide Apophis demonstra as excelentes oportunidades educacionais na Universidade do Arizona.”

Astronomia On-line
29 de Abril de 2022


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976: Registados os dois maiores sismos marcianos, do outro lado do planeta

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Mapa de relevo da superfície de Marte mostrando a localização do InSight (triângulo laranja), outros sismos marcianos localizados (pontos roxos) que se aglomeram a cerca de 30º de distância, perto de Cerberus Fossae, e S0976a, localizado dentro de Valles Marineris, a norte de Sollis Planum. Prevê-se que a localização de S1000a esteja algures dentro da região sombreada entre 107º e 147º do InSight.
Crédito: Horleston et al. (2022), TSR

O sismómetro colocado em Marte pelo módulo InSight da NASA registou os seus dois maiores eventos sísmicos até à data: um de magnitude 4,2 e outro de magnitude 4,1. São os primeiros eventos registados no outro lado do planeta e são cinco vezes mais fortes do que o maior evento registado anteriormente.

Os investigadores do MQS (Marsquake Service) do InSight relataram na revista The Seismic Record que os dados de ondas sísmicas dos eventos podem ajudá-los a aprender mais sobre as camadas interiores de Marte, particularmente o seu limite núcleo-manto.

Anna Horleston da Universidade de Bristol e colegas foram capazes de identificar ondas PP e SS reflectidas do evento de magnitude 4,2, chamado S0976a, e localizar a sua origem em Valles Marineris, uma enorme rede de desfiladeiros que é uma das características geológicas mais distintivas de Marte e um dos maiores sistemas de fossas tectónicas no Sistema Solar. Imagens orbitais anteriores de falhas transversais e deslizamentos de terras sugeriram que a área seria sismicamente activa, mas o novo evento é a primeira actividade sísmica ali confirmada.

S1000a, o evento de magnitude 4,1 registado 24 dias depois, foi caracterizado por ondas PP e SS reflectidas, bem como ondas P-difratadas, ondas de pequena amplitude que atravessaram o limite do núcleo-manto. Esta é a primeira vez que foram registadas ondas P-difratadas pela missão InSight. Os investigadores não conseguiram identificar definitivamente a localização de S1000a mas, tal como S0976a, este teve origem no outro lado de Marte. A energia sísmica de S1000a também tem a distinção de ser a mais longa registada no Planeta Vermelho, durando 94 minutos.

Ambos os sismos marcianos ocorreram na zona de sombra do núcleo, uma região onde as ondas P e S não podem viajar directamente para o sismómetro do InSight porque são paradas ou dobradas pelo núcleo. As ondas PP e SS não seguem um caminho directo, mas são reflectidas pelo menos uma vez na superfície antes de viajarem para o sismómetro.

“O registo de eventos dentro da zona de sombra do núcleo é um verdadeiro avanço para a nossa compreensão de Marte. Antes destes dois eventos, a maioria da sismicidade estava a cerca de 40º de distância do InSight,” disse Savas Ceylan, co-autor na ETH Zurique. “Estando dentro da sombra do núcleo, a energia atravessa partes de Marte que nunca conseguimos amostrar sismologicamente antes.”

Os dois sismos marcianos diferem em alguns aspectos importantes. S0976a caracteriza-se apenas por energia de baixa frequência, como muitos dos sismos identificados até agora no planeta, enquanto S1000a tem um espectro de frequência muito amplo. “[S1000a] é um claro ‘outlier’ no nosso catálogo e será a chave para a nossa maior compreensão da sismologia marciana,” disse Horleston.

S0976a tem provavelmente uma origem muito mais profunda do que S1000a, disse. “Este último tem um espectro de frequências muito mais parecido com uma família de eventos que observamos que foram modelados como sismos superficiais e crustais, pelo que este evento pode ter ocorrido perto da superfície. S0976a assemelha-se a muitos dos eventos que localizámos em Cerberus Fossae – uma área de falhas extensivas – que têm profundidades modeladas em cerca de 50 km ou mais e é provável que este evento tenha uma fonte profunda e mecanismo semelhantes.”

Em comparação com o resto da actividade sísmica detectada pelo InSight, os dois novos abalos no outro lado do planeta são verdadeiros “outliers”, disseram os investigadores.

“Não só são os maiores e mais distantes eventos por uma margem considerável, S1000a tem um espectro e uma duração diferentes de qualquer outro acontecimento anteriormente observado. São verdadeiramente acontecimentos notáveis no catálogo sísmico marciano,” concluiu Horleston.

