“Portugueses, os russos nunca são de confiança”, avisa presidente da Câmara de Dnipro

INTERNACIONAL/UCRÂNIA/INVASÃO SOVIÉTICA

“Se não pararmos Putin aqui na Ucrânia, ele vai continuar a destruir o sistema de segurança mundial, e isso será um problema para o povo português”, disse o autarca.

Borys Filatov é o presidente da câmara de Dnipro
© NUNO VEIGA/LUSA

O presidente da Câmara de Dnipro, a quarta maior da Ucrânia, alertou esta quinta-feira que Portugal deve ajudar a parar a Rússia e apontou a cidadania portuguesa atribuída a Roman Abramovich como exemplo de “dinheiro sujo” que contamina as democracias ocidentais.

Borys Filatov admite que Portugal seja menos sensível à questão russa, um sinal de que a União Europeia “é bastante diversificada” e os países do leste europeu “sabem muito bem que Putin não vai parar” e, por isso, “têm uma postura única e comum”.

“Não gostaria de comentar a posição de Portugal em particular, mas tudo o que eu quero é que o governo português e o povo português compreendam uma simples verdade: se não pararmos Putin aqui na Ucrânia, ele não vai parar; ele vai continuar a destruir o sistema de segurança mundial, e mais cedo ou mais tarde, isso será um problema para o povo português”, explicou Filatov, em entrevista à Lusa.

“Todos nós, as elites ocidentais em primeiro lugar, a Alemanha e a França em particular, permitimos que um novo Hitler florescesse nas terras europeias. Não nos apercebemos que, ao longo dos últimos vinte anos, o novo Reich renasceu — na Rússia – e se não o pararmos agora, o Reich irá alastrar”, salientou, acrescentando “todos precisam de compreender” o problema, “incluindo o governo português”.

Comentando o facto do presidente Volodomyr Zelensky ter referido Portugal como um dos países que tem dúvidas sobre a entrada na Ucrânia na União Europeia, Borys Filatov afirmou que o “governo português e o povo português precisam de aprender uma coisa: os russos nunca são de confiança, em circunstância alguma”.

“Abramovich obteve cidadania portuguesa por causa do dinheiro”

“Os russos mentem sempre. Eles mentem o tempo todo e nunca os podemos deixar entrar na nossa casa”, disse o autarca, apontando o processo de atribuição de nacionalidade portuguesa ao oligarca russo Roman Abramovich como um exemplo de corrupção, um caso que está a ser investigado em Portugal.

“Eu gostaria que [os portugueses] pensassem em algo, que pode ser uma espécie de coisa irracional, mas ainda assim é verdade. Abramovich obteve cidadania portuguesa por causa do dinheiro. Primeiro, vem o dinheiro sujo russo, depois os programas russos sujos aparecem na vossa televisão, depois começam a reescrever-vos a história, depois mexem com os vossos contos de fadas, depois mexem com as vossas cabeças, depois os russos deitam-se com as vossas mulheres, e no fim, o vosso país é tomado pelos russos de múltiplas maneiras”, disse Borys Filatov.

Para o autarca, que gere a cidade que tem acolhido mais deslocados de guerra do país, vindos do leste, norte e sul, em fuga dos combates em cidades como Zaporijia, Mariupol, Kharkiv ou a região de Donbass, “os russos nunca poderão ser confiáveis em circunstância alguma, nunca os deixem entrar no vosso negócio; é um país de excluídos e precisa de ser retirado do mapa político do mundo; construam uma cerca alta e de betão à sua volta, e suspendam quaisquer relações diplomáticas”.

Sobre a situação da população russófona, que Putin diz estar a tentar proteger das autoridades ucranianas, o autarca de Dnipro diz que os russos “acreditaram nas suas próprias mentiras”.

“Eu sou russo, o meu pai é russo, a minha mãe é russa. Não há uma gota de sangue ucraniano em mim”, mas se “os russos vierem, irei matá-los sem misericórdia, porque insistem numa “guerra absolutamente sem sentido”.

