480: Esta é a primeira vez que um conjunto de orcas mata uma baleia azul adulta

CIÊNCIA/CETOLOGIA

Para além de comerem animais como peixes e focas, as baleias assassinas (conhecidas como orcas) também caçam alguns tipos de baleias. Daí o seu nome.

Mas este é o primeiro caso documentado de um grupo de orcas a matar e comer o maior animal do mundo — uma baleia azul adulta.

Segundo o New Atlas, embora o estudo tenha sido apenas anunciado esta semana, o ataque ocorreu em Março de 2019, e foi testemunhado por investigadores do Centro de Investigação de Cetáceos da Austrália (CETREC) e do Projecto ORCA.

Os cientistas estavam em barcos, a realizar levantamentos anuais de baleias e golfinhos perto de Bremer, no largo da costa sul da Austrália Ocidental.

Sabe-se que uma população de aproximadamente 140 orcas se desloca sazonalmente pela área, algumas das quais permanecem durante todo o ano.

“Quando chegámos, cerca de 14 baleias assassinas estavam a atacar a azul em águas de 70 metros, com as orcas fêmeas a liderar o ataque”, explicou Isabella Reeves, membro da equipa de investigação.

“À chegada, já notámos uma ferida substancial no topo da sua cabeça com osso exposto. A barbatana dorsal estava desaparecida, sem dúvida mordida pelas baleias assassinas. As marcas de dentadura eram evidentes à frente e atrás, onde outrora estava a barbatana dorsal, e até à cauda da baleia”, contou a especialista.

Naquele que é descrito como um ataque coordenado, algumas das baleias assassinas abalroaram os lados do animal maior, mordendo pedaços de pele, enquanto as outras atacaram atrás da sua cabeça.

Após o afundamento da carcaça, aproximadamente 50 baleias assassinas permaneceram na área para se alimentarem dos pedaços de carne flutuantes.

Algumas das mesmas orcas foram vistas a matar uma cria de baleia azul, duas semanas mais tarde, tendo sido observado outro ataque deste tipo no ano passado.

“Este estudo, combinado com a nossa investigação recente, destaca a necessidade de uma maior compreensão da ecologia da população de baleias assassinas, para que possamos determinar melhor o seu impacto no ecossistema marinho em águas australianas”, concluiu John Totterdell, o investigador principal do estudo.

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31 Janeiro, 2022

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479: Última análise política às legislativas de Janeiro 2022

– O partido racista, xenófobo e fascista que por uma questão de nojo, me escuso a mencionar, “teve cerca de 66 mil votos em 2019 (e um deputado); agora subiu para 12 deputados, com 385 mil votos. São quase 400 mil portugueses a votar neste partido. Como é – ou foi – possível existirem estes números em Portugal, depois de quase CINQUENTA ANOS de fascismo salazarista?

10 anos de Costa, PSD com mais votos, 400 mil no Chega: outros números das eleições

José Sena Goulão / Lusa
O primeiro-ministro, António Costa

António Costa vai bater um recorde na História de Portugal. 18 vitórias do PS e CDS com mais votos do que Livre e PAN.

Um aviso antes de todas contas seguintes: estes números ainda não incluem os votos nos consulados portugueses. Falta contabilizar as preferências dos portugueses que moram no estrangeiro.

A reacção foi geral, a partir das 20 horas: a surpresa instalou-se e o dia 30 de Janeiro de 2022 fica na História da política portuguesa. O Partido Socialista, contrariando todas as previsões recentes, venceu as eleições legislativas com maioria absoluta. E conseguiu dois recordes no Portugal democrático – já lá vamos.

Outra surpresa foi a abstenção que, apesar de continuar elevada (42,04%), foi muito inferior à registada nas legislativas de 2019, que foi de 51,43% – e não havia coronavírus nessa altura.

CDS desapareceu

Antes do grande vencedor, o facto histórico: pela primeira vez (em eleições livres), o Centro Democrático Social – Partido Popular não conseguiu eleger qualquer deputado. O CDS-PP, um dos fundadores da democracia em Portugal, que foi diversas vezes o terceiro partido mais votado em Portugal, que tinha 42 deputados em 1976, que tinha 24 deputados já em 2011… Ficou com zero. Como se esperava, Francisco Rodrigues dos Santos demitiu-se. E não se sabe o que virá a seguir nos democratas-cristãos.