Astronomia On-line
26 de Abril de 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
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975: A explicação para a formação de características abundantes em Europa é um bom presságio para a procura de vida extraterrestre

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/VIDA ALIENÍGENA

Esta impressão de artista mostra como as cristas duplas na superfície da lua de Júpiter, Europa, podem formar-se sobre bolsas de água rasas, recongelando dentro da concha de gelo. Este mecanismo baseia-se no estudo de uma característica análoga de dupla crista encontrada no Manto de Gelo da Gronelândia, cá na Terra.
Cédito: Justice Blaine Wainwright

A lua Europa é uma candidata principal à vida no nosso Sistema Solar e o seu oceano profundo de água salgada cativa os cientistas há décadas. Mas está rodeado por uma concha gelada que pode ter quilómetros de espessura, tornando a sua amostragem uma perspectiva assustadora. Agora, evidências crescentes revelam que a concha de gelo pode ser menos uma barreira e mais um sistema dinâmico – e um local de potencial habitabilidade por direito próprio.

Observações de radar que penetram o gelo, que captaram a formação de uma “crista dupla” na Gronelândia, sugerem que a concha de gelo de Europa pode ter uma abundância de bolsas de água sob características semelhantes que são comuns à superfície. As descobertas, que apareceram dia 19 de Abril na revista Nature Communications, podem ser convincentes para detectar ambientes potencialmente habitáveis no exterior da lua joviana.

“Porque está mais perto da superfície, onde se obtêm substâncias químicas interessantes do espaço, de outras luas e dos vulcões de Io, há a possibilidade da vida ter uma oportunidade se existirem bolsas de água na concha,” disse o autor sénior do estudo, Dustin Schroeder, professor associado de geofísica na Escola de Ciências da Terra, Energia e Ambiente da Universidade de Stanford. “Se o mecanismo que vemos na Gronelândia é como estas coisas acontecem em Europa, sugere que há água em todo o lado.”

Um análogo terrestre

Na Terra, os investigadores analisam as regiões polares utilizando instrumentos geofísicos aéreos para compreender como o crescimento e o recuo das camadas de gelo pode ter impacto na subida do nível do mar. Grande parte dessa área de estudo ocorre em terra, onde o fluxo das camadas de gelo está sujeito a hidrologia complexa – tais como lagos sub-glaciares dinâmicos, lagoas de fusão superficial e condutas de drenagem sazonais – que contribui para a incerteza nas previsões do nível do mar.

Uma vez que um subsolo terrestre é muito diferente do oceano sub-superficial de água líquida de Europa, os co-autores do estudo ficaram surpreendidos quando, durante uma apresentação laboratorial de grupo sobre Europa, notaram que as formações que se espalham pela lua gelada pareciam extremamente semelhantes a uma característica menor na superfície do manto de gelo da Gronelândia – um manto de gelo que o grupo estudou em pormenor.

“Estávamos a trabalhar em algo totalmente diferente, relacionado com as alterações climáticas e o seu impacto na superfície da Gronelândia, quando vimos estas pequenas cristas duplas – e pudemos ver as cristas passarem de ‘não formadas’ para ‘formadas'”, disse Schroeder.

Após uma análise mais aprofundada, descobriram que a crista em forma de “M” na Gronelândia. conhecida como crista dupla. poderia ser uma versão em miniatura da característica mais proeminente de Europa.

Proeminente e prevalecente

As cristas duplas em Europa aparecem como cortes dramáticos na superfície gelada da lua, com cristas que atingem mais de 300 metros, separados por vales com cerca de 800 metros de largura. Os cientistas têm conhecimento destas características desde que a superfície da lua foi fotografada pela missão espacial Galileo na década de 1990, mas não têm sido capazes de conceber uma explicação definitiva para a sua formação.

Através da análise dos dados de elevação da superfície e do radar penetrante no gelo recolhidos de 2015 a 2017 pela Operação IceBridge da NASA, os investigadores revelaram como a crista dupla no noroeste da Gronelândia foi produzida quando o gelo se fracturou em torno de uma bolsa de água líquida pressurizada que estava a congelar novamente dentro do manto de gelo, provocando dois picos para a forma distinta.

“Na Gronelândia, este cume duplo formou-se num local onde a água dos lagos e riachos superficiais drena frequentemente para a superfície próxima e volta a congelar,” disse o autor do estudo Riley Culberg, estudante de doutoramento em engenharia eléctrica em Stanford. “Outra forma que as bolsas rasas de água semelhantes se poderiam formar em Europa poderia ser através da água do oceano sub-superficial sendo forçada para dentro da concha de gelo através de fracturas – e isso sugeriria que poderia haver uma quantidade razoável de troca a acontecer dentro da concha de gelo.”