A mulher de Borys Filatov é da mesma região que Vladimir Putin (São Petersburgo) e a sua sogra ainda lá vive. E quase todos os dias, a sua mulher fala com a mãe, que “compreende a situação da Ucrânia” e “tem pena”, mas, ao mesmo tempo, “continua a acreditar na propaganda” de Moscovo.

“Por exemplo, ela disse-nos, a chorar, que a Polónia quer conquistar Kaliningrado”, um enclave russo no mar Báltico.

Sobre o trabalho do presidente Volodomyr Zelensky, Borys Filatov, que não é do mesmo partido, admitiu que “tinha problemas de relacionamento” mas agora, “para ser honesto”, todos os políticos “que amam a Ucrânia apoiam o presidente neste momento”.

E esta união política verifica-se também ao nível das autarquias, como Dnipro. “No nosso conselho municipal, juntámos todos os partidos pró-ucranianos e todos têm responsabilidades”.

Diário de Notícias
Paulo Agostinho, jornalista da agência Lusa
31 Março 2022 — 10:20

 



 

839: Marcelo vs. Costa

OPINIÃO

A relação entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa é deveras interessante, passa a ideia que se dão muito bem, mas lá no íntimo tenho enormes dúvidas sobre isso.

Marcelo Rebelo de Sousa no seu discurso de tomada de posse do governo, com dois meses de atraso por erros processuais nas eleições legislativas pelo círculo na Europa, avisou António Costa que se sair convoca eleições antecipadas.

Ora bem, tendo em conta, o diapasão do discurso público antecedente, é uma enorme honra qualquer cidadão português desempenhar um alto cargo na Europa ou no Mundo, o caso, de António Guterres, secretário-geral da ONU.

Marcelo Rebelo de Sousa dá a entender que condiciona ou limita qualquer decisão de António Costa, mas o seu efeito prático é nulo. É legitimo, como outros o fizeram, depois de governar há seis anos, tendo mais quatro anos pela frente, serão dez anos como primeiro-ministro, aproximando-se do recorde de Cavaco Silva. António Costa tem todo o direito que, possa aspirar a novos horizontes e dar o lugar a outros.

O problema de Marcelo Rebelo de Sousa é que com esta maioria absoluta, surpreendente, mas inquestionável, pode falar e dizer o que entender procurando o que lhe resta – um magistério de influência – , mas António Costa fará o que entender como entender e quando entender.

A sua estratégia tem, ao longo dos anos, resultado em pleno, tendo vindo a vencer em toda a linha.

António Costa desenvencilhou-se de António José Seguro, pelo meio libertou-se de José Sócrates com a célebre frase: “à política o que é da política, à justiça o que é da justiça”. A seguir enviou Pedro Passos Coelho para casa mesmo vencendo. Continuou tornando o PS o partido mais votado e agora tornou o PS amplamente votado.

Por fim, Marcelo Rebelo de Sousa vai ser a última “vítima” da sua capacidade de ser lobo com pele de cordeiro. António Costa vai continuar a apostar em ter uma boa relação com Marcelo Rebelo de Sousa, mas lá no íntimo sabe que não precisa dele para nada.

António Costa fará o que melhor lhe convier e quiser: fica até ao final do seu mandato, candidata-se a presidente da República, vai para a Europa, retira-se ou continua líder do PS.

Marcelo Rebelo de Sousa foi importante, numa primeira fase para haver menos crispação, a seguir, estabilidade, mas deixou-se enredar na teia Costita. Por vezes, exagerou no apoio a António Costa, agora paga as consequências.

António Costa é imparável, a partir de agora o seu interlocutor directo serão os portugueses, com esta maioria absoluta. A sua sedução não tem limite.

António Costa, se decidir abandonar o governo antes de 2026, fá-lo-á com peso, conta e medida e nada deixará ao acaso.

A sua forma de ser habilidosa, dissimulada e sagaz resolverão o problema da sua, eventual, saída e da sua sucessão no PS.