Dois recordes do PS

Agora, o grande vencedor da noite: António Costa. Ao ser eleito novamente, o líder do PS vai chegar a Janeiro de 2026 como primeiro-ministro, se não aparecer uma grande novidade entretanto (recordemos Durão Barroso, em 2004). E, assim, olhando para o pós-25 de Abril, torna-se no político que será primeiro-ministro durante mais tempo em Portugal: 10 anos. Vai superar Cavaco Silva, que ficou muito perto dos 10 anos no cargo.

E mais: nessa altura, o PS terá governado o país em 16 dos últimos 20 anos. Outra maioria absoluta.

O PS conseguiu outro registo inédito: venceu nos 18 distritos de Portugal Continental. E, tendo em conta, que também ganhou nos Açores, só a Madeira “escapou” do domínio socialista.

A maioria absoluta surpreendente foi conseguida, apesar de esta ser a maioria absoluta com menor percentagem de sempre em Portugal: 41,68%. O menor número anterior pertencia igualmente ao PS, quando José Sócrates conseguiu 45.03% dos votos em 2005. Curiosamente, já houve duas ocasiões em que o PS conseguiu percentagens maiores mas não chegou à maioria absoluta – em 1995 e em 1999, ambas com António Guterres no comando.

PSD com mais votos, mas…

O segundo lugar foi para o Partido Social-Democrata. Uma noite de derrota para Rui Rio, que no entanto conseguiu mais votos do que em 2019, ano das legislativas anteriores. Tinha conseguido na altura 1.420.644 votos e agora subiu ligeiramente, para os 1.498.605 votos. Mas, novamente, as percentagens podem enganar: de 77 passou para 71 deputados.

Várias sondagens previram um empate técnico entre PS e PSD mas, no dia decisivo, o PS ficou com mais 46 deputados do que o PSD: 117 contra 71. Uma diferença de quase 750 mil votos, favorável aos socialistas.

Grandes subidas à Direita

Então, se o PSD tem menos deputados e se o CDS desapareceu da Assembleia, para onde foram os votos dos eleitores de Direita? Para os recém-chegados Chega e Iniciativa Liberal.

Os dois partidos tinham-se estreado no Parlamento apenas em 2019 mas já passaram a ser, respectivamente, as terceira e quarta forças políticas mais fortes em Portugal.

O Chega teve cerca de 66 mil votos em 2019 (e um deputado); agora subiu para 12 deputados, com 385 mil votos. São quase 400 mil portugueses a votar no Chega, que ainda pode atingir esse número redondo, quando “chegarem” os votos dos consulados.

A Iniciativa Liberal tinha um deputado e 65 mil votos; passou a ter oito deputados e 268 mil votos – mais do triplo dos votos no CDS.

Grandes descidas à Esquerda

O CDS desapareceu mas o Bloco de Esquerda também foi alvo de uma queda considerável: de 19 deputados passa a ter apenas cinco.

Curiosamente o Bloco teve mais votos do que a Coligação Democrática Unitária (CDU), com uma diferença ligeira de quase quatro mil preferências; mas a CDU é que terá seis deputados, contra os cinco do Bloco. Na disputa pelos “extremos”, o Chega terá mais deputados do que BE e CDU juntos (12-11).

Os comunistas terão seis representantes em São Bento mas nenhum deles será João Oliveira, que era líder parlamentar e que substituiu Jerónimo de Sousa nos debates desta campanha. E nenhum deles será um deputado do Partido Ecologista “Os Verdes” – o PEV também sai do Parlamento.

Por falar em ecologia, o Pessoas-Animais-Natureza (PAN) só conseguiu colocar Inês Sousa Real. E essa eleição surgiu mesmo nos últimos minutos da contagem. O PAN passa de quatro para uma deputada.

Quer o PAN, quer o Livre (um deputado), tiveram menos votos do que o CDS: 86 mil no CDS, 82 mil no PAN e 69 mil no Livre. Mas a contabilidade dos círculos eleitorais, dos distritos, colocou o CDS fora do Parlamento.

Os “outros”

Um pouco mais abaixo, verificamos que, retirando das contas os nove partidos que já tinham pelo menos um deputado, o partido mais votado foi o Reagir Incluir Reciclar. O RIR, liderado por Vitorino Silva, reuniu mais de 22 mil votos, bem acima de todos os outros mais “pequenos”.