Complexidade crescente

Em vez de se comportar como um bloco de gelo inerte, a concha de Europa parece sofrer uma variedade de processos geológicos e hidrológicos – uma ideia apoiada por este estudo e outros, incluindo evidências de plumas de água que irrompem à superfície. Uma concha dinâmica de gelo suporta a habitabilidade, uma vez que facilita a troca entre o oceano subterrâneo e nutrientes de corpos celestes vizinhos acumulados à superfície.

“Há mais de 20 anos que se estudam estas cristas duplas, mas esta é a primeira vez que conseguimos de facto ver algo semelhante na Terra e ver a natureza a fazer a sua magia,” disse o co-autor do estudo Gregor Steinbrügge, cientista planetário do JPL da NASA, que começou a trabalhar no projecto como investigador de pós-doutoramento em Stanford. “Estamos a dar um passo muito maior no sentido de compreender quais os processos que realmente dominam a física e a dinâmica da concha de gelo de Europa.”

Os co-autores disseram que a sua explicação da formação das cristas duplas é tão complexa que não poderiam tê-la concebido sem um análogo na Terra.

“O mecanismo que apresentamos neste artigo teria sido quase demasiado audacioso e complicado de propor sem o ver acontecer na Gronelândia,” disse Schroeder.

Os resultados equipam os investigadores com uma assinatura de radar para detectar rapidamente este processo de formação de cristas duplas utilizando radar de penetração de gelo, que se encontra entre os instrumentos actualmente planeados para explorar Europa a partir do espaço.

“Somos outra hipótese para além de muitas – temos apenas a vantagem de a nossa hipótese ter algumas observações da formação de uma característica semelhante na Terra para a apoiar,” disse Culberg. “Está a abrir todas estas novas possibilidades para uma descoberta muito excitante.”

Astronomia Online
26 de Abril de 2022


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Porque é que Vénus gira lentamente, apesar do poderoso “aperto” do Sol

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

O brilhante planeta Vénus, visto perto da Lua Crescente.
Crédito: NASA/Bill Dunford

Se não fosse a atmosfera veloz de Vénus, o planeta irmão da Terra provavelmente não rodaria. Ao invés, Vénus teria sempre o mesmo lado virado para o Sol, da mesma forma que vemos sempre a mesma face da Lua a partir da Terra.

A gravidade de um objecto grande no espaço pode impedir um objecto mais pequeno de girar, um fenómeno chamado bloqueio de maré. Dado que impede este bloqueio, um cientista da Universidade da Califórnia, Riverside, argumenta que a atmosfera precisa de ser um factor mais proeminente nos estudos de Vénus, bem como de outros planetas.

Estes argumentos, bem como as descrições de Vénus como um planeta com bloqueio parcial de maré, foram publicados num artigo da revista Nature Astronomy.

“Pensamos na atmosfera como uma camada fina, quase separada, no topo de um planeta que tem uma interacção mínima com o planeta sólido,” disse Stephen Kane, astrofísico da UCR e autor principal do artigo científico. “A poderosa atmosfera de Vénus ensina-nos que é uma parte muito mais integrada do planeta que afecta absolutamente tudo, até a rapidez com que o planeta gira.”

Vénus leva 243 dias terrestres para completar uma rotação, mas a sua atmosfera circula o planeta de quatro em quatro dias. Ventos extremamente rápidos provocam o arrastamento da atmosfera ao longo da superfície do planeta à medida que circula, abrandando a sua rotação ao mesmo tempo que “afrouxa” o aperto da gravidade do Sol.

A rotação lenta, por sua vez, tem consequências dramáticas para o sufocante clima venusiano, com temperaturas médias acima dos 460º C – quente o suficiente para derreter chumbo.

“É incrivelmente extraterrestre, uma experiência muito diferente de estar na Terra,” disse Kane. “Estar à superfície de Vénus seria como estar no fundo de um oceano muito quente. Não conseguíamos respirar.”

Uma razão para o calor é que quase toda a energia do Sol absorvida pelo planeta é absorvida pela atmosfera de Vénus, nunca alcançando a superfície. Isto significa que um rover com painéis solares, como os que a NASA tem enviado para Marte, não funcionaria.