Na noite das eleições disse uma frase tranquilizadora para os portugueses:”uma maioria absoluta não é poder absoluto, não é governar sozinho”.

Na tomada de posse do seu governo, nada referiu quanto ao seu futuro político.

Omitir também faz parte do seu estilo. Mas com os diabos, o homem ainda agora tomou posse e já lhe estão a impor condições?!

Calma! Uma coisa de cada vez.

*Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores

Diário de Notícias
Joaquim Jorge
31 Março 2022 — 12:05

 



 

838: Marcelo Rebelo de Sousa enterra-se cada vez mais

OPINIÃO

Não bastou a ameaça velada lançada durante a tomada de posse do actual governo de António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente dos portugueses que votaram nele, enterra-se ainda mais com novas afirmações completamente descabidas e sem nexo.

“Marcelo Rebelo de Sousa reiterou a ideia de que nas legislativas de 30 de Janeiro, que o PS venceu com maioria absoluta, “o povo votou num partido, mas votou num homem”.

“Portanto, nesse sentido é refém do povo, não é um ultimato do Presidente, se quiserem, é um ultimato do povo. Eu tenho a certeza de que o primeiro-ministro compreende isto, percebe a importância disto. Portanto, o facto de o ter recordado não significa se não isto. Recordei aquilo que foi a decisão do povo”, acrescentou.
(Diário de Notícias – 31.03.2022)

Finalmente o senhor professor catedrático chegou à conclusão que o povo votou num partido e que foi este partido que avançou com o nome de António Costa para primeiro ministro! Bravo…!!!

E ninguém é refém de ninguém! E como António Costa, ao que consta, não sofre de amnésia anterógrada, amnésia retrógrada, amnésia global transitória, amnésia psicogénica, sindroma de Korsakoff ou amnésia alcoólica, não era necessário o senhor professor ter “recordado” que o povo votou num partido que conseguiu maioria absoluta, embora isso tenha sido um autêntico engulho para o senhor professor…

Francisco Gomes
31.03.2022

 



 

837: Ameaças inacreditáveis

OPINIÃO

Já mencionei num artigo anterior, a minha posição quanto às ameaças, mesmo que veladas, do presidente da República Portuguesa, quanto à eventual saída de António Costa a meio do mandato, para um cargo europeu. Escrevi o seguinte:

“Um presidente da República ameaçar um primeiro ministro, em plena tomada de posse que se ele, PM, abandonar o cargo a meio da legislatura, para ocupar algum cargo europeu – e quem é que já não fez isto? -, ameaçando veladamente com eleições antecipadas, é verdadeiramente inenarrável sob o ponto de vista não só do cargo que desempenha (PR), como político. Esta atitude demonstra bem o tipo de pessoa – e de político de direita – que este personagem é, não escondendo as suas origens na União Nacional do Estado Novo fascista de António de Oliveira Salazar. E merecia, sem qualquer dúvida, uma resposta adequada do primeiro ministro, no mesmo tom e sem qualquer polimento. As últimas eleições legislativas não seriam necessárias se o governo apresentasse novo OE, mas o selfie-man, queria a todo o custo que o seu partido, PPD, fosse governo! Existem linhas limite para tudo, especialmente quando partem de órgãos de soberania nacionais.”

Ora, o que todos os portugueses sabem, é que nas anteriores eleições legislativas, nos boletins de voto, não vinha a figura de António Costa mas o símbolo do partido socialista, como o de todos os outros partidos concorrentes.

É que, se o PR desconhece – o que duvido – que o povo vota nos partidos e o que ganhar nomeia o PM, e não cabe ao PR essa nomeação, parece completamente descabido e irresponsável, vir ameaçar, mesmo que veladamente, eleições antecipadas se o António Costa sair a meio do mandato.

Já todos sabemos que a maioria absoluta do PS é uma pedra no sapato de Marcelo Rebelo de Sousa, que gostaria ter sido o seu partido PPD a formar governo, mas a democracia, mesmo que rasca, é assim que funciona.