O CDS caiu, Bloco e CDU também desceram muito. Mas, em termos relativos, olhando para a escala, o partido que sofreu a maior queda de todas foi o Aliança. Foram quase 40 mil votos em 2019, não muito longe do Livre, que conseguiu um deputado na altura. Em 2022 desceu para menos de dois mil votos. A diferença chama-se Pedro Santana Lopes, que em 2020 deixou o partido.

Há pelo menos 260 portugueses a apoiar a Monarquia em Portugal. Foi esse o número de votos no Partido Popular Monárquico, o PPM (último classificado na noite passada).

Nuno Teixeira da Silva
31 Janeiro, 2022


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478: Outro satélite da Starlink “entrou” na atmosfera e a explosão foi vista no Brasil

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/STARLINK

Há cerca de uma semana, o satélite da Starlink 2200 saiu de órbita e desintegrou-se na atmosfera da Terra. Na altura a bola de fogo foi vista na Península Ibérica. Ontem, no outro lado do Atlântico, apareceu um estranho fenómeno luminoso no céu do Maranhão e do Tocantins.

Segundo especialistas, foi uma reentrada indesejada na nossa atmosfera – talvez um pequeno satélite Starlink, lançado em 2020.

Starlink perde mais um satélite

A SpaceX tem planos para colocar a funcionar uma constelação de 12 mil satélites (com potencial de expansão para 42 mil). Esta rede conseguirá fornecer banda larga para qualquer lugar do mundo.

Os satélites de Musk não são geo-estacionários. O plano é que eles ocupem órbitas muito mais baixas, entre 340 km e 1.150 km de altitude. Isso diminui a distância que o sinal necessita de percorrer e melhora a latência.

Estes pequenos satélites da rede proprietária da SpaceX pesam cerca de 260 kg. Quando avariam ou chegam ao fim de vida, o seu cemitério é a Terra.

Vídeos mostram satélite Starlink a cair sobre o Brasil

Os residentes da cidade de Imperatriz (MA) e de Araguaína (TO) puderam registar o momento em que um satélite sai de órbita e desintegrou-se na nossa atmosfera. A bola de fogo cruzou o céu por volta das 23 horas locais.

Um indício de que era lixo espacial foi a lenta velocidade da bola de fogo, isto é, a passagem durou mais de 20 segundos. Se fosse um meteorito era bem mais rápido, assim como se fosse um avião.

Era muito brilhante, tinha uma bola maior e muitas bolas pequenas juntas, e passou lentamente, e pelo ângulo vi que era como se estivesse a voltar ao ao chão, foi inacreditável.

Disse uma moradora que viu a bola de fogo e disse que tinha um brilho laranja.

De volta à atmosfera

Há cada vez mais satélites a preencher a órbita da Terra. Como tal, começa a ser “normal” as reentradas de peças, e de lixo espacial após o término da sua missão. Contudo, iremos começar a ver cada vez mais satélites a caminho da sua destruição na atmosfera.

Alguns deles têm uma data de validade, outros têm defeitos, e no final são “desfeitos”, incinerados pelo atrito ao atravessar as camadas de gases até chegarem ao solo. Estes acontecimentos nem sempre são controlados.

Quando chegam à nossa atmosfera a uma velocidade muito alta, e ao queimarem, geram um fenómeno de iluminação, como se viu ontem no Brasil. As cores do rasto dependem da construção do equipamento, do combustível e da contenção dos gases.

Alguém correu perigo?

Durante o processo, o objecto destrói-se,  desintegra-se, evapora-se quase por completo. Nesse sentido, se estas partículas atingirem o solo, serão muito pequenas. Portanto, fique descansado. O risco de ferimentos ou destruição a partir destes detritos é praticamente inexistente.

Esta reentrada era mais ou menos expectável. Segundo informações, o satélite n.º 1840 foi lançado a 25 de Novembro de 2020, a partir da Base Aérea do Cabo Canaveral, Florida (EUA), no 14.º lote do projecto.

Até agora, houve 34 lançamentos, que colocaram quase 2.000 mini-satélites Starlink na órbita da Terra.