A atmosfera venusiana também bloqueia a energia do Sol de deixar o planeta, impedindo o arrefecimento ou água líquida à superfície, um estado conhecido como efeito de estufa.

Não é claro se o facto de ter um bloqueio parcial de maré contribui para este estado de efeito de estufa, uma condição que acaba por tornar um planeta inabitável pela vida tal como a conhecemos.

Não só é importante obter mais clareza sobre esta questão, a fim de compreender Vénus, como também é importante para estudar os exoplanetas susceptíveis de serem alvo de futuras missões da NASA.

A maioria dos planetas susceptíveis de serem observados com o recentemente lançado Telescópio Espacial James Webb estão muito perto das suas estrelas, ainda mais perto do que Vénus está do Sol. Por conseguinte, também é provável que tenham bloqueio de maré.

Dado que não se sabe se os humanos consigam alguma vez visitar, em pessoa, exoplanetas, é fundamental ter a certeza de que os modelos de computador têm em conta os efeitos do bloqueio de maré. “Vénus é a nossa oportunidade de corrigir estes modelos, para que possamos compreender correctamente os ambientes de superfície dos planetas em torno de outras estrelas”, disse Kane.

“Não estamos a fazer um bom trabalho no que toca a considerar isto neste momento. Estamos sobretudo a utilizar modelos do tipo Terra para interpretar as propriedades dos exoplanetas. Vénus está a ‘abanar os braços’ como que dizendo, ‘olhem para aqui!'”

Obter clareza sobre os factores que contribuíram para um efeito de estufa em Vénus, o vizinho planetário mais próximo da Terra, também pode ajudar a melhorar os modelos do que poderia um dia acontecer ao clima da Terra.

“Em última análise, a minha motivação ao estudar Vénus é compreender melhor a Terra”, disse Kane.

Astronomia On-line
26 de Abril de 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

972: A maior rede social descentralizada da internet explode depois da compra do Twitter

TECNOLOGIA/MASTODON/REDE SOCIAL

A compra do Twitter por parte de Elon Musk tem dado muito que falar. Um dos dados interessantes e que a rede social já está a avaliar é o abandono por parte de muitos utilizadores. Estarão eles simplesmente a sair das redes sociais ou a migrar para a concorrência?

Segundo dados recentes, a rede social Mastodon, auto-denominada de “maior rede social descentralizada da Internet”, teve um enorme crescimento depois da compra do Twitter.

A app Mastodon tem vindo a ser falada já há várias semanas como uma alternativa ao Twitter. Apesar disso, foi com as notícias da compra do Twitter que a rede social de código aberto viu aumentados de forma exponencial os seus utilizadores.

As notícias da compra do Twitter abalaram os funcionários e utilizadores da rede social, uma vez que Musk pretende que esta passe a ser uma rede social onde há “liberdade de expressão”, adoptando uma abordagem muito mais prática à moderação de conteúdo. Não se imagina o que será o Twitter depois desta compra, mas a hashtag #RIPTWITTER é uma tendência.

Além disso, muitos foram os utilizadores que assumiram ter deixado a rede… mas outros tantos parecem ter finalmente visto nela uma possibilidade de expressar as suas opiniões livremente.

Tal como noticiámos, depois das notícias da compra, o número de seguidores de contas como a de Katy Perry e Barack Obama diminuiu drasticamente, sendo que a primeira perdeu mais de 200.000 seguidores e o segundo mais de 300.000. Por sua vez, Marjorie Taylor Greene viu o seu número de seguidores aumentar de 539.000 para 632.000. Jair Bolsonaro, outro actor altamente associado à direita, reuniu quase 90.000 novos seguidores.

Twitter obriga a olhar para a concorrência e Mastodon parece ser a opção

Algumas horas após o anúncio da aquisição do Twitter, a equipa da Mastodon referiu que viu “um influxo de aproximadamente 41.287 utilizadores. Desses, cerca de 30.000 eram novos utilizadores, escreveu o fundador do Mastodon, Eugen Rochko, num artigo no blog.

Curiosamente, uma das razões pelas quais comecei a olhar para o espaço das redes sociais descentralizadas em 2016, e que me levou a criar o Mastodon, foram os rumores de que o Twitter, a plataforma da qual eu era utilizador diário há anos, poderia ser vendido a outro bilionário controverso. Entre, é claro, outras razões, como todas as terríveis decisões sobre produtos que o Twitter estava a adoptar naquela época. E agora, finalmente aconteceu, e pelas mesmas razões, pessoas em massa estão a vir para o Mastodon.