Neste particular, é o partido que decide quem vai para PM e não o PR, por isso sr. Marcelo, deixe-se de ameaças, mesmo que veladas, e continue com as suas viagens, as selfies, caridadezinhas, beijinhos e abraços e deixe a democracia, mesmo que rasca, funcionar.

Francisco Gomes
31.03.2022

 



 

836: Hubble descobriu o sistema solar mais distante e mais antigo até hoje… disse a NASA

CIÊNCIA/UNIVERSO

A NASA, no passado dia 23 de Março, prometeu uma “descoberta excitante” digna de entrar “nos livros de registo”. Não deu muitos detalhes, mas prometeu que “a descoberta do Hubble não só expandirá a nossa compreensão do universo, mas também criará uma área de investigação emocionante para o futuro de Hubble e do recém-lançado telescópio James Webb”. Bem, aqui está a surpresa!

O Hubble acabou de encontrar o sistema solar mais distante e mais antigo até à data.

O Telescópio Espacial Hubble da NASA estabeleceu um novo marco extraordinário: detectar a luz de uma estrela que existiu no primeiro mil milhão de anos após o nascimento do universo no big bang – a estrela individual mais distante já vista até hoje.

A descoberta foi feita a partir de dados recolhidos durante o programa RELICS (Reionization Lensing Cluster Survey) do Hubble, liderado pelo co-autor Dan Coe no Space Telescope Science Institute (STScI).

A 12,9 mil milhões de anos-luz de distância…

“Earendel” é uma palavra inglesa antiga que significa “estrela da manhã” ou “luz crescente” e é o nome que a equipa de Brian Welch escolheu para a estrela mais distante que alguma vez conseguimos detectar.

O nome é adequado porque é de facto uma luz crescente: um sistema planetário que surgiu apenas 900 milhões de anos após o Big Bang.

Lente gravitacional… que nos mostra um universo “impossível”

Em grosso modo, a lente gravitacional é formada devido a uma distorção no espaço-tempo causada pela presença de um corpo de grande massa entre um objecto e um observador. Tais “lentes” são formadas quando a luz de objectos distantes e brilhantes se dobram em torno de um objecto maciço (mais tipicamente uma galáxia, daí o nome galáxia) entre o objecto emissor e receptor (e é amplificado).

Desta forma, ao varrer bem o céu, podemos ver coisas distantes que estão por detrás de objectos relativamente mais próximos.

Portanto, utilizando este fenómeno e graças ao Hubble, os investigadores identificaram uma estrela (sistema de uma ou duas estrelas) com uma massa estimada de cerca de 50 vezes a do Sol. A descoberta é excepcional porque o “redshift” é 6.2.

O Redshift” (desvio para o vermelho) é o efeito que nos permite inferir a distância dos objectos astronómicos. Quanto mais alto o número, mais longe. Observações prévias de estrelas individuais mais distantes tiveram redshifts de 1,5 no máximo.

Uma estrela antiga… muito antiga!

É verdade que os detalhes precisos da temperatura, massa e propriedades espectrais da estrela permanecem desconhecidos, mas a descoberta materializa algo que só podemos adivinhar até agora.

Assim, a bola está do lado do mais recente telescópio, o James Webb. Este incrível equipamento, que custou 10 mil milhões de dólares, tem o poder de mudar para sempre a forma como entendemos a ciência planetária.

Com o Webb, esperamos confirmar que Earendel é de facto uma estrela, além de medir o seu brilho e temperatura. Também esperamos descobrir que a galáxia Sunrise Arc está carente de elementos pesados ​​que se formam nas gerações subsequentes de estrelas. Isso sugere que Earendel é uma estrela rara e massiva, pobre em metal.

Estes detalhes restringirão o seu tipo e estágio no ciclo de vida estelar.

Explicou Coe.