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Autor: Vítor M.
30 Jan 2022


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476: Encontradas evidências de um oceano dentro da “Estrela da Morte” de Saturno

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/GEOFÍSICA

NASA / JPL
Famosa por se parecer com a “Estrela da Morte” de “Guerra das Estrelas”, Mimas agora chama a atenção por poder conter um oceano subterrâneo

Uma cientista do SwRI empenhou-se em provar que a minúscula lua mais interior de Saturno era um satélite inerte congelado e, em vez disso, descobriu evidências convincentes de que Mimas tem um oceano líquido interno.

Famosa por se parecer com a “Estrela da Morte” de “Guerra das Estrelas”, Mimas agora chama a atenção por poder conter um oceano subterrâneo

Nos últimos dias da missão Cassini da NASA, a nave espacial identificou uma curiosa libração, ou oscilação, na rotação da lua, que muitas vezes aponta para um corpo geologicamente activo capaz de suportar um oceano interno.

“Se Mimas tiver um oceano, representa uma nova classe de pequenos mundos oceânicos ‘furtivos’ com superfícies que não traem a existência do oceano,” disse a Dra. Alyssa Rhoden do SwRI, especialista em geofísica de satélites gelados, particularmente os que contêm oceanos, e na evolução dos sistemas de satélites de planetas gigantes.

Uma das descobertas mais profundas da ciência planetária nos últimos 25 anos é que mundos com oceanos por baixo de camadas de rocha e gelo são comuns no nosso Sistema Solar. Tais mundos incluem os satélites gelados dos planetas gigantes, como Europa, Titã e Encélado, bem como objectos distantes como Plutão.

Os mundos como a Terra, com oceanos à superfície, têm que residir dentro de uma estreita gama de distâncias até à sua estrela a fim de manter as temperaturas que suportam oceanos líquidos.

Contudo, os mundos com oceanos interiores encontram-se numa gama muito mais vasta de distâncias, expandindo largamente o número de mundos habitáveis susceptíveis de existir em toda a Galáxia.

“Tendo em conta que a superfície de Mimas é altamente craterada, pensámos que se tratava apenas de um bloco de gelo,” disse Rhoden.

“Os mundos com oceanos interiores, como Encélado e Europa, tendem a estar fracturados e mostram outros sinais de actividade geológica. Afinal, a superfície de Mimas estava a enganar-nos e o nosso novo entendimento expandiu em muito a definição de um mundo potencialmente habitável no nosso Sistema Solar e mais além.”, acrescentou.

Os processos das marés dissipam a energia orbital e rotacional como calor num satélite. Para corresponder à estrutura interior inferida a partir da libração de Mimas, o aquecimento de marés dentro da lua deve ser suficientemente grande para evitar o congelamento do oceano, mas suficientemente pequeno para manter uma espessa concha gelada.

Utilizando modelos de aquecimento por maré, a equipa desenvolveu métodos numéricos para criar a explicação mais plausível para uma concha de gelo estável com 23 a 32 km de espessura sobre um oceano líquido.

“Na maioria das vezes, quando criamos estes modelos, temos de os refinar para produzir o que observamos,” disse Rhoden. “Desta vez, as evidências para um oceano interno acabaram por dar os cenários mais realistas de estabilidade da concha gelada e de librações observadas.”

A equipa descobriu também que o fluxo de calor da superfície era muito sensível à espessura da concha de gelo, algo que uma nave espacial pode verificar. Por exemplo, a nave espacial Juno está programada para voar por Europa e utilizar o seu radiómetro de micro-ondas a fim de medir fluxos de calor nesta lua joviana.

Estes dados vão permitir aos cientistas compreender como o fluxo de calor afecta as conchas geladas de mundos oceânicos como Mimas, que são particularmente interessantes à medida que a Europa Clipper da NASA se aproxima do seu lançamento previsto para 2024.

“Embora os nossos resultados apoiem um oceano actual dentro de Mimas, é um desafio reconciliar as características orbitais e geológicas com a nossa actual compreensão da sua evolução termo-orbital,” disse Rhoden.

“A avaliação do estatuto de Mimas como uma lua oceânica seria uma referência para os modelos da sua formação e evolução. Isto ajudar-nos-ia a compreender melhor os anéis de Saturno e as luas de tamanho médio, bem como a prevalência de luas oceânicas potencialmente habitáveis, particularmente em Úrano. Mimas é um alvo atraente para mais investigações.”, acrescentou.

O estudo foi recentemente publicado na revista científica Icarus.