Segundo o Sensor Tower, o download das apps para Android e iOS estão igualmente a sofrer um aumento. Desde segunda-feira que a app já foi instalada mais de 5000 vezes, ocupando já o 32º lugar na App Store. Apesar de tudo, não se pode falar que a app seja já mainstream ou que sequer lá chegue um dia.

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Autor: Maria Inês Coelho

971: Logística da Estação Espacial Internacional deixa hoje de estar dependente da Rússia

– Vladimir “Demente” Putin é pior que o mais perigoso vírus alguma vez chegado à Terra. Tratem de descobrir rapidamente uma vacina para esta pandemia e evitar a exterminação global da Humanidade.

TECNOLOGIA/ESPAÇO/EEI/ISS

A Estação Espacial Internacional (ISS em inglês: International Space Station) é um laboratório espacial completamente concluído, cuja montagem em órbita começou em 1998 e terminou oficialmente em 8 de Julho de 2011. Nesse ano, a Rússia tornou-se um actor central na exploração espacial. Isto deveu-se à dependência crítica da tecnologia russa e da capacidade logística. Moscovo sabia-o e aproveitou-o. Agora tudo vai mudar.

Apesar de a NASA ter deixado de utilizar alguma logística da Rússia, com o aparecimento da SpaceX, foi a guerra na Ucrânia que fez antecipar uma separação entre os países.

Estação Espacial Internacional está menos dependente da Rússia

A 21 de Julho de 2011, através da Atlantis, o programa de vaivéns espaciais dos EUA terminou 135 missões tripuladas e 30 anos de lançamentos espaciais. Desde esse dia, nenhuma plataforma americana (nave espacial e foguetão) tem sido utilizada para lançar missões tripuladas. Desde então, nenhuma plataforma americana (nave espacial e foguetão) capaz de lançar missões tripuladas tem estado operacional.

Embora a China também tivesse a tecnologia, o Congresso dos EUA impede a NASA de trabalhar com o gigante asiático, pelo que a Rússia tornou-se o aliado chave na manutenção de coisas tão importantes como a Estação Espacial Internacional. E a Rússia tirou partido disso.

Conforme foi notícia há uns anos, a conta que a Soyuz apresentava era cada vez maior. O preço do bilhete espacial passou de 21 milhões de dólares em 2008 para 90 milhões de euros em Outubro de 2019. Alguns meses mais tarde, a SpaceX colocou a primeira tripulação no espaço.

Romper com o monopólio

O preço da viagem da Crew Dragon, no valor de 55 milhões de dólares, tornou-a a melhor opção para os programas espaciais ocidentais se tornarem independentes da Roscosmos, a agência espacial russa. No entanto, a pandemia abrandou (e até estagnou) o desenvolvimento de todos estes programas.

O sucesso de há alguns dias, com a primeira missão tripulada privada para a Estação Espacial, a Axiom 1, mostrou que a alternativa existe. Com isso, assistimos hoje ao momento chave da tal independência face aos serviços da Rússia.

No início de Abril, em resposta às sanções ocidentais sobre a invasão da Ucrânia, a Rússia anunciou que iria suspender a sua colaboração com a Estação Espacial Internacional. Até então, a possibilidade de independência da Rússia era apenas isso, uma possibilidade. Agora tornou-se numa necessidade. Se o programa SpaceX falhasse, o futuro próximo da ISS estaria em perigo.

Crew 4

Hoje às 6:53 da manhã GMT do Centro Espacial Kennedy, um Falcon 9 levou quatro astronautas até à ISS na cápsula Dragon Freedom. Esta é também uma missão histórica: Jessica Watkins será primeira mulher negra na Estação Espacial Internacional. Os quatro astronautas, vão juntar-se à actual tripulação da ISS. A acoplagem está prevista para amanhã.

Conclusão: este lançamento marca o início de uma das maiores remodelações no espaço próximo: uma vez que deixará a Rússia sem o papel central na exploração espacial que anteriormente desempenhou.

É importante salientar que esta ruptura com a Rússia não afecta só o transporte de passageiros, ou o envio de material para a Estação Espacial, vai para além disso. A ESA foi forçada a suspender a sua missão Exomars precisamente porque a colaboração com a Rússia era essencial para o seu sucesso.

A missão, a propósito, deveria ter sido lançada em Setembro. Como resultado, a corrida espacial para controlar a órbita próxima da Terra, o estabelecer permanentemente uma base na Lua e até chegar a Marte torna-se mais complicada do que nunca.

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Autor: Vítor M
27 Abr 2022