Pplware
Autor: Vítor M.
30 Mar 2022



 

835: O batom na cueca

OPINIÃO

O capelão do navio foi apanhado com uma smoking pistol (pistola a fumegar) na mão”, lê-se em A Aventura do Gloria Scott, conto de 1893 de Arthur Conan Doyle, cujo herói é um jovem Sherlock Holmes.

Foi lá, dizem os especialistas, que nasceu a expressão que é hoje sinónimo, não apenas no mundo criminal, mas também no político, ou no cruzamento entre ambos, de “prova irrefutável de culpa”, na forma, alterada com o tempo, de smoking gun (arma a fumegar).

No Brasil, a locução equivalente à anglo-saxónica smoking gun talvez não seja tão elegante mas é, provavelmente, mais eloquente e, seguramente, mais divertida: batom na cueca. O batom na cueca é a arma que fumega, é o flagrante que, inapelável, denuncia o crime.

Eis um exemplo de batom na cueca ainda a fumegar na imprensa: o jornal O Estado de S. Paulo noticiou dia 22 que dois pastores evangélicos, sem ligação formal ao governo, distribuem verbas milionárias do Ministério da Educação a prefeitos escolhidos a dedo Brasil afora. O batom apareceu na cueca no dia seguinte, nas páginas do concorrente Folha de S. Paulo, num áudio no qual o ministro Milton Ribeiro, também pastor, não só admite o esquema como o atribui a uma ordem de Bolsonaro, em pessoa. Na sequência, mais batom: prefeitos denunciam que os pastores oferecem as tais verbas públicas em troca de dinheiro e de barras de ouro.

Outro exemplo: só meses depois de recusar 70 milhões de doses de vacina da Pfizer a metade do preço, que teriam poupado a vida a milhares de compatriotas, o Presidente decidiu comprar uma vacina; mas o imunizante, indiano, seria adquirido 1000% mais caro do que o preço de mercado de forma a beneficiar intermediários – funcionários do Ministério da Saúde, militares na reserva e pastores (são outros, há muitos). Um deputado bolsonarista soube do crime e denunciou-o ao Presidente, que nada fez. Eles contaram a história – o batom na cueca – na Comissão Parlamentar de Inquérito da covid-19 e Bolsonaro não desmentiu.

Por décadas, Bolsonaro e família desviaram os salários de dezenas de assessores para o bolso, num esquema estimado em 29 milhões de reais. O primogénito Flávio Bolsonaro até comprou uma mansão de seis milhões em dinheiro vivo e a primeira-dama Michelle Bolsonaro recebeu na conta 21 cheques de Fabrício Queiroz, apontado pela polícia como operador do esquema. Walter Ferraz, amigo e colaborador de 30 anos de Bolsonaro, disse à revista Veja no início do ano que era o Presidente quem assinava tudo – “isso é o batom na cueca”, resumiu ele.

O ministro do Turismo continuou no governo mesmo depois de coordenar trapaça milionária com candidaturas femininas falsas, o do Ambiente só saiu após se tornar alvo de inquérito por contrabando de madeira e o da Justiça, considerado até então um modelo de honestidade pela extrema-direita, bateu com a porta acusando, com provas de batom na cueca, o Presidente de aparelhar as polícias para se proteger dos seus crimes.

Houve até o caso, quase literal, de batom na cueca do líder parlamentar bolsonarista, Chico Rodrigues, apanhado pela polícia com 30 mil reais escondidos nas nádegas.

No comício do lançamento da pré-campanha, no entanto, Bolsonaro, ladeado pelo presidente do seu partido, preso por envolvimento no Mensalão até 2019, e por Collor de Mello, cujo cadastro dispensa mais apresentações, manteve que no seu governo “não há corrupção”.

É preciso, para usar outra expressão local, muita cara de pau.