ZAP //CCVAlg

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31 Janeiro, 2022


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475: Portugal Continental e Regiões Autónomas Território Nacional

PARTIDOS % VOTOS  DEPUTADOS

PS 41.68% 2.246.483 117

PPD/PSD 27.8% 1.498.605 71

CH 7.15% 385.543 12

IL 4.98% 268.414 8

B.E. 4.46% 240.257 5

PCP-PEV 4.39% 236.630 6

CDS-PP 1.61% 86.578 0

PAN 1.53% 82.250 1

L 1.28% 68.971 1

PPD/PSD.CDS-PP 0.94% 50.634 3

PPD/PSD.CDS-PP.PPM 0.53% 28.520 2

R.I.R. 0.42% 22.705 0

JPP 0.2% 10.935 0

PCTP/MRPP 0.2% 10.755 0

ADN 0.19% 10.017 0

MPT 0.12% 6.437 0

MAS 0.11% 5.990 0

VP 0.1% 5.528 0

E 0.09% 4.756 0

PTP 0.06% 3.239 0

NC 0.06% 2.997 0

A 0.04% 1.902 0

PPM 0.0% 260 0

31.01.2022


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474: PS com maioria absoluta esmaga BE e PCP. Crises de liderança no PSD e no CDS

Voto útil à esquerda concentra votos no PS, que conquista a segunda maioria absoluta da sua história. Bloquistas e comunistas esmagados – mas os comunistas voltam a estar à frente do BE em número de deputados (seis contra cinco). PAN reduzido a um deputado e Livre reconquista reeleição, com Rui Tavares a superar os resultados de Joacine Katar Moreira. À direita, PSD não subiu nem desceu. CDS-PP desapareceu do Parlamento, engolido pelo forte crescimento do Chega (de um para 12 deputados) e da Iniciativa Liberal (de um para oito).

Aconteceu o que nenhuma sondagem antecipou: o PS venceu ontem as eleições legislativas com maioria absoluta. Pela segunda vez na história do partido – a primeira foi em 2005, com José Sócrates – os socialistas lograram eleger mais de 115 deputados (no mínimo 117, provavelmente 119, contando com os dois tradicionais eleitos socialistas nos círculos emigrantes).

António Costa sagrou-se como o grande vencedor da noite e agora pode formar Governo e fazer aprovar o seu Orçamento do Estado para 2022 sem ter de o negociar com ninguém, nem à esquerda nem à direita.

O resultado do PS obteve-se sobretudo por esmagamento do Bloco de Esquerda e da CDU. O voto útil à esquerda funcionou em pleno a favor de Costa. Foi “absolutamente esmagador”, reconheceria Rui Rio, quando pelas 23.20 admitia a derrota e parabenizava o líder do PS. Nessa mesma declaração, Rio admitiria que “o PSD não obteve nem de longe nem de perto” o resultado que pretendia e anunciaria que, tendo o PS maioria absoluta, não estava a ver como poderia continuar a ser útil ao PSD. “Eu não estou a ver como posso ser útil ao PSD, sinceramente não estou a ver.” Tudo indica que brevemente se iniciará no PSD o processo de sucessão.

António Costa fez o discurso da vitória pouco depois da meia-noite, no hotel do costume em Lisboa onde o PS organiza as suas noites eleitorais, o Altis.

Apesar de nessa altura os resultados oficiais ainda não o dizerem – o PS nessa altura só tinha 112 eleitos -, o líder do PS já assumia que o seu partido iria alcançar a maioria absoluta, “com 117 ou 118” eleitos, não contando com os (presumivelmente dois) eleitos pela emigração (a maioria faz-se a partir dos 116 deputados).

António Costa tentou dissuadir todos os medos associados à ideia de maioria absoluta. “Uma maioria absoluta não é o poder absoluto, não é governar sozinho, é uma responsabilidade acrescida”, prometeria. E até existe um “desafio”, que é o de “reconciliar os portugueses com a ideia de maioria absoluta”.

Portanto – acrescentou – esta será uma “maioria de diálogo com todas as forças políticas” e irá “promover os consensos necessários na Assembleia da República e com os parceiros sociais”. Assim, depois de ser indigitado primeiro-ministro pelo Presidente da República, irá reunir com os partidos parlamentar, excepto o Chega (“não faz sentido”).