Jornalista, correspondente
em São Paulo

Diário de Notícias
João Almeida Moreira
31 Março 2022 — 00:19

 



 

Marcelo “prende” Costa ao Governo e faz ameaça velada de eleições antecipadas

– Um presidente da República ameaçar um primeiro ministro, em plena tomada de posse que se ele, PM, abandonar o cargo a meio da legislatura, para ocupar algum cargo europeu – e quem é que já não fez isto? -, ameaçando veladamente com eleições antecipadas, é verdadeiramente inenarrável sob o ponto de vista não só do cargo que desempenha (PR), como político. Esta atitude demonstra bem o tipo de pessoa – e de político de direita – que este personagem é, não escondendo as suas origens na União Nacional do Estado Novo fascista de António de Oliveira Salazar. E merecia, sem qualquer dúvida, uma resposta adequada do primeiro ministro, no mesmo tom e sem qualquer polimento. As últimas eleições legislativas não seriam necessárias se o governo apresentasse novo OE, mas o selfie-man, queria a todo o custo que o seu partido, PPD, fosse governo! Existem linhas limite para tudo, especialmente quando partem de órgãos de soberania nacionais.

“Marcelo foi mesmo ao ponto de, muito veladamente, ameaçar com eleições antecipadas (caso Costa parta para a Europa). Fê-lo ao garantir que, “se necessário”, não hesitará em “avançar para decisões mais arriscadas ou ingratas”, como – recordou – fez ao convocar as últimas legislativas e ao decretar vários estados de emergência.”

Diário de Notícias
João Pedro Henriques
31 Março 2022 — 07:00

 



 

832: Costa apela à união e diz que maioria absoluta não é poder absoluto

– Talvez sua excelência se sentisse mais confortável com um governo do partido dele, ou seja, PPD e com a bengala do CDS+Chega. Infelizmente isso não aconteceu e não estando a defender a actual governança que hoje tomou posse, lembro-me de um ditado muito antigo, do tempo dos meus Avós, que diziam “Mudam as moscas mas a merda é sempre a mesma“… Mas políticos são assim, tenham eles a cor e ideologia que tiverem, faz parte do seu ADN, gostam de lançar uns quantos aerossóis pela boca fora, mesmo que o outro lado possua uma máscara protectora…

Foto MIGUEL A. LOPES/LUSA

… … “Referindo que “a maioria absoluta serve para o Governo fazer o que tem de ser feito”, o Presidente acrescentou que “na maioria cabem todos os diálogos de interesse: com concertação social e entidades importante”, atirando: “Não foi dado poder absoluto”.”
Marcelo Rebelo de Sousa

Ler notícia completa AQUI

Diário de Notícias
DN
30 Março 2022 — 16:27

 



 

Rare ‘black widow’ star system could help unlock the secrets of space-time

This cannibal star system could be a gravitational wave detecting machine.

An artist’s rendering of a pulsar surrounded by a glowing disk of matter. In ‘black widow’ pulsars, that matter comes from a smaller companion star that’s slowly being irradiated out of existence. (Image credit: NASA/JPL-Caltech)

Every 4 milliseconds, a dead star blasts a powerful beam of radiation toward our planet. Don’t worry — Earth will be fine. It’s the dead star’s tiny companion that’s in trouble.

In a new study published March 11 on the pre-print database arXiv, researchers describe this ill-fated binary star system — a rare class of celestial object known as a black widow pulsar. Just like the cannibal spider from which this type of system takes its name, the larger member of the pair seems intent on devouring and destroying its smaller companion. (In spiders, females are often larger than males.)

However, there will be no quick  decapitation for this black widow; the larger star appears to be killing its partner much more slowly. Over hundreds or thousands of years, the larger star has sucked in matter from the smaller star’s vicinity, while simultaneously blasting the small star with strobing beams of energy, which push even more matter away into space.

Someday, it’s possible that the larger star could devour the smaller one completely, lead study author Emma van der Wateren, a doctoral student at the Netherlands Institute for Radio Astronomy (ASTRON), told Live Science. But, before then, scientists hope to put this strange system to work. By monitoring the larger star’s remarkably steady pulses for sudden irregularities, the study authors hope this pulsar could help them detect rare ripples in the fabric of space-time known as gravitational waves.

“To detect gravitational waves, you need many, many very stable pulsars,” van der Wateren said. “And unlike earlier black widow pulsars that have been discovered, this system is very stable.”

Cannibal corpses

Scientists discovered star system J0610−2100 about 10,000 light-years from Earth in 2003, when they noticed its periodic pulsing with a radio telescope. Researchers pegged the system for a pulsar — a type of small, dense, collapsed star that rotates extremely quickly.

These dead stars are highly magnetized, blasting beams of electromagnetic radiation out of their poles as they spin. When one of those beams points toward Earth, the effect is like a lighthouse, with the light blinking on and off as the beam strobes past us. If the light blinks once every 10 milliseconds or less (like J0610−2100, which blinks every 3.8 milliseconds), then the star fits into an even rarer category, called a millisecond pulsar.

Many millisecond pulsars share their orbits with sun-like companion stars, which the pulsars slowly devour. As the pulsars gobble up the spinning disks of matter spewed by the companion star, they glow in X-ray radiation that can be spotted across the galaxy.

An illustration of a pulsar gobbling up matter from its companion star. In black widow pulsars, the companion star has been stripped down to one tenth the mass of Earth’s sun, or less. (Image credit: NASA Goddard)

And sometimes, a pulsar may take more than its fair share of matter from its companion. If a pulsar’s companion star has a mass smaller than one-tenth the mass of Earth’s sun, then that star system is called a black widow pulsar.

J0610−2100 was the third black widow pulsar ever detected — and seems to be one of the hungriest. The pulsar’s companion star measures just 0.02 solar masses, and completes an orbit around the pulsar every seven hours or so, the study found.

For their new paper, van der Wateren and her colleagues analyzed 16 years’ worth of radio telescope data from this cannibal star system. While the system is unmistakably a black widow pulsar, the team was surprised to find that it was missing a few signature quirks.

For example, the star system never showed what’s known as a radio eclipse — a nearly universal phenomenon in other black widow pulsars.

“Typically, for a portion of the binary orbit, the radio emissions from the pulsar completely disappear,” van der Wateren said. “This occurs when the companion star moves close to the front of the pulsar, and all this irradiated material coming off of the companion eclipses the pulse emission from the pulsar.”

Over 16 years, the star system also never showed any timing irregularities — sudden, tiny differences in the timing of a pulsar’s pulse compared to astronomers’ predictions.

Waves that move the universe

The absence of these two common phenomena is hard to explain, van der Wateren said. It could be that the line of sight on this pulsar is skewed so that radio eclipses just aren’t apparent to Earth-based telescopes, or perhaps the pulsar’s companion star isn’t being irradiated quite as strongly as other known pulsars that show these features. But whatever the case, this black widow system is incredibly stable and predictable — which makes it a perfect candidate for detecting gravitational waves, the researchers said.

These waves (first predicted by Albert Einstein) occur when the universe’s most massive objects interact — like when black holes or neutron stars collide. The waves ripple through time and space at light-speed, warping the fabric of the universe as they pass.

One way that astronomers hope to detect gravitational waves is by monitoring dozens of millisecond pulsars at once using systems called pulsar timing arrays. If every pulsar in the array suddenly experienced a timing irregularity around the same time, that could be evidence that something massive, like a gravitational wave, disrupted their pulses on the way to Earth.

“We have not detected gravitational waves in this way yet,” van der Wateren said. “But I think we are coming close.

That’s what makes the discovery of highly predictable black widow pulsars like this one so important, van der Wateren added.

Typically too temperamental because of their radio eclipses and timing irregularities, black widow pulsars are rarely good candidates for gravitational wave detection. But J0610−2100 might be an exception — and its mere existence suggests that there could be other suitable exceptions out there too. Like its arachnid namesake, this black widow’s cannibal bite may serve a greater purpose in the end.

Originally published on Live Science.
By Brandon Specktor
30.03.2022