Quando o líder do PS acabou de falar havia já a certeza que o partido venceria com maioria absoluta. Porém, os resultados definitivos não estavam apurados. Pelas 00.30 de hoje faltavam apurar 18 deputados: 14 no território nacional, dois pelo círculo da Europa e mais dois pelo círculo de Fora da Europa.

Tudo apontava nessa altura que o PSD ficaria com um score mais ou menos parecido – eventualmente um pouco superior – ao obtido em 2019 (27,9 por cento e 77 deputados eleitos). Às 00.30, o PSD tinha 72 deputados (mas, repete-se, estavam 18 deputados por atribuir).

João Oliveira falha eleição

À esquerda, as eleições foram um arraso tanto para bloquistas como para comunistas – e tanto Jerónimo de Sousa como Catarina Martins culparam a “bipolarização artificial” e “falsa” criada durante a campanha. Às 1.00 da manhã, a CDU tinha seis eleitos (12 em 2019) e o Bloco cinco (19 em 2019).

Na bancada da CDU, os dois deputados do PEV deixaram de ter assento, falhando a sua eleição. E também sai o histórico António Filipe (falhou a eleição em Santarém) e, além dele, João Oliveira, líder parlamentar, que também não conseguiu ser eleito em Évora (e assim se vê afastado da posição de candidato à cada vez mais premente sucessão de Jerónimo de Sousa). Na prática, o único histórico que restará na bancada comunista será o próprio líder.

Também o PAN sairia derrotado – à hora do fecho desta edição tinha um único deputado eleito (foram quatro em 2019).

Quem pode cantar vitória foi o Livre. Rui Tavares, cabeça de lista em Lisboa, conseguiu ser eleito, e com um resultado melhor do que o de Joacine Katar Moreira (28,2 mil votos contra 22,4 mil em 2019).

CDS desaparece da AR

À direita, o mapa reconfigurou-se às avessas do que aconteceu à esquerda. Enquanto à esquerda, a força se concentrou num partido, o PS, à direita assistiu-se a um forte crescimento tanto do Chega (de um para pelo menos 12 deputados) como da Iniciativa Liberal (de um para oito deputados).

A grande vítima do crescimento do Chega e da IL foi o CDS-PP. Pela primeira vez desde a fundação da democracia, nas eleições para a Constituinte em 1975, o partido fundado por Freitas do Amaral deixa de ter qualquer representação no Parlamento. O líder do partido, Francisco Rodrigues dos Santos, assumiu as consequências anunciando a demissão.

Projecções acertam

Às 20.00 (hora do continente) as televisões publicaram as suas projecções de boca de urna. Ficou de imediato claro que António Costa seria o grande vencedor da noite. Mas essas projecções não só apontavam para uma vitória clara dos socialistas como para a forte possibilidade de chegarem à maioria absoluta.

Outros dados ficavam claros: o Bloco de Esquerda e a CDU seriam fortemente penalizados pelo efeito do voto útil no PS, passando de terceira e quarta força para quinta e sexta. O Livre mantinha nas projecções a eleição de um deputado (como em 2019) ou talvez dois. E o PAN – partido que não gosta de ser visto como de direita ou de esquerda – perderia representação, não vendo assim premiada a sua atitude equidistante.

O efeito do voto útil não funcionaria, porém, à direita. O PSD reforçaria a sua votação mas ficando longe do PS. Mas, mais do que isso, Rui Rio revelar-se-ia incapaz de impedir o crescimento de dois partidos no extremo da ala direita parlamentar, a Iniciativa Liberal e o Chega. As projecções colocavam os dois partidos a disputar renhidamente o terceiro lugar, com ligeira vantagem para o partido de André Ventura. De resto, ainda à direita, o CDS-PP seria reduzindo à quase inexistência mas mantendo representação parlamentar.

Num primeiro comentário, o PS revelou-se prudente mas já salientando que a concentração de votos à esquerda no partido revelava uma vontade renovada de estabilidade governativa. “A confirmarem-se os resultados, será uma vitória da humildade, da confiança e pela estabilidade [política no país]. Mas vamos esperar pelos resultados”, dizia Duarte Cordeiro, director da campanha do PS, numa declaração aos jornalistas que acompanhavam a noite eleitoral socialista no sítio do costume, o Hotel Altis, em Lisboa.

No PCP o primeiro comentário foi no sentido de explicar o mau resultado da CDU como consequência da bipolarização entre PS e PSD. “Tudo indica que estas eleições dão um resultado muito expressivo ao PS e isto, num quadro de uma fortíssima bipolarização artificial, como demonstram os resultados do PSD, serviu, sobretudo, para prejudicar a votação da CDU”, dizia Jorge Pires, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP.

No PSD, a direcção escolheu não reagir às projecções. A título pessoal, Alexandre Poço, membro da direcção do PSD e líder da JSD, reconhecia a sua “óbvia frustração” por os resultados aparentemente não reflectirem a mobilização que tinha assistido nas ruas durante a campanha. E tirava também a conclusão óbvia: “É justo reconhecer que há maior tendência de voto útil à esquerda do que à direita.” O PAN também recusava comentar as projecções, dizendo Ricardo Vicente que o partido aguardava “serenamente” os resultados finais.

No Chega, André Ventura reconhecia então o resultado como “positivo para o Chega mas mau para o país”, tendo em conta o crescimento do PS.

Já na Iniciativa Liberal, o ambiente era esfuziante. “A probabilidade de ser uma grande noite para o liberalismo é grande, mas aguardemos porque a noite vai ser longa, mas é já certo que Portugal está hoje mais liberal”, afirmava o porta-voz do partido, Rodrigo Saraiva.

Agora o processo eleitoral segue para Belém. Na terça-feira, o Presidente da República receberá os partidos com representação parlamentar e depois indigitará António Costa para formar Governo. Marcelo vai pela primeira vez lidar com uma maioria mono-partidária e sabe que terá a sua margem substancialmente reduzida. Se queria mesmo o país governado ao centro, assente em entendimentos mais ou menos formais entre o PS e o PSD, falhou nesse objectivo.

Hoje o Presidente certamente salientará um dos dados mais relevantes desta eleição: a diminuição da abstenção (de 45,5% para 42% no território nacional).

joao.p.henriques@dn.pt

Diário de Notícias
João Pedro Henriques
31 Janeiro 2022 — 02:45


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473: Dia triste

– O artigo de opinião infra, é um extracto do artigo integral que pode ser lido no link abaixo e com o qual concordo (extracto), em absoluto, porque seria impensável que ainda existisse uma franja tão grande de fascistas na nossa sociedade.

OPINIÃO

… … Não pode deixar de se assinalar que o povo português tenha eleito como terceira força política um partido racista e xenófobo.

É preciso estar atento a esta realidade e é uma responsabilidade acrescida para o Partido Socialista que, tendo uma maioria para governar, deve ser capaz de melhorar substancialmente a vida dos portugueses para que não existam tantos cidadãos com vontade de votar no Chega.

Não é uma responsabilidade exclusiva de um governo ou de um partido, é uma responsabilidade de todos. Não podemos aceitar como inevitável esta triste história.

Jornalista

Diário de Notícias
Paulo Baldaia
31 Janeiro 2022 — 02:16


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472: Marcelo Rebelo de Sousa perdeu as eleições?

– Marcelo foi o único perdedor das eleições que ele próprio cavou, na convicção de poder ter o seu partido na governança de Portugal. Saiu-lhe o tiro pela culatra. As bazófias proclamadas pelo Rui D.Sebastião Rio, não passaram disso mesmo. Embora não tenha batido palmas ao PS pelas razões que já aqui mencionei em artigos anteriores, continuo na expectativa que a continuação da política de carregar sobre os mais pobres, todos aqueles que têm rendimentos mensais inferiores ao SMN e são objecto de carga fiscal desmesurada, vai continuar, nomeadamente nos escalões do IRS e na perspectiva risível do quem menos ganha, mais paga.

OPINIÃO

O medo de um governo de direita, que as inúmeras sondagens anteriores às eleições tornaram, erradamente, uma possibilidade viável na cabeça de muitos eleitores, levaram a uma concentração de votos da população de esquerda no Partido Socialista, com sacrifício do Bloco e da CDU, e originaram uma grande vitória pessoal de António Costa.

O PS está livre para formar o governo que quiser.

É uma vitória ao PSD, é uma vitória aos partidos da geringonça, é uma vitória à direita liberal, é uma vitória à direita nacionalista, e é, finalmente, uma vitória ao Presidente da República.

Na verdade, a vitória eleitoral de António Costa é politicamente tão forte e tão surpreendente que qualquer intenção do Presidente da República em influenciar a formação do próximo governo, o seu programa, as suas opções estratégicas, os parceiros a incluir ou a excluir de acordos de governação, toda a matemática no espaço que o estratega Marcelo Rebelo de Sousa certamente esteve a construir nos últimos meses, se esfumou na decisão emanada ontem dos boletins de voto.

O Presidente da República, ao contrário do que seria de esperar, parece condenado a ter um resto de segundo mandato em que tem de se confrontar com duas opções, face a um António Costa praticamente com as mãos livres para fazer quase tudo o que quiser.

A primeira é o Presidente da República começar a comportar-se com António Costa, em contraste com a convivência simpática anterior, como Mário Soares, no seu segundo mandato, fez com Cavaco Silva, que criticava frequentemente as opções do governo, solidarizava-se com os que se queixavam do primeiro-ministro, parecendo quase um líder da oposição.

A segunda é Marcelo Rebelo de Sousa conformar-se, pelo menos nos próximos tempos, a uma palidez política, a uma secundarização do seu papel, ofuscado pelo aumento de poder de António Costa, à espera de uma qualquer crise que volte a equilibrar para o seu lado a balança da capacidade de decidir os destinos do país, correndo o risco de que isso não aconteça até ao fim do seu mandato.

Qualquer das opções implica, de qualquer forma, que nos próximos tempos o homem que decidiu, glosando o seu discurso de sábado sobre estas legislativas, pela primeira vez na nossa história, que o chumbo de um Orçamento do Estado implicava a convocação de novas eleições, é também um dos castigados por essa antecipação do ato eleitoral.

Esta vitória do primeiro-ministro derrota também uma parte do próprio PS, que parecia estar a deixar de acreditar nele: uns criticavam-no pela sua opção de fazer acordos à esquerda, outros denunciaram a sua responsabilidade pelo fim da geringonça. Agora clamam, todos juntos, vitória.

Isto significa que, a partir de agora, o poder acrescido que António Costa conquistou o tornou igualmente um político mais isolado: todas as decisões que daqui em diante tomar vão-lhe ser imputadas, ninguém mais as atribuirá, para o bem ou para o mal, à necessidade de compromisso, a resultados de duras negociações, a cedências necessárias para manter a estabilidade governativa, que serão, obviamente, marginais. Esse tempo acabou.

Este é, portanto, o tempo para finalmente avaliar o carácter ideológico de António Costa: praticamente sem outros freios que não sejam os das limitações impostas pela União Europeia, livre de oposição interna, livre da influência de Marcelo, iremos ver no poder um homem de esquerda ou um homem de centro?

Jornalista

Diário de Notícias
Pedro Tadeu
31 Janeiro 2022 — 02:22


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471: Eleições Legislativas 30 de Janeiro de 2022

Afinal o basófias que afirmava que ia ganhar estas eleições, que eram favas contadas e que se o PS perdesse o Costa deveria ter a dignidade de se demitir, não foi bem assim… Penso que o bruxo que o aconselhou atirou ao lado.

Já aqui afirmei – e para quem não leu -, sou um completo ATEU religioso e partidário porque não acredito em aldrabões (políticos) que andam a enganar os eleitores (todos eles, sem excepção) por um lado e, por outro, andam a ROUBAR quem menos tem para continuarem a encher a pança aos ricos que representam uma minoria em quantidade mas uma maioria em termos de capitalismo.

Por isso, a vitória do PS não me diz nada, não me afecta nada, assim como não me afectam os resultados dos outros partidos.

Mas sendo ateu partidário, continuo a ser um crente político. E isto quer dizer que não me abstenho de criticar, sempre que exista motivo para isso e em minha opinião pessoal, todos aqueles que atentarem contra Portugal e contra o Povo Português.

Apenas tenho a lamentar que um partido racista, xenófobo, fascista, da extrema-direita, tenha conseguido alcançar o terceiro lugar na votação geral, passando por cima de partidos de esquerda. Quo Vadis Portugal?

É triste as pessoas já se terem esquecido do sofrimento causado durante o fascismo salazarista, da tenebrosa PIDE/DGS ao serviço de salazar e do regime do Estado Novo. E aqueles que não viveram esses tempos, teriam a obrigação de consultarem a História para que Portugal não tenda a cair novamente num regime de ditadura fascista, tão do agrado desse terceiro classificado que até sinto nojo por escrever o nome dele.

Francisco Gomes
30.01.2022

 